《Toque de Mistério: O Alarme que Parou o Aeroporto》Capítulo 4

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Sob a água, um objeto escuro foi sendo arrastado lentamente para cima.

Ficava cada vez mais perto da superfície.

No momento em que o objeto foi retirado da água.

Todos prenderam a respiração.

Era uma pessoa envolta em pesadas redes de pesca.

Dentro das redes, várias pedras pesadas também estavam amarradas.

O médico legista e os especialistas em perícia correram imediatamente.

Eles cortaram a rede de pesca.

Um cadáver feminino foi revelado diante de nós.

Ela estava submersa por tempo demais.

O corpo estava altamente inchado e esbranquiçado.

Irreconhecível.

Mas aquele rosto.

Aquele rosto distorcido pelo medo e pela asfixia.

Aqueles olhos bem abertos, que não conseguiram se fechar na morte.

Exatamente igual ao que vi na minha alucinação.

Era ela.

Sheila.

Não aguentei mais, virei-me e fui para o lado, vomitando violentamente.

A água gelada do lago.

O espírito desesperado da injustiçada.

E as duas pedras, carregadas de ressentimento infinito.

Tudo se encaixou.

Capítulo 8

A notícia de que o cadáver havia sido encontrado foi como uma bomba.

Destruiu completamente a defesa psicológica dos dois suspeitos.

Voltamos à delegacia central durante a noite.

Desta vez, a sala de interrogatório mudou.

Sérgio e Fabiana foram detidos separadamente.

Xavier e eu fomos primeiro à sala de interrogatório de Sérgio.

Ele não dormiu a noite toda.

O cabelo estava desgrenhado e os olhos cheios de sangue.

O que já foi um homem refinado, agora parecia um cão sem dono.

Xavier jogou algumas fotos da cena do crime diante dele.

Eram as fotos do cadáver de Sheila sendo retirado da água.

Horrível de se ver.

Sérgio olhou apenas uma vez e entrou em colapso.

Ele abraçou a cabeça, soltando um lamento como o de uma besta.

"Ah! Não me mostrem! Não me mostrem!"

"Agora sabe o que é medo?", a voz de Xavier era fria como gelo. "Quando você a jogou no fundo do reservatório, por que não pensou neste dia?"

"Não fui eu! Principalmente não fui eu!"

Sérgio levantou a cabeça, com lágrimas e catarro escorrendo pelo rosto.

"Foi Fabiana! Tudo culpa daquela mulher venenosa!"

Ele confessou tudo.

Ele e Fabiana já estavam envolvidos há muito tempo.

Ambos cobiçavam os bens em nome de Sheila.

Sheila descobriu o caso deles, pediu o divórcio e queria recuperar tudo o que lhe pertencia.

Então, eles decidiram matá-la.

"Naquele dia, fui eu quem a convidei para a beira do reservatório."

A voz de Sérgio tremia.

"Eu disse a ela que teríamos uma última conversa. Ela veio."

"E depois?"

"Depois Fabiana também veio. Nós... nós discutimos. Fabiana... ela pegou uma pedra e golpeou a cabeça de Sheila por trás."

"Sheila caiu na hora, perdendo muito sangue."

"Fiquei paralisado de medo. Mas Fabiana foi muito calma e disse que, já que fizemos, devíamos terminar."

"Ela me pediu ajuda para... afundar Sheila."

"A rede de pesca e as pedras, tudo foi preparado por ela. Ela disse que era o mais seguro e que nunca seria descoberto."

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A confissão de Sérgio empurrou toda a responsabilidade principal para Fabiana.

Ele se pintou como um cúmplice covarde, induzido por uma mulher.

É confiável?

Eu não acredito em uma palavra.

Em seguida, fomos à sala de interrogatório de Fabiana.

Ela também sabia da notícia de que o cadáver fora encontrado.

Mas sua reação foi completamente diferente da de Sérgio.

Ela não chorava, não fazia barulho.

Apenas sentada lá, sem expressão.

Seu olhar era vazio como um buraco negro.

"Sérgio confessou tudo", disse Xavier. "Ele disse que você foi a mentora, que foi você quem executou."

Ao ouvir isso, um sorriso bizarro se formou no canto da boca de Fabiana.

"Ele disse isso?"

"Sim."

"Hehehe... hehehehehe..."

Ela começou a rir, a risada ficando cada vez mais alta e estridente.

Como o choro de uma coruja noturna.

"Aquele inútil! Aquele homem sem coragem!"

Ela bateu na mesa de repente, encarando-nos fixamente.

"Isso mesmo! Eu a matei!"

Ela confessou.

Confessou de forma limpa e direta.

"Eu nunca suportei aquela minha irmã mais nova!"

Seus olhos estavam cheios de inveja e ressentimento.

"Por que? Somos irmãs de sangue, por que desde pequena ela era mais bonita e mais inteligente que eu, e todos gostavam dela?"

"Por que ela pôde se casar tão bem, sem precisar fazer nada, e ter dinheiro infinito para gastar?"

"E eu? Eu tive que lutar arduamente no exterior, engolindo sapos!"

"Aquele lar, aquele dinheiro, deveriam ser meus!"

Sua mentalidade já estava completamente distorcida.

"Sérgio, aquele covarde, eu já estava enjoada dele há muito tempo. Se não fosse pelo fato de ele poder me ajudar a conseguir dinheiro, eu o teria chutado há muito tempo."

"Eu planejei tudo. E fui eu quem a golpeou até a morte."

Ela dizia isso com um tom calmo, como se falasse de algo insignificante.

Xavier e eu sentíamos um frio na espinha.

Este era um demônio completo.

"Tenho mais uma pergunta", perguntei a ela.

"E aquelas duas pedras?"

"Você matou a pessoa, jogou o cadáver, por que levar as duas armas do crime consigo?"

"E ainda teve todo o trabalho de fazer um fundo falso para tentar levar para o exterior?"

Essa pergunta parecia tocar seu segredo mais profundo.

Pela primeira vez, uma expressão de medo surgiu no rosto de Fabiana.

Ela olhou para mim, seus lábios se movendo, mas nenhuma palavra saindo.

Capítulo 9

O silêncio de Fabiana fez a sala de interrogatório mergulhar em um vazio mortal.

O medo em seus olhos não era fingido.

Era o pavor de algo inominável.

Capitão Xavier e eu trocamos olhares.

Sabíamos que a parte mais estranha deste caso estava justamente naquelas duas pedras.

Matar, desovar o corpo, por dinheiro, por paixão.

Tudo isso tem uma lógica a ser seguida.

Mas levar para o exterior a arma do crime, manchada com o DNA da vítima?

Isso é completamente ilógico.

A menos que essas duas pedras tivessem para ela um significado mais importante do que apenas "arma do crime".

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"Do que você tem medo?", perguntei, fixando meus olhos nos dela.

"Medo de que o espírito da sua irmã venha atrás de você?"

Tentei apenas um palpite.

Para minha surpresa, o corpo de Fabiana estremeceu violentamente.

Seu rosto ficou mais branco que papel.

"Você... como você sabe?"

Ela deixou escapar.

Eu e Xavier ficamos chocados.

Tínhamos acertado.

Essa mulher, insana e implacável, acreditava em fantasmas e divindades.

"O ressentimento da sua irmã ao morrer devia ser muito forte, não é?"

Continuei, baixando a voz, como a sedução de um demônio.

"Ela não conseguiu descansar em paz, afundada no fundo frio da água. Você não sonha com ela toda noite?"

"Sonha com aquele rosto inchado, perguntando a você: por quê?"

"Cale a boca! Cale a boca!"

Fabiana tapou os ouvidos, balançando a cabeça freneticamente.

Sua defesa psicológica estava sendo destruída passo a passo por mim.

"Você carregava essas duas pedras seguindo o conselho de algum 'mestre', não é?"

Xavier deu o golpe de misericórdia no momento certo.

"Disseram que essas duas pedras eram pedras de apaziguamento de almas, para segurar o corpo dela. Contanto que você levasse as pedras para o exterior e as jogasse no fundo do oceano, ela nunca reencarnaria e nunca mais te encontraria."

"Não é isso?"

Fabiana colapsou completamente.

Ela desabou sobre a mesa, chorando amargamente.

Como uma criança perdida.

Mas, ao olhá-la, não sentimos a menor compaixão.

Ela contou tudo, aos soluços.

Acontece que, depois de matar Sheila, Fabiana não teve mais paz.

Ela sentia constantemente que os olhos da irmã a observavam na escuridão.

Ela encontrou um mestre de Feng Shui, supostamente vindo do Sudeste Asiático.

Esse mestre lhe disse que, em casos de homicídio e descarte de corpo, o ressentimento permanece no local do crime e na arma utilizada.

A alma da vítima se apegaria a esses objetos.

Para se libertar completamente, era necessário levar a arma do crime, manchada com o sangue e a carne da vítima, para o lugar mais distante da terra natal.

O ideal seria jogá-la nas profundezas do oceano.

Assim, a alma seria isolada pelas correntes terrestres e aquíferas, tornando-se um espírito errante que nunca encontraria o caminho de volta para casa.

Aquelas duas pedras, usadas para golpear Sheila até a morte e depois para prendê-la e afundar o corpo, tornaram-se aos olhos de Fabiana os "objetos de apaziguamento de almas" mais importantes.

Ela arriscou tudo, correndo um risco imenso, só para levá-las embora.

Porque ela tinha medo.

Medo de que aquela irmã, a quem ela mesma assassinou, subisse do fundo da água para cobrar sua vida.

A verdade veio à tona.

Absurdo, ridículo e lamentável.

Uma mulher com ensino superior não acredita na lei, não tem consideração pela família, mas é supersticiosa com coisas tão etéreas e ilusórias.

Para se livrar do que ela chamava de "mal pela raiz", armou esse plano que considerava impecável.

Mas não esperava encontrar-me na alfândega.

Não esperava encontrar esta minha mão, capaz de tocar o ressentimento.

O caso foi encerrado.

Fabiana e Sérgio enfrentarão as sanções mais severas da lei.

Saí da sala de interrogatório com Xavier.

O céu lá fora já tinha clareado.

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