Capítulo 29: Punição na Sala de Música
O eco dos passos rápidos e ríspidos de Bernardo Imperial pelos corredores do bloco de artes era o único som que quebrava o isolamento daquela ala do Instituto Santa Cruz.
Ele mantinha os dedos longos e firmes travados ao redor do pulso de Dante Valente com um aperto esmagador, arrastando o menor sem dar a mínima importância aos protestos abafados que recebia em troca.
— Me solta, Imperial! Ficou maluco, porra? — Dante sibilou, tentando puxar o braço de volta enquanto era empurrado para dentro da sala de música isolada.
Bernardo não respondeu. Ele simplesmente chutou a pesada porta de isolamento acústico, fechando-a com um estrondo seco, e girou a chave na fechadura com um clique definitivo.
O ambiente cheirava a madeira antiga, verniz de instrumentos e poeira suspensa na penumbra das cortinas de veludo fechadas. No centro do espaço confinado, um imenso piano de cauda de ébano brilhava sob a luz fraca que filtrava pelas frestas.
Com um movimento contínuo, bruto e perfeitamente calculado, Bernardo jogou o corpo de Dante contra a lateral do instrumento.
O impacto fez as cordas internas do piano vibrarem em um som grave e fantasmagórico. Bernardo prendeu o menor ali, cercando-o com seus um metro e oitenta e nove de altura e apoiando as duas mãos espalmadas na madeira polida, encurralando a silhueta do bad boy de forma explícita.
Dante ajeitou o paletó amarfanhado do uniforme, o peito subindo e descendo em arquejos curtos. Mesmo encurralado e sentindo a pressão sufocante da aura de sândalo e tempestade gélida que Bernardo exalava, o menor ergueu o queixo.
Um riso curto, provador e desdenhoso escapou de seus lábios secos enquanto ele olhava nos olhos cor de âmbar do rival por trás das lentes.
— O que foi, engomado? O grande herdeiro do norte perdeu a linha no meio do refeitório? — Dante debochou, a voz saindo em um tom rústico de satisfação. — Não gostou de ver que eu não passo o dia trancado na porra da sua masmorra? Os Betas são ótimas companhias, você devia tentar.
— Você acha que isso é um jogo, Dan? — Bernardo sibilou. A voz saiu extremamente baixa, grave e ríscida, desprovida de qualquer polidez aristocrática. A perda do controle 禁慾 (contido) era evidente na linha dura de seu maxilar. — Você achou que podia usar terceiros para testar a minha paciência e sair impune?
— Eu faço o que eu quiser da minha vida! Eu não sou a sua fêmea, Bernardo!
O riso de Dante, no entanto, morreu engasgado na garganta no milissegundo seguinte.
Bernardo avançou o torso com uma rapidez predatória. Sua mão direita subiu como uma garra, agarrando os fios pretos e bagunçados do cabelo de Dante com um puxão bruto para trás.
O movimento ríspido forçou a cabeça de Dante a se inclinar em um ângulo violento, esticando os músculos de seu pescoço e expondo por completo a base da nuca sob a gola alta que Bernardo puxou para baixo com os dedos livres.
A luz fraca da sala iluminou a pele alva, revelando os quatro furos avermelhados da marca temporária.
Devido ao estresse dos últimos dias e ao tempo decorrido desde a serra, a assinatura biológica estava quase desbotada, permitindo que notas sutis da fragrância cítrica pura de Dante começassem a vazar no ar abafado, agitando os instintos do Alfa Rei.
— Está quase sumindo — Bernardo rosnou, o hálito quente roçando a ferida aberta. Seus olhos âmbar estavam completamente escurecidos de luxúria contida e raiva territorial. — É por isso que você estava tão corajoso com aqueles Betas? Porque o meu cheiro estava deixando de avisar ao colégio quem é o dono desse corpo?
— Não... para... — Dante protestou, os dedos enfaixados arranhando os ombros robustos de Bernardo em uma tentativa fraca de empurrá-lo.
A resistência mecânica do menor, contudo, já estava sabotada pela excitação involuntária que o toque direto na glândula sensível trazia para o seu organismo de Ômega puro.
Suas pernas fraquejaram contra a estrutura do piano, e um arrepio violento sacudiu seus ombros, desarmando sua marra clássica.
— Nós vamos renovar isso aqui mesmo, Dan — Bernardo ditou, a ordem saindo como um veredito definitivo de dominação física. — Eu vou deixar o meu cheiro tão claro na sua pele que nenhum daqueles cachorros vai conseguir respirar perto de você sem lembrar a quem você pertence.
A Renovação da Marca no Piano transformou a sala de isolamento em uma estufa de tensão pura, moldada para os padrões mais densos do AO3.
Bernardo pressionou o quadril contra o de Dante, esmagando o menor contra a estrutura de ébano e forçando-o a se inclinar de costas sobre as teclas brancas e pretas.
Plim... Von...
O peso dos corpos sobre a estrutura arrancou um acorde dissonante e confuso do instrumento.
Dante soltou um gemido abafado, os olhos se fechando quando Bernardo afundou os lábios na carne superaquecida de seu pescoço, deslizando a ponta da língua sobre os furos antigos antes de abrir a boca por completo.
O gancho daquela punição carnal trazia uma verdade biológica assustadora que Dante começava a perceber através do prazer erótico que o dopava: a marca temporária estava se tornando cada vez mais profunda a cada renovação.
O elo celular que os unira na serra não estava apenas se mantendo; estava cavando raízes em seu sistema nervoso, transformando a transação comercial em um vínculo psicológico inquebrável que destruiria sua autonomia se ele continuasse a ceder aos dentes do Alfa Rei.
— Bernardo... por favor... — Dante sussurrou, a voz quebrando em um fio rouco de submissão enquanto suas mãos, perdidas no êxtase físico, soltavam o paletó de Bernardo e caíam para trás.
Bernardo não respondeu com palavras. Ele simplesmente abriu os caninos e crava os dentes novamente na glândula do pescoço de Dante com uma força firme, ríspida e possessiva, rasgando a pele alva no mesmo ponto exato da madrugada da serra.
DO - MI - SOL - SI
As mãos de Dante, espalmadas em um espasmo muscular violento pela dor e pelo prazer devastador da nova carga de feromônios, bateram com força nas teclas do piano de cauda.
O som agudo e desordenado das notas musicais misturou-se aos gemidos abafados que o menor soltava contra o ombro de Bernardo, ecoando pelas paredes acústicas da sala vazia enquanto o sândalo purista inundava seu sangue mais uma vez, selando sua sentença de confinamento sob o teto da escola de elite.