《Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli》Capítulo 17

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Point of View — Ana Gabriela

Já no hotel, eu ri baixo assistindo ao vídeo que o Gabriel tinha postado.

Eu no meio de Neymar, Vinícius Júnior e Lucas Paquetá, ensinando uma dancinha completamente sem noção.

Caótico.

Vergonhoso.

Perfeito.

Meu Instagram, em compensação, tinha virado um inferno.

Notificações sem parar.Comentários em várias línguas.Seguidores subindo a cada segundo.

Era estranho.

Bonito… mas estranho.

---

O último dia na Itália foi calmo.

Pela primeira vez desde que chegamos, ninguém quis bagunça.

Só descanso.

Silêncio.

Respirar antes do caos.

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— Oi.

Levantei o olhar quando abri a porta.

Gabriel estava ali, já pronto para viagem. Elegante, sério… diferente.

Na mão, um vestido prateado.

— É pra você.

Peguei, analisando.

Justo. Bonito. Um decote discreto em V.

Chique demais pra mim.

— Obrigada…

— Todo mundo lá embaixo em uma hora.

Ele se aproximou.

Instintivamente, eu recuei.

Foi automático.

E eu percebi no mesmo segundo.

Ele também.

O olhar dele mudou, confuso.

— Uhum… — murmurei, sem explicar.

Gabriel não insistiu.

Só saiu.

E eu fiquei ali… parada.

Sem entender nem a mim mesma.

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Uma hora depois, já estávamos no avião.

Dessa vez, os lugares eram em trio.

Janela.

Eu.

No meio.

Richarlison.

Corredor.

Paquetá.

E, em algum lugar atrás…

Martinelli, rindo com Antony e Neymar.

Ele tinha me trocado.

E eu odiei perceber que isso me incomodou.

---

As doze horas de voo passaram rápido demais.

Richarlison era insuportavelmente engraçado.

Paquetá… era o equilíbrio.

O pai do grupo, junto com Everton Ribeiro.

Era confortável estar ali.

Leve.

Sem pensar em mais nada.

---

Quando pousamos…

A ideia surgiu.

E, obviamente, era uma péssima ideia.

— Aqui — Paquetá sussurrou, pegando a caixa de som — escolheu a música?

— "Puxa a tropa" — Richarlison riu — o professor vai amar.

— Se eu virar reserva, eu acabo com você — Paquetá respondeu, dando um tapa nele.

Eu ri.

Claro que eu ri.

E concordei.

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O piloto já estava nos olhando com ódio quando decidimos descer.

Richarlison levantou.

Eu pulei nas costas dele.

Paquetá ligou a caixa no volume máximo.

E então…

Nós descemos.

— O BRASIL TÁ NA ÁREA!

A torcida gritou.

Flashs.

Gritos.

Energia.

E, em segundos, Neymar já estava dançando com Paquetá.

Eu desci das costas do Richarlison, rindo.

Era impossível não se deixar levar.

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— Você nem gosta de bagunça, né?

Senti braços me puxando.

Antony.

— Vambora — ele riu — antes que o Martinelli surte.

— Por quê?

— Não deixei ele dormir.

— Idiota.

— Por isso você fica comigo — ele piscou — eu te protejo do mal-humorado.

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Nos carros, o cansaço bateu.

Gabriel já estava apagado no banco.

Eu me ajeitei entre ele e Antony, apoiando a cabeça.

Pela primeira vez…

Silêncio.

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O hotel era enorme.

Famílias já ocupavam parte dos quartos.

O restante ficou para os jogadores.

Por algum milagre…

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Meu quarto ficou entre os de Richarlison e Neymar.

— Posso trocar — Martinelli disse — fico no meio deles.

— Não precisa…

— Meu quarto cabe você! — Antony gritou, entrando no elevador.

Martinelli fechou a cara.

E eu… ignorei.

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No quarto, o silêncio me engoliu.

Peguei o celular.

Abri a conversa.

Higor.

> "Cheguei no Catar… os meninos são incríveis. Vou tietar todos por você.Manda um beijo pra minha mãe… ela tá me ignorando desde que desliguei na cara dela."

Mensagem visualizada.

Nada mais.

Esperei.

Minutos.

Silêncio.

O tipo de silêncio que responde mais do que palavras.

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Entrei no banheiro.

Liguei o chuveiro.

E deixei a água cair.

Fria.

Pesada.

E, quando percebi…

Eu já estava chorando.

Sem esforço.

Sem controle.

Sem tentar esconder.

Eu não me importava com o vestido caro encharcando.

Nem com nada.

Só…

Doía.

Doía estar longe.

Doía não saber se ainda existia "nós".

Doía me sentir sozinha… mesmo rodeada de gente.

---

Batidas na porta.

Respirei fundo.

Saí do chuveiro, tirei o vestido e me enrolei no roupão.

Abri.

— Uou… — Antony desviou o olhar — foi mal, eu só…

— Fala…

— A gente vai pra piscina… eu, Martinelli, Gabriel Jesus, Paquetá, Duda e o Ney… vim te chamar.

Hesitei.

— Já vou.

— Te espero.

---

Coloquei um biquíni preto.

Por cima, a camisa do Sport Club Corinthians Paulista.

Olhei no espelho.

Olhos vermelhos.

Cabelo bagunçado.

Respirei fundo.

Prendi o cabelo.

E saí.

---

Antony me olhou por alguns segundos.

Sem falar nada.

Pegou os óculos escuros do rosto e colocou em mim.

— Tá de noite…

— Sua cara tá de choro. E eu não quero sair como vilão.

Soltei um sorriso fraco.

— Obrigada.

— Sempre.

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Descemos.

O braço dele na minha cintura.

Proteção silenciosa.

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Na piscina, caos.

Risadas.

Gente pulando na água.

Música.

Paquetá me puxou.

— Essa é a Duda.

Eu sorri.

Educada.

Cansada demais pra surtar.

— Depois vocês conversam — Antony interrompeu, me puxando de volta — deixa ela comigo.

— Antony… — Paquetá olhou sério.

— Eu não fiz nada — ele respondeu — mas se alguém fez… eu resolvo.

Antes que eu percebesse, ele beijou minha bochecha.

— Isso… sorrindo.

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Duda me abraçou com cuidado.

— Você é linda… a gente conversa depois.

Assenti.

Ela era um amor.

E eu não tinha forças nem pra reagir.

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Antony me puxou para perto.

Eu fechei os olhos.

— Foi ele, né? — ele murmurou — quer que eu vá no Brasil resolver isso?

— Cala a boca… — minha voz saiu quebrada.

Ele me apertou.

Mais forte.

Mais firme.

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— NÃO ESQUECE QUE ELA NAMORA!

A voz de Martinelli cortou o ambiente.

Alta.

Direta.

E aquilo…

Aquilo foi o suficiente.

As lágrimas voltaram.

Sem aviso.

Sem controle.

Enterrei o rosto no peito de Antony.

E ele, pela primeira vez, ficou sério.

— Eu tô aqui… — sussurrou — eu cuido de você, Aninha… calma…

Ele passou a mão no meu cabelo.

Devagar.

— Menina bonita não chora.

Eu ri.

Entre as lágrimas.

Sem conseguir parar.

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Porque, no fundo…

Eu já estava entendendo.

Que às vezes…

Não importa o quanto algo seja bonito.

Se for mal cuidado…

Ele quebra.

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