《Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli》Capítulo 25

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• Ana Gabriela

Eu me arrumei melhor do que devia.

Como se aquilo fosse resolver alguma coisa.

Como se ficar bonita fosse me salvar.

Respirei fundo antes de bater na porta do quarto do Neymar… e, quando entrei, entendi que talvez tivesse sido um erro.

Metade do time estava ali.

Música alta.

Bebida espalhada.

Risos.

E algumas mulheres que eu definitivamente não fazia ideia de onde tinham saído.

O quarto dele era absurdo de grande. Muito maior que o dos outros.

— Meu Deus do céu…

A voz dele veio perto demais.

— Avisa a polícia que essa morena acabou de roubar meu coração.

Eu ri na hora.

Ele já estava bêbado.

— Quero ficar assim também. Bebeu o quê?

Ele estendeu o copo.

— Toma.

Aceitei.

Erro número um.

Comecei a andar pelo quarto, observando tudo… até que meus olhos pararam.

No meio do quarto.

Um pole dance.

Eu soltei um riso desacreditado.

Claro que tinha.

Óbvio que tinha.

E, pior… eu sabia usar.

Quando entrei no Corinthians, tive uma fase surtada de querer fazer aula. Fiz por um tempo… depois parei.

Mas ainda lembrava.

Infelizmente.

— ANA!

Virei na hora.

Paquetá.

Fui até ele e Duda, que já estava com um copo na mão.

— Achei que você não vinha — ele disse.

— Nem eu acreditei — ri fraco, virando o resto da bebida de uma vez.

Erro número dois.

— Acho que estão te esperando…

Duda apontou.

Antony.

E Martinelli.

Sentados um do lado do outro.

Observando.

Respirei fundo.

— Eu vou lá.

Sorri.

Fui até eles.

Os dois me olharam.

Mas o olhar que me prendeu foi o do Antony.

Pesado.

Lento.

Como se estivesse me despindo ali mesmo.

Eu prendi o ar.

— Me desidratou, Antony — ri, empurrando o ombro do Gabriel e me sentando entre eles.

— Esse vestido vermelho… me quebra — ele murmurou, beijando minha bochecha — que bom que você tá melhor.

Eu dei um sorriso torto.

— Melhor não… só ignorando os problemas.

Ele assentiu.

Gabriel não falou nada.

Mas eu sentia o olhar dele.

O tempo todo.

Conversamos.

Rimos.

Gabriel comentou que, em dois dias, a Isabella chegaria em Doha.

Que eu poderia sair com ela.

Tentar esquecer.

Como se fosse simples assim.

Como se desse.

Depois disso…

Eu decidi parar de pensar.

E comecei a beber.

Muito.

Em menos de meia hora, eu já estava rindo alto demais, dançando sem me importar, rodando pelo quarto com Neymar e Vinícius.

Leve.

Solta.

Ou pelo menos fingindo.

— Posso ir no pole?

Perguntei, parando na frente do Neymar.

Ele riu.

— Você sabe usar, gatinha? Não vai girar igual carrossel, não?

— Troca a música.

Ele me olhou, divertido… e foi.

A música mudou.

Alguma coisa famosa do TikTok.

A roda se formou em volta.

E, por um segundo…

Eu pensei em desistir.

Porque, no fundo…

Eu sabia o que aquilo ia causar.

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Mas então ouvi:

— VAI, MINHA GOSTOSA!

Antony.

Sempre ele.

E eu fui.

Segurei na barra.

Girei.

Subi.

Meu corpo lembrava mais do que eu imaginava.

Mesmo com a cabeça girando.

Mesmo com o vestido subindo mais do que devia.

Eu senti os olhares.

Todos.

Mas só um me prendeu.

Gabriel.

Sentado no fundo.

Olhos fixos.

Sérios.

Duros.

Como se estivesse tentando se controlar.

Ou como se estivesse prestes a explodir.

Eu devia ter descido.

Mas não desci.

Quando me preparei para girar de novo…

Uma mão segurou meu braço.

Forte.

— Já deu.

Eu nem precisei olhar.

— Vamos.

Era ele.

— Gabriel…

— Já teve seu show.

Ele não estava bravo.

Mas também não estava calmo.

Ele simplesmente me puxou.

E eu fui.

Sem resistir.

Ouvi vozes atrás.

Risos.

Alguém gritando meu nome.

Mas tudo ficou distante.

Minha cabeça girava.

— Qual é meu nome?

Ele perguntou, já no corredor.

— Martinelli… — murmurei.

— Completo.

Eu ri fraco.

— Gabi… Martinelli…

Ele fechou os olhos por um segundo.

— Ana Gabriela.

— Gabriel Martinelli, ué…

Ele me olhou.

Como se faltasse alguma coisa.

— Deus, me dá paciência.

Quando eu percebi…

Eu já estava debaixo de um chuveiro.

Gelado.

— AÍ!

— Fica.

Eu tremi.

A água escorrendo pelo meu corpo.

Levando embora um pouco da bebida.

Um pouco da coragem falsa.

Um pouco do caos.

— Você vai me deixar careca aos 25 — ele murmurou, passando a mão no meu cabelo, tentando desembaraçar — você me dá mais trabalho que minha namorada.

Eu ri baixo.

— Eu tava bem…

— Gabriel Teodoro Martinelli.

Ele falou meu nome completo como se fosse um aviso.

— Você não tava bem.

Eu não respondi.

Ele desligou o chuveiro, pegou uma toalha e me enrolou.

Me guiou pra fora.

Com cuidado.

Como sempre.

— Nunca fiquei bêbada com você — murmurei.

— Já ficou.

Ele abriu o guarda-roupa.

— E ficou tanto que nem lembra.

Ele me entregou uma blusa.

— Se veste. Vou fechar os olhos.

Eu assenti.

E me troquei.

Mais rápido do que eu esperava.

— Gabriel…

— Hm?

— Você vai jogar daqui dois dias?

Ele negou.

E me puxou pra cama.

— Quando você jogar… pode fazer um gol pra mim?

Minha voz saiu mais baixa.

Mais fraca.

— Eu preciso de uma lembrança que não seja o Higor fazendo gol pra mim.

Ele ficou em silêncio por um segundo.

— Eu prometi gol pra Isabella.

Ele se sentou ao meu lado.

— E eu sou reserva… já é difícil um. Imagina dois.

Eu fechei os olhos.

— Então vou pedir pro Antony.

Silêncio.

— Tudo bem.

A voz dele saiu baixa.

Mas eu senti.

— Ana…

Abri os olhos.

Ele estava perto.

Mais do que devia.

A mão dele segurou meu rosto.

O polegar passando devagar pela minha bochecha.

Como se limpasse algo que já não estava ali.

Ou talvez estivesse.

Ele se inclinou.

E beijou minha testa.

Devagar.

— Se comporta com os caras da seleção…

Ele se levantou.

— Eu não tenho saúde pra ver esses olhares em cima de você, não.

Eu ri fraco.

— Você não é meu pai.

Ele assentiu.

Sem discutir.

— Vou buscar o Antony.

E saiu.

Eu fiquei ali.

Deitada.

Cansada.

Vazia.

Quando ele voltou…

Eu já estava dormindo.

Mas não completamente.

Eu senti quando ele deitou.

Quando me puxou pra perto.

Quando o braço dele passou pela minha cintura.

E, antes de apagar de vez…

Eu ouvi.

Baixo.

Quase um sussurro.

— Eu tô muito ferrado.

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