《Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli》Capítulo 22

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@

choquei

:

Parece que a copa do mundo começou animada para nossos jogadores, segundo nossas fontes na manhã de hoje os jogadores tiveram o dia livre em Doha e aproveitaram para fazer jogos entre eles. Entre esses jogos o famoso verdade ou desafio.

Nosso atacante

@antony00

foi desafiado a provocar

@ana.cmacedo

e dizem que o negócio pegou fogo entre eles, mas o pior vem ai.Investigando um pouquinho a vida de nossa querida Ana Macedo descobrimos que ela namora um ex jogador da base do Corinthians,

@higorfarias03__.

Será que nosso ex Corinthians tem um acessório na cabeça e nem sequer sabe ainda?

Comentários

@fc.antony01:

Quem caralhos é Ana Macedo e oq ela tá fazendo com a seleção?

@

antony00

:

O foda é que cês estragam a vida das pessoas com mentira na moral mesmo. Tomar no cu.

• •

• Gabriel Martinelli

Eu não tinha gostado nem um pouco.

Nem do jogo.

Nem da ideia.

E muito menos da forma como o Antony tinha encostado nela.

Aquilo não saía da minha cabeça.

O jeito que ela tinha fechado os olhos.A forma como o corpo dela tinha reagido.

Aquilo me corroía.

Já era noite, e mesmo assim eu ainda estava preso naquela cena, como se estivesse assistindo tudo de novo, repetidamente, sem conseguir desligar.

Até que apareceu.

A porra da notícia.

Uma foto.

Um vídeo.

E a legenda.

Meu corpo inteiro gelou.

Eu não pensei.

Levantei na mesma hora e fui direto até o quarto dela.

Nem bati.

— Olha isso.

Entreguei o celular na mão dela.

Vi, no exato momento em que os olhos dela passavam pela tela, a expressão mudar.

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Como se o mundo tivesse desabado ali.

— Puta merda…

Ela levantou o olhar pra mim.

Os olhos já cheios.

— O Higor…

Eu respirei fundo, tentando manter o controle.

— Liga pra ele.

Se fosse comigo… se fosse a minha namorada naquela situação…

Eu já teria surtado há muito tempo.

Ela pegou o celular com as mãos trêmulas.

Eu entrei no quarto, fechei a porta e sentei na cama, observando.

— Higor… — a voz dela saiu baixa — calma… não grita comigo.

Eu a encarei.

Se uma lágrima caísse daquele rosto…

Eu não ia responder por mim.

— Meu celular caiu na piscina… por isso eu não respondi… eu não tava com o Antony. Porra, Higor… eu não tô te traindo…

Ela virou de costas pra mim.

E então eu ouvi.

O primeiro soluço.

Baixo.

Contido.

E mesmo assim… suficiente pra me desmontar.

O silêncio que veio depois durou pouco.

Mas pareceu uma eternidade.

— Não faz isso… — a voz dela falhou — eu não posso ficar sem você…

Eu fechei os olhos com força.

Aquilo doía de ouvir.

Doía mais do que devia.

— Foda-se se é temporário… eu não quero… Deus sabe quando eu vou poder ir pro Brasil explicar isso…

Ela virou pra mim.

E eu vi.

As lágrimas caindo sem controle.

Desesperadas.

— Não termina, por favor…

Foi quase um sussurro.

E dois segundos depois…

Ela caiu de joelhos.

— PORRA…

Eu levantei na hora.

Sem pensar.

Puxei ela pra mim, segurando com força.

O corpo dela tremia.

O choro vinha pesado, descompassado, como se ela estivesse sufocando.

— Ana, olha pra mim… olha pra mim…

Segurei o rosto dela.

A respiração completamente fora de controle.

— Respira comigo. Calma. Calma…

Peguei a mão dela e levei até o meu peito.

— Aqui. Foca aqui. Só em mim agora.

Ela tentava.

Mas não conseguia.

E aquilo me desesperava.

Fiquei ali.

Segurando.

Acalmando.

Esperando.

Aos poucos, a respiração foi voltando.

Irregular.

Fraca.

Mas voltando.

As lágrimas ainda caíam.

Eu limpei o rosto dela com cuidado.

— Me fala o que ele disse…

Ela engoliu seco.

— Ele disse… que eu traí ele…

Minha mandíbula travou.

— Continua.

— Que queria um tempo… eu falei que não podia… ele disse que era temporário… eu tentei explicar, mas… — a voz falhou — ele disse que se eu não queria tempo… então a gente terminava.

Ela voltou a chorar.

E dessa vez, mais forte.

Eu a abracei.

Sem saber o que fazer.

Sem saber como consertar aquilo.

— Tá doendo… — ela murmurou contra mim — tá doendo muito… faz parar, Gabriel… por favor…

Eu senti.

Ali.

Exatamente ali.

Como se alguma coisa dentro de mim quebrasse.

Eu apertei ela mais forte.

— Ei… ei… — minha voz saiu mais baixa — eu tô aqui… você não tá sozinha…

E eu não estava falando só por falar.

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Eu nunca tinha estado.

Fiquei com ela ali por quase meia hora.

Até o choro virar só soluço.

Até o corpo dela cansar.

Até não ter mais força pra cair nenhuma lágrima.

Com cuidado, levei ela até a cama.

Ela deitou devagar.

Os olhos vermelhos.

Perdidos.

— Já ouviu falar de dependência emocional?

Perguntei baixo.

Ela me olhou.

Confusa.

Fragilizada.

— Por que você tá falando disso…? — a voz saiu fraca — eu só quero ir embora…

Eu neguei com a cabeça.

— Você não vai embora.

— Quero voltar pro Brasil…

A voz dela tremeu de novo.

Eu sabia.

Se ela começasse a chorar outra vez…

Ia ser pior.

— A seleção tem psicólogo. Você vai conversar com ele amanhã.

— Eu não quero psicólogo. Eu quero ir embora.

Ela se virou, encolhendo o corpo.

Eu passei a mão no rosto, respirando fundo.

— Olha que eu vou contar pro Paquetá o que a fã dele tá fazendo.

Ela me olhou na hora.

— Não.

Eu quase ri.

Quase.

— Então para de falar em ir embora.

Ela ficou em silêncio.

Se encolheu mais.

Eu olhei o relógio.

Já era tarde.

Muito tarde.

Suspirei e me deitei ao lado dela.

Puxei ela pra perto.

Ela não resistiu.

Só se encaixou.

Como sempre fazia.

— Você precisa ficar bem… — falei, mexendo no cabelo dela — se você tá mal… eu também tô… imagina eu jogando assim daqui três dias.

— Por isso eu tenho que ir embora… — ela murmurou — eu só atrapalho…

— Você só atrapalha quando não tá aqui.

Ela ficou quieta.

— Quem vai ser meu porto seguro? — continuei — quem vai amar o Paquetá de graça? Quem vai aguentar o Neymar, o Antony, o Richarlison?

Ela soltou um suspiro fraco.

— Você virou o amuleto da seleção.

Silêncio.

Então ela falou.

Baixo.

Quase quebrando.

— Eu queria ser o amuleto do Higor…

Eu fechei os olhos.

Sentindo as lágrimas dela molharem minha camisa.

— Ele nunca te mereceu.

Afastei ela o suficiente pra olhar nos olhos.

— Eu sempre disse isso.

Ela me encarou.

E o que veio depois…

Me pegou desprevenido.

— Ele foi o único que ficou… quando você foi embora.

Meu corpo travou.

— Eu nunca fui embora.

Falei sério.

Porque eu sabia.

Eu tinha estado ali.

Sempre.

— Foi sim, Martinelli.

Ela sentou.

Os olhos ainda molhados.

Mas agora… havia algo diferente ali.

Mágoa.

— Começa a pensar. Lembra onde você me deixou.

— Você não pode me culpar assim só porque tá com dor.

Ela desviou o olhar.

— Sai daqui.

Aquilo me irritou.

— Ana—

— Sai. Eu preciso arrumar minhas coisas.

Fiquei parado por um segundo.

Tentando entender.

Mas ela já tinha decidido.

Levantei.

Fui até a porta.

— Eu vou colocar 26 jogadores na frente dessa porta se precisar.

Ela não respondeu.

— Se o problema foi eu ter ido embora… beleza.

Abri a porta.

— Eu não vou cometer o mesmo erro duas vezes.

Saí.

E o choro dela voltou.

Alto.

Pesado.

Aquilo me destruiu.

— O que você fez?

A voz do Antony veio do corredor.

Eu parei.

Olhei pra ele.

A irritação subiu na hora.

— Eu já falei pra você ficar longe dela.

Ele franziu a testa.

— Esse choro aí é culpa sua.

Passei por ele sem esperar resposta.

Desci as escadas.

Chamando os outros.

Porque eu conhecia a Ana.

Conhecia mesmo.

E se ela tivesse decidido ir embora…

Ela ia tentar.

E eu não ia deixar.

Não dessa vez.

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