《Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli》Capítulo 16

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Point of View — Ana Gabriela

— Oi… — atendi a ligação, apoiando o celular entre o ombro e o ouvido enquanto terminava de me arrumar — tudo bem?

Do outro lado da linha, a voz de Higor veio baixa demais.

— Sim… você chegou bem?

Meu coração apertou.

— Cheguei. A viagem foi tranquila… — fiz uma pausa — e você? Tá tudo bem?

Silêncio.

Pequeno, mas pesado.

— É estranho — ele disse — parece que você tá ainda mais longe.

Fechei os olhos.

Respirei fundo.

Não chora.

— É por causa do Sociedade Esportiva Palmeiras? — tentei aliviar.

— Vou ser apresentado semana que vem… mas jogar mesmo só no estadual.

Sorri, mesmo sabendo que ele não podia ver.

— O Sport Club Corinthians Paulista vai dar um sacode tão bonito em vocês…

— Você não perde, né?

— Jamais.

Ele riu baixo.

— Sabe o que é pior? Vou ter que fazer gol no Cássio… e vou travar igual você trava quando vê o Gabriel Jesus.

Soltei uma risada sincera.

— Conheci o Lucas Paquetá hoje — falei, tentando animar o clima — ele é um amor… vou casar com ele.

— Fico feliz por você — ele respondeu, rindo — preciso desligar.

Meu sorriso diminuiu.

— Tá… se cuida. Te amo.

— Também.

A ligação caiu.

E o silêncio que ficou… doeu mais do que a conversa.

Respirei fundo, encarando meu reflexo no espelho.

Vestido azul escuro, decote marcado — parte da tatuagem aparecendo.Maquiagem bem feita para esconder o cansaço.Cabelo preso num coque bagunçado, alguns fios soltos.

Bonita.

Mas cansada.

Muito mais do que eu queria admitir.

Bati levemente nas bochechas.

— Vamos.

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As batidas na porta me fizeram sorrir.

"Martinelli", pensei.

Abri…

E quase tive um treco.

— Boa noite — Neymar sorriu.— Antony sequestrou o Martinelli — explicou Vinícius Júnior.— A gente veio te buscar — completou Paquetá.

Eu não pensei.

Só abracei ele.

Forte.

— Eu amo que ela me ama — ele riu, retribuindo.

— Por que eu não sou amado assim por uma fisioterapeuta bonita? — Neymar reclamou.

— Porque você não merece — respondi, sem pensar.

Eles riram.

— Ele vai me adotar — falei, já andando abraçada com o Paquetá — vou virar irmã do Bê e do Pippo.

Ele riu e beijou minha testa.

E, por um instante…

Tudo pareceu leve.

Simples.

Como se eu não tivesse nenhum problema no mundo.

---

O restaurante estava cheio.

Praticamente toda a seleção reunida.

— Falta o Richarlison… — comentou Thiago Silva.

Como se fosse chamado…

Um carro parou na frente, som alto explodindo.

E ele desceu dançando.

— Tá explicado — murmurei.

— Próxima vez eu vou com você — disse ele, me abraçando quando se aproximou.

— Fechado.

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Sentei ao lado de Martinelli.

Ele estava… impecável.

Terno preto, postura reta, cabelo arrumado.

Mas o detalhe que me chamou atenção foi a corrente dourada no pescoço.

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Com um pingente.

— I de Isabella? — perguntei.

— É — ele respondeu — ela tem um com G.

Assenti, sorrindo de leve.

Era bonito.

Simples.

E significativo.

Me fez pensar em fazer algo assim com o Higor.

Talvez…

Talvez fosse uma forma de diminuir a distância.

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O jantar foi leve.

Risadas, piadas, histórias.

Por algumas horas… eu simplesmente existi ali.

Sem peso.

Sem culpa.

Sem dúvida.

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Mas a paz durou pouco.

— Vamos pro meu quarto — Neymar anunciou — é maior.

E assim começou o caos.

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Música alta.

Risadas.

Dança.

Gente espalhada por todo lado.

Eu só lembrava de ter bebido mais do que devia.

Muito mais.

E de ter rido.

Muito.

---

Acordei no chão.

Com dor de cabeça.

E o Antony apagado do meu lado.

— Meu Deus…

Levantei devagar, tentando não fazer barulho.

Saí do quarto e fui direto pro meu.

Banho.

Silêncio.

E cama.

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Às oito da manhã…

Treino.

E, surpreendentemente, todos estavam vivos.

— Daqui dois dias embarcamos pra Doha — disse Tite — hoje é treino pesado. Amanhã descanso.

Enquanto eles treinavam…

Eu estava no banco.

Mexendo no celular.

Pensando.

Sem pensar.

Até fazer a pior ideia possível.

Abri meu Instagram.

E tirei do privado.

Erro.

Grave erro.

Em segundos, as notificações explodiram.

Seguidores subindo sem parar.

E então…

— NÃO É POSSÍVEL — falei alto demais.

"@cbf_futebol começou a seguir você""@neymarjr começou a seguir você""@vinijr começou a seguir você""@lucaspaqueta começou a seguir você"

— PAQUETÁ, NOSSA ESPOSA ME SEGUIU! -Falei vendo a última notificação que era Duda Fournier me seguindo.

Silêncio.

Todo mundo parou.

E o Tite me lançou um olhar.

— Desculpa…

— Você quer namorar minha esposa ou quer que eu te adote? — Paquetá gritou de longe.

Eu ri.

— Os dois!

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O treino acabou.

Alguns ficaram no campo.

Paquetá, Vini e Neymar.

Martinelli sentou ao meu lado, sem camisa, ainda ofegante.

— O que eles estão fazendo?

— Dancinha de gol.

Olhei.

Pensei.

E tive a pior ideia possível.

— JÁ SEI!

Saí correndo até eles.

— Cruzou no ombrinho, dá uma chamadinha… — comecei a dançar — entendeu? Depois desce devagarinho…

Eles me olharam por dois segundos.

E começaram a rir.

— Gostei — disse Vini, tentando imitar.

Neymar já estava colocando música.

E, de repente…

Eu estava ensinando dancinha pra Seleção Brasileira.

E sendo filmada.

Quando olhei pro lado…

Martinelli estava gravando.

Sorrindo.

Daquele jeito que…

Me desestabilizava.

E, pela primeira vez desde que cheguei…

Eu senti.

Que talvez…

Essa Copa fosse mudar tudo..

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