《Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei》Capítulo 12

PUBLICIDADE

Capítulo 12: O Pacto Secreto

A luz cinzenta da manhã paulistana cortou as frestas da cortina de veludo, iluminando a poeira que flutuava no quarto.

Dante abriu as pálpebras devagar, sentindo a cabeça leve. A queimação excruciante na nuca havia sumido, deixando em seu lugar apenas um cansaço dormente.

Então, ele percebeu o peso sobre o seu corpo.

O braço longo de Bernardo Imperial continuava laçado ao redor de sua cintura, prendendo-o contra um peito largo e firme.

O cheiro de sândalo e tempestade ainda pairava nos lençóis, agora fraco, mas reconfortante de uma forma que fez o estômago de Dante revirar de puro nojo de si mesmo.

O choque de realidade atingiu seus instintos de imediato. A fúria explodiu em suas veias, devolvendo-lhe a energia mecânica que a febre havia roubado.

— Sai de cima de mim! — Dante rugiu.

Com um movimento ríspido, ele apoiou os dois pés no colchão e empurrou o torso de Bernardo com toda a força de seus ombros.

Baque.

Bernardo, que já estava desperto e vigiava o menor em silêncio, fingiu surpresa com o impacto. Ele escorregou pela borda da cama, caindo de pé no piso de madeira com uma agilidade aristocrática.

O terno cinza estava completamente amarrotado, e a gravata de seda havia sumido, deixando o colarinho branco aberto de forma desalinhada.

Dante puxou o lençol úmido até a altura do peito, os olhos escuros faiscando puro ódio enquanto se encolhia contra a cabeceira da cama.

— Você invadiu a minha casa, Imperial... Você me tocou — Dante sibilou, os nós dos dedos brancos de tanta força. — Eu devia quebrar a sua cara agora mesmo.

Bernardo não se abalou. Ele caminhou calmamente até a mesa de cabeceira, pegou os óculos de armação dourada e os acomodou sobre o nariz reto.

Sem as lentes, seus olhos cor de âmbar mantinham uma calmaria predatória, mas ao colocá-los, a velha máscara de gelo do colégio voltou ao lugar em um segundo.

— Você devia me agradecer, Dan — Bernardo respondeu, a voz grave e polida ecoando pelo quarto mudo. — Se eu não estivesse aqui, o seu cheiro teria atraído metade dos Alfas do quarteirão para a sua janela antes do amanhecer. Você não tem a menor ideia do perigo que está correndo.

— Eu não preciso da sua ajuda! Eu sou um Alfa! — Dante gritou, a voz falhando na última palavra, expondo a ferida aberta de seu ego destruído.

Bernardo soltou uma risada curta, gélida e sem humor. Ele deu um passo à frente, aproximando-se da borda da cama e olhando para Dante de cima.

— O relatório do Dr. Silva diz o contrário. Você é um Ômega puro, Dan. E de alta fertilidade. Se você pisar no Instituto Santa Cruz exalando essa fragrância cítrica, aqueles Alfas ricos e territoriais vão rasgar a sua roupa no meio do corredor. A sua marra de bad boy não vai durar cinco minutos na base da hierarquia.

PUBLICIDADE

Dante travou os dentes com tanta força que o maxilar doeu. A humilhação de aceitar a barganha biológica queimava mais do que a própria febre. Ele sabia que o rival estava coberto de razão; a escola era um ninho de cobras biológicas.

— O que você quer, Bernardo? — Dante cuspiu as palavras, o olhar fixo no chão para não encarar o rival. — Veio aqui para me chantagear? Vai contar para a escola inteira que o rei do ringue virou a porra de um Ômega?

— Pelo contrário — Bernardo deu as costas, caminhando até a janela e olhando para o jardim através do vidro. — Eu quero propor um acordo. Um pacto secreto.

Dante ergueu o rosto, confuso.

— Um acordo?

— Eu posso resolver o seu problema — Bernardo virou-se devagar, as mãos enfiadas nos bolsos da calça social. — Minha família tem acesso a supressores de nível militar, fórmulas que as farmácias comuns não vendem. Eles conseguem apagar qualquer rastro do seu feromônio por semanas.

Além disso... eu posso fornecer o meu próprio cheiro para camuflar a sua glândula antes das aulas. Nós podemos esconder a sua condição do resto do mundo. Você vai continuar sendo o Dante Valente para todos os efeitos.

Dante semicerrou os olhos, desconfiado daquela generosidade repentina.

— E qual é o preço, Imperial? Ninguém da sua família dá nada de graça.

Bernardo inclinou o torso para a frente, o brilho âmbar de seus olhos fixando-se nas pupilas de Dante com uma intensidade possessiva e primitiva que fez o menor prender o fôlego.

— A condição é simples, Dan: você não vai aceitar a ajuda, o cheiro ou o supressor de nenhum outro Alfa nesta cidade. Você vai depender exclusivamente de mim. Se o seu corpo precisar de alívio, você vai vir até mim.

Se precisar de proteção, sou eu quem vai te dar. Você vai ser intocável para os outros, mas vai pertencer ao meu território.

Os inimigos se tornaram cúmplices de um segredo biológico escandaloso. O Pacto do Pecado estava desenhado sobre a cama de solteiro. Aceitar aquilo significava entregar as chaves de sua liberdade para o cara que ele mais odiava, mas recusar significava a destruição pública de sua vida.

Dante sentiu um calafrio violento subir por sua espinha. O gancho daquela decisão era perigoso; se alguém no colégio — ou pior, os patriarcas da família Imperial — descobrisse que o Alfa Rei da linhagem purista estava escondendo e protegendo secretamente um Ômega puro de alta fertilidade, o escândalo destruiria o tabuleiro político de ambas as famílias.

— Você é um doente, Bernardo... — Dante sussurrou, a voz trêmula.

— Eu sou pragmático, Dan — Bernardo esticou a mão direita na direção do menor, os dedos longos e firmes esperando o veredito. — Temos um acordo ou você prefere testar a sorte com os Alfas do time de rúgbi amanhã de manhã?

Dante olhou para a mão estendida de Bernardo. Ele engoliu o próprio orgulho, sentindo o gosto amargo da derrota se instalar em sua garganta. Devagar, ele esticou o braço por entre os lençóis, agarrando a mão do rival com um aperto ríspido e forte.

— Temos um acordo, Imperial — Dante ditou, puxando o braço de Bernardo para perto do seu rosto, os olhos escuros injetados de fúria. — Mas preste bem atenção... Se você contar isso para alguém, se você usar isso para rir de mim pelas costas... eu juro por tudo o que é mais sagrado que eu te mato.

Bernardo sustentou o aperto de mão com uma força esmagadora, os cantos de seus lábios se movendo milimetricamente para cima em um sorriso imperceptível e vitorioso. Ele tinha o controle absoluto do tabuleiro político.

— Eu sei que você tentaria, meu marrento — Bernardo sussurrou, soltando os dedos de Dante devagar e caminhando em direção à varanda para sumir no início da manhã de São Paulo.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia