《Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei》Capítulo 30

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Capítulo 30: A Conspiração de Marcos

O vapor quente do chuveiro do vestiário masculino do bloco de esportes subia em direção ao teto alto, misturando-se ao cheiro acre de cloro, desinfetante industrial e couro úmido.

O sol do final da tarde já havia se posto, e as janelas basculantes altas mostravam apenas o negrume da noite paulistana.

Era o fim do último período de treinos do Instituto Santa Cruz, um horário em que o campus de elite começava a esvaziar, deixando os corredores periféricos mergulhados em um silêncio perigoso.

Dante Valente estava sentado em um dos bancos de madeira comprida, terminando de enrolar as bandagens de boxe nos nós de seus dedos.

A gola alta preta continuava perfeitamente ajustada ao seu pescoço, protegendo a glândula que ainda latejava sutilmente após a renovação ríspida da marca na sala de música.

A estabilização hormonal de Bernardo mantinha sua mente afiada, mas o ambiente exalava uma eletricidade estática que ativava seus alarmes biológicos.

Baque.

O som pesado da porta principal do vestiário sendo trancada por dentro cortou o ruído da água que pingava.

Dante travou os movimentos das mãos, os olhos escuros se estreitando na penumbra. Da névoa dos chuveiros, a silhueta imensa de Marcos surgiu, ladeada por dois Alfas veteranos do time de rúgbi que Dante reconheceu imediatamente: Ricardo e Thiago.

Ambos eram conhecidos no colégio por serem capangas brutais, arrogantes e completamente sem escrúpulos quando se tratava de defender a soberania do clã de Alfas dominantes.

— Perdeu o rumo de casa, Valente? — Marcos quebrou o silêncio, a voz rústica e grave ecoando pelas paredes de azulejo.

Marcos caminhava com uma crueldade fria estampada no rosto, impulsionado por uma inveja de clã que vinha corroendo seu orgulho desde que Dante o humilhara no pátio central.

Ele estava inconformado com a audácia do menor e, acima de tudo, obcecado pela suspeita de que a gola alta preta escondia algo que mudaria o topo da cadeia social da escola.

O faro de Marcos não havia esquecido o rastro sutil de sândalo misturado ao aroma cítrico de Dante.

— Eu não tenho tempo para os seus cachorros hoje, Marcos — Dante respondeu, levantando-se do banco de carvalho devagar. Ele adotou sua postura clássica de combate, os punhos enfaixados erguidos milimetricamente na altura do peito, camuflando o alarme que disparava em seu sistema nervoso. — Saiam da porra da porta antes que eu use a cara de vocês para limpar o chão.

— Olha só como ele ainda late alto, Marcos — Thiago zombou, estalando os nós dos dedos com um sorriso torto. — O desgraçado tá encurralado e acha que tá no ringue.

— Você ainda fala como se estivesse no topo, fêmea — Ricardo desdenhou, dando um passo à frente com os ombros largos projetados, os nós dos dentes se chocando. — Vamos ver se essa marra toda continua quando a gente arrancar essa gola alta.

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— O jogo mudou, bad boy — Marcos sibilou, os olhos injetados de pura malícia predatorial. Ele acenou para Thiago e Ricardo, configurando a emboscada. — Nós sabemos que tem alguma coisa errada com você desde a semana passada. Esse perfume do Imperial... essa gola alta no calor de São Paulo... Você está tentando esconder a sua verdadeira natureza. Mas hoje a máscara cai. Nós vamos arrancar essa roupa à força e mostrar para a escola inteira que o "rei do ringue" não passa de um Ômega submisso.

— Ômega? Você bateu a cabeça forte demais no último treino de rúgbi, Marcos? — Dante rebateu, forçando um riso sarcástico, embora o suor frio começasse a brotar em suas têmporas. — Se vocês derem mais um passo, eu juro que quebro o braço de cada um. Tentem a sorte, seus desgraçados.

A Ameaça de Exposição Coletiva atingiu o ponto de catarse, testando as habilidades de luta de Dante no limite absoluto.

Ele estava em desvantagem numérica ríspida, encurralado no perímetro escuro do vestiário contra três Alfas predadores que não hesitariam em usar a violência física para destruir sua integridade e expor seu segredo.

Dante puxou o ar com força, sentindo o sangue ferver; ele não se entregaria sem lutar até o último round, mesmo que seu corpo de Ômega puro vacilasse diante da opressão das três auras combinadas que começavam a saturar o oxigênio.

No entanto, no mesmo milissegundo em que Ricardo avançou para agarrar o braço de Dante, a marca na nuca do menor emitiu um pulso térmico violento, uma pontada de dor que disparou um sinal biológico de socorro através do vínculo celular que o ligava ao Alfa Rei.

A quilômetros dali, ou talvez já cruzando os corredores do bloco de esportes, o peito de Bernardo Imperial seria atingido pelo mesmo alerta magnético de perigo.

O gancho daquela ligação invisível garantia a chegada iminente do predador alfa antes que o segredo fosse escancarado para os capangas.

Thiago moveu-se pela lateral, tentando bloquear a rota de fuga de Dante em direção aos armários de metal.

— Segura ele, Ricardo! Não deixa ele rodar! — Marcos ordenou, o sorriso cruel desenhado em seu rosto ríscido de veterano enquanto dava o passo final para iniciar o massacre. — Vamos ver o que o Imperial vai dizer quando todo mundo descobrir o que você realmente é!

Três Alfas cercam Dante no vestiário escuro, fechando o perímetro de forma esmagadora, enquanto Marcos avança com os dedos estendidos em direção à gola alta do menor, prontos para rasgar a última barreira que protegia o pacto dos deuses da elite.

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