《Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli》Capítulo 27

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— Desembucha — murmurei, já arrependida de estar ali.

Gabriel soltou um riso baixo, claramente se divertindo com o meu desespero.

— Você estava muito bêbada. Eu te levei pro seu quarto, te coloquei no chuveiro… — ele fez uma pausa, tentando segurar o riso — você vomitou e começou a chorar dizendo que queria ir pro Brasil.

Fechei os olhos.

— Gabriel…

— Foi meio engraçado — ele completou.

— GABRIEL!

— Tá, tá — ele levantou as mãos, ainda sorrindo. — Eu te tirei do chuveiro, e aí começou o show. Você fez birra porque queria uma roupa minha. Eu te dei uma blusa… e você quase se enforcou tentando vestir.

Levei a mão ao rosto.

— Eu não acredito nisso…

— Eu precisei te ajudar — ele continuou, agora me olhando com um ar mais contido. — Em minha defesa… eu não fiz nada com você.

— O mínimo, né?

— Calma que piora.

Respirei fundo.

Claro que piorava.

— Eu tentei te colocar pra dormir, mas você não queria. Quando finalmente consegui, achei que ia poder sair pra buscar o Antony na festa…

Ele soltou um suspiro, balançando a cabeça.

— Mas não rolou.

— Meu Deus… isso não acaba nunca?

Ele cruzou os braços, me encarando.

— Você tentou abusar de mim, Ana Gabriela.

Eu congelei.

— Eu… o quê?

— Eu te chamei de louca e psicopata — ele disse, segurando o riso — e aí vem a melhor parte…

Meu coração disparou.

— Você me chamou de Antony.

Senti meu rosto queimar instantaneamente.

— Não…

— Sim. Você tentou me agarrar achando que eu era o Antony.

Mordi o lábio, completamente sem reação.

— Eu entrei em desespero — ele continuou, rindo — tentei te explicar que eu não era o Antony. Quando você finalmente entendeu… deitou e começou a chorar dizendo que queria "o Totony".

Eu fechei os olhos.

Eu queria desaparecer.

— Eu disse que ia buscar o Antony — ele continuou — levei ele pro quarto dele e fiz ele dormir. Foi mais fácil. Quando voltei pro seu quarto… você já tinha apagado.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando processar tudo.

— Hum… desculpa? — falei, completamente sem convicção. — Agora entendi a vergonha.

Ele me olhou com uma expressão meio incrédula.

— A vergonha não foi você bêbada, Ana. Foi você tentando me agarrar achando que eu era outro.

Desviei o olhar, completamente sem coragem.

— Prometo que nunca mais bebo.

Ele riu.

— Promessa perigosa.

E então me puxou para um abraço rápido, firme, quase automático.

— Eu não contei isso pro Antony — ele disse, mais sério. — Mas… se minha opinião vale alguma coisa… fica com ele. Só… espera um pouco. Você acabou de terminar.

Assenti em silêncio.

Ele beijou minha testa, se afastando logo em seguida.

— Dez minutos. O ônibus já vai sair.

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Observei ele se afastar, ainda tentando me recompor.

Quando voltei para o campo, a cena era outra.

Antony estava com a bola, e Raphinha ao lado, rindo de alguma coisa.

Respirei fundo e fui até eles.

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Point of View — Gabriel Martinelli

Sabe quando você acha que está começando a entender alguém… e de repente percebe que não entende absolutamente nada?

Ana era exatamente assim.

A única coisa que eu tinha certeza era que aquele tal de Higor tinha bagunçado ela de um jeito que eu nunca tinha visto. Porque tudo nela parecia intenso… e confuso ao mesmo tempo.

Na noite anterior, eu quase tive um colapso.

Quando ela subiu naquele pole dance e disse que ia dançar pra mim… eu travei.

Era absurdo.

E, ao mesmo tempo… impossível de ignorar.

Quando achei que já tinha sido o suficiente, levei ela pro quarto.

Erro meu.

Ali começou o verdadeiro caos.

Ela estava completamente fora de si. Eu tentei dar banho nela do jeito mais rápido possível, mas quando fui ajudar… ela simplesmente complicou tudo.

E, em algum momento, eu me vi tendo que cuidar de uma garota completamente vulnerável… tentando não ultrapassar nenhum limite.

E tentando, principalmente, não pensar demais.

O problema foi que… eu pensei.

E muito.

Teve um momento em que ela me puxou.

Outro em que me confundiu.

E em todos eles… eu precisei lembrar, o tempo inteiro, que ela não estava consciente do que fazia.

Isso não facilitava.

Muito pelo contrário.

O auge foi quando ela me chamou de Antony.

Ali eu não soube se ria ou se perdia a cabeça de vez.

E o pior não era isso.

O pior eram os extremos.

"Vou dançar pra você, Martinelli."

E depois…

Confundir completamente tudo.

Cachaça entra, verdade sai.

Mas… qual era a verdade dela?

Balancei a cabeça, tentando afastar aquilo.

Saí do vestiário depois do banho e voltei para o campo.

E então vi.

Paquetá e Richarlison riam alto enquanto Antony fazia flexões… com Ana nas costas.

— Vinte e três! — Paquetá gritava. — Vinte e qua—

— CHEGA! — Antony caiu no chão, rindo.

Ana desceu, também rindo, mas ele a puxou de volta pelo braço.

— Vinte e três e meia. O que eu ganho?

— Um parabéns — ela respondeu, divertida. — Agora vamos embora, o ônibus tá lá fora.

Ela se levantou, me olhou…

E sorriu.

Simples.

Leve.

Como se nada tivesse acontecido.

E então puxou Antony pela mão.

Meu peito apertou, mas eu ignorei.

— Eu falei, reage, Martinelli.

A voz do Neymar veio ao meu lado.

— Você ficou assistindo.

— O quê?

Ele riu.

— Quero ver amanhã. Você fingindo que tá tudo bem com sua namorada… enquanto fica olhando pra Ana com cara de quem tá perdido.

Revirei os olhos.

— Não tenho nada com ela.

— Não precisa ter — ele deu de ombros. — Tá na cara.

Fiquei em silêncio.

— Ela pode até estar sofrendo por outro — Neymar continuou — mas que ela quer o Antony… isso ela quer.

— Não me importo — respondi, seco. — Inclusive, apoio.

Ele riu alto.

— Para de mentir. Você tá pior que eu fingindo que já superei coisa antiga.

Ele saiu andando.

E eu fiquei ali.

Parado.

— Mas eu nunca tive nada com ela… — murmurei, mais pra mim mesmo.

Virei e segui para o ônibus.

Ana estava sentada com Paquetá e Richarlison, os três cantando alto, completamente fora de sintonia, com uma JBL no meio.

Como se o mundo fosse leve.

Como se nada pesasse.

Meu celular vibrou.

Isabella.

"Eu e sua mãe vamos embarcar pra Doha em uma hora ❤️"

Encarei a mensagem por alguns segundos.

Respirei fundo.

A realidade sempre dava um jeito de voltar.

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