《Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli》Capítulo 21

PUBLICIDADE

O círculo já estava formado.

E eu sabia.

Aquilo ali ia dar problema.

— Vamos estabelecer uma regra aqui — Neymar falou, levantando a mão — que eu ainda não sou destruidor de relacionamentos.

— Ainda — Vinícius Júnior murmurou, rindo.

— Rapaziada solteira de um lado, comprometidos do outro.

A divisão aconteceu rápido.

De um lado: Neymar, Vinícius, Antony, Gabriel Jesus, Richarlison e Rafaella.

Do outro: eu, Martinelli, Paquetá, Duda e Thiago Silva.

Alguns do time preferiram sair antes que a bomba estourasse.

— Comprometido não pode ser desafiado a beijar ninguém — Neymar continuou. — Agora… uma provocaçãozinha… uma encostada… aí já não me responsabilizo.

— Vai dar merda… — Paquetá começou a cantar. — Vai dar merda…

— Solteiro tá liberado fazer besteira — Vini completou. — Só lembra que tem gente casada aqui, viu.

Todo mundo riu.

Neymar girou a garrafa.

Parou em Paquetá perguntando para Rafaella.

— Verdade.

— Alguém da roda que você já pegou.

Silêncio.

Rafaella nem pensou.

— Antony.

O clima mudou na hora.

Neymar virou lentamente para o Antony.

— Vai tomar no meio do teu cu, Antony.

Todo mundo caiu na risada.

— Bora, roda isso aí.

A garrafa girou de novo.

Parou em Antony perguntando para Martinelli.

— Desafio, meu gato — Martinelli respondeu, sorrindo.

— Fraco… — Antony inclinou a cabeça. — Liga pra tua mãe e fala que engravidou uma mina.

— Você é um lixo — Martinelli riu, já pegando o celular.

Ligou.

Colocou no viva-voz.

— Mãe? Bença.

— Deus te abençoe, meu filho. Tudo bem?

— Tudo… — ele respirou fundo. — Fiz merda.

A roda inteira travou.

— Eu engravidei uma menina.

— O quê?! Gabriel Teodoro Martinelli—

A gente já estava passando mal de rir.

— A Isa não sabe ainda… eu não sei o que fazer…

— Quem é essa menina? Eu vou—

— É BRINCADEIRA, TIA! — Antony gritou.

A mulher começou a xingar.

Depois riu.

— Eu fui quase deserdado — Martinelli desligou, passando a mão no rosto. — Vai, roda isso.

A garrafa girou.

Parou em mim.

Richarlison sorria.

— Pombo, tenha piedade — falei, juntando as mãos.

— Verdade.

Respirei fundo.

— Vai.

Ele me olhou de lado.

— Tu e o Martinelli… nunca teve nada? Nem uma paixonzinha? Nem um beijo?

— AGORA SIM — Paquetá vibrou. — Começou.

Eu ri, sem graça.

Olhei para o Martinelli.

— Quando eu conheci ele… eu achei que gostava.

Silêncio.

— Acreditei até que ele gostava de mim também… mas eu tinha 14 anos. Eu não sabia nem o que era gostar de alguém.

Os olhos dele ficaram em mim.

Fixos.

— Mas passou — dei de ombros. — Nunca teve nada.

Richarlison estreitou os olhos.

— Tem certeza?

— NÃO — respondi rápido, arrancando risadas.

— Menos um concorrente, então.

— Graças a Deus vocês tão tudo tentando acabar com meu namoro — retruquei. — Roda essa porra.

PUBLICIDADE

Ele girou.

Parou em Duda perguntando para Antony.

— Desafio.

Ela cruzou os braços, pensativa.

E então…

Olhou para mim.

E para ele.

— Quero testar um negócio.

Já senti o perigo.

— Na minha cabeça, eu já tenho intimidade com a Ana — ela disse, tranquila. — Então… Antony… cinco minutos provocando ela.

Meu coração travou.

— Você deixa? — Antony perguntou, me olhando.

Segurei o ar.

— Não sinto nada por você, Tony. Vai na fé.

— ISSO A GLOBO NÃO MOSTRA! — Paquetá gritou.

Eu me levantei.

Antony também.

— Cinco minutos — Neymar falou, olhando o celular. — Valendo.

Antony não perdeu tempo.

Me puxou pela cintura.

Meu corpo colou no dele.

Minha respiração falhou.

As testas se encostaram.

Ele não me beijou.

Mas ficou perto o suficiente.

Muito perto.

Os lábios quase roçando nos meus.

— Ela namora, caralho — Martinelli falou, incomodado. — Qual a necessidade disso?

— Quando você gosta de alguém… não importa quem tá encostando — Neymar respondeu.

Aquilo me atravessou.

Antony desceu a boca pelo meu pescoço.

Devagar.

Sem pressa.

Meu corpo reagiu antes da minha cabeça.

Fechei os olhos.

— Tatuagem nova? — ele murmurou, passando a mão pelas minhas costas.

A pele arrepiou inteira.

A mão dele desceu.

Lenta.

Perigosa.

— TAMPA O OLHO DAS CRIANÇAS! — Paquetá gritou.

— Antony… — murmurei, sem muita força.

— Você disse que não sente nada — ele respondeu, baixo.

Mordeu de leve meu ombro.

Meu corpo traiu.

Respirei fundo.

— Garota… — ele me virou de frente de novo — se você terminar… eu juro que não vou facilitar pra você.

Nossos rostos colados.

— Não vou terminar.

— Veremos…

Ele encostou os lábios nos meus.

Sem beijar.

Só encostar.

— Gostosa.

— CHEGA! — Neymar gritou. — Já deu.

Afastei.

Olhei em volta.

Duda e Paquetá tampavam os olhos das crianças rindo.

Rafaella assistia como se fosse um show.

E Martinelli…

Estava parado.

Mandíbula travada.

Olhos em mim.

— Vocês são uns monstros — falei, me sentando.

Antony só riu.

Girou a garrafa de novo.

Os jogos continuaram.

Mais leves.

Mas o clima…

Não voltou ao normal.

— Última rodada — Neymar anunciou.

Girou.

Parou nele perguntando para Martinelli.

— Verdade.

— Quem dessa roda você já quis pegar?

— Você resumiu bem — Thiago Silva riu. — Só tem problema aí.

— Fala, verdadeiro.

Martinelli me olhou.

Meu coração disparou.

Um segundo.

Dois.

— Sua irmã — ele falou, olhando para Neymar. — Rafaella. Eu nem sonhava com seleção ainda.

Neymar assentiu, satisfeito.

— Tá liberado.

O jogo acabou.

— Obrigado por me darem entretenimento pelos próximos dias — Neymar disse, levantando. — E por traumatizarem meu filho.

— Ele é seu filho, já viu coisa pior — respondi.

Ele riu.

— Se você ficar comigo, ele só vai ver coisa boa.

Revirei os olhos.

— Por que ninguém cala a boca dele? — Martinelli murmurou.

Mas ele não olhava pro Neymar.

Olhava pra mim.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia