Point
of
View — Ana Gabriela
Na manhã seguinte, o tempo pareceu correr mais rápido do que o normal. Quando percebi, já estava saindo para buscar o Higor. Era quase onze horas quando cheguei, e acabei esperando mais do que imaginava — quase meia hora parada ali, observando o portão, com o coração acelerado de ansiedade.
Até que ele apareceu.
Higor saiu olhando em volta, me procurando, e no instante em que nossos olhares se encontraram, o sorriso dele se abriu de um jeito que fez todo o tempo de espera valer a pena. Ele abriu os braços, e eu nem pensei duas vezes antes de correr até ele.
— Eu senti tanto a sua falta… — sussurrei contra o peito dele.
Me afastei só o suficiente para beijá-lo. A mão dele deslizou para o meu cabelo, segurando firme, enquanto eu envolvia seu pescoço, deixando minhas unhas marcarem levemente sua pele. Ele se afastou, com um sorriso baixo.
— Deixa eu te ver…
Segurou meu rosto com cuidado, como se estivesse confirmando que eu era real.
— Meu Deus… você tá linda.
Ri, puxando ele pela mão.
— Nem acredito que você tá aqui.
Pegamos um táxi e fomos direto para o meu apartamento. Assim que chegamos, ajudei com as malas, mas Higor, como sempre, tomou a frente na cozinha.
— Tenho uma notícia — ele disse, mexendo nas panelas. — Acho que você vai gostar… pelo menos de uma parte.
Aproximei-me, abraçando-o por trás.
— Fala logo.
Ele respirou fundo antes de dizer:
— Quando eu voltar pro Brasil… vou assinar com o profissional do Palmeiras.
Eu congelei.
— O quê? Palmeiras?
— É… — ele coçou a nuca, meio sem graça. — Um olheiro me viu na Copinha, começou a negociação com o Corinthians… e acabou que me compraram. Por um valor alto, inclusive. Eu nem sabia que valia isso tudo.
Ele deu um sorriso pequeno, meio incrédulo.
— Eu sei que tô saindo do Timão… mas o Palmeiras também é gigante.
Respirei fundo, processando.
— Eu sei.
Fiquei em silêncio por um segundo, então balancei a cabeça, rindo.
— Que droga, Higor… agora você vai me obrigar a assistir jogo do Palmeiras.
Ele riu, me puxando para um abraço.
Depois do almoço, passamos o resto do tempo tentando compensar a distância — entre risadas, beijos e aquela sensação confortável de ter ele ali comigo de novo. No meio da tarde, lembrei de avisar o Martinelli que começaria o tratamento no dia seguinte.
Mais tarde, enquanto estávamos deitados, olhei para Higor.
— Amor… posso postar sua despedida do Corinthians?
Ele suspirou.
— Pode… eu também preciso fazer isso. Só… tá faltando coragem.
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???? Londres
@ana.cmacedo: Acho que todo ciclo chega ao fim… e o ciclo do meu amor com a minha maior paixão também chegou.Te ver sair do Corinthians não é fácil, mas eu sei que você tá pronto pra coisas maiores.Espero que aquele time verde cuide bem de você — e te ame do jeito que eu e o Corinthians sempre amamos.Obrigada por tudo nesses anos, vida. Boa sorte na sua nova jornada, @higorfarias03__
Curtido por gabriel.martinelli, dejesusoficial, corinthians e outras pessoas
@higorfarias03__
Obrigado, princesa. Te amo muito. Vamos fazer história naquele time verde. ????
Obrigado por tudo, Timão.
@corinthians
Nosso casal propaganda se desfazendo ????
Brincadeiras à parte, desejamos toda sorte do mundo nessa nova fase. Cuida bem dele, Verdão!
@antony00
Meu cunhado já chegou em Londres causando emoção. Parabéns, irmão. E você… para de chorar, pirralha.
Resposta:
Sai daqui.
Depois de tanta saudade acumulada, acabamos no sofá assistindo One Piece. Era quase um ritual nosso — simples, mas que sempre fazia tudo parecer no lugar.
No dia seguinte, acordei cedo, com um único objetivo: resolver o mais rápido possível a situação com o Martinelli.
— Oito da manhã, Ana? — Higor resmungou da cama, me vendo já pronta.
Cruzei os braços.
— Hoje eu tô de bom humor, então vou te dar uma chance. Quer ir trabalhar comigo? Você tem dez minutos.
Ele arregalou os olhos e praticamente pulou da cama.
E, para minha surpresa, conseguiu.
Ri, negando com a cabeça.
No táxi, olhei para ele com seriedade.
— Primeiro: você vai conhecer o Martinelli. Então, se comporta.— Segundo: isso é meu trabalho. Então fica quieto e não me atrapalha.
Ele fez um bico infantil.
— E se seu amigo me provocar?
— Higor… cala a boca.
Ele riu.
Quando chegamos, mandei mensagem avisando que tinha chegado. Meu chefe me enviou a ficha de avaliação. Ajustei minha bolsa no ombro, segurei a mão do Higor e bati na porta.
Quem abriu foi a Isa.
— EU SABIA! — ela praticamente gritou ao ver o Higor. — Sabia que ele ia aparecer aqui!
— Oi… — ele riu, meio sem jeito. — Higor.
— Isabella! — ela o abraçou. — Entrem. Aninha, o Martinelli tá na área da piscina.
— Valeu, Isa. Vem, amor.
Higor veio atrás de mim. Quando chegamos, encontrei o Gabriel deitado, boné cobrindo o rosto, sem camisa.
— Martinelli.
— Ana, você che— — ele se levantou, mas travou ao ver o Higor. — Que porra é essa?
Revirei os olhos.
— Meu namorado. Agora fica quieto e vamos trabalhar.
— Quero aqui fora.
— Tá.
Sentei ao lado dele, com cuidado, retirando a faixa do pé. Passei o gel e levantei o olhar.
— Tá doendo?
— Eu fico o dia inteiro parado… não dói — respondeu, sem me encarar.
— Vou mexer. Se doer, fala.
Comecei o trabalho, pressionando pontos específicos. Em um deles, ele soltou um gemido involuntário.
— Martinelli?
— Tá… doendo. Aí.
Continuei com cuidado, alternando pressão e pausa. Depois de meia hora, finalizei com gelo.
— Agora massagem e a gente termina. Se tudo correr bem, em cinco dias o inchaço diminui bastante. Em duas semanas você já deve estar melhor.
Ele assentiu.
Comecei a massagem, concentrada.
— Ei… — ele chamou o Higor, que estava no celular. — Sobre aquilo da live… foi mal. Eu não tava bem.
Higor levantou os olhos.
— Relaxa. Eu não ligo.
Fez uma pausa, dando de ombros.
— Também nunca gostei de você. Mas sei ficar quieto.
Eu fechei os olhos por um segundo.
Ótimo.
— Fiquei sabendo que vai pro Palmeiras… — Gabriel provocou. — Traição com o Corinthians.
— Não é assim que funciona — Higor respondeu, agora encarando ele. — Futebol é profissão. Isso não muda pra quem eu torço.
— Quero ver falar isso em clássico.
— Meu futebol te incomoda tanto assim? — Higor guardou o celular. — Tá com medo de me enfrentar numa Libertadores?
Perfeito. Era tudo o que faltava.
Gabriel se afastou de mim, irritado.
— Chega. Pode ir embora. E leva ele junto.
Me levantei imediatamente.
— Sério, Gabriel? — balancei a cabeça. — Eu ainda não acredito que você tá estragando tudo por orgulho.
Peguei minhas coisas e puxei o Higor.
Já do lado de fora, dei um tapa leve no braço dele.
— Você também podia ter ficado quieto.
— Desculpa… — ele fez cara de culpa.
Revirei os olhos, mas segurei um sorriso.
O táxi chegou, e entramos em silêncio.
Mas eu sabia.
Aquilo ainda tava longe de acabar.