《Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei》Capítulo 25

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Capítulo 25: O Retorno dos Deuses

A neblina gélida da serra ficou para trás, substituída pelo horizonte ruidoso e cinzento de São Paulo na manhã de segunda-feira.

O sedã preto blindado estacionou discretamente a uma quadra do Instituto Santa Cruz, permitindo que Dante Valente desembarcasse longe dos olhares curiosos.

Ao cruzar os portões de ferro da instituição, Dante atraiu a atenção imediata dos estudantes no pátio central.

Ele vestia o uniforme de elite perfeitamente alinhado, mas com uma modificação sutil: uma blusa de malha preta de gola alta estendia-se sob o paletó escolar, cobrindo completamente a pele de sua nuca.

Escondida sob o tecido, a marca temporária das quatro perfurações de Bernardo Imperial repousava selada e silenciosa.

Dante caminhava de forma diferente. A postura rígida e paranoica da semana anterior havia sumido, dando lugar a uma calmaria imponente e segura.

O Vínculo Biológico Ativado fizera o seu trabalho; a mordida do Alfa Rei não apenas curara a febre severa, mas estabilizara seus hormônios de Ômega puro e, por consequência, restaurara e potencializou seus poderes intelectuais.

Ele sentia a mente limpa, afiada como uma lâmina de barbear, operando sob a proteção invisível e constante do feromônio de sândalo que agora corria sintonizado em suas próprias veias.

Clack. Clack.

O som firme de seus sapatos de couro contra o mármore do pátio anunciava O Retorno do Rei Restaurado.

Dante recuperara sua aura clássica de bad boy intocável, mas agora carregava o segredo escandaloso da marca em sua pele, uma cumplicidade carnal que o tornava imune à opressão dos outros Alfas do colégio.

A trinta metros de distância, encostado na pilastra de mármore do bloco central, Bernardo Imperial vigiava o perímetro.

Os óculos de armação dourada repousavam sobre o nariz reto, as lentes capturando o reflexo do sol matutino enquanto ele mantinha os braços cruzados sobre o peito largo.

Havia uma vigilância orgulhosa de fundo em sua expressão aristocrática; seu plano político e territorial funcionara perfeitamente. Sua presa estava de volta ao topo do tabuleiro, mas usava a sua coleira invisível.

— Olha quem resolveu dar as caras... — uma voz grave e ríscida cortou o fluxo de alunos.

Marcos, o Alfa dominante e veterano do time de rúgbi, bloqueou o caminho de Dante no centro do pátio.

Cercado por seus dois habituais seguidores de ombros largos, Marcos mantinha uma postura arrogantemente agressiva, os punhos enfiados nos bolsos da jaqueta do time. Ele não havia esquecido o confronto na pista de atletismo e a intervenção violenta de Bernardo.

— Sumiu por dois dias, Valente? — Marcos provocou, dando um passo à frente para testar a distância de segurança. — O colégio inteiro achou que o bad boy tinha quebrado de vez depois de perder o simulado. Você parecia uma fêmea assustada na sexta-feira. Vai chorar no banheiro de novo?

A provocação, que antes teria feito Dante explodir em uma fúria cega e mecânica para proteger seu ego ferido, não surtiu efeito. A confiança restaurada do menor era absoluta.

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Dante parou o passo, mantendo as mãos relaxadas nos bolsos da calça social. Ele inclinou a cabeça milimetricamente para o lado, olhando para o veterano de um metro e noventa de cima a baixo com um deboche afiado desenhado nos lábios.

Em vez de avançar para a briga de rua, Dante apenas sorriu, desdenhoso, sustentando o olhar com uma frieza que desarmou a postura de Marcos.

— Você fala demais, Marcos — Dante respondeu, a voz saindo em um tom calmo, controlado e absurdamente seguro. — Deveria gastar essa energia tentando aprender a ler os gabaritos. Um ponto de diferença ainda me deixa muito acima da sua mediocridade.

Marcos travou os dentes de golpe, o rosto avermelhando pela resposta ríspida diante dos outros alunos. No entanto, ao dar mais meio passo à frente, os instintos de Alfa comum do veterano dispararam um aviso de perigo.

Marcos inflou as narinas com força, tentando decifrar o perímetro. O gancho daquela proximidade ativou uma desconfiança biológica imediata; apesar dos bloqueadores químicos pesados que Dante havia aplicado antes da aula, Marcos captou um rastro sutil, denso e terrivelmente familiar de sândalo e tempestade impregnado na aura cítrica de Dante.

Era o cheiro inconfundível de Bernardo Imperial, misturado de forma intrínseca e carnal ao feromônio do bad boy.

— Mas que porra... — Marcos balbuciou, os olhos se estreitando em pura confusão enquanto olhava da gola alta de Dante para a silhueta estática de Bernardo ao fundo. — Esse cheiro na sua pele... Imperial?

Dante percebeu a oscilação nos olhos do jogador de rúgbi, mas não deu espaço para a dúvida se transformar em escândalo.

Com um movimento contínuo, fluido e ríscido, Dante deu o passo final para quebrar o bloqueio.

Ao passar pelo ombro massivo de Marcos, Dante esticou a mão direita e deu um tapa leve, quase afetuoso e profundamente humilhante, no ombro do Alfa veterano, empurrando-o sutilmente para o lado.

— Saia do meu caminho, cachorrinho — Dante sussurrou rente ao ouvido de Marcos, o deboche ecoando pelo pátio enquanto ele continuava sua marcha triunfante em direção às salas de aula, deixando o veterano paralisado e suando frio no centro do tabuleiro social do colégio.

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