Capítulo 32: Fúria do Alfa Rei
O silêncio que se seguiu ao estilhaçar da porta de ferro foi absoluto, quebrado apenas pelo som sibilante do vapor que ainda escapava das tubulações dos chuveiros.
Bernardo Imperial deu mais um passo para dentro do vestiário escuro. Ele não pronunciou uma única palavra; a diplomacia e as regras de conduta do Instituto Santa Cruz haviam sido completamente revogadas no milissegundo em que o sinal de perigo de Dante atingira seu peito. Ele agiu com uma violência fria, cirúrgica e de uma força física devastadora.
Antes que Marcos pudesse esboçar qualquer reação de defesa ou retirar as mãos da camisa rasgada de Dante, Bernardo cortou a distância entre eles.
Sua mão direita avançou como uma pinça de aço, agarrando o colarinho do veterano do time de rúgbi.
Com um único movimento contínuo e ríscido, Bernardo ergueu o corpo de noventa quilos de Marcos do chão e o arremessou brutalmente contra os chuveiros de mármore do fundo.
Baque! Estilhaço.
O impacto do corpo do jogador contra a estrutura de pedra foi violento. Os azulejos cederam, abrindo rachaduras profundas na parede enquanto o cano de metal de um dos chuveiros se partia, liberando uma torrente de água fria sobre o corpo de Marcos.
— Ai... porra... — Marcos soltou um gemido sufocado, o rosto pálido de choque enquanto levava as mãos ao torso. O som ríscido de suas costelas se partindo sob o impacto ecoou pelo ambiente úmido.
— Imperial! Cara, para com isso! — Ricardo tentou gritar, dando um passo trêmulo para trás, mas sua voz morreu na garganta. — Você vai matar ele!
— Afastem-se — Bernardo ditou. A voz saiu em um tom absurdamente baixo, mas carregada de uma ordem tão cortante que o ar pareceu congelar.
Bernardo simplesmente expandiu ainda mais a sua aura territorialista de Alfa Rei. A pressão esmagadora de seu feromônio real atingiu o perímetro com a força de uma gravidade artificial.
O aroma concentrado de sândalo e tempestade gélida tornou-se tão denso que o oxigênio pareceu desaparecer do vestiário.
— O que... o que é isso? — Thiago balbuciou, o ar sumindo de seus pulmões enquanto caía de joelhos, pressionando as mãos contra o piso cinza.
Ricardo desabou logo em seguida, com a cabeça baixa, incapaz de sustentar o peso da linhagem purista do norte.
Seus corpos de Alfas comuns tremiam em um espasmo involuntário de submissão biológica, completamente neutralizados apenas pela presença do líder.
Bernardo caminhou calmamente até onde Marcos tentava se arrastar pela poça de água e sangue. Seus olhos cor de âmbar brilhavam no escuro, desprovidos de qualquer traço de humanidade ou misericórdia.
— Você achou mesmo que poderia tocar no que me pertence, Marcos? — Bernardo sussurrou, inclinando-se milimetricamente sobre o veterano.
Com uma bruteza implacável, Bernardo desferiu o primeiro chute ríscido contra o abdômen do jogador, seguido por outro nas costelas já fraturadas.
A cada impacto, a água fria salpicava as calças sociais de Bernardo. Marcos, o outrora temido tirano do bloco de esportes, encolheu-se em posição fetal, cuspindo sangue misturado à água do chuveiro.
— Para... por favor... Imperial... para... eu não sabia... — Marcos implorou por misericórdia em um fio de voz rouco e desesperado, o orgulho de clã totalmente destruído antes de seus olhos revirarem e ele perder a consciência ali mesmo, sob o fluxo da água.
— Agora você sabe — Bernardo respondeu para o corpo imóvel, os maxilares travados.
A Punição dos Culpados consolidou o momento mais catártico e brutal do romance. No banco de madeira, Dante assistia a toda a cena com o peito subindo e descendo em arquejos curtos.
Havia um fascínio sombrio e um choque paralisante em seus sentidos de Ômega puro ao testemunhar a possessividade assassina e descontrolada de Bernardo.
O homem que desestruturava equações com facilidade aristocrática acabara de reduzir três dos maiores Alfas da escola a pedaços de carne quebrados no chão, movido unicamente pelo instinto de proteger o que considerava seu território.
O gancho daquele massacre desenhava um veredito definitivo para o conselho diretivo do Instituto Santa Cruz: o clã Imperial usaria sua influência política para garantir a expulsion sumária de Marcos, Ricardo e Thiago nas próximas vinte e quatro horas, consolidando o poder absoluto e inquestionável de Bernardo sobre cada centímetro daquela escola de elite. Ninguém mais ousaria questionar a gola alta de Dante.
Bernardo cessou os movimentos. Ele soltou o ar pelos pulmões de forma ríscida, os maxilares travados enquanto seus olhos cor de âmbar focavam finalmente a silhueta trêmula e seminu do menor contra os armários.
A tempestade em sua aura diminuiu milimetricamente, substituída por um calor protetor que anestesiou a nuca latejante de Dante.
Devagar, Bernardo retirou o paletó de seu terno cinza-escuro, que permanecia estranhamente limpo.
Ele se virou para Dante, inclinou o corpo longo e envolveu os ombros do bad boy com o tecido pesado, que carregava o aroma puro e reconfortante de seu sândalo de forma concentrada.
— Você consegue andar, Dan? — Bernardo perguntou, a voz suavizando apenas uma fração, embora os olhos ainda carregassem o rastro da fúria.
Dante engoliu em seco, puxando o paletó contra o peito com as mãos enfaixadas. Ele tentou firmar os pés no chão, mas o corpo ainda cambaleou de leve sob o efeito dos feromônios.
— Eu... eu consigo. Só me tira daqui — Dante sussurrou, a marra dando espaço a um cansaço genuíno.
— Acabou, Dan. Vamos embora daqui — Bernardo declarou, passando o braço robusto por sua cintura para sustentá-lo de forma incontestável.
Bernardo o tirou dali com passos firmes, deixando o vestiário completamente destruído, os agressores caídos e a água fria lavando os vestígios daquela batalha na escuridão da noite.