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《Destruída pelo Desejo》Capítulo 27

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Capítulo 53: Estão espalhando boatos sobre nós dois

A pose dela, sentada de forma tão ereta e rígida, era até divertida de se ver.

Yago soltou uma risada discreta e, em seguida, estendeu os palitinhos para ela.

— Obrigada. — Janaína os aceitou, não resistindo a olhá-lo mais algumas vezes.

O homem possuía traços profundos, com uma postura firme e imponente, mas que carregava uma certa suavidade charmosa e misteriosa; sua pele exibia um tom bronzeado saudável.

Especialmente quando sorria, ele parecia extremamente acessível.

Era o rosto de alguém de boa índole.

Diferente do herdeiro Zhao, que carregava em cada detalhe uma aura de crescimento selvagem. Dizer que ele havia crescido dependendo da complacência alheia, na verdade, não parecia coerente.

No entanto, a relação dele com a mãe de Lucas parecia boa superficialmente.

Isso significava que, diante dela, ele mostrava uma faceta completamente diferente.

Enquanto diante dos amigos, agia com total naturalidade e leveza.

Janaína sentiu-se um pouco confusa.

Afinal, qual daqueles era o verdadeiro herdeiro Zhao?

Pelo visto, a arte de decifrar as pessoas ainda era algo que ela precisava aprender.

— Você tem compromissos daqui a pouco?

Diante daquela voz grave, Janaína despertou abruptamente de seus pensamentos e assentiu com a cabeça: — Sim, passarei o dia inteiro nesta região hoje. A equipe de vistoria da empresa também está aqui.

Yago acabara de desviar o olhar de Janaína.

O semblante do herdeiro Zhao fechou-se levemente: — Você ainda volta para casa hoje à noite?

Janaína lançou um olhar rápido para Yago: — O fato de você levá-lo para casa não me atrapalha em nada. Nós não moramos no mesmo andar, o que importa se eu volto ou não?

Ela não tinha intenção de retornar, pois havia marcado um encontro com Lucas. Afinal, era preciso dar atenção a todos de forma equilibrada, caso contrário, ele certamente ficaria irritado com ela.

Nenhum deles era alguém fácil de lidar.

O herdeiro Zhao sorriu de canto: — Por que você não pergunta a ele se ele está disposto a ir comigo para casa?

Por que ela deveria perguntar isso?

Janaína não compreendeu, mas obedeceu: — Senhor Yago, você vai dormir na casa dele hoje à noite?

Yago observou a interação dos dois com um olhar desconfiado, totalmente confuso: — Pode ser. Na época do exército, eu e o herdeiro Zhao frequentemente dormíamos no mesmo alojamento.

Os olhos de Janaína arregalaram-se de imediato.

Realmente havia algo ali; os boatos não surgiram do nada!

O herdeiro Zhao interrompeu imediatamente os pensamentos absurdos dela: — Mesmo que ele esteja disposto, eu não estou.

Yago continuava sem entender o rumo da conversa: — Sobre o que vocês estão falando?

O herdeiro Zhao respondeu em tom de óbvio mau humor: — Estão espalhando boatos de que nós dois temos um caso, e ela acreditou.

Yago engasgou-se com a própria saliva, começando a tossir intensamente. Ele puxou dois lenços de papel e cobriu apressadamente o nariz e a boca.

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Cof, cof...

Como algo tão absurdo pôde surgir? Nós mal nos vemos uma ou duas vezes a cada seis meses. Embora eu ainda não tenha me casado, a minha orientação sexual é perfeitamente normal.

O herdeiro Zhao olhou para ela: — Conseguiu entender agora?

Janaína, no fundo, já não acreditava, mas questionou: — Então, qual era o seu propósito ao reservar aquele quarto na hospedaria logo adiante?

O herdeiro Zhao respondeu com total descompromisso: — Pretendia convidar algumas mulheres para nos divertirmos.

Ele não demonstrou o menor pudor em dizer aquilo diante de Yago.

E também não a questionou sobre como ela sabia que ele havia feito uma reserva ali.

Notando que Janaína não esboçou grande reação, ele acrescentou: — Irei para lá assim que terminar a refeição. Quer ir junto?

Quem reagiu antes de Janaína foi a figura ingênua de Yago, cujo rosto empalideceu de imediato: — Nós não vínhamos apenas para comer massa? Convidar... convidar o quê...

Ele sequer conseguiu pronunciar as palavras seguintes.

Janaína soltou uma risada de deboche: — Conhecemos o rosto, mas não o coração. É melhor você não andar muito com ele; esse homem não tem a menor vergonha na cara, é um completo crápula!

Ao concluir a frase, ela quase cerrou os dentes de irritação.

O herdeiro Zhao manteve seu sorriso leve e indiferente: — Por mais crápula que seja, ainda há quem o trate como um verdadeiro tesouro.

Janaína contraiu os cantos da boca. Fora assim no passado, mas não era mais o caso.

Ela própria não sabia de onde extraíra coragem para insultá-lo daquela forma na cara dele; talvez porque a cicatriz tivesse se curado e, naturalmente, ela se esquecera da dor.

Após saírem do estabelecimento.

A outra mesa permanecia ocupada. Augusto observou com evidente interesse as três figuras que cruzavam a porta de saída e comentou com um sorriso: — Há uma grande probabilidade de o seu irmão estar namorando sério desta vez.

O herdeiro Zhao mais velho arqueou as sobrancelhas: — O que o faz pensar assim?

— É apenas... — Ele não soube explicar com precisão. — Uma percepção muito sutil.

O herdeiro Zhao mais velho virou o rosto para observar.

A jovem esticou o braço para dentro do bolso do casaco do herdeiro Zhao mais novo, retirou uma embalagem de lenços umedecidos, rasgou-a e, com total naturalidade, empurrou o papel de descarte de volta ao bolso dele, fazendo o mesmo com o lenço após limpar as mãos.

O herdeiro Zhao mais novo franziu o cenho ao notar a ação, e aquele único olhar severo fez com que a jovem saísse correndo em disparada.

Augusto soltou uma gargalhada: — Fica evidente que o seu irmão vive intimidando a garota. Não dizem por aí que o interesse de um homem por uma mulher começa justamente pelas provocações?

— Essa é uma conduta típica de crianças de escola.

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Augusto comentou com um tom enigmático: — De fato.

Após afastar-se, Janaína caminhou pelas redondezas por cerca de meia hora, aguardando até visualizar o veículo do herdeiro Zhao mais velho deixar o local antes de se direcionar novamente à residência daquele senhor idoso.

A profissional responsável pelos cuidados domésticos abriu a porta para ela, exibindo uma postura de sinceras desculpas: — Lamento profundamente, o senhor encontra-se em período de atividade profissional e não está disponível para receber visitas.

Janaína refletiu por um instante e estendeu seu cartão de visitas: — Meu nome é Janaína. Seria possível me fornecer um cartão de contatos do senhor?

A funcionária retirou-se para consultar o idoso e, em instantes, retornou com o cartão: — O senhor estipulou que a senhorita deve retornar a este local exatamente daqui a três meses, no primeiro dia do mês, no período do almoço, para efetuar a retirada da obra artística.

Janaína demonstrou surpresa: — Retirar a obra?

A funcionária explicou: — O idoso percebeu uma grande afinidade com a senhorita e decidiu produzir uma obra dedicada especialmente a você. Caso a senhorita disponha de tempo na data mencionada, solicitamos a sua vinda.

— Por favor, transmita os meus agradecimentos ao senhor, comparecerei pontualmente.

Janaína guardou o cartão e retirou-se do local.

Às suas costas, o portão de ferro produziu um ruído ao ser fechado.

Movida por um impulso, ela olhou para trás e avistou o idoso na janela do segundo pavimento, acenando em sua direção.

Ela abriu um sorriso e acenou de volta.

— O que está fazendo aí?

Seu ombro recebeu um toque repentino.

Janaína virou-se e deparou-se com Tiago.

Ele apontou na direção indicada: — Quem é ele?

— Um antigo conhecido dos meus pais. Na minha infância, ele produziu um retrato de toda a nossa família.

— Puxa — Tiago manifestou surpresa. — Ele parece ser o primeiro a se declarar abertamente como um amigo daquele idoso.

— De fato. Estou integrada à rotina da família de Lucas há mais de seis meses e jamais ouvi qualquer menção a respeito dele.

A assistente gesticulava na distância chamando por eles.

— Vamos até lá.

Tiago exibia um semblante frustrado: — Os registros das câmeras de segurança não indicaram a presença de nenhum outro homem.

— Eu já identifiquei a identidade da pessoa envolvida, eles não sustentam esse tipo de relacionamento. Não dê ouvidos a qualquer boato infundado.

Janaína tocou o ombro dele: — Aquela sua amiga da alta sociedade tem uma imaginação fértil demais.

No exato momento em que concluiu a frase, avistaram o herdeiro Zhao mais novo ingressar em seu veículo e deixar o local.

Na sequência, Yago ocupou o carro que vinha logo atrás e também se retirou.

Tiago estreitou os olhos: — Era ele? Até que possui boa aparência, mas não supera a minha.

Janaína assentiu com a cabeça: — Sim, se você conseguisse ganhar um pouco mais de peso, ficaria ainda melhor.

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Tiago demonstrou inconformismo: — Eu sou consideravelmente mais jovem que eles e possuo um futuro brilhante pela frente.

— ...

Apenas com o início da noite Janaína deixou o bairro antigo da zona sul.

Caminhar durante todo o período diurno causara um enorme desgaste físico. Assim que ingressou no veículo, sentiu que adormeceria imediatamente; contudo, ao recordar-se de pendências específicas, abriu os olhos e acessou uma plataforma de jogos virtuais de apostas.

Tiago direcionou o olhar para a tela dela e soltou uma risada de desdém: — Jogos de apostas virtuais atraem apenas os desprovidos de discernimento. Os resultados de ganhos e perdas já estão previamente estabelecidos pelo código de programação, não há qualquer influência de sorte ou habilidade técnica nesses ambientes.

Janaína possuía total conhecimento do fato: — Aqueles idosos em situação de vulnerabilidade que encontramos na comunidade demonstram uma grande obsessão por essa atividade.

Destinar os recursos obtidos por meio de esmolas para a prática de apostas era algo de fato... E ainda utilizavam lentes de aumento para efetuar os lances.

Tiago resmungou: — E mesmo assim você optou por fornecer recursos financeiros a eles, alimentando essa conduta? Indivíduos com compulsão por apostas não interrompem o comportamento mesmo diante da total ruína financeira.

— Senti compaixão pela realidade deles. Ademais, uma parcela considerável dos idosos desamparados desta região depende da caridade pública para a sobrevivência.

Tiago soltou um longo bocejo: — Sendo assim, por que você não providencia a abertura de uma instituição de acolhimento para idosos e os reúne num único espaço?

— Essa é exatamente a minha intenção.

Tiago achou a ideia extremamente cômica: — Nesse cenário, o local se transformaria num espaço de apostas coletivas, e você assumiria a posição de proprietária de um cassino clandestino. Vale lembrar que a legislação local prevê penalidades severas para essa conduta.

Janaína direcionou a ele um olhar de reprovação.

Naquela noite, ela não dispunha de energia para interagir com Lucas, direcionando-se diretamente à propriedade residencial principal.

Após o banho, sentindo o corpo exausto, mas a mente um pouco mais desperta, ela puxou sua mala de viagens e localizou o conjunto de correspondências que seu irmão lhe enviara ao longo dos anos, iniciando a leitura de cada uma delas.

Por fim, vencida pelo cansaço, adormeceu sobre a superfície do tapete.

Ao despertar no meio do período noturno, percebeu que se encontrava acomodada no conforto da cama, abraçada a um corpo aquecido que transmitia uma sensação térmica semelhante à exposição solar. Sentindo-se acolhida pelo aroma dele, moveu o corpo de forma confortável.

Com a visão recuperando a nitidez de forma gradual, identificou que o homem em seus braços era exatamente o herdeiro Zhao mais novo, que segurava aquelas correspondências em suas mãos.

De imediato, Janaína sentiu todos os pelos do corpo se arrepiarem.

Capítulo 54: Eu sou o seu namorado

Movida por um impulso, Janaína esticou os braços na tentativa de recuperar as cartas: — Não leia isso!

A reação do herdeiro Zhao mais novo foi consideravelmente mais ágil; com um movimento de desvio, ela acabou segurando o vazio.

Janaína fez menção de levantar-se, mas no instante seguinte, um braço robusto envolveu sua cintura e, de forma imprevista, ela foi puxada contra o peito dele.

O impacto a deixou levemente atordoada, com a visão turva, mas ela buscou apoiar as mãos contra o tórax dele para se erguer.

Contudo, o herdeiro Zhao a manteve firmemente presa pela cintura, deixando que papéis caíssem pela superfície do chão, e transferiu a mão para a parte posterior da cabeça dela, pressionando-a contra si.

— Não... por favor...

Os lábios de Janaína mantinham-se firmemente cerrados, demonstrando total recusa em aceitar o beijo, tomada por uma postura de plena resistência.

O herdeiro Zhao pronunciou em tom rouco e persuasivo: — Seja cooperativa, abra a boca.

Ela balançou a cabeça de forma enfática: — Não...

— Qual a dinâmica afetiva que deseja propor desta vez, Janaína?

Ao deparar-se com o olhar repleto de ironia dele, a postura de Janaína suavizou-se de imediato: — Preciso primeiramente recolher os pertences do meu irmão...

Antes da conclusão da frase, os lábios do homem uniram-se aos dela, introduzindo a língua de forma incisiva.

A sensação assemelhava-se ao contato de um fósforo aceso com uma estrutura de madeira seca, elevando de forma instantânea a temperatura corporal.

Janaína emitiu um som abafado de surpresa, sendo imediatamente contida pelo peso do corpo do herdeiro Zhao, que se posicionou sobre ela, enquanto as vestimentas eram removidas de forma desalinhada em direção ao chão.

— Senhor Zhao, aguarde um instante...

Os beijos dele distribuíram-se por sua face, contorno auricular, maxilar e região do pescoço...

Lágrimas transbordaram de seus olhos; Janaína sentia-se incapaz de conter a intensidade daquela abordagem, movendo-se de forma desordenada na tentativa de se libertar.

O herdeiro Zhao prendeu os pulsos dela acima da linha da cabeça e, mantendo-se em silêncio, buscou novamente os lábios dela.

A habilidade dele demonstrava uma evolução constante e, apenas com aquela intensidade, Janaína sentiu a oxigenação faltar, emitindo sons de desconforto.

A sensação era de encontrar-se em meio a um oceano agitado, prestes a submergir totalmente.

O herdeiro Zhao afastou-se minimamente, permitindo que ela recuperasse o fôlego, e prosseguiu com o percurso em direção ao seu peito.

Sentindo-se indefesa, Janaína envolveu o pescoço dele com os braços, desviando o rosto para observar o conjunto de cartas espalhado pelo chão.

Tratavam-se exatamente de cinquenta e duas correspondências, abrangendo um intervalo de quatro anos e quatro meses; seu irmão providenciava o envio mensal por meio de terceiros de forma regular, sem qualquer atraso.

Contudo, nos registros correspondentes aos primeiros quatro anos, nenhuma linha mencionava os episódios vivenciados por sua família de infância.

Apenas nos quatro meses finais, possivelmente motivado pela insistência das indagações dela, seu irmão consentira em detalhar aspectos daquela metrópole.

Os textos apontavam que, devido a conflitos de interesses econômicos, as famílias Zhao e de Lucas uniram forças, empurrando sua família de infância para uma situação de total vulnerabilidade, eliminando qualquer possibilidade de recuperação.

Assim que os problemas se instalaram, a família de Lucas adotou de forma imediata a postura de romper publicamente qualquer vínculo anterior.

Essa era a razão pela qual ela decidira de forma convicta trair Lucas; independentemente do nível de zelo e atenção que ele dedicasse a ela, jamais haveria espaço para considerar aquele matrimônio como algo legítimo. Se não fossem pelos seus objetivos específicos, sua conduta teria sido ainda mais severa.

Contudo, antes de alcançar esse estágio, o herdeiro Zhao cruzara o seu caminho.

— Em quem você está pensando agora?

O pensamento de Janaína retornou instantaneamente à realidade.

As pupilas de tonalidade castanho-escura do herdeiro Zhao assemelhavam-se a uma estrutura de passagem sem fim. Após sustentar o olhar por breves instantes, Janaína cedeu, aproximando o rosto para aproximar sua face à região auricular dele.

Murmurou em tom baixo: — Você poderia me acolher de forma afetuosa?

Da mesma forma que seu irmão costumava fazer.

O herdeiro Zhao aplicou uma leve pressão em sua cintura: — Demonstrando tanta carência?

— Afinal, você deseja a presença de um namorado ou de um irmão?

Janaína respondeu prontamente: — A postura de um irmão. O meu irmão, você tinha conhecimento sobre a existência dele?

Um som quase imperceptível de concordância ecoou da garganta do herdeiro Zhao.

— Janaína. — A mão robusta dele deslizou por suas costas, e a expressão puramente masculina deu lugar a uma postura de evidente zelo e suavidade. — Com a minha presença aqui, não há razão para temores. Eu cuidarei do seu descanso diariamente, contudo, é necessário que você atenda aos meus contatos telefônicos.

Ele soltou uma risada contida.

Janaína direcionou a ele um olhar severo: — Você seria capaz de desempenhar o papel do meu irmão com total seriedade?

O herdeiro Zhao baixou as pálpebras, respondendo de forma pausada: — Não, visto que eu ocupo a posição de seu namorado.

Janaína contraiu os lábios: — Sendo assim, deixe para lá.

Ela exerceu uma leve pressão para afastá-lo: — Na realidade, você não se enquadra de forma autêntica no perfil de meu namorado, no máximo seria...

— Seria o quê? — O herdeiro Zhao segurou a mão dela: — Eu não sou o namorado com quem você compartilha a intimidade do descanso?

Janaína desviou o rosto: — Pense como desejar, afinal, os seus sentimentos para comigo não são legítimos.

— E qual seria a conduta necessária para demonstrar legitimidade? Seria necessário remover o meu próprio coração para obter a sua validação?

A tonalidade utilizada por ele mantinha-se repleta de descompromisso, assemelhando-se à interação direcionada a uma criança.

Janaína sentiu que aquela interação carecia de sentido.

O herdeiro Zhao, possivelmente compartilhando da mesma percepção e com o entusiasmo reduzido, afastou-se, acomodando-se na lateral da cama.

Livre da contenção física, Janaína retirou-se do leito, recolheu as vestimentas do chão para se recompor e agachou-se para organizar meticulosamente cada correspondência, acomodando-as no interior de uma caixa que foi guardada na mala de viagens, acionando o dispositivo de segurança antes de deslocar o objeto para o ambiente do closet.

O herdeiro Zhao acompanhou as ações com uma oscilação complexa em seus sentimentos.

A percepção transmitida era de que a jovem mantinha-se pronta para recolher seus pertences e deixar o local de forma definitiva diante de qualquer descuido dele.

E de uma maneira que inviabilizaria qualquer tentativa de localização.

Tendo vivenciado sua formação no exterior desde a infância, habituada a uma conduta mais livre, era natural que ela adotasse comportamentos de difícil controle por parte dele.

Janaína retirou-se do closet, direcionou-se ao ambiente sanitário e ali permaneceu por cerca de trinta minutos antes de retornar.

Ao notar que o herdeiro Zhao permanecia no aposento, optou por ignorar sua presença, ergueu as cobertas e acomodou-se, encolhendo o corpo de forma compacta.

Após um longo intervalo, quando ela já se aproximava do estado de sonolência, a voz grave do homem ecoou às suas costas: — O zelo dedicado a essas cartas deve-se à figura do seu irmão ou ao teor das informações ali contidas?

Janaína franziu o cenho: — Qual seria a diferença?

Independentemente do conteúdo redigido por seu irmão, o valor sentimental permaneceria inalterado.

Após novo período de silêncio, o herdeiro Zhao questionou: — Caso os textos não tivessem sido produzidos por ele, você ainda dedicaria o mesmo valor a esses papéis?

Janaína direcionou a ele um olhar carregado de irritação: — Eu possuo total capacidade de identificar a caligrafia do meu irmão, evite criar intrigas desnecessárias!

O herdeiro Zhao respondeu de forma descontraída: — Tratava-se apenas de uma reflexão, não há razão para tanta exaltação.

Ele aproximou-se voluntariamente pelas costas dela, envolvendo-a num abraço.

Janaína buscou desviar o rosto rapidamente, mas não conseguiu evitar o contato dos lábios dele.

O herdeiro Zhao tocou suavemente o contorno da boca dela e pontuou: — Seja obediente, Janaína. Durante o período da minha viagem de negócios, permaneça nesta metrópole, evite deslocamentos externos, retorne a este local ao fim do dia e aguarde o meu contato telefônico.

— Sim. — Janaína, na realidade, não pretendia seguir aquelas orientações.

Suas atribuições profissionais demandavam viagens eventuais.

— Muito bem.

A postura dela transmitia uma obediência tamanha que o impedia de identificar a resistência interna que ela sustentava.

— Descanse. — O herdeiro Zhao estendeu um dos braços para servir de apoio a ela: — Diante de qualquer sonho desconfortável, basta se aproximar firmemente de mim.

— Sim.

Janaína refletiu internamente que as experiências noturnas desconfortáveis recentes guardavam relação direta com a presença dele.

Ainda mais com o indivíduo acomodado ao seu lado; seu desejo real era afastá-lo com um golpe.

Felizmente, o período de descanso transcorreu sem intercorrências.

Ao despertar, constatou que o herdeiro Zhao já se dedicava ao preparo da primeira refeição no ambiente da cozinha.

Janaína realizou sua higiene pessoal e, ao atingir a sala de estar, visualizou a mesa organizada para o café da manhã.

Ela posicionou seu casaco no assento oposto e acomodou-se de forma elegante.

O herdeiro Zhao passou os olhos pelo decote pronunciado em formato de V da vestimenta dela, que revelava parcialmente o contorno do colo.

Nenhum comentário verbal foi emitido, contudo, a postura dele sugeria uma clara observação.

Janaína comentou por iniciativa própria: — Esta vestimenta é perfeitamente comum. No exterior, eu sequer adotava o uso de peças íntimas estruturadas.

E acrescentou: — Minhas colegas de ambiente acadêmico compartilhavam da mesma conduta. Devido ao retorno ao país, passei a adotá-las, experimentando um desconforto inicial considerável.

O herdeiro Zhao respondeu de forma sutil: — Não partilho de visões retrógradas; a escolha de suas vestimentas compete exclusivamente a você, não me cabe exercer controle.

— Fico satisfeita que não demonstre restrições.

Janaína sentiu-se confortável com o fato de ele não manifestar uma postura conservadora semelhante à de Lucas.

Apesar da satisfação, um leve descontentamento se fez presente.

Sua assistente mencionara anteriormente que os homens daquela região preferiam que suas companheiras adotassem trajes discretos, enquanto demonstravam preferência por trajes mais ousados nas demais mulheres.

O herdeiro Zhao achou a postura dela divertida: — O fato de não impor restrições causa o seu descontentamento?

A tonalidade dele alterou-se ligeiramente: — Providencie a substituição desta peça após a refeição; tal traje não se adequa ao ambiente corporativo.

Janaína rebateu: — Não farei isso. Detenho total autonomia sobre minhas escolhas de vestuário, mesmo na condição de meu cônjuge, você não deteria esse controle.

O herdeiro Zhao limitou-se a sorrir de canto, mantendo o silêncio.

Após a finalização da refeição, iniciou-se a interação íntima entre ambos.

 

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