《Toque de Mistério: O Alarme que Parou o Aeroporto》Capítulo 1

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Capítulo 1

Trabalho na alfândega e, a cada dia, passo por um número incontável de bagagens.

Naquele dia, a mala de uma viajante chamou minha atenção. Escondidas no fundo falso, havia duas pedras que pareciam perfeitamente comuns.

Ela explicou com um sorriso que eram lembranças para o filho.

No entanto, no momento em que a ponta dos meus dedos tocou a superfície das pedras, um calafrio percorreu minha espinha.

Mantive a calma e usei o código interno para relatar a situação. Três minutos depois, o Capitão Xavier liderou pessoalmente a equipe. No segundo seguinte, o alarme de bloqueio de nível máximo ecoou por todo o aeroporto.

As esteiras de bagagem zumbiam.

As malas passavam uma após a outra.

O reflexo do filme plástico sobre as malas ofuscava a vista.

Meu nome é Zico, trabalho na alfândega.

Meu trabalho diário consiste em observar malas e pessoas.

A maioria das malas e das pessoas é igual, nada de especial.

Até que aquela mulher apareceu.

Ela vestia um conjunto bege.

No rosto, um sorriso educado.

O passaporte mostrava que ela se chamava Fabiana, vivia no exterior e estava retornando da América do Norte.

Sua mala era nova, de marca, mas ela só trazia uma.

Para alguém que vivia há anos no exterior, aquilo era pouco demais.

Sinalizei para que ela abrisse a mala para inspeção.

Ela foi muito colaborativa, mantendo o sorriso.

"Desculpe o incômodo, oficial."

Dentro da mala, havia apenas roupas dobradas e alguns brinquedos para crianças.

Tudo parecia normal.

Estava prestes a liberá-la quando meus dedos tocaram, por acaso, a parede interna da mala.

Havia um fundo falso.

Muito fino, feito com muita destreza.

Meu coração deu um pulo.

O sorriso de Fabiana congelou por um momento, mas logo voltou ao normal.

"Ah, isso? Foi meu marido que fez, disse que servia para amortecer impactos."

Olhei para ela sem dizer nada.

Com a ponta da unha, forcei levemente e abri o fundo falso.

Dentro, havia um grosso acolchoamento de espuma envolvendo dois objetos.

Ao retirá-los, vi que eram duas pedras.

Cinzentas e empoeiradas, do tamanho da palma da mão, não pareciam ter nada de especial.

Pareciam pedras colhidas na beira da estrada.

"O que é isso?", perguntei.

"Lembranças para o meu filho", explicou ela sorrindo. "Ele nasceu no exterior e nunca viu pedras da terra natal, então pensei em levar duas para ele brincar."

A desculpa parecia impecável.

Peguei uma das pedras.

No momento em que meus dedos a tocaram.

Uma frieza intensa emanou da pedra, como uma cobra de gelo, entrando instantaneamente na ponta dos meus dedos e subindo pelas veias do meu braço.

Não era o frio físico do inverno.

Era um gelo sombrio que parecia congelar a própria alma.

Senti meu couro cabeludo arrepiar e todos os pelos da nuca se levantarem.

Por um breve instante, minha visão ficou turva e pareci ver um rosto branco, inchado, submerso na água.

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A alucinação passou num piscar de olhos.

Soltei a pedra, com o coração disparado.

Fabiana ainda sorria, mas seus olhos estavam fixos em mim.

Não deixei que ela notasse nada de anormal.

Peguei o telefone interno sobre a mesa.

"Posto A, alvo marcado com etiqueta vermelha. Repito, alvo marcado com etiqueta vermelha."

Este era nosso código interno.

Significava que eu havia descoberto algo extremamente anormal, mas que não podia classificar, e precisava de apoio de nível máximo.

Houve um segundo de silêncio do outro lado da linha.

"Recebido."

Desliguei o telefone e continuei a inspecionar as outras coisas na mala como se nada tivesse acontecido.

O tempo passava segundo a segundo.

Fabiana começou a suar frio na testa.

"Oficial, está tudo bem agora? Estou com pressa."

Não dei atenção a ela.

Três minutos.

Exatos três minutos.

Atrás de mim, ouvi passos apressados.

O Capitão Xavier, acompanhado por dois colegas, veio correndo pelo corredor reservado, totalmente equipado.

Seu olhar passou por Fabiana e finalmente pousou em meu rosto.

Balancei a cabeça levemente para ele.

Ele entendeu.

No segundo seguinte, o alarme estridente soou por todo o saguão do aeroporto.

Um bloqueio de nível máximo.

As grades de todas as saídas baixaram instantaneamente.

Gritos de passageiros, o som do alarme, tudo se tornou um caos.

Naquele momento, o rosto de Fabiana perdeu toda a cor.

Capítulo 2

O alarme dilacerou a calmaria do aeroporto.

A multidão, como um enxame de abelhas perturbado, corria para todos os lados.

A polícia militar logo assumiu o controle da situação, guiando os passageiros para uma zona de segurança.

Minha bancada de inspeção tornou-se o centro da tempestade.

Num raio de cinco metros, além de nós, não havia mais ninguém.

O corpo de Fabiana tremia.

Não era medo, era fúria.

Seus olhos, como facas envenenadas, me perfuravam intensamente.

"Como vocês ousam? Sou uma cidadã estrangeira entrando legalmente! Vou denunciá-los!"

Sua voz era estridente, perdendo a compostura de antes.

O Capitão Xavier não lhe deu atenção, aproximando-se de mim.

"Zico, o que está acontecendo?"

Sua voz era baixa, mas firme.

Empurrei as duas pedras na direção dele.

"Toque nelas."

Xavier olhou para mim, com um questionamento no olhar, mas sem dúvida.

Ele esticou a mão enluvada com proteção tática e tocou uma das pedras.

Sua sobrancelha contraiu violentamente.

"Ah..."

Ele recuou a mão, sacudindo-a.

"Que diabos é isso? Por que está tão gelado?"

"Não é gelo", disse eu. "É outra coisa."

Ele entendeu o que eu quis dizer.

Em nossa equipe, havia uma regra implícita: meu instinto tinha a maior prioridade.

"Levem-na", ordenou Xavier aos outros dois colegas.

Um colega se aproximou, preparando-se para colocar as pedras em um saco de evidências.

Fabiana avançou como uma louca.

"Não toquem nas minhas coisas! São para o meu filho!"

Ela foi imobilizada pelo outro colega, ainda lutando.

"Meu filho não tem saúde boa, essas são pedras de proteção que fui buscar no templo! Vocês não podem levá-las!"

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Ela chorava e gritava, atuando como se fosse verdade.

Se não tivesse tocado nelas com minhas próprias mãos, talvez tivesse acreditado.

Xavier caminhou até ela e se agachou.

"Sra. Fabiana, correto?"

"Estamos apenas fazendo uma inspeção de rotina. Se não houver problemas com as pedras, nós as devolveremos intactas."

"Agora, por favor, colabore conosco e vá até a sala de interrogatório."

Seu tom era muito cortês.

Fabiana parou de gritar, olhou para Xavier, depois para mim, e o ressentimento em seus olhos se aprofundou.

Ela foi levada.

Segui Xavier para levar as pedras ao departamento técnico.

Léo, do departamento técnico, nos viu e ficou sério.

"Capitão, tamanho esforço? Encontraram uma bomba?"

"Mais problemático que uma bomba", disse Xavier, colocando as pedras cuidadosamente na bancada de testes. "Verifiquem tudo. Todos os itens, sem exceção. Composição, radiação, vestígios biológicos, tudo."

Léo colocou os óculos de proteção e começou a operar os instrumentos.

Xavier e eu esperamos na sala de descanso ao lado.

Ele me ofereceu um cigarro.

"Conte-me o que você sentiu."

Traguei profundamente.

"Frio, como se estivesse tocando na carne de um morto congelado há muito tempo. Não, pior do que isso. No momento em que toquei, um flash passou pela minha cabeça: um rosto mergulhado na água, apodrecido."

O rosto de Xavier escureceu.

Ele sabia que eu nunca mentia.

Três anos atrás, também ali, um pacote disfarçado de brinquedo passou por todos os testes dos instrumentos.

Eu toquei nele e disse que havia cheiro de sangue.

Eles não acreditaram.

Ao abrir, havia o cadáver de um bebê esquartejado.

Desde então, meu instinto tornou-se a ordem suprema da equipe.

"Aquela mulher tem problemas", disse eu. "O olhar dela para mim não era de uma pessoa injustiçada, era de raiva e intenção assassina por ver seu plano arruinado."

"Eu sei", disse Xavier, apagando o cigarro. "Já ordenei que buscassem todas as informações dela no sistema. Do nascimento até agora, tudo."

Uma hora depois.

Léo entrou na sala, com um rosto estranho.

"Capitão, os resultados saíram."

"Como foi?"

"As pedras são granitos comuns, do tipo que se encontra em qualquer lugar. Sem radiação, sem vestígios de explosivos, absolutamente nada."

Léo terminou e acrescentou uma frase.

"Não conseguimos extrair nem uma impressão digital nelas, estão limpas demais."

Xavier olhou para mim.

Meu coração afundou.

Será que, desta vez, eu tive uma alucinação?

Capítulo 3

A sala de descanso estava muito silenciosa.

As bitucas de cigarro no cinzeiro formavam uma pequena montanha.

O relatório de Léo soava como um balde de água fria, vertido da cabeça aos pés.

Granito comum.

Este resultado significava que eu provavelmente cometi um erro terrível.

Acionar o bloqueio de nível mais alto, mobilizar tantos recursos, apenas por causa de duas pedras inúteis?

Não ouso imaginar as consequências.

O Capitão Xavier fumava um cigarro atrás do outro, em silêncio.

Ele estava esperando.

Esperando que eu me desse uma explicação.

"Impossível", falei, com a voz um pouco seca. "Meu instinto não pode estar errado. Aquele frio, aquela imagem... eram reais demais."

"Imagem?", Xavier captou o ponto principal.

"O rosto de uma mulher, com os olhos bem abertos e a boca escancarada, como se quisesse gritar algo. O rosto todo encharcado, esbranquiçado e inchado de tanto ficar na água."

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