《Toque de Mistério: O Alarme que Parou o Aeroporto》Capítulo 3

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O corpo de Sérgio ficou tenso de forma imperceptível.

"Eu entendo."

"Antes de Sheila desaparecer, como era o relacionamento de vocês?"

"Muito bom", respondeu Sérgio sem hesitar. "Somos colegas de faculdade, nosso relacionamento sempre foi estável. É apenas que... ela contraiu depressão mais tarde e seu temperamento ficou muito instável."

"Ela chegou a mencionar a irmã, Fabiana, para você?"

"Mencionou", Sérgio assentiu. "O relacionamento entre as irmãs não era muito bom. Fabiana sempre achou que Sheila se casou comigo por interesse, olhando para nós com desprezo em tudo."

O que ele dizia e a confissão de Fabiana eram versões completamente diferentes.

Xavier continuou fazendo algumas perguntas convencionais.

Não interrompi.

Levantei-me, fingindo examinar a decoração do quarto.

Na parede da sala, havia uma grande foto de casamento.

Na foto, Sérgio e Sheila sorriam docemente.

Sheila era muito bonita, um pouco parecida com Fabiana, mas com um temperamento mais gentil.

Meu olhar pousou no rosto de Sheila na foto.

Então, estendi a mão e toquei levemente o vidro da moldura com a ponta dos dedos.

Naquele instante.

Frio.

A sensação de frio familiar me atingiu novamente.

Mas, diferente daquele frio sombrio e cheio de ressentimento que vinha das pedras.

Nesse frio, havia uma tristeza e decepção infinitas.

Em minha mente, flashes de cenas fragmentadas surgiram.

Discussões.

Copos de vidro quebrados.

O rugido furioso de um homem.

E o rosto de Sheila cheio de lágrimas.

Ela olhava para o homem à sua frente, e em seu olhar não havia amor, nem ódio.

Era um desespero absoluto, cinzento como cinzas.

Recuei minha mão bruscamente.

Meu coração batia forte.

Virei-me e olhei para Sérgio, que ainda respondia às perguntas.

Ele também sentiu meu olhar e levantou a cabeça.

Em seu olhar, um breve lampejo de pânico.

Caminhei até Xavier e sussurrei.

"Capitão, ele está mentindo."

"A pessoa que ele ama não é Sheila."

Capítulo 6

Minhas palavras foram como uma pedra lançada em um lago calmo.

O olhar de Xavier tornou-se afiado instantaneamente.

Ele olhou para Sérgio, depois para mim, sem perguntar nada.

Ele escolheu acreditar em mim.

O interrogatório de Sérgio continuou.

Mas o ritmo havia mudado.

As perguntas de Xavier começaram a ficar extremamente opressivas.

"Sr. Sérgio, o senhor acabou de dizer que seu relacionamento com Sheila era muito bom?"

"Sim... sim." Sérgio começou a suar frio na testa.

"Então por que, de acordo com nossa investigação, nos seis meses anteriores ao desaparecimento de Sheila, ela foi várias vezes ao escritório de advocacia consultar sobre o divórcio?"

O rosto de Sérgio empalideceu instantaneamente.

"Ela... isso era depressão, imaginação dela..."

"É mesmo?", Xavier deu uma risada fria. "E por que um imóvel pré-nupcial em nome dela foi transferido para o seu nome um mês antes do desaparecimento dela, por um preço muito abaixo do mercado?"

"Isso... isso ela doou voluntariamente para mim! Ela disse que não queria lidar com esses assuntos mundanos!"

Sérgio começou a falar de forma desconexa.

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"Última pergunta", Xavier levantou-se, caminhou até ele e olhou-o de cima.

"No dia em que Sheila desapareceu, onde você estava? O que estava fazendo?"

"Eu... eu estava fazendo hora extra na empresa! O dia todo!"

"Verificamos as câmeras de vigilância e os registros de ponto da sua empresa. Você saiu da empresa às três da tarde daquele dia e só voltou na manhã seguinte."

"Onde você esteve nessas doze horas?"

Sérgio colapsou completamente.

Ele desabou no sofá, respirando fundo com dificuldade.

"Não fui eu... realmente não fui eu..."

Ele repetia isso constantemente.

Mas seus olhos evitavam contato e não ousavam olhar para nós.

Sabíamos que ele estava perto de confessar.

Mas não era o momento ainda.

Não tínhamos provas diretas de que ele havia cometido o homicídio.

Ao sair da casa de Sérgio, já era madrugada.

No carro, Xavier não dizia nada, fumando um cigarro atrás do outro.

"Zico", ele de repente começou.

"Hum?"

"O que você tocou?"

"A foto de casamento deles", disse eu. "Senti uma tristeza e um desespero intensos vindos de Sheila. E também imagens de discussões. O olhar dela para Sérgio não parecia o de uma amante."

"Portanto, o amor conjugal que Sérgio descreveu é tudo mentira."

"Sim."

"O motivo existe, a linha do tempo não bate, ainda faltam provas", Xavier massageou as têmporas. "O mais crucial ainda são as duas pedras."

"Por que Fabiana levaria consigo duas pedras manchadas com o DNA da irmã?"

Essa pergunta pairava sobre nossas cabeças como uma névoa densa.

Por dinheiro?

Sérgio parecia muito mais rico que ela.

Por ódio?

Mas por que ela correria o risco de ser exposta levando uma evidência tão crucial consigo?

Inconcebível.

Deve haver uma lógica aqui que não pensamos.

Voltamos à delegacia central.

Na sala de interrogatório, Xiao Wang e os outros ainda estavam trabalhando.

Fabiana era muito resistente, insistindo apenas que foi Sérgio quem fez, sem dizer mais nada.

O departamento técnico estava iluminado.

Léo e sua equipe estavam fazendo uma análise mais aprofundada das duas pedras.

Disse a Xavier: "Quero ver aquelas duas pedras novamente."

Xavier hesitou por um momento e assentiu.

Na sala de evidências.

As duas pedras cinzentas estavam colocadas em uma caixa de evidências estéril.

Sob a luz, pareciam comuns demais para serem extraordinárias.

Coloquei as luvas especiais.

Novamente, estendi a mão e segurei uma delas.

Frio.

Sombrio.

Aquele rosto mergulhado na água surgiu novamente diante dos meus olhos.

Mais claro do que qualquer vez anterior.

Suportei a dor de cabeça como se estivesse sendo perfurada por estacas de gelo, sem soltar.

Tenho que ver claramente.

Ver mais claramente.

Tenho que saber onde ela está.

Gradualmente, a imagem diante de mim começou a mudar.

Não era mais aquele rosto.

Mas uma extensão aberta de água.

Parecia uma represa.

À beira da represa, havia uma estação de bombeamento muito antiga.

Ao lado da estação, havia um enorme salgueiro.

Os galhos do salgueiro pendiam sobre a água.

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Com o vento, balançavam suavemente.

Pareciam mãos convocando almas.

Soltei a pedra bruscamente, encharcado de suor frio.

Apoiei-me na mesa, ofegante.

"Capitão..."

Minha voz estava rouca.

"Eu... talvez eu saiba onde Sheila está."

Capítulo 7

Xavier pegou o rádio imediatamente.

Sua voz estava um pouco rouca devido à emoção.

"Notifiquem a equipe técnica da delegacia central!"

"Tragam equipamentos de busca subaquática e mergulhadores!"

"Imediatamente! Agora mesmo!"

Depois de gritar, ele olhou para mim.

"Endereço!"

Meu cérebro ainda estava zumbindo.

Aquelas imagens impactavam meus nervos.

"Não sei o endereço exato."

"Mas lembro do caminho."

"Entre no carro!"

Corremos para fora do prédio da delegacia.

A sirene não foi ligada.

Era uma operação secreta.

Sentei-me no banco do passageiro e orientei o caminho baseando-me nas imagens fragmentadas em minha mente.

Saímos da cidade.

Pegamos a rodovia.

Entramos na estrada estadual.

A estrada foi ficando cada vez mais isolada.

As luzes foram ficando cada vez mais escassas.

A atmosfera dentro do carro era tão opressiva que era difícil respirar.

Xavier segurava o volante com força, as veias saltadas no dorso de suas mãos.

Ele não dizia nada, mas seu perfil era ainda mais solene que a escuridão da noite lá fora.

Mais de uma hora depois.

Apontei para uma estrada secundária.

"Desça por aqui."

Era uma estrada de terra, muito esburacada.

Onde a luz do carro alcançava, havia apenas ervas daninhas e sombras de árvores.

Dirigimos por mais dez minutos.

Uma vasta superfície de água apareceu diante de nós.

Sob o luar, brilhava com um reflexo prateado.

Um reservatório.

"Pare."

Pedi a Xavier para parar o carro.

Saímos.

O vento noturno era muito frio, cortando o rosto como uma faca.

Olhei ao redor.

Ao longe, havia um contorno escuro.

"Estação de bombeamento", disse eu.

Caminhei naquela direção.

Xavier e os dois colegas que nos seguiram vieram logo atrás.

Nos aproximamos.

Era uma estação de bombeamento antiga e abandonada.

A pintura das paredes descascava, e os vidros das janelas estavam todos quebrados.

E ao lado da estação.

Um enorme salgueiro balançava seus galhos no vento noturno.

Tudo era exatamente igual ao que eu tinha visto na minha alucinação.

Era aqui.

Sheila estava sob essa água gelada.

Senti um enjoo.

Aquela sensação de frio sombrio parecia subir do fundo da água, envolvendo todo o meu corpo.

Os reforços da delegacia central chegaram rapidamente.

Mais de dez viaturas policiais pararam silenciosamente à beira do reservatório.

Holofotes potentes foram ligados, iluminando a área de água como se fosse dia.

Os mergulhadores, já equipados, mergulharam na água com um baque surdo.

A superfície da água voltou à calmaria.

Apenas pequenas ondulações se espalhavam lentamente sob a luz.

O tempo, naquele momento, tornou-se interminavelmente longo.

Cada segundo era uma tortura.

Esperávamos na margem.

Ninguém falava.

Apenas o som do vento e o zumbido de baixa frequência emitido pelos instrumentos.

Meia hora depois.

A voz do mergulhador veio pelo rádio.

"Relatório! A quinze metros de profundidade, detectamos um objeto suspeito em forma humana!"

"Está preso no fundo, envolvido por redes de pesca e objetos pesados."

O coração de todos disparou.

"Tragam para a superfície!", ordenou Xavier.

Um guincho enorme começou a trabalhar.

O cabo de aço grosso foi apertado lentamente.

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