Capítulo 31: A Batalha do Vestiário
Baque!
O primeiro impacto foi puramente mecânico. Dante não esperou o avanço definitivo de Marcos. Usando a velocidade e o reflexo moldados em anos de ringue, o menor esquivou-se milimetricamente do bote inicial de Ricardo.
Com um movimento contínuo e ríscido, ele girou o quadril e desferiu um soco direto e brutal, com a mão direita envolta nas bandagens pesadas, atingindo em cheio o rosto de Thiago, que tentava fechá-lo pela lateral.
Croc.
O som seco do osso do nariz de Thiago se partindo ecoou pelas paredes de azulejo. O Alfa capanga cambaleou para trás, soltando um urro de dor enquanto o sangue jorrava por entre seus dedos, manchando o piso cinza do vestiário.
— Desgraçado! — Ricardo rugiu, avançando com os ombros projetados para tentar agarrar a cintura de Dante.
— Eu avisei para saírem do meu caminho! — Dante sibilou entre os dentes, os olhos escuros injetados de pura fúria competitiva.
Mesmo em desvantagem biológica severa, Dante lutava como um verdadeiro demônio no vestiário escuro.
Ele usava a estrutura dos bancos de madeira e os armários de metal para ditar o ritmo do combate, desferindo ganchos e esquivas que provavam que seu espírito continuava sendo o de um guerreiro indomável.
A Luta da Fera Encurralada atingiu o ponto de catarse; ali, ele não era o Ômega fragilizado da serra, mas o bad boy que comandava o respeito da instituição de elite através dos punhos.
— Segura ele, Ricardo! Agora! — Marcos esbravejou da retaguarda, o choque com a fúria da presa estampada em seu rosto ríscido. Ele não esperava que um Ômega, mesmo com a biologia suprimida, pudesse reter tamanha agressividade mecânica.
— Ele é rápido demais, chefe! — Ricardo reclamou, arqueando o corpo após receber um soco ríscido nas costelas que o fez perder o fôlego.
No entanto, o tabuleiro biológico começou a cobrar seu preço de forma impiedosa.
Sentindo a perda do controle físico da situação, Marcos, Ricardo e o ferido Thiago uniram suas forças de uma forma covarde: eles liberaram, ao mesmo tempo, uma lufada massiva de seus feromônios combinados de Alfas comuns.
O ar do vestiário, que já estava abafado pelo vapor quente dos chuveiros, tornou-se instantaneamente sufocante.
O aroma rústico, pesado e hostil da opressão tripla atingiu os sentidos aguçados de Dante como uma marreta. Sua nuca, onde a marca de Bernardo repousava sob a gola alta, ardeu em um espasmo térmico de puro alarme.
Seus pulmões pareceram travar, e uma tontura ríscida fez suas pernas fraquejarem milimetricamente.
A fraqueza corporal da casta Ômega começou a esmagar sua resistência heróica, reduzindo a força de seus punhos.
Dante cambaleou, apoiando as costas contra o metal frio de um dos armários, respirando em lufadas curtas e desesperadas.
— Acabou a palhaçada, Valente — Marcos ditou, aproximando-se com passos pesados e um sorriso cruel desenhado nos lábios. — O seu corpo sabe o lugar dele, não sabe? Olha para você... mal consegue ficar de pé sob a nossa presença.
— Vai... para o inferno... — Dante conseguiu verbalizar, a voz saindo em um fio rouco e quebrado, embora seus olhos continuassem fixos nos do veterano com um ódio puro.
— Vamos ver o que tem embaixo dessa gola alta agora — Marcos sibilou, estendendo as mãos grandes e robustas.
Marcos avançou com bruteza, agarrando o tecido da camisa social do uniforme de Dante.
Com um puxão violento, ele começou a rasgar a roupa do menor, os botões saltando e batendo contra o chão de azulejo na tentativa ríscida de expor a glândula e escancarar o segredo carnal do bad boy diante dos comparsas.
Dante tentou erguer as mãos enfaixadas para desferir um último golpe, mas seus músculos simplesmente não respondiam, dopados pela opressão biológica coletiva.
CRACK!
O som estridulante de metal e madeira sendo retorcidos partiu o ar do vestiário com a força de um trovão.
A pesada porta de isolamento de ferro do vestiário foi literalmente arrancada das dobradiças com um impacto de força descomunal, sendo arremessada contra o corredor externo com um estrondo que fez o chão de mármore vibrar.
O choque foi tão brutal que Marcos congelou o movimento de suas mãos na camisa rasgada de Dante, e até mesmo Thiago, que continuava limpando o sangue do nariz no fundo, parou de respirar.
O gancho biológico, acionado pelo sinal de socorro que a marca de Dante emitira minutos atrás, trouxera o predador definitivo para o perímetro.
A punição impiedosa que o Alfa Rei aplicaria aos que ousaram tocar em sua propriedade estava prestes a ser desenhada com sangue nas paredes daquela escola de elite. Ninguém sairia ileso daquele vestiário.
Da névoa espessa do corredor arrombado, uma silhueta alta, de um metro e oitenta e nove, deu o primeiro passo para dentro do ambiente escuro.
Bernardo Imperial surgiu na entrada. O paletó do terno cinza estava desabotoado, e os óculos de armação dourada haviam sido retirados, revelando as pupilas cor de âmbar brilhando intensamente no escuro, carregadas de uma fúria primitiva e territorialista que nenhum aluno do Instituto Santa Cruz jamais testemunhara.
Bernardo exalava uma aura de morte pura, e o aroma avassalador de sândalo concentrado e tempestade gélida invadiu o vestiário como uma nevasca violenta, esmagando e dissipando os feromônios dos três agressores em menos de um milissegundo, assumindo o controle absoluto do tabuleiro.