《Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei》Capítulo 20

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Capítulo 20: A Fuga da Escola

Os passos de Bernardo Imperial ecoavam ríspidos e apressados pelo piso de mármore cinza do corredor dos laboratórios.

Ele não diminuiu a marcha, mantendo os braços longos e robustos travados ao redor do corpo desfalecido de Dante Valente, carregando-o com uma facilidade impressionante que desafiava a gravidade.

— Senhor Bernardo! O que aconteceu com o rapaz? Precisa de ajuda? — o inspetor de bloco correu em sua direção, os olhos arregalados ao ver o rei do ringue apagado.

— Saia da frente — Bernardo ordenou. A voz saiu extremamente baixa, mas carregada de uma frieza tão cortante que o funcionário recuou dois passos de imediato, engolindo qualquer outra pergunta.

Bernardo ignorou completamente as regras de conduta da instituição de elite e os olhares atônitos dos poucos alunos que matavam aula no pátio dos fundos. Para conter o vazamento biológico, o Alfa Rei abriu uma fração ainda maior de sua própria aura territorial.

O aroma denso de sândalo e tempestade gélida funcionava como uma redoma invisível, abafando os vestígios da fragrância doce e cítrica que insistia em brotar da pele suada de Dante.

Ao cruzar a porta de saída de emergência que dava para o estacionamento privativo da diretoria, a garoa fina de São Paulo atingiu o rosto de Dante. O choque térmico arrancou um arquejo curto e sutil dos lábios secos do menor.

Dante, semi-consciente e perdido no labirinto de sua própria febre, moveu a cabeça milimetricamente.

Seus dedos enfaixados arranharam o tecido cinza-escuro do paletó de Bernardo, agarrando a lapela com força enquanto seu corpo de Ômega puro buscava, de forma puramente instintiva, o calor e o conforto do Alfa Rei.

— Fique calmo, Dan. Eu já estou com você — Bernardo sussurrou rente aos cabelos pretos e bagunçados do menor, o modo de proteção absoluto ativado em cada linha de seu rosto rígido.

O motorista Carlos, um Beta de meia-idade, leal à família Imperial há mais de uma década, já aguardava de pé ao lado da porta traseira aberta do sedã preto blindado.

Discreto e silencioso por natureza, Carlos não fez uma única pergunta ao ver o estado do jovem Valente; ele apenas manteve os olhos baixos e a postura firme.

— Carlos, mude a rota — Bernardo ditou, deitando o corpo trêmulo de Dante com extremo cuidado sobre o banco de couro legítimo. — Não vamos para a mansão da cidade. Siga direto para a propriedade privada da serra.

— Sim, senhor Bernardo — Carlos respondeu com um aceno mecânico, fechando a porta blindada assim que Bernardo acomodou-se ao lado de Dante.

O motor ruge com uma potência grave assim que Carlos girou a chave na ignição. Os pneus cantaram de leve no asfalto molhado do estacionamento antes que o veículo cruzasse o portão de ferro dos fundos do Instituto Santa Cruz, acelerando em linha reta em direção à rodovia que levava ao isolamento da serra.

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O Rapto de Emergência estava consolidado no tabuleiro político e biológico das duas famílias.

O Alfa Rei isolava sua presa do resto do mundo, arrancando-a do perímetro escolar para protegê-la de si mesma e dos outros predadores que começavam a farejar o segredo.

Bernardo puxou Dante para mais perto, acomodando a cabeça febril do rapaz sobre suas coxas.

Com a mão livre, ele retirou os óculos de armação dourada, revelando as pupilas cor de âmbar completamente dilatadas no escuro do veículo. Seus dedos longos e frios subiram até a base do pescoço de Dante, afastando os fios de cabelo para checar a glândula hormonal que pulsava como uma brasa viva.

— Bernardo... — Dante balbuciou na penumbra do carro, os olhos escuros abrindo-se apenas uma fração, turvos pela febre severa. — Me solta... Eu vou... eu vou quebrar você...

— Você não vai quebrar nada nesse estado, meu marrento — Bernardo respondeu, o tom ríspido misturando-se a uma paciência predatória que fez Dante soltar um suspiro trêmulo. — Durma. O supressor militar está limpando do seu sistema, e a viagem vai ser longa.

— Por que... por que está fazendo isso? — Dante insistiu, a voz sumindo à medida que seus dedos apertavam o tecido da camisa social de Bernardo em um espasmo muscular violento provocado pela tontura.

— Porque você me pertence, Dan — Bernardo sussurrou contra o topo da cabeça do menor, a possessividade primitiva ditando cada palavra. — E eu não deixo ninguém tocar no que é meu.

O gancho daquela decisão desenhava um cenário perigoso para os próximos dias. O isolamento na propriedade da serra, cercada por quilômetros de mata fechada e neblina, garantiria que os dois ficassem completamente sozinhos, sem nenhuma interferência externa de Dona Helena, dos patriarcas ou das regras do colégio.

Seria o ambiente perfeito para que o colapso do cio de Dante atingisse o ápice e forçasse o Pacto do Pecado a se concretizar sob as leis da natureza.

Dante soltou um gemido abafado, o corpo curvando-se no banco de couro enquanto uma nova onda de calafrios sacudia seus ombros.

Seus dedos cravaram-se na cintura de Bernardo, buscando o sândalo que anestesiava sua dor biológica.

Bernardo esticou o braço longo em direção ao console central do banco traseiro.

Com um movimento ríspido e preciso, ele pressionou o botão de comando interno, trancando todas as portas do carro pelo painel e ativando as travas magnéticas de segurança máxima.

O som seco dos pinos de metal descendo ecoou pela cabine blindada como um veredito definitivo de confinamento.

— Acelere, Carlos — Bernardo ordenou para o painel dianteiro, os olhos cor de âmbar fixos no rosto suado de Dante enquanto o veículo cortava a neblina da estrada, subindo a serra em direção ao isolamento absoluto.

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