《Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei》Capítulo 9

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Capítulo 9: O Diagnóstico Clínico

As luzes brancas e esterilizadas do teto do Hospital Alvorada cortavam a vista de Dante como lâminas.

O cheiro de álcool e medicamentos substituíra o frescor da chuva, instalando uma atmosfera fria e assustadora ao redor de sua maca.

Dona Helena andava de um lado para o outro no consultório particular, o som de seus saltos agulha batendo contra o piso de porcelanato como um relógio de corda.

— Isso é absurdo, Dr. Silva... Meu filho sempre teve o laudo de Alfa de elite desde os sete anos — ela exigiu, as mãos trêmulas apertando a bolsa de grife contra o peito.

O Dr. Silva, um Beta de cabelos grisalhos e médico de confiança da família Valente há duas décadas, não respondeu imediatamente.

Ele mantinha os olhos fixos na tela do computador, onde os gráficos espiralados dos dados genéticos de emergência piscavam em linhas vermelhas.

O médico soltou um suspiro pesado, ajustando os óculos de leitura antes de retirar o relatório impresso da máquina. Seus olhos exalavam espanto e uma profunda preocupação ética.

— Os exames de infância apontavam uma predisposição, Helena... Mas o que estamos vendo aqui é um caso raríssimo de maturação tardia — o Dr. Silva explicou, a voz baixa e ponderada. — O diagnóstico é incontestável.

Dante sentou-se na borda da maca de exame, as pernas compridas balançando no ar. Ele arrancou o medidor de pulso do dedo indicador com um puxão ríspido, o metal batendo contra a lateral da cama.

— Pare de falar em códigos, doutor — Dante sibilou, os dentes cravados no lábio inferior até quase sangrar. — Diga logo que porra de gripe é essa.

O Dr. Silva caminhou até a mesa de mogno, colocando o papel timbrado sobre a superfície polida.

— Não é uma gripe, Dante... O seu corpo completou a transição biológica nas últimas vinte e quatro horas — o médico disparou, encarando o jovem nos olhos. — Você não é um Alfa de elite. Você acaba de se diferenciar como um Ômega puro de alta fertilidade.

O mundo ao redor de Dante perdeu o som de golpe.

A mentira biológica em que ele acreditou rigidamente por dezessete anos desabou sobre sua cabeça como uma parede de concreto.

O rei do Instituto Santa Cruz, o bad boy intocável que mandava nas turmas de elite e dominava o ringue de boxe, estava morto; a destruição do ego do protagonista foi instantânea e violenta.

— Isso é mentira... — Dante balbuciou, uma negação cega distorcendo suas feições enquanto ele dava um pulso para fora da maca. — Refaz essa porra desse exame! O meu laudo... O meu pai era um Alfa!

— Os dados genéticos não mentem, meu rapaz — o Dr. Silva interveio, esticando a mão para conter o avanço do jovem. — A febre, o apagão no corredor, o aroma cítrico... São os sintomas claros do despertar da sua glândula.

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Dante recuou até suas costas baterem contra a parede branca da sala de exames. Seus ombros largos, antes símbolo de sua dominância territorial, contraíram-se em um espasmo de fúria impotente.

O colapso de identidade transformou seu sangue em puro fogo. Ele se sentia violado por suas próprias células, traído pelo próprio organismo que agora o colocava na base da cadeia de poder que ele sempre desprezou.

— Helena... O caso do seu filho exige cuidados extremos a partir de hoje — o Dr. Silva voltou-se para a mãe, a gravidade desenhada em seu rosto de Beta. — Um Ômega puro, com esse nível de compatibilidade e fertilidade, correndo sem marca em uma escola cheia de Alfas ricos e territoriais... É um perigo inimaginável. Ele vai virar um alvo em minutos.

Dona Helena cobriu a boca com a mão direita, os olhos arregalados enquanto desabava na cadeira de couro do consultório.

Do lado de fora, através do vidro fosco da sala de espera VIP, uma silhueta alta permanecia estática.

Bernardo Imperial mantinha-se de pé, os braços cruzados sobre o terno cinza-escuro e os óculos de armação dourada repousando no nariz reto.

Ele acompanhara a ambulância particular em silêncio absoluto, e agora sustentava um silêncio expectante na antessala, como um predador que apenas aguardava o veredito para reivindicar o território.

Dante olhou para o vidro fosco, reconhecendo a sombra dos ombros largos de Bernardo mesmo na penumbra. O ódio atingiu o ápice em seu peito.

Ele marchou em direção à mesa do Dr. Silva com passos pesados e ríspidos, o rosto vermelho de humilhação.

— Eu não sou a porra de um Ômega... — Dante rugiu, a voz falhando no final da frase de desespero.

Com um movimento violento, ele avançou as duas mãos sobre a mesa de mogno, agarrando o relatório clínico timbrado.

Rapt.

Dante rasgou o papel ao meio com um puxão bruto, reduzindo o diagnóstico a pedaços brancos que voaram pelo chão do consultório.

As primeiras lágrimas de raiva e humilhação escorreram por suas bochechas quentes, borrando sua visão enquanto ele esmurrava a madeira maciça da mesa com o punho fechado, um estalo seco que ecoou pelo ambiente hospitalar como um tiro de misericórdia em seu orgulho.

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