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《A Noiva de Máscara de Madeira》PARTE 5

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A Catedral de São Miguel do Império já não parecia mais um templo.

Parecia um tribunal do passado.

Cada vitral projetava luzes quebradas sobre rostos que já não sabiam em quem confiar.

Eveline Duarte Lima permanecia imóvel no centro da nave, como se o próprio chão tivesse deixado de ser seguro.

Caio Montenegro Vasconcelos ainda não conseguia respirar normalmente.

O Rei Augusto de Alencar segurava dois arquivos em mãos.

E agora… havia silêncio até demais.

Como se o mundo estivesse esperando a próxima verdade cair.

“Isso não faz sentido…”, disse um dos duques da corte, finalmente rompendo o silêncio.

Sua voz tremia.

“Uma princesa não pode ter múltiplas identidades registradas oficialmente.”

O rei não respondeu de imediato.

Ele apenas olhou para o documento que acabara de ser entregue pelo guarda real.

E então fechou os olhos.

“Ela tem três registros oficiais.”

A frase caiu como uma bomba dentro da catedral.

Eveline levantou o olhar imediatamente.

“Três?”

Sua voz era quase inexistente.

Caio virou-se lentamente para o rei.

“Isso é impossível.”

O rei levantou o primeiro arquivo.

“Este é o registro original de nascimento.”

Ele levantou o segundo.

“Este é o registro criado após o sequestro.”

E então o terceiro.

“E este… é o registro que alguém alterou ontem à noite.”

Um murmúrio atravessou os nobres.

“Ontem à noite?”, alguém repetiu.

O rei assentiu lentamente.

“Dentro do sistema do arquivo imperial.”

Eveline sentiu o corpo gelar.

“Então alguém ainda tem acesso ao sistema…”

Caio completou, com voz baixa:

“Alguém dentro do palácio.”

O silêncio ficou mais pesado.

E agora já não era apenas sobre identidade.

Era sobre controle.

O rei deu um passo à frente.

“E agora o mais importante.”

Ele abriu o terceiro arquivo.

E leu em voz alta.

“Teste de DNA comparativo entre a amostra da Casa Vasconcelos e a linhagem de Alencar.”

O ar pareceu desaparecer.

Eveline deu um passo instintivo para trás.

“DNA…?”

Caio virou lentamente o rosto para o rei.

“Isso foi feito quando?”

O rei respondeu:

“Há três dias.”

E então olhou diretamente para Eveline.

“E confirmado ontem.”

O impacto foi imediato.

Alguns nobres se levantaram.

Outros começaram a sair discretamente.

Mas ninguém conseguiu realmente fugir do que estava acontecendo.

Eveline levou a mão ao peito.

“Confirmado… o quê exatamente?”

O rei respirou fundo.

“Você não é apenas filha do sangue real.”

Silêncio absoluto.

“Você é a herdeira biológica direta da linhagem principal de Alencar.”

A palavra “herdeira” ecoou como sentença.

Eveline congelou.

“Não…”

Sua voz falhou.

“Isso não pode ser verdade…”

Caio deu um passo para trás.

Não por medo dela.

Mas do que aquilo significava.

“Se isso for verdade…”, ele disse lentamente.

“Então ela é a sucessora legítima do império.”

O rei assentiu.

“Sim.”

E nesse instante… algo que estava prestes a explodir finalmente se moveu dentro da catedral.

Um dos ministros da corte levantou-se abruptamente.

“Isso muda toda a linha de sucessão!”

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Outro seguiu:

“Se a princesa está viva, todos os tratados anteriores são inválidos!”

Um terceiro gritou:

“E o acordo com a Casa Vasconcelos?”

O nome atingiu o ar como uma lâmina.

Caio ficou rígido.

Eveline percebeu.

“Que acordo?”, ela perguntou imediatamente.

Mas ninguém respondeu.

Porque agora todos estavam olhando para Caio.

O rei fechou os olhos por um instante.

E quando abriu, sua voz estava mais pesada.

“Há vinte e seis anos…”

Ele fez uma pausa.

“…foi firmado um pacto entre a Casa Vasconcelos e a coroa.”

Eveline franziu o cenho.

“Pacto?”

O rei continuou.

“Um casamento político que uniria as duas linhagens e consolidaria o controle do império.”

Silêncio.

“Mas esse pacto dependia de uma condição.”

Ele olhou diretamente para Caio.

“Eliminar a herdeira legítima.”

O mundo pareceu parar.

Eveline congelou completamente.

“Eliminar…”

Sua voz quase não saiu.

Caio fechou os olhos por um segundo.

E quando abriu, já não havia mais defesa.

Eveline deu um passo em direção a ele.

“Você sabia disso.”

Não era uma pergunta.

Era uma confirmação quebrando dentro dela.

Caio não respondeu imediatamente.

E isso foi suficiente.

O silêncio na catedral começou a se tornar insuportável.

Eveline deu outro passo.

“Você sabia… que eu era a herdeira.”

Caio respirou fundo.

“Eu soube depois.”

Ela riu.

Mas não havia humor.

“Houve um depois?”

Caio finalmente falou.

“Quando já era tarde demais para mudar o que foi feito.”

Eveline se aproximou mais.

“E o meu filho?”

Caio travou.

E esse silêncio foi mais violento do que qualquer resposta.

Eveline entendeu.

E isso quebrou algo dentro dela de forma irreversível.

O rei ergueu a voz.

“Chega.”

Todos olharam para ele.

“Agora não é mais sobre passado.”

Ele virou-se para os ministros.

“É sobre controle do império.”

Um dos duques gritou:

“Se a herdeira está viva, precisamos convocar o Conselho Supremo imediatamente!”

Outro respondeu:

“E remover a Casa Vasconcelos do poder!”

Caio virou-se rapidamente.

“Isso é um golpe político disfarçado de revelação.”

Mas ninguém ouviu mais.

Porque todos já estavam escolhendo lados.

Eveline estava no meio do caos.

Mas sua mente não estava mais ali.

Estava em fragmentos.

Infância falsa.

Vida fabricada.

Morte do filho.

E agora… herança real.

Ela levou a mão ao pingente no peito.

“Então tudo isso…”

Sua voz estava vazia.

“Não foi só mentira.”

Ela olhou para o rei.

“Foi uma guerra.”

O rei não negou.

Nesse momento, as portas da catedral se abriram novamente.

Um homem entrou apressado.

Oficial do arquivo imperial.

Ele estava pálido.

“Majestade…”

Ele respirava com dificuldade.

“Encontramos algo no sistema.”

O rei virou-se imediatamente.

“O quê?”

O homem levantou um dispositivo selado.

“Um quarto registro de DNA.”

Silêncio.

Eveline congelou.

Caio também.

O homem continuou:

“Mas este… não pertence à princesa.”

Ele hesitou.

“Pertence a outra pessoa registrada com o mesmo código genético.”

O ar ficou impossível de respirar.

O rei deu um passo à frente.

“Qual pessoa?”

O homem olhou para Eveline.

E disse:

“Um sobrevivente não declarado do mesmo nascimento.”

E nesse instante…

Eveline entendeu que tudo o que ela descobriu até agora ainda não era o final da verdade.

Era apenas a primeira camada.

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