《Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli》Capítulo 28

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Point of View — Gabriel Martinelli

O dia começou caótico.

Dia de jogo sempre era assim, mas aquele tinha um peso diferente. Estreia na Copa. Não tinha espaço para erro.

Eu não consegui ir ao aeroporto buscar minha mãe com a Isa. Já estava no estádio quando elas chegaram a Doha. Aquilo me incomodava mais do que eu queria admitir.

A torcida já começava a lotar as arquibancadas, um mar de amarelo tomando conta de tudo.

Mas minha atenção não estava ali.

Estava nela.

Ana.

Ela conversava com a ex do Antony como se fossem amigas de anos. Aquilo era… estranho. Muito estranho.

Franzi a testa, observando a cena.

Antony se aproximou, pegou o filho no colo, disse alguma coisa para as duas e saiu logo depois. Fiquei acompanhando com o olhar, mas logo desviei, pegando o celular.

"Vocês vêm pro estádio?" — mandei para a Isa.

A resposta veio rápido.

"Sim, em 20 minutos estamos aí ❤️"

Guardei o celular.

Quando voltei a olhar, a ex do Antony já estava indo em direção às arquibancadas. E, para minha surpresa, Ana tinha ficado.

Com Lorenzo.

O pequeno chutava a bola de um lado para o outro, desengonçado, enquanto Ana tentava impedir que ele caísse.

Acabei sorrindo sem perceber.

A bola veio rolando na minha direção.

— TIO TINELLI!

Só então ele me viu.

Levantei, peguei a bola e fiz uma embaixadinha antes de devolver com cuidado. Ele riu alto e se sentou no chão, abraçando a bola como se fosse um troféu.

— Vem aqui.

Peguei ele no colo. Ana se aproximou, nos observando.

— Vai ver o jogo hoje? — perguntei.

— Sim! — ele respondeu animado. — Papai deixou. A tia Ana vai ficar comigo ali.

Ele apontou para a parte mais baixa da arquibancada, perto da comissão técnica.

— O Antony não quis ele lá em cima — Ana explicou. — Pediu pra eu ficar com ele aqui embaixo.

Assenti.

— Quero uma blusa igual do tio Tinelli — Lorenzo disse, fazendo bico.

Olhei para minha camisa de treino.

— Só tenho essa… é de jogo.

Ele fez um bico ainda maior.

Revirei os olhos, rindo de leve, e tirei a blusa, entregando para ele. Peguei um colete e vesti por cima.

— O Tite vai te matar — Ana comentou, rindo.

— O Antony me dá outra — dei de ombros. — É só de treino.

Lorenzo vestiu a camisa como se fosse a coisa mais importante do mundo.

— Colo, colo!

Peguei ele novamente.

— Ele gosta de você — Ana comentou, fazendo carinho na cabeça dele.

— Eu sou padrinho — sorri. — A gente não se vê tanto, mas… eu amo esse projeto de problema.

Ela riu.

— Tadinho, Gabriel.

— Ele é igualzinho ao pai. Dá medo.

Ela riu de novo.

— Mas ele também gostou de você — continuei. — Ele não gosta muito da Isa.

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— Como assim? A Isa é um anjo.

— É… — dei um meio sorriso — mas ela não curte muito criança. Nunca teve muita paciência. Quando conheceu o Lorenzo, ele era pequeno… bagunceiro. Não deu muito certo.

Ana balançou a cabeça, rindo.

— Tá vendo? Uma mulher perfeita dessas tinha que ter um defeito.

Antes que eu respondesse, ouvi meu nome.

Tite.

— Hora dos reservas aquecerem — falei, entregando Lorenzo para ela.

— Vai lá.

Saí correndo para o aquecimento.

Mesmo assim, de vez em quando, meu olhar escapava.

Ana estava na arquibancada com Lorenzo no colo, pulando com ele, incentivando.

— Papai! Papai!

Ela gritava, fazendo o pequeno rir.

Antony olhava de vez em quando… e sorria.

Desviei o olhar.

Respirei fundo.

Quando levantei a cabeça novamente, vi.

Cabelos loiros.

Isabella.

Ela entrava no estádio com a minha mãe logo atrás.

Um alívio estranho passou por mim.

Era bom tê-la ali.

Era… familiar.

Seguro.

---

Entramos para a concentração.

E então, o jogo começou.

Brasil contra Sérvia.

Eu estava no banco, mas a tensão era a mesma de estar em campo. Talvez até maior.

Primeiro jogo da fase de grupos.

A gente precisava começar vencendo.

O primeiro tempo foi travado. O Brasil pressionava, criava… mas não finalizava.

Faltava algo.

No intervalo, o clima era de cobrança silenciosa.

No segundo tempo, tudo mudou.

Aos 17 minutos.

Gol.

Richarlison.

O pombo saiu correndo, comemorando rápido antes de voltar para o campo. Era só o começo.

O time ganhou vida.

Confiança.

E aos 28…

Uma obra de arte.

Ele dominou, virou o corpo… e puxou uma bicicleta perfeita.

Golaço.

Daqueles que você vê uma vez e sabe que vai rever mil.

A gente do banco correu para abraçar.

E aí virou festa.

Richarlison puxou Neymar, Paquetá e Vini.

Eles começaram a dançar.

E pararam bem em frente à arquibancada.

Mais especificamente…

Na frente da Ana.

Eu ri, vendo ela acompanhar a coreografia, animada.

— FINGE QUE ESSE É O GOL QUE TU PEDIU PRO ANTONY!

Richarlison gritou, antes de voltar correndo para o jogo.

Meu sorriso morreu ali.

Como assim ela pediu gol pra ele?

Fiquei olhando para o campo, mas minha cabeça já não estava mais ali.

O jogo seguiu.

Controlamos o placar.

2 a 0.

Apito final.

Vitória.

A estreia que a gente precisava.

---

O pós-jogo virou bagunça.

Vi Richarlison ajudando Ana a descer com Lorenzo. O pequeno foi direto para o colo do Antony.

Neymar apareceu com uma caixa de som.

Paquetá com Duda.

Em segundos, o campo virou festa.

Richarlison carregava Ana nas costas.

Paquetá segurava os filhos.

Neymar ria de tudo.

E ela…

Ela parecia leve.

Livre.

Sorri de lado.

Mas não fiquei ali muito tempo.

— Amor!

Isabella surgiu na minha frente, sorrindo.

Antes que eu dissesse qualquer coisa, ela se jogou em mim.

O beijo veio rápido.

Quente.

Cheio de saudade.

— Senti sua falta — ela murmurou.

Passei os braços por ela automaticamente.

Mas, por um segundo…

Meu olhar desviou.

E encontrou Ana.

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