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《Entre Lobos: A Herdeira Rejeitada》CAPÍTULO 24: Você vai fazer coisas ainda mais imperdoáveis comigo?

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CAPÍTULO 24: Você vai fazer coisas ainda mais imperdoáveis comigo?

Os cílios de Alice tremeram de leve.

Ela não tinha muita certeza do que Ricardo queria dizer com aquilo.

Mas com certeza não podia ser

aquele

sentido.

Alice encontrou uma justificativa adequada: "Nenhum deles é divertido, estavam ocupados com os negócios e não tiveram tempo para mim."

Ela evitou um pouco mencionar Gustavo, com medo de demonstrar alguma anormalidade, e mudou de assunto: "Mas os franceses, por outro lado, são bem mais interessantes."

Ricardo ouvia: "Como assim?"

"Eles são muito abertos e ousados", Alice disse de forma vaga e, sem aguentar, tentou sondar de maneira indireta: "Eu até vi uma pessoa naquele dia."

"Ele fez uma garota sentar no colo dele."

"No início achei que fossem um casal", Alice aplicava o remédio em Ricardo, fingindo desinteresse ao falar: "Mas depois ouvi a garota chamá-lo de irmão."

Ricardo não respondeu de imediato à pergunta de Alice, apenas ficou olhando para ela daquela forma.

Alice sentiu-se totalmente desconfortável sob o olhar dele, repassou mentalmente suas próprias palavras e pensou que não havia nada que pudesse entregá-la.

Inquieta, ela acrescentou: "O que eles fizeram não é certo, né? Não é apropriado."

Ricardo, contudo, soltou de repente: "Como ela sentou no colo dele?"

Ricardo olhou para ela, estendendo as mãos: "Demonstre."

Alice engasgou-se e puxou as mãos dele de volta: "Não se mexa."

"Eles... simplesmente, sentaram daquele jeito."

"Entre familiares que cresceram juntos desde a infância, é normal ser um pouco mais próximo." Ricardo ponderou, trazendo um tom de sedução e indução que lhe era habitual: "Irmãos podem dar as mãos, abraçar e até beijar no rosto desde pequenos, nós não fazíamos muito isso quando éramos crianças?"

"Qual é o problema nisso?"

"Se for apenas para descansar um pouco, que problema poderia haver?"

Aquelas palavras eram familiares, Ricardo costumava dizer isso a ela quando eram crianças.

Alice também acabou desenvolvendo o hábito de dar as mãos aos irmãos quando saía para brincar, pedir colo e dar beijos no rosto como recompensa.

Mas agora era diferente.

Bem quando a mente de Alice estava confusa.

Ela ouviu a frase seguinte de Ricardo: "Talvez o tratamento seja apenas 'irmão', se eles não tiverem laços de sangue..."

"Então nada do que fizerem será imperdoável."

O coração de Alice apertou-se levemente, e ela terminou de aplicar o remédio em Ricardo.

Ricardo levantou-se, abriu a janela para dissipar o cheiro do remédio e pegou uma vela aromática, colocando-a ao lado.

Acendeu a luminária de aquecimento da vela.

Ricardo continuou: "Se um dia você estiver cansada de brincar na rua e não tiver um lugar adequado para descansar."

"Você também pode descansar no meu corpo, pode me usar como quiser."

Alice recusou sutilmente: "Não é para tanto."

Ricardo avaliou: "Ficou distante de mim?"

"Não."

O óleo derretido da vela aromática espalhou-se pelo ar.

Ricardo olhava para a luminária aromática enquanto falava: "Mas isso é apenas o meu pensamento."

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"Se você realmente não consegue entender, por que não pesquisa para ver o que as outras pessoas dizem?"

Ao ouvir isso, Alice tocou de leve no celular: "Eu só vi aquilo por acaso, não é nada de muito importante."

"Veja primeiro aquela miniatura, veja se você gosta."

Ricardo olhou para ela por mais um tempo antes de caminhar até a prateleira.

Aproveitando que ele estava de costas, Alice pegou o celular e começou a pesquisar: 【relação entre irmãos】

O terceiro irmão tinha razão: em vez de ficar pensando bobagens o dia todo tentando julgar se aquilo era certo ou errado, era melhor ver o que todos diziam.

Bem quando Alice esperava seriamente pelas respostas.

Na tela, dentro do tópico de relação entre irmãos, surgiu um post com muitas curtidas: 【Nossa linha vermelha está escondida nos vasos sanguíneos】

Alice: ?

Ela ficou atordoada por um tempo, rolando a tela de recomendações com uma expressão estranha.

A tela estava cheia de 【BG】, 【falso incesto】, 【recomendação】.

【Irmãos mais velhos com dinâmica de idade são os melhores!!!】

Havia garotas por toda parte procurando por esse tipo de conteúdo.

Alice modificou as palavras-chave mais algumas vezes e finalmente obteve respostas normais.

Ricardo também não tinha pressa, serviu um copo de leite para Alice e o colocou ao lado.

Alice recobrou os sentidos, virou o celular de cabeça para baixo sob a tela cheia de posts impublicáveis e perguntou sobre o presente que dera: "E então, gostou?"

Ricardo olhou para ela, dizendo com um tom de significado oculto: "Gostei."

"Que bom." Alice pegou o leite que ele entregara e bebeu para disfarçar o embaraço.

Enquanto Ricardo ia montar a miniatura, Alice pegou novamente o celular e encolheu-se no sofá para ler os posts.

Talvez por estar cansada, ou talvez por não encontrar muitos posts sérios.

Alice começou a sentir sono, mas não queria desistir.

Passou-se muito tempo.

No quarto inteiro restava apenas o som fraco de Ricardo encaixando a miniatura.

O aroma caloroso do aroma indutor de sono espalhava-se lentamente pelo ar.

Ricardo calculou o tempo e levantou-se.

Como esperado, viu a pessoa que já havia adormecido em seu sofá.

Ele manteve uma certa distância, observando aquelas pernas bem proporcionadas e encolhidas no sofá.

O celular escorregou da palma da mão de Alice e caiu no vão do sofá.

Ele não se aproximou de imediato; em vez disso, tomado por um prazer secreto fruto de um planejamento meticuloso por finalmente fazê-la dormir em seu espaço, apreciou a cena por um longo tempo.

Ela dormia tranquilamente.

Sem perceber a menor alteração ao seu redor, nem aquela presença perigosa cada vez mais evidente.

O homem caminhou até o lado dela e inclinou o corpo.

Seus dedos longos afastaram os fios soltos de cabelo que caíam no rosto dela, revelando aquela face radiante que habitava seus sonhos.

As costas dos dedos roçaram na pele alva, acusando-a: "A Alice me abandonou de novo."

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Ricardo sentia o toque morno e suave na ponta dos dedos: "Tenho tanta vontade de trancar a Alice, trancá-la aqui comigo, onde ninguém consiga encontrar."

"Assim você não me abandonaria para andar de namorico com aqueles dois."

Ricardo estava muito satisfeito; agora a pessoa em sono profundo não o rejeitaria nem o afastaria.

E muito menos pensaria se a relação entre eles era correta.

Ele sorriu, pressionando a pessoa adormecida, e suas palavras soaram sombrias.

"Então, qual irmão fez você sentir que os limites foram ultrapassados?"

"Deixe-me adivinhar", Ricardo ajeitou o corpo dela, fazendo-a apoiar-se em seu peito, e acariciou lentamente o rosto dela: "O irmão mais velho?"

"O segundo irmão?"

"Ou ambos."

"Não vai falar, é?" Ricardo segurou o queixo dela: "Se eu tiver que adivinhar por conta própria, não vai ser tão simples assim."

Alice sentiu uma forte sensação de opressão em seu sonho e resmungou baixinho algumas vezes.

Mas não acordou.

No torpor, parecia conseguir ouvir os sons do lado de fora.

Ricardo olhava para as sobrancelhas levemente franzidas dela: "Arthur?"

"Ele é um bom irmão que aceitou deixar a Alice se aproveitar dele de graça."

Quase ao mesmo tempo, Ricardo sentiu um leve tremor na pessoa em seus braços.

"Por que eu saberia disso?", ele começou a rir, respondendo como se estivesse dialogando com ela: "Porque no corpo do segundo irmão tem uma escuta que eu instalei."

"Tudo o que vocês dizem, eu consigo ouvir."

A força na mão de Ricardo não diminuiu, pelo contrário, aumentou: "E também aquela pulseira que ele disse que deixaria no seu corpo para a vida inteira; ouvir aquilo me deu vontade de prender uma corrente na Alice também."

"Quanto ao irmão mais velho..." Ricardo falou com um tom de lamentação, era difícil colocar uma escuta no irmão mais velho.

Mas o que não fora feito por Arthur só podia ter sido feito por Gustavo.

Então...

"Aquele irmão que prendeu a irmã no próprio corpo foi ele, não foi?"

"Ele também ultrapassou os limites."

"Apenas eu não..."

Desde a infância, o irmão mais velho tinha o pai, o segundo irmão tinha a mãe, e apenas ele não tinha nenhum dos dois.

Ricardo segurou o queixo dela: "Não pode ser que apenas eu fique sem nada, Alice."

O quarto estava em um silêncio absoluto.

No instante seguinte, ouviu-se um leve bipe plástico.

A porta do quarto de Ricardo foi aberta sem qualquer aviso.

Ricardo ergueu os olhos com impaciência, como se já soubesse quem era, vendo Gustavo parado à porta do seu quarto.

"Irmão mais velho, isso é muita falta de educação."

Em seu quarto, em toda a família, apenas uma pessoa tinha a permissão de entrada forçada.

Gustavo olhou para o movimento de Ricardo detendo Alice: "O que está fazendo?"

Ricardo não escondeu em nada o seu comportamento: "A Alice adormeceu aqui comigo."

Gustavo achava que ele não mudara absolutamente nada desde a infância.

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Desde pequeno, Ricardo gostava de esconder Alice adormecida às escondidas, mantendo-a em seu espaço.

Fazendo com que a mãe e o pai pensassem várias vezes que Alice havia sumido.

Procurando por toda a casa.

Gustavo considerava que, no início, o comportamento de Ricardo tinha o mesmo propósito de quebrar um vaso de flores para chamar a atenção dos adultos.

Quando vinham procurar por Alice, prestavam um pouco mais de atenção nele.

Mas a realidade frequentemente contrariava os pensamentos da criança.

Apenas achavam ainda mais que ele era um menino rebelde.

Diante daquele círculo vicioso.

Gustavo temia que ele gerasse malícia contra a irmã mais nova, e tentava compreendê-lo.

Mas quem compreendeu Ricardo antes dele foi Alice.

Ela invariavelmente ficava do lado de Ricardo em meio ao falatório e às acusações: "Fui eu quem quis brincar com o irmão."

"Eu gosto de brincar de esconde-esconde com o irmão."

"Para onde o irmão me levar, está ótimo."

Quando Ricardo perguntou por que ela o defendia, ela rebateu com outra pergunta: "O irmão estar comigo não é porque gosta de mim?"

Em seguida deu tapinhas no rosto dele: "Eu também gosto de você."

Ninguém conseguia resistir a isso.

Gustavo compreendia bem.

Por isso, Gustavo caminhou direto para dentro do quarto, ajustando as abotoaduras de suas mangas.

"Garoto, hoje não quero te dar uma surra; colabore e entregue-me a pessoa."

Ricardo não pretendia soltá-la: "Por que eu deveria te entregar?"

"Quem sabe que tipo de maldade o nosso hipócrita irmão mais velho faria ao levar a Alice de volta."

Gustavo não falou muito com ele, adiantando-se com passos firmes.

Ele inclinou o corpo, e seus braços passaram naturalmente por baixo dos joelhos de Alice; ao tentar erguer a pessoa, sentiu a resistência trazida pela mão de Ricardo que pressionava a cintura dela.

Alice dormia profundamente.

Aquelas duas forças anormais sobre o corpo dela eram como duas videiras, subindo continuamente de suas panturrilhas e envolvendo-a com força.

Ninguém queria soltar.

E o corpo dela também era invadido e coberto pelo desejo de posse vindo de ambos os lados.

Fazendo com que cada centímetro de sua pele parecesse prestes a ser consumido, tingindo-se com a temperatura de um deles que ela não sabia quem era.

O ar estava ardente.

Gustavo baixou o olhar, alertando: "Se aplicar mais força, ela vai acordar."

Ricardo ergueu as sobrancelhas: "E se acordar, o que tem?"

"Ela mesma quis dormir aqui comigo; por que quis ficar aqui e não com você?"

"Irmão mais velho, o que você fez?"

Gustavo respirou fundo.

O que poderia haver de mais provocativo ao orgulho de um homem do que ver a esposa fugir dele e adormecer desabafando no quarto de um homem totalmente sem relação com a história.

Gustavo fixou o olhar em quem o provocava: "Se você não deseja que a Alice saiba que você colocou um monitor no corpo dela."

A voz de Gustavo era muito leve, mas a pressão era imensa: "Então solte a mão."

A expressão de Ricardo de fato começou a enrijecer.

Quando Gustavo exigiu a pessoa novamente, a mão que segurava a cintura dela perdeu a força para resistir, e ela se soltou da palma da mão dele.

Gustavo levou Alice dali.

Ricardo não se conformava: "Irmão mais velho, usou seus truques comigo?"

"Aquele monitor no corpo do segundo irmão, você sabia muito bem que eu tinha colocado, mas não me impediu; não queria justamente usar as minhas mãos para saber a todo momento o que ele faria com a Alice pelas suas costas?"

"A Alice sabe que você é tão calculista?"

Gustavo não respondeu às palavras dele: "Quem colocou a coisa foi você, não eu."

"Além disso, esse ferimento no seu braço também parece muito bem planejado."

Ricardo não negou que havia se cortado de propósito: "E daí? A Alice ainda assim sentiu pena de mim."

"If she didn't care about me, I wouldn't be able to keep her even if I were covered in wounds."

Quanto mais ouvia, mais o olhar de Gustavo escurecia.

E os braços que seguravam a pessoa apertavam-se cada vez mais.

Em seu sonho, Alice sentiu que a videira a apertava ainda mais.

Como se estivesse prestes a ser arrastada de volta para o território dela, aprisionada em uma gaiola por uma rede tecida de inúmeras ramificações.

Para depois sofrer tudo o que ela desejava fazer.

Os passos de Gustavo eram pesados; ao contornar o hall de entrada, uma silhueta surgiu de repente à sua frente.

Suas sobrancelhas franziram-se de leve, despertando de seus pensamentos.

Atrás dele, Ricardo também ficou um pouco surpreso ao ver quem chegava: "Como você veio parar aqui?"

E Cecília observava a situação dentro do quarto cheia de interesse, dizendo em um tom irônico: "Os irmãos são realmente muito atenciosos."

"Não precisam se preocupar."

"Vim buscar a Alice para voltar e descansar."

Ninguém mais sabia.

Mas qualquer um na casa daria créditos a Cecília.

Não seria exagero dizer que ela era a pessoa mais firme e indiscutível da casa no momento, embora não costumasse fazer exigências.

No máximo, Ricardo por ter mais intimidade com ela, respondia de volta algumas vezes, mas o temperamento de Ricardo era o de responder a todos sem distinção.

No dia seguinte, pela manhã, Alice acordou como desejava no quarto de Cecília.

Espreguiçou-se, virou o corpo e acabou apoiando a cabeça no braço de Cecília.

Cecília acordou com o toque dela, abrindo os olhos sonolenta.

Alice olhou para ela, murmurando uma saudação: "Bom dia..."

Alice encolheu metade do rosto sob a coberta, sem economizar nos elogios: "Sua cama é tão macia, bb, tão cheirosa, eu gosto muito."

Em seguida, Alice ouviu a fala de Cecília meio tonta: "Se você tivesse acordado na cama do seu irmão mais velho esta manhã, falaria a mesma coisa?"

Alice despertou por completo em um instante.

Abriu bem os olhos, olhou para Cecília por um momento e sentou-se na cama: "Por que você está dizendo isso?"

"Como eu acordaria na..."

"Ontem eu não..."

As palavras de Alice pararam de repente, e ela processou a situação por um momento.

Descobriu que parecia não ter memórias de antes de dormir; a única lembrança era estar lendo posts no quarto do terceiro irmão e ter pegado no sono.

Alice moveu os lábios e, em meio a inúmeras perguntas que queria fazer, deu-se conta de algo: "O irmão mais velho... ele voltou?"

Cecília assentiu, lançando-lhe um olhar de quem adora ver o circo pegar fogo, e virou o corpo para sair da cama.

"Está com muito medo de que ele volte?"

"Não." Alice insistiu, orgulhosa: "Eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele viria, não estou com medo."

Cecília perguntou-lhe: "Virá para fazer o quê?"

Desta vez Alice não falou nada.

Entrou no banheiro, fingindo escovar os dentes para ocupar a própria boca.

Sabendo que Gustavo havia voltado, Alice começou a evitar sair.

Escondendo-se no quarto sem querer sair de jeito nenhum.

Na hora do almoço, Gustavo estava sentado na sala de estar lendo um boletim informativo, ouvindo a conversa entre a babá que descia do andar de cima e o mordomo.

"As senhoritas não vão descer para comer?"

"Não vão descer, elas pediram a refeição e daqui a pouco eu levo lá para cima."

Gustavo sabia perfeitamente por que Alice não descia.

Só não sabia como fora cultivado esse mau hábito de fugir a qualquer problema e de se esconder dele sempre que estava chateada.

Precisava mudar.

Gustavo não teve pressa, continuou apoiado ao lado lendo o jornal.

Nesse momento, o pai desceu do andar de cima, com a cara fechada e a expressão muito ruim; o mordomo logo perguntou: "O senhor vai almoçar em casa?"

O pai acenou com a mão: "Não vou comer."

"E a senhora..."

"A senhora?" O pai falou em um tom impotente: "A senhora agora tem 80% de chance de estar em Mônaco, e ainda quer almoçar."

O mordomo entendeu: "Brigaram de novo?"

O pai segurava a irritação: "Uma pessoa desse tamanho e ainda brincando de fugir de casa, basta um descuido e ela some."

Assim que terminou de falar, o pai percebeu que Gustavo ao lado o encarava fixamente.

Não resistiu a tentar salvar as aparências: "Está olhando o quê? Você ainda não constituiu família, quando acontecer com você, você vai saber."

Gustavo recolheu o olhar; agora sabia com quem Alice tinha aprendido aquilo.

O pai deu algumas instruções ao mordomo, viu Gustavo e deu mais algumas ordens antes de sair com pressa.

A fuga da mãe era diferente de uma birra comum de quem sai de casa.

Nos dois primeiros anos de casados, ele também achava que era apenas um ataque de raiva e que ela voltaria por si só quando se acalmasse.

Mais tarde descobriu que, uma vez que ela fugia, era para se divertir, e realmente conseguia deixá-lo para trás.

No passado, quando a outra filha não passara por problemas, ela ainda o ajudava a agradar a esposa, agindo como uma filha comportada capaz de manter a relação do casal.

Desde aquele incidente, a frequência de brigas da mãe com ele subira em linha reta, e a filha querida também não tinha tempo para agir como ponte entre os dois.

Aqueles três garotos não serviam para absolutamente nada no que dizia respeito à relação conjugal.

Ao meio-dia, após o almoço.

Enquanto Alice hesitava se deveria ou não voltar para o próprio quarto, o mordomo subiu para chamá-los.

Alice parou à porta, provavelmente sem esperar por aquilo: "A tia chegou?"

"Sim." O mordomo sorriu: "Chegou de forma bastante repentina, o senhor e a senhora não estão."

O sentido era de que os mais jovens precisavam descer para recebê-la.

Caso contrário, pareceria muita falta de educação.

Alice concordou, perguntando a Cecília se queria descer junto.

Cecília tinha alguma lembrança dessa tia, que parecia bem mais gentil do que aquele grupo de tios.

Não rejeitava totalmente a pessoa, mas sempre considerara que a vida social daquela família não tinha relação com ela e tinha preguiça de participar: "Pode ir você."

Alice não a forçou.

Quando desceu, a sala de estar já estava cheia de gente.

Mesmo que Alice estivesse com algum preparo psicológico, ver Gustavo na sala ainda fez seu coração dar um solavanco.

Alice esforçou-se ao máximo para não demonstrar anormalidade.

Mas a tia ainda assim percebeu o desconforto de Alice e não resisteu a brincar com ela: "Por que a Alice ainda está agindo como se fôssemos estranhas?"

Ela deu tapinhas no espaço ao seu lado: "Venha logo sentar aqui."

"Eu vim hoje justamente por sua causa."

Alice piscou os olhos: "Por minha causa?"

"Sim."

A tia puxou-a para o seu lado: "Aquela pintura que você interceptou em Paris pertence à família Su, de Xangai."

"Por coincidência, conheço o velho senhor Su; ele me ligou dizendo que daqui a algum tempo a pintura passará pela alfândega de Hong Kong e que a inspeção no museu talvez precise de você."

Ao ouvir isso, Alice ficou muito interessada: "Com certeza eu aceitaria."

"Mas ainda preciso ver a organização das outras pessoas envolvidas."

Afinal, ela acabara de ingressar no trabalho e não necessariamente teria acesso a um projeto de nível tão alto.

"O senhor Su já entrou em contato, ele próprio vai indicar os avaliadores; originalmente o relatório em Paris foi feito por você, então você com certeza será mais adequada do que os outros. Daqui a um tempo, o velho senhor também virá a Hong Kong, e a tia levará você para conhecê-lo."

Ao lado, o mordomo trouxe cerejas lavadas.

Elas conversavam enquanto comiam; Alice estendeu a mão querendo pegar um lenço de papel e, ao erguer os olhos, percebeu que os lenços estavam do lado de Gustavo.

Ela cerrou os lábios, olhando inconscientemente para a pessoa ali perto.

Cruzando exatamente com o olhar do homem que já esperava por ela.

Alice desviou o olhar fingindo desinteresse.

Bem quando planejava desistir do lenço, Gustavo ergueu a mão, estendendo o lenço de papel na direção dela.

Havia uma pessoa entre eles.

Essa distância nem muito perto nem muito longe era a ideal.

Alice hesitou por dois segundos.

Gustavo também não se moveu.

Alice só pôde estender a mão e receber o papel.

E como se estivesse com medo de tocá-lo, evitou a posição onde a mão dele estava, virando o rosto para continuar conversando com a tia.

Embora os pais não estivessem no jantar, ainda era necessário receber bem os convidados.

Gustavo, agindo como o irmão mais velho da casa, assumiu as responsabilidades dos pais, orientando a cozinha a preparar os pratos.

As crianças da casa da tia aproximaram-se, cercando Ricardo para ver seus carros de corrida.

Alice conversava sozinha com a tia na sala de estar.

Os assuntos de interesse dos mais velhos em relação aos mais novos eram sempre os mesmos.

A tia puxou conversa e mencionou em voz baixa: "Quando vocês foram se divertir em Paris, a senhora Abel me disse que você parece estar envolvida em uma situação?"

O suco que Alice acabara de beber a fez engasgar, tossindo algumas vezes: "Que situação?"

"Ela disse que viu você usando um diamante rosa, e que aquele diamante parecia ser a joia de destaque de um leilão anterior." A tia falava cada vez mais animada: "Eu também cheguei a ver aquela peça."

Por tremenda infelicidade, bem nesse momento, Alice viu Arthur voltando de fora.

Alice respirou fundo, horrorizada.

Ela se lembrava perfeitamente de que Arthur, por causa de saber quem enviara aquele diamante rosa, levara-a de propósito àquela exposição de joias.

Pressionando-a por dois dias com perguntas.

A mente de Alice só pensava em se esconder primeiro.

Ela respondeu à tia com dificuldade: "Não é nada disso, é de uma amiga, peguei emprestado para usar um pouco."

"Ah, como está a preparação do jantar? Já estou com fome." Alice encontrou uma desculpa: "Vou dar uma olhada ali, a senhora pode continuar sentada aqui."

Arthur entrou pela porta e viu exatamente a figura de Alice fugindo como se estivesse correndo de um problema.

Ele parou firme junto à porta, estreitando levemente os olhos, e cumprimentou a tia com um sorriso.

A tia logo o chamou: "Você chegou bem na hora, a Alice não quer contar."

"Diga-me logo, a Alice está namorando?"

Arthur soltou uma leve risada.

Então era desse assunto que ela estava com medo.

Alice pensou que bastava fugir do problema da sala de estar, mas no meio do caminho lembrou-se de algo.

Aquela direção era a direção onde Gustavo estava.

Seus passos simplesmente estancaram e, bem quando ia dar meia-volta, ouviu a voz de Arthur vinda de não muito longe: "Eu cheguei a perguntar, ela não diz."

Alice virou-se novamente, seguindo em direção à cozinha na marra.

Felizmente Gustavo não estava na cozinha, o que deixou Alice bem mais aliviada.

Fingindo calma, entrou na cozinha para bater um papo com os cozinheiros, mas a fumaça de gordura era muito sufocante e ela foi obrigada a sair.

O cozinheiro comentou com ela que na geladeira da sala de lanches havia um bolo de sorvete de chocolate trazido pela família da tia, e que ela podia ir comer.

Alice animou-se, caminhando calmamente até lá.

Para sua surpresa, ao empurrar a porta da sala de lanches, Alice viu Gustavo parado ali dentro.

Ele limpava a faca que acabara de lavar.

Ao seu lado estava posicionado aquele bolo de chocolate e, ao ouvir o som, nem sequer ergueu a cabeça: "Veio buscar o quê?"

Não ficava bem para Alice fechar a porta e sair novamente, então ela adiantou-se.

Desviando o olhar do bolo ao lado dele, mentiu: "Bebidas."

"Na geladeira."

"Ah."

Ele não disse mais nada.

Era muito estranho.

Alice caminhou até o lado da geladeira, abrindo a porta para escolher o que beber.

Pegou a soda de limão que gostava de beber e depois começou a escolher as bebidas para receber os convidados.

De tempo em tempo ouvia de soslaio o som de Gustavo cortando o bolo ali perto.

Entre uma escolha e outra, as garrafas de bebida nos braços de Alice acumulavam-se cada vez mais.

Ela ainda se interessou por uma garrafa de licor de ameixa no congelador.

Bem quando Alice ia estender a mão, as bebidas em seus braços rolaram com um som e começaram a despencar.

Tentar segurá-las já não dava mais tempo.

Bem quando Alice pensou que ia derrubar as coisas de novo, uma grande mão surgiu em seu campo de visão, segurando com firmeza a garrafa que estava prestes a cair.

Alice parou por um instante.

Gustavo não sabia quando havia se posicionado atrás dela.

Ele ficara ali segurando a porta do armário com uma das mãos, enquanto o outro braço barrava logo abaixo do braço dela.

Era novamente aquela sensação de estar encurralada em algum lugar sem poder se mover.

Muito estranho.

Alice olhava para a mão em seu campo de visão, conseguindo sentir o calor ardente vindo do homem atrás dela.

Enquanto à sua frente estava o ar gelado trazido pela geladeira embutida de duas portas.

Alice queria agradecer em voz baixa, mas as palavras não saíam.

Gustavo pegou aquela garrafa de bebida: "Se não conseguia carregar, por que não me chamou?"

Enquanto falava, segurou naturalmente outra garrafa de bebida nos braços de Alice.

Alice de início não reagiu bem, sem saber o que significava aquela pausa de Gustavo.

Até que Gustavo puxou aquela garrafa de bebida dali.

A garrafa de vidro fosco, gelada e áspera, roçou na altura do peito dela com o movimento do homem.

A garrafa fosca, através da roupa fina, roçou em sua pele sensível.

O couro cabeludo de Alice formigou no mesmo instante.

Só então compreendeu que Gustavo há pouco estava esperando que ela mesma soltasse os braços para entregar as coisas a ele.

Ela apressou-se a entregar tudo de uma vez para ele.

"Então carrega você."

Alice falou fazendo menção de sair, mas Gustavo, que bloqueava a saída da porta da geladeira, não lhe deixou espaço.

No torpor, surgiu nela uma sensação de crise.

E o culpado organizava garrafa por garrafa, colocando-as na cesta ao lado: "Ficar dormindo o tempo todo no quarto dos outros não é apropriado."

"Quando vai voltar para dormir?"

Alice ouviu as palavras dele e olhou inconscientemente para fora da porta da sala de lanches.

Ela não havia fechado a porta ao entrar, o que significava que, a qualquer momento se alguém se aproximasse, ouviria o diálogo deles.

"A tia ainda está do lado de fora esperando por mim, vou primeiro..."

Bem quando Alice ia dar alguns passos para fora, foi empurrada de volta por Gustavo que segurou o seu braço.

Ele perguntou mais uma vez: "Quando vai voltar para dormir?"

Alice não queria responder, mas era obrigada a fazê-lo.

Ela de fato não poderia ficar dependendo para sempre do quarto de Cecília.

Quando chegasse a segunda-feira para trabalhar, para facilitar o trajeto, ela também teria que voltar para Kowloon Tong.

Alice, sob total falta de alternativas, perguntou-lhe em voz baixa: "Então, depois de voltar para casa, você vai fazer coisas ainda mais imperdoáveis comigo?"

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