《Toque de Mistério: O Alarme que Parou o Aeroporto》Capítulo 5

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Um raio de sol entrava pela janela no fim do corredor.

Dissipando um pouco da neblina.

"Zico", Xavier deu um tapinha no meu ombro.

"Desta vez, devemos isso a você."

Dei um sorriso, sem dizer nada.

Levantei minha mão direita.

Esta mão tinha acabado de tocar no segredo mais sombrio de uma criminosa.

Agora, ainda restava um pouco de uma frieza vaga nela.

Eu sabia.

Esse frio não se dissiparia por um longo tempo.

Ele seria como uma marca.

Lembrando-me a cada momento.

Que o que toquei foi o mal mais profundo da natureza humana.

Capítulo 10

O caso terminou.

Fabiana e Sérgio foram entregues à justiça.

O que os espera é o julgamento final da lei.

As notícias relataram por alguns dias.

"Funcionário da alfândega identifica caso chocante com olho aguçado".

Meu nome não foi mencionado.

Usaram apenas "funcionário da alfândega Sr. Zhou" para substituir.

Isso era a proteção de Xavier para mim.

Recebi uma medalha de honra de terceira classe.

E uma recompensa generosa.

A equipe deu um jantar de celebração, muito animado.

Mas não bebi nem um gole.

Todos estavam celebrando o nascimento de um herói.

Apenas eu sabia que não sou um herói.

Sou apenas alguém que pode tocar a morte.

Aquele frio não desapareceu com o fim do caso.

Ele é como um espinho de gelo invisível, cravado no meu dedo indicador direito.

De tempos em tempos, uma lufada de ar frio emerge.

Subindo pelas juntas dos meus ossos.

Comecei a lavar as mãos com frequência.

Com água fervente.

Esfregando a pele até ficar vermelha e quente.

Parece que só assim consigo dissipar aquele frio sombrio.

Mas sei que não adianta.

Não está na pele.

Está na minha memória, na minha alma.

Tirei alguns dias de folga.

Fiquei em casa sozinho.

Fechei as cortinas, sem ver a luz do sol.

Fiquei revivendo aquela cena repetidamente.

O reservatório, a estação de bombeamento, o salgueiro.

E o rosto inchado e pálido de Sheila.

Aqueles olhos que não conseguiram se fechar na morte.

Comecei a sofrer de insônia.

Assim que fecho os olhos, vejo aquela água fria.

Fui encaminhado para aconselhamento psicológico.

Este é o procedimento padrão após casos graves.

A psicóloga é uma mulher de meia-idade muito gentil.

Ela me fez muitas perguntas.

Sobre a cena do crime.

Sobre meus sentimentos.

Respondi de forma impecável.

Disse que fiquei assustado, vi cenas trágicas e desenvolvi uma reação de estresse agudo.

Disse todas as reações que uma pessoa normal deveria ter.

Mas não contei sobre aquela pedra.

Não contei sobre aquele frio.

Não contei sobre aquela alucinação que passou como um flash.

Como eu poderia contar?

Dizer que posso tocar o ressentimento dos mortos?

Dizer que posso ver como eles estavam antes de morrer?

Eles me tratariam como um herói ou como um monstro?

O diagnóstico final da médica foi transtorno de estresse agudo.

Sugere que eu descanse, relaxe e socialize mais com amigos e familiares.

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Com o relatório na mão, saí do hospital.

A luz do sol incidia sobre mim, aquecendo-me.

Mas aquele meu dedo indicador direito continuava gelado.

As férias terminaram e voltei ao meu posto de trabalho.

A esteira de bagagens ainda zumbia.

As malas ainda passavam uma após a outra.

Parecia que nada tinha mudado.

Mas também parecia que tudo tinha mudado.

Comecei a evitar subconscientemente o uso da mão direita para tocar nas bagagens.

Coloquei luvas.

Um colega perguntou o que houve.

Disse que era um pouco de alergia na pele.

Xavier viu isso durante sua ronda.

Ele não disse nada, apenas se aproximou e deu um tapinha pesado no meu ombro.

A palma de sua mão era quente e espessa.

Através do uniforme fino, consegui sentir aquela força.

Ele entende tudo.

Olhei para os passageiros que iam e vinham.

Observei as expressões diferentes em seus rostos.

Alegria, exaustão, expectativa, apatia.

De repente, tive uma sensação.

Dentro da mala de cada um deles, existe uma história.

Uma história com a qual eu nunca me importei e que não conseguia tocar antes.

Mas agora.

Parece que tenho a chave para abrir essas histórias.

E essa chave.

Pode levar ao paraíso.

Ou pode levar a um inferno ainda mais profundo.

Meu olhar pousou na minha própria mão direita.

Ela jazia ali silenciosamente.

Como uma besta adormecida.

Capítulo 11

A vida voltou à calmaria.

A esteira rolante girava dia após dia.

Minha vida também era como esta esteira.

Monótona, repetitiva, sem um fim à vista.

Aquele frio que se alojava na ponta dos meus dedos diminuiu gradualmente.

Já não era tão cortante.

Mas não desapareceu.

Como um fantasma, ele me lembrava de sua existência a todo momento.

Eu ainda trabalhava de luvas.

Isso se tornou um hábito.

Capitão Xavier me mudou de posto.

Saí da inspeção de bagagens para o monitoramento de raio-X.

Ele disse que eu precisava descansar e que este cargo era mais tranquilo.

Eu entendia; ele não queria que eu tocasse mais naquelas coisas.

Ele estava me protegendo.

Meu trabalho diário era sentar diante da tela.

Observando a estrutura interna de cada mala.

Roupas, livros, eletrônicos.

Ocasionalmente, algumas sombras suspeitas exigiam a abertura da mala para verificação.

Na maioria das vezes, era um alarme falso.

Esse trabalho é desgastante.

Exige extrema paciência e foco.

Mas eu gostava.

Porque não precisava falar com ninguém.

Nem precisava usar as mãos para tocar naqueles passados desconhecidos.

O tempo passou assim por dois meses.

Eu quase tinha me esquecido do caso de Sheila.

E quase tinha me esquecido do "superpoder" da minha mão.

Pensei que tudo continuaria assim.

Até aquele dia.

Naquela tarde, havia pouca gente.

Eu estava olhando para a tela, quase cochilando.

Uma mala entrou no meu campo de visão.

Era uma mala de couro bem velha.

Na tela, havia apenas um pequeno objeto quadrado dentro dela.

Densidade muito alta.

Parecia uma urna funerária.

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Trazer uma urna funerária é permitido, mas exige cumprir trâmites legais.

Pressionei o botão de pausa.

Avisei aos colegas na inspeção para verificarem.

Depois de um tempo.

Um colega me chamou pelo rádio.

"Zico, venha aqui um pouco."

Senti um aperto no coração.

Caminhei até lá.

Ao lado da mesa de inspeção, estava um idoso de cabelos brancos.

Ele vestia um terno Zhongshan desbotado de tanto lavar.

Suas costas estavam bem retas, mas seus olhos estavam cheios de exaustão.

A mala já estava aberta.

Dentro, havia realmente uma caixa de madeira preta.

Não havia entalhes, era muito simples.

O colega parecia preocupado.

"Este senhor diz que são as cinzas da esposa dele. Ele quer levá-la para casa."

"Mas o atestado de óbito e o certificado de cremação dele são escritos à mão, sem carimbo oficial."

"De acordo com as regras, não podemos liberar."

O idoso estava muito ansioso.

"Oficial, minha esposa faleceu em um vilarejo pequeno no exterior. Lá não existem essas coisas, isto é o comprovante dado pelo chefe do vilarejo."

"Estamos longe de casa há décadas, o único desejo dela era ser enterrada de volta sob aquela árvore na nossa terra natal."

Sua voz tremia e seus olhos estavam vermelhos.

O colega estava em uma situação difícil.

As regras são rígidas.

Ele não podia abrir uma exceção.

Olhei para aquele idoso e depois para a caixa de madeira.

Por um impulso inexplicável.

Tirei as luvas.

Estendi a mão e, suavemente, pressione-a sobre a caixa de madeira.

Não havia frio.

Não havia ressentimento.

Uma emoção calorosa, carregada de uma tristeza infinita e saudade.

Lentamente, emanou da caixa.

Como uma canção silenciosa.

Diante dos meus olhos, algumas imagens passaram.

Folhas de ginkgo douradas cobrindo o chão.

Uma jovem moça de tranças sorrindo sob a árvore.

Um jovem vestindo o mesmo terno Zhongshan, olhando para ela, bobo.

A cena mudou.

Eles envelheceram.

A vovó, sentada em uma cadeira de rodas, apontava para fora da janela.

"Para casa... Eu quero ir para casa..."

A imagem desapareceu.

Recuei a mão bruscamente.

Meu coração parecia ter sido atingido por algo.

Azedo e inchado.

Olhei para o idoso.

"Senhor, sua esposa... ela gostava muito de ginkgo?"

O idoso ficou paralisado.

Seus olhos turvos se encheram instantaneamente de lágrimas.

Ele balançou a cabeça com força.

"Sim... nós nos conhecemos sob aquele grande ginkgo na entrada do vilarejo."

Minha garganta deu um nó.

Virei-me para o meu colega.

"Libere."

"Mas, Zico, as regras..."

"Eu garanto", olhei para ele, palavra por palavra.

"Se algo acontecer, eu assumo a responsabilidade."

O colega olhou para mim atordoado.

Depois olhou para o idoso.

Finalmente, ele carimbou a liberação.

O idoso fez uma profunda reverência para nós.

Ele abraçava aquela caixa de madeira como se abraçasse o tesouro mais precioso do mundo.

Tremendo, saiu pelo saguão.

Observei suas costas.

Pela primeira vez, senti.

Esta minha mão talvez não traga apenas morte e medo.

Ela também pode tocar o amor e o calor.

Ela pode permitir que uma alma volte para casa em paz.

Capítulo 12

O caso do idoso foi como uma pequena pedra.

Em meu coração, gerou ondas concêntricas.

Comecei a reexaminar minha habilidade.

O medo que ela trazia ainda existia.

Mas aquela sensação de calor e tristeza também era igualmente real.

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