Capítulo 5: O Toque da Luva
O espelho do hall de entrada refletia a simetria perfeita da alta costura. Gabriel terminava de calçar as luvas de couro preto, o material ajustando-se aos seus dedos longos com um som suave de fricção.
"Bella", ele chamou, sem desviar os olhos do próprio reflexo no vidro fumê. "A gravata."
Isabella aproximou-se com passos medidos, o tecido de seu vestido doméstico deslizando sem ruído pelo mármore. Ela estendeu as mãos, os dedos tocando a seda escura da gravata de Gabriel para ajustar o nó com a precisão exigida pela rotina dele.
A proximidade física trouxe o calor do corpo de Gabriel e o aroma denso de tabaco e especiarias.
O ar entre os dois tornou-se pesado, saturado por uma tensão claustrofóbica que queimava a cada centímetro de distância reduzido.
Gabriel não moveu o corpo, mas seus olhos azul-glacial desceram para o topo da cabeça de Isabella, acompanhando o movimento das mãos dela.
"Você está mais silenciosa hoje", ele comentou, a voz barítona vibrando perto do rosto dela. "Gosto quando foca a sua atenção nos meus detalhes."
"Apenas garantindo que o nó fique perfeitamente alinhado, Gabriel", ela respondeu, mantendo a voz mansa, os olhos fixos na gola da camisa branca dele. "Você tem uma reunião importante no fundo de investimentos."
"Tudo o que envolve o meu nome é importante, Bella", ele retrucou, o tom carregado de uma vaidade natural e perigosa.
Com um movimento lento, Gabriel ergueu a mão direita enluvada de couro preto. Os dedos longos e firmes encaixaram-se sob o queixo de Isabella, aplicando uma pressão exata para forçar o rosto dela para cima.
A textura gélida e áspera do couro contrastou de imediato com a pele alva e macia do pescoço dela.
Os nós dos dedos de Gabriel desenharam uma linha de controle absoluto enquanto ele a obrigava a sustentar o seu olhar fixo.
"Um beijo de despedida", ele exigiu, os lábios desenhando um sorriso gélido que não alcançava os olhos.
"O tipo de lealdade que eu mereço receber antes de cruzar aquela porta."
Isabella cedeu de imediato, os músculos de seu rosto relaxando para esconder qualquer vestígio da repulsa que subia por suas veias.
Ela entreabriu os lábios com uma lentidão calculada, inclinando o corpo para a frente com a flexibilidade de uma possessão dócil que conhece o apetite do dono.
Ela colou o peito contra o paletó de alfaiataria dele, permitindo que a boca de Gabriel encontrasse a sua em um toque firme, possessivo e demorado.
Enquanto a língua dele ditava o ritmo dominante do beijo, a mão enluvada apertou a nuca de Isabella com mais força, puxando-a para o centro de sua gravidade.
A tensão sexual tóxica preencheu o espaço, uma névoa que Gabriel alimentava com o prazer de ver sua boneca de luxo render-se ao seu toque.
Sob a cobertura da intimidade forçada, as mãos de Isabella moveram-se com a leveza de uma miragem.
Sua mão direita subiu pelo peito do paletó de Gabriel, simulando um apoio apaixonado durante o beijo, enquanto os dedos esquerdos deslizaram para dentro do bolso interno esquerdo do casaco dele.
O movimento foi cirúrgico, executado no exato segundo em que Gabriel aprofundou o toque em seus lábios.
As pontas de seus dedos tocaram o plástico rígido de um cartão magnético.
O prazer gélido da vitória correu pela espinha de Isabella. Com uma pinça milimétrica, ela puxou o cartão de acesso reserva para fora do tecido de cetim, deslizando-o para dentro da dobra de sua própria manga em um movimento contínuo e invisível.
Gabriel afastou a boca com lentidão, os olhos azuis dilatados pelo desejo satisfeito de ver a submissão perfeita da esposa.
"Comportada", ele sussurrou, passando o polegar enluvado pelo lábio inferior de Isabella para limpar o excesso de batom.
"Fique na cobertura hoje. O tempo lá fora não está para caminhadas."
"Como desejar, Gabriel", ela respondeu, dando um passo para trás com a cabeça baixa, os braços caindo ao lado do corpo com aparente recolhimento.
Gabriel ajustou as mangas do paletó com um puxão rápido e caminhou em direção ao hall do elevador privativo.
Ele retirou o telefone do bolso externo, digitando um comando rápido para liberar a segurança da área de transporte do edifício.
"Antony", ele falou ao celular assim que a chamada foi atendida.
"O carro na garagem em dois minutos. Vou descer."
Ele não olhou para trás, ignorando a silhueta estática da esposa que permanecia parada no centro do mármore.
Gabriel tocou o botão numérico do painel e as portas de metal do elevador privativo abriram-se com um silvo hidráulico.
Antes de entrar, ele guardou o telefone e bateu a mão sobre o bolso interno do paletó, um gesto mecânico para conferir seus pertences.
Isabella prendeu a respiração, mantendo os olhos fixos no chão, os dedos da mão esquerda apertando o cartão oculto na manga até as unhas machucarem a própria palma.
Gabriel entrou na cabine espelhada, as portas de metal começando a se fechar com um estrondo abafado que ecoou pelo salão silencioso.
Sozinha no hall, Isabella relaxou os ombros de imediato. A postura dócil sumiu, substituída pela rigidez de uma jogadora que acaba de capturar a peça principal do tabuleiro inimigo.
She slid the magnetic card out of her sleeve, holding it between her fingers. The plastic surface bore the silver logo of the Vance Enterprises security system, reflecting the dim light of the ceiling.
A luz indicadora do cartão piscou duas vezes em um tom âmbar fraco, revelando a ativação do protocolo temporário de segurança.
O gancho da contagem regressiva estava ativo: o sistema de criptografia rotativa da Vance Enterprises invalidaria aquele código de acesso reserva em exatamente vinte e quatro horas. O prazo era curto, um relógio invisível correndo contra a sua capacidade de infiltração.
Isabella olhou para as próprias mãos, vendo os dedos tremerem levemente sob o efeito da descarga de adrenalina que retardara seus batimentos até ali.
Ela fechou o punho ao redor do cartão magnético, sentindo as quinas duras do plástico contra os nós dos dedos rígidos.
Não havia espaço para hesitação ou erro; a partir daquele segundo, cada movimento dentro daquela gaiola de ouro precisaria ser milimetricamente cronometrado antes que o sol cruzasse a linha do horizonte de Manhattan no dia seguinte.