《Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei》Capítulo 36

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Capítulo 36: A Marca Permanente (Epílogo)

O som do vento uivando contra as vigas de madeira maciça da mansão de inverno trazia de volta a melodia familiar do isolamento absoluto.

Do lado de fora, no topo da serra, uma nova e violenta tempestade de inverno desabava sobre os pinheiros, cobrindo as janelas com uma cortina espessa de água e névoa cinzenta.

No entanto, dentro do quarto principal, o ambiente estava impregnado pelo calor reconfortante da lareira de pedra, cujas chamas estalavam alto, projetando sombras douradas e longas pelo teto escura.

Era a noite de formatura do Instituto Santa Cruz. O tapete de pele diante da lareira continuava posicionado no mesmo local exato de semanas atrás, mas a dinâmica que ocupava aquele espaço havia se transformado de forma irrevogável.

Não havia mais o desespero biológico de um cio suprimido, nem a tortura psicológica do autocontrole brutal.

O silêncio que reinava entre os dois era solene, denso e profundamente romântico, carregado com a gravidade de uma decisão que mudaria suas vidas para sempre.

Dante Valente estava sentado no centro do tapete, com as pernas cruzadas de forma relaxada.

Ele usava apenas uma calça social preta e sua camisa branca de linho permanecia completamente desabotoada, caindo pelos ombros e revelando a estrutura atlética de seu peito alva. Seus olhos escuros, outrora injetados de fúria competitiva e orgulho ferido, agora carregavam uma paz soberana e um poder inabalável.

Ele não era mais o rival encurralado que rastejava em busca de alívio químico; ele estava ali por livre e espontânea vontade, pronto para dar o passo final que destruiria o resto das amarras da sociedade purista.

Passo. Passo.

Bernardo Imperial aproximou-se devagar, ajoelhando-se no tapete de pele logo atrás de Dante. Ele havia retirado o paletó de formatura e os óculos de armação dourada, deixando suas pupilas cor de âmbar brilharem com uma devoção total e possessiva sob a luz do fogo.

Seus dedos longos e firmes deslizaram suavemente pelos ombros de Dante, afastando os fios pretos de seu cabelo para expor por completo a base da nuca do menor.

A glândula hormonal de Ômega puro pulsava de forma calma, exalando as notas cítricas e doces que agora viajavam sintonizadas ao aroma de sândalo de Bernardo.

A marca temporária anterior estava quase invisível, restando apenas linhas tênues que clamavam pela perpetuidade do elo natural.

— Você tem certeza, Dan? — Bernardo sussurrou, a voz saindo em um tom extremamente baixo, grave e rústico, o hálito quente roçando a pele trêmula do menor. — Se eu fechar esse elo agora, não haverá conselho, patriarca ou força biológica no mundo capaz de nos separar. O meu feromônio vai correr no seu sangue até o nosso último dia.

Dante inclinou a cabeça milimetricamente para o lado esquerdo, oferecendo o pescoço em uma entrega eterna cheia de dignidade e poder. Ele deu um sorriso curto, afiado e perfeitamente debochado, sustentando o olhar de Bernardo pelo reflexo do vidro da janela.

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— Você fala demais, Imperial — Dante sibilou entre os dentes, a calmaria de suas palavras carregando a autoridade de quem dividia o trono. — Cale a boca e morda de uma vez. Eu não passei o semestre inteiro competindo com você para ficar parado na linha de chegada. O império também é meu.

Bernardo soltou um rosnado baixo, satisfeito e profundamente territorialista em seu peito largo.

Ele avançou o torso robusto, envolvendo a cintura fina de Dante com os braços compridos e colando as costas do bad boy contra o seu peito como uma armadura de proteção incondicional.

Bernardo abriu os lábios, revelando os caninos afiados que brilhavam sob o reflexo alaranjado da lareira, e aproximou o rosto da glândula exposta.

Nhac.

Com uma violência fria, mansa e transbordando de uma paixão obsessiva, Bernardo cravou os dentes de forma definitiva na carne de Dante.

A Marca Vitalícia do Rei consagrou o fechamento erótico e emocional mais aguardado e comentado da história da elite de São Paulo.

Dante arregalou os olhos escuros, o corpo dando um sobressalto sutil contra o peito de Bernardo enquanto suas mãos enfaixadas agarravam as coxas do Alfa com força cega. Uma onda de choque térmico, dez vezes mais devastadora do que a primeira mordida da serra, explodiu em seu fluxo sanguíneo.

O feromônio de sândalo concentrado e tempestade gélida inundou suas células de forma definitiva, fundindo as duas almas e os dois códigos biológicos em um elo perpétuo.

Não houve gritos de agonia, nem lágrimas de humilhação. Dante aceitou o impacto da possessividade eterna de Bernardo com o peito erguido, soltando apenas um gemido arrastado, denso e profundamente dopado pelo êxtase do prazer compartilhado.

Suas barreiras de orgulho haviam sumido, substituídas pela certeza absoluta de que sua ferocidade selvagem encontrara o seu encaixe perfeito na dominância do Alfa Rei.

Eles estavam no topo do mundo, conectados pelo instinto feroz e por um amor indomável que rasgara todas as convenções sociais da dinastia purista.

Bernardo manteve os dentes cravados por longos minutos, selando o fluxo hormonal até sentir o organismo de Dante relaxar por completo em seus braços, totalmente sintonizado à sua própria frequência cardíaca.

Quando ele finalmente recolheu os caninos, a nuca de Dante exibia a cicatriz permanente e definitiva: o selo Imperial gravado a fogo na pele do bad boy. Bernardo lambeu o rastro de sangue com uma lentidão sensual e carinhosa, depositando um beijo firme e devoto sobre a marca vitalícia.

O prenúncio daquela união desenhava um futuro brilhante e indestrutível para os dois gênios daquela geração.

Ao amanhecer, eles deixariam a cabana na serra para assumir o controle do império corporativo e político do país.

O plano do Velho Imperial de forçar um casamento arranjado fora pulverizado no momento em que o elo de sangue se consolidara; o conselho familiar seria obrigado a se curvar diante do casal de Alfas e Ômegas mais poderoso, destrutivo e intelectualmente brilhante da história do país.

Ninguém ousaria desafiar a soberania dos deuses que empataram no topo do mundo.

Dante respirou fundo, o peito subindo e descendo em um ritmo calmo sob o paletó que Bernardo jogou sobre seus ombros. Ele girou o corpo devagar no tapete de pele, ficando de frente para o Alfa Rei.

Seus olhos escuros fixaram-se no brilho âmbar das pupilas de Bernardo com uma cumplicidade inabalável.

Dante esticou os dedos, puxando Bernardo pelo colarinho da camisa social úmida, colando as suas testas na penumbra da lareira.

— Primeiro lugar compartilhado, engomado — Dante sussurrou, o deboche afiado dando espaço a um carinho rústico e genuíno.

Bernardo deu um sorriso largo, possessivo e intensamente apaixonado, segurando o queixo de Dante com os dedos firmes.

— Eu menti no anfiteatro, Dan — Bernardo sussurrou de volta contra os lábios do menor, a voz saindo em um tom extremamente baixo e denso que fez o corpo do Ômega vibrar. — Você nunca dividiu o trono comigo. No meu tabuleiro, você sempre foi o meu primeiro lugar único, meu marrento.

CRACK-BOOM!

O som estrondoso de um trovão cortou os céus da serra, iluminando os vidros da janela na escuridão da noite, enquanto Dante puxava Bernardo para o beijo final daquela dinastia — um toque voluntário, profundo e eterno que consagrava os dois rivais como os soberanos absolutos de seu próprio destino.

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