《Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei》Capítulo 10

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Capítulo 10: Isolamento e Alucinação

O quarto escuro cheirava a confinamento e desespero. As cortinas pesadas de veludo bloqueavam qualquer rastro da luz do dia de São Paulo, imergindo o espaço em uma penumbra claustrofóbica.

Trancado entre as quatro paredes, Dante Valente enfrentava os primeiros dias do seu primeiro cio real.

O ambiente estava saturado por uma névoa invisível e espessa, o ar pesado demais para um par de pulmões humanos aguentar sem sufocar.

Sobre a mesa de cabeceira, três cartelas vazias de supressores genéricos de farmácia testemunhavam sua tentativa fracassada de conter a biologia.

Os inibidores normais, projetados para corpos comuns, não faziam cócegas em seu organismo de Ômega puro de alta fertilidade.

Dante queimava de febre, o corpo seminu revirando-se entre os lençóis de linho que já estavam encharcados de suor frio.

— Que porra... de remédio inútil... — Dante sibilou para o quarto escuro, a voz saindo rouca, seca e arrastada.

Ele jogou o braço trêmulo contra a mesa de cabeceira, derrubando um copo de água que se estilhaçou no chão.

Clack.

O som do vidro quebrando ecoou como um tiro em sua mente hiperauditiva. Dante levou as mãos à cabeça, os dedos cravados no cabelo preto bagunçado enquanto a base de sua nuca latejava com uma intensidade dolorosa, emitindo agulhadas quentes que desciam por sua espinha.

— É só uma gripe... — ele repetiu para si mesmo, os dentes cravados no lábio inferior até sentir o gosto ferroso do sangue. — Uma gripe forte. Alfas não... Alfas não passam por isso.

A mente de Dante oscilava entre a lucidez curta e o delírio completo. Ele apertava os olhos com força, tentando afastar as imagens que invadiam seus pensamentos.

Sua mente, no entanto, recusava-se a obedecer. Em suas alucinações mais profundas, a única imagem que conseguia acalmar o tumulto interno e diminuir a queimação de suas veias era a de Bernardo Imperial.

Dante revivia o momento no ginásio em um ciclo eterno. Ele via os óculos de armação dourada caindo na lona, os olhos cor de âmbar brilhando no escuro e os ombros largos de Bernardo avançando sobre ele, prendendo-o contra a parede elástica do ringue.

— Você fala muito, Dan — a voz fantasmagórica de Bernardo ecoou em seu delírio, rente ao seu ouvido, cortando o ar úmido do ringue. — Mas continua preso.

— Me larga, Imperial... — Dante rebateu na alucinação, movendo os lábios secos na cama vazia. — Eu vou acabar com você... Eu juro que vou.

— Eu não fiz nada, Dan — o eco da voz de Bernardo zombava de seu orgulho, o hálito quente parecendo roçar sua pele febril de verdade. — É o seu corpo que está decidindo o que quer.

Dante soltou um arquejo curto contra o travesseiro, os nós dos dedos desfeitos pelas bandagens arranhando o colchão em um espasmo de pura frustração.

O contraste entre o desejo involuntário do corpo e a vergonha profunda da mente rasgava seu orgulho em pedaços.

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Ele odiava Bernardo com cada fibra de seu ser, mas seu DNA recém-configurado clamava pelo seu maior inimigo com uma força violenta e primitiva.

Do lado de fora da mansão dos Valente, o cenário mantinha uma vigília silenciosa sob a garoa fina de Altos de Pinheiros.

Estacionado a cinquenta metros do portão de ferro, o veículo blindado de Bernardo permanecia com o motor desligado.

Bernardo Imperial mantinha-se no banco de trás, os braços cruzados sobre o peito e o olhar fixo na janela escura do segundo andar da casa de Dante.

O motorista do veículo, um Beta idoso, olhou pelo retrovisor interno com hesitação.

— Senhor Bernardo... Já passa das três da madrugada. Quer que eu mude o carro de posição ou volte para a mansão?

— Fique onde está — Bernardo ordenou. A voz fria e polida cortou o silêncio do automóvel de golpe.

— Mas os seguranças da rua já estão olhando...

— Deixe que olhem — Bernardo interrompeu, os olhos cor de âmbar faiscando por trás das lentes de armação dourada enquanto ele ajustava o colarinho do terno. — Ninguém vai chegar perto daquela casa hoje.

Sua presença territorial pairava na calçada como uma sombra protetora, mantendo uma vigília constante contra qualquer outro Alfa que ousasse se aproximar do perímetro.

Dentro do quarto, o controle de Dante escorria por entre seus dedos trêmulos. O calor interno atingiu o ápice da madrugada, desregulando seus sentidos de forma definitiva.

O perigo real, no entanto, começava a romper as barreiras físicas da propriedade. O aroma doce, cítrico e denso que emanava da pele de Dante estava concentrado demais para o espaço confinado do quarto.

O cheiro começou a vazar pelas frestas da janela de vidro e pelos vãos da porta de madeira, espalhando-se sutilmente pelo ar da vizinhança nobre.

Na rua deserta, dois cães de guarda de propriedades vizinhas começaram a latir de forma inquieta, e a atmosfera do quarteirão ficou carregada, atraindo a atenção silenciosa da noite.

Dante não percebeu o vazamento de sua essência. Ele estava perdido no labirinto de sua própria febre, o peito subindo e descendo em um ritmo frenético.

Buscando qualquer rastro de alívio para o frio que começou a atingir suas extremidades após a onda de calor, Dante esticou os braços trêmulos pelo colchão. Ele agarrou o lençol de cima, embolando o tecido úmido contra o próprio peito e afundando o rosto no pano com força.

A rigidez de seus músculos cedeu por completo sob o peso da exaustão biológica.

Dante pressionou o corpo contra o tecido, fechando os olhos enquanto a imagem de Bernardo bloqueando sua saída no jardim de inverno dominava seu último resquício de consciência.

— Bernardo... — Dante chamou o nome do rival em um sussurro rouco, desesperado e arrastado que morreu no silêncio do quarto escuro. — Por que... por que você fez isso comigo?

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