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《Destruída pelo Desejo》Capítulo 24

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Capítulo 47: Ela é muito familiar

No andar de baixo do salão de bilhar, a música no bar era ensurdecedora.

Janaína estava sentada bem perto de Yago, mas era absolutamente impossível ouvir sobre o que eles conversavam.

Ela estava ali sentada há tanto tempo, e Yago, tirando o momento inicial em que a apresentara aos amigos, a estivera ignorando completamente até agora.

Não tinham combinado que ele a traria para se divertir?

Já que estavam num bar, não deveriam ao menos brindar juntos?

Janaína pegou o copo de suco sobre a mesa, brindou no ar com aquele oficial da força aérea que era lindo de morrer e arqueou uma sobrancelha.

Augusto ficou um pouco sem jeito; ele ergueu seu copo, deu um gole sutil e logo desviou o olhar, fingindo casualidade: — Onde você arranjou uma namorada tão bonita?

Yago: — Roubei da casa de outro.

Augusto ficou estupefato.

Yago virou a cabeça e encarou a garota que se fazia de inocente; ela estava com os olhos bem abertos, piscando para ele.

O olhar dele ficou feroz: — O que você está fazendo?

Janaína respondeu com toda a honestidade do mundo: — Tomando suco.

— Está gostoso? — Yago aproximou-se, querendo que ela o alimentasse.

Janaína cedeu e levou o suco até os lábios dele.

Yago não ficou satisfeito; seu pomo de Adão se moveu, e ele disse em tom grave: — Me alimente com a boca.

Janaína: — Nem pensar!

Ela se virou, mordeu o canudo e deu um grande gole no suco, sentindo imediatamente um peito ardente colando-se às suas costas.

A voz colada ao seu ouvido trazia um tom de malícia: — Não é como se eu nunca tivesse provado o que é seu, sua mão-de-vaca.

A espinha de Janaína gelou instantaneamente.

O que ele estava dizendo agora?!

Antes que aquele beijo quente alcançasse sua bochecha, ela largou o copo rapidamente, levantou-se e foi saltitando em direção à pista de dança.

O amigo Augusto não perdeu a chance de provocar: — O que você disse para deixá-la tão sem jeito?

Yago respondeu com indiferença: — Nada demais.

Augusto: — Tudo bem então.

Janaína não queria exatamente dançar; ela atravessou a multidão, foi até o balcão do bar e, num movimento rápido, enviou a foto que acabara de tirar de Augusto para Tiago.

【Investigue o histórico dessa pessoa.】

Para entender para quem Yago estava trabalhando naquela época, a melhor maneira era primeiro investigar as pessoas com quem ele tinha contato.

Tiago: 【Recebido.】

Não demorou muito para que Tiago enviasse as informações sobre Augusto.

Janaína deu uma olhada rápida: o filho mais velho da família Augusto da capital, colega de faculdade de Yago.

Ao perceber que alguém se aproximava, ela desligou a tela do celular com agilidade.

No segundo seguinte, uma mão alva e de dedos longos pegou o copo entregue pelo bartender.

O olhar dela pousou sobre ele; ao ver que era o herdeiro Zhao, ergueu as sobrancelhas surpresa: — Você também está aqui? Quando me notou?

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— Assim que vocês entraram, alguém veio me avisar.

Janaína estancou.

O que ele queria dizer era que sabia que ela e Yago tinham vindo juntos.

Ontem à noite, Yago a tratara daquele jeito e hoje já tinham feito as pazes?

Além disso, o Lucas sabia que ela estava sendo tão audaciosa?

??

Após trocarem olhares por um breve instante, Janaína inclinou a cabeça: — Me paga uma bebida?

Herdeiro Zhao: — O que quer beber?

— O mesmo que está na sua mão.

O herdeiro Zhao olhou para ela de soslaio e colocou o copo à frente dela: — É forte, beba devagar.

— Esse eu já conheço. — Janaína o pegou e deu um pequeno gole. — Nada mal.

O herdeiro Zhao a observava com um olhar ainda mais inquisitivo, esperando que ela tomasse a iniciativa de se explicar.

Mas Janaína não tinha essa intenção.

Ela também não conseguia entender por que Yago a traria ali de forma tão aberta.

O herdeiro Zhao pegou outro copo com o bartender antes de perguntar: — Ele te trata daquele jeito, o que você ganha com isso?

Janaína bebeu mais um pouco, continuando sem responder.

O herdeiro Zhao estreitou os olhos: — Ele veio te pedir trégua ou você que foi atrás dele?

Ele acreditava na segunda opção, afinal, Yago não toleraria alguém que o tivesse esfaqueado pelas costas.

A noiva de Yago era um exemplo disso.

Janaína fez mistério: — Claro que foi ele. Você certamente não imaginava, não é? Ele me mandou para a delegacia e, logo em seguida, me convidou para jantar. Na sua opinião, o que ele está pensando?

O herdeiro Zhao soltou um riso de deboche.

O que mais ele poderia estar pensando? Yago estava fissurado nessa mulher chamada Janaína, mas com a capacidade dela, ela não conseguiria passar a perna nele. Sendo assim, mantê-la por perto para se divertir não era grande coisa, era puramente por distração.

Pelo temperamento de Yago, se fosse algo sério, a probabilidade seria ele esconder essa pessoa; até o momento do casamento, ele não a tornaria pública, muito menos a traria para desfilar na frente dele.

Herdeiro Zhao: — E você? Pretende continuar se envolvendo com ele? Não quer mais o meu primo?

Janaína deu mais um gole no conteúdo do copo.

O herdeiro Zhao empurrou a bochecha com a língua e sorriu com desdém: — Eu sei que você não se casou novamente com o meu primo, então o que você faz não tem tanta importância.

Janaína tomou a iniciativa de tocar no assunto: — Então o que você me perguntou ontem à noite...

— O que eu te perguntei? — O herdeiro Zhao olhou para ela com interesse, seus olhos estreitos brilhando com um sorriso libertino. — Então, você aceita?

As luzes do bar eram confusas e psicodélicas. Quanto mais Janaína olhava para as feições e os olhos dele, mais via traços que lembravam Yago, embora no geral não fossem tão profundos; ele tinha um ar mais elegante, sociável e descontraído.

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A sensação que dava era de que Yago jamais teria aquela mesma leveza e espontaneidade.

Afinal, o herdeiro Zhao não precisava fazer nenhum esforço para ter tudo aquilo de forma natural.

Janaína, obviamente, recusou: — Eu não aceito.

Ele estava rivalizando com Yago; tudo o que pertencia a Yago, ele queria tomar.

Em seu coração, a própria existência de Yago era inadmissível.

Olhando pela perspectiva dele, Janaína até conseguia compreender seus sentimentos.

Ela explicou: — Você tem uma noiva.

O herdeiro Zhao não deu importância: — É apenas uma noiva, não é minha esposa.

Janaína terminou a bebida e pousou o copo: — Que bom, então vou esperar pelas boas notícias do seu término com ela.

Ela se virou e saiu, misturando-se à pista de dança e atravessando a multidão.

Um homem aproximou-se segurando um copo, observando aquela silhueta se afastar: — Essa garota me parece um pouco familiar.

O herdeiro Zhao desviou o olhar daquela pequena figura de volta para o próprio copo: — Janaína, a filha caçula de um antigo empresário. Você a viu no exterior?

O homem balançou a cabeça: — Aquele homem tem vivido de forma muito reclusa nos últimos anos, faz tempo que não faço negócios com ele, muito menos teria conhecido a filha do casal.

— Se nunca a viu, de onde vem essa sensação de familiaridade?

O homem que se aproximara quebrou a cabeça tentando pensar, chegando a uma conclusão: — Mulheres bonitas são todas parecidas. É a sua nova presa?

O herdeiro Zhao olhou para ele e sorriu despretensiosamente: — Quem não gostaria de uma mulher que enche os olhos? Especialmente o processo de captura da presa, que nos deixa particularmente animados.

Antes mesmo de Janaína conseguir voltar ao camarote de antes, viu que ao lado dos dois homens havia agora uma mulher bonita para cada um.

Pareciam ser acompanhantes do local.

Ela caminhou de volta sem fazer alarde e sentou-se num canto.

Yago disse algumas palavras, e as duas mulheres se retiraram uma após a outra.

Depois que elas saíram, Janaína continuou ali sentada.

Mas não ficaram muito tempo; Yago logo a levou embora.

Outro carro parou lentamente em frente à entrada do clube.

O herdeiro Zhao por acaso saíra para esperar o motorista; ele acendeu um cigarro e, ao ver Lucas descendo do carro, demonstrou surpresa: — Veio se divertir?

Esse primo dele tinha uma personalidade introvertida; desde pequeno fora muito autodisciplinado e focado, nunca aparecendo em lugares como aquele.

Ficava evidente que viera procurar alguém.

Lucas foi direto ao ponto: — Onde está a Janaína?

O herdeiro Zhao sorriu levemente: — Acabou de sair.

A expressão de Lucas era fria sob as luzes de neon, demonstrando total desinteresse. Prestes a se virar para ir embora, acrescentou: — Evite se aproximar da minha esposa no futuro.

Um aviso sem grande alarde, mas que inexplicavelmente irritou o herdeiro Zhao: — Vocês não tinham se divorciado?

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— Não nos divorciamos. — Lucas negou imediatamente. — Ela sempre será minha esposa. Não volte a fazer esse tipo de pergunta no futuro, caso contrário, entenderei que você está tentando criar intrigas na nossa relação.

Interessante.

O herdeiro Zhao sentia uma certa admiração por aquela mulher.

Como ela conseguia fazer com que esses dois homens ficassem tão obcecados por ela?

Capítulo 48: Seja boazinha, não me faça ficar bravo o tempo todo

Janaína estava sentada no carro, quase caindo de sono; o homem no banco do motorista não falou com ela, mantendo o silêncio por todo o trajeto de volta ao condomínio.

Ao entrarem em casa, Yago trazia nas mãos as sacolas das compras que fizera com ela, caminhando logo atrás.

A porta principal foi fechada com um estrondo.

Mal Janaína tirara os sapatos, um corpo a abraçou por trás.

As sacolas de compras foram deixadas no chão.

Ela pareceu sentir o perfume de outra mulher e franziu o cenho.

Antes que pudesse tentar se soltar, Yago explicou: — Antes de você voltar, aquelas duas acompanhantes tinham acabado de se sentar, dizendo que eram novas ali e pedindo para que eu desse uma força. Não entenda errado, eu não fiz nada, não quero fazer nada e é impossível que eu venha a fazer algo.

Janaína não se importou: — Mesmo que você quisesse fazer algo, não é da minha conta. Você deveria dar explicações para a sua noiva oficial.

— Tudo bem.

Yago a soltou, caminhou até o sofá para se sentar e, num movimento rápido, segurou o pulso dela, puxando-a para o seu colo.

— Ahhh! — Janaína foi pega de surpresa por aquele contra-ataque, chocando-se diretamente contra o peito dele.

Yago a prendeu firmemente em seus braços: — Olhe só como você está ranzinza agora. Se eu realmente me casasse com você, temo que no futuro não teria liberdade nem para respirar.

Janaína ficou com as bochechas coradas de vergonha com o que ele disse, mas forçou-se a se acalmar, dizendo de forma pacífica: — Ainda bem que não vamos nos casar, você não precisa se preocupar com esse problema.

— Quem pode garantir? — Yago não havia bebido, mas seus olhos profundos pareciam carregar uma leve embriaguez. — Se não se casar comigo, com quem pretende se casar?

Janaína, correndo o risco de ele avançar a qualquer momento para sufocá-la, soltou um estalido com a língua: — Eu não vou me casar de novo, ninguém terá essa chance!

— É bom que você cumpra o que diz.

A mão de Yago em sua cintura apertou com força.

A temperatura subiu repentinamente.

Aquela postura era desconfortável, trazendo uma sensação real de estar totalmente sob o controle de alguém.

Janaína moveu-se inquietamente: — Que tal se eu for abrir uma garrafa de vinho tinto para você?

— Está querendo me embriagar para arrancar informações?

Ora, ela fora descoberta tão facilmente; sua intenção era mesmo deixá-lo bêbado para que revelasse a verdade sob o efeito do álcool.

O rosto de Janaína estancou numa expressão sem graça.

Yago achou aquilo muito divertido e deu um tapinha na parte inferior das costas dela: — Vá abrir, eu vou tomar um banho primeiro.

Era raro ele ceder aos desejos dela.

Janaína não hesitou em se afastar correndo.

Mas, após dar alguns passos, ouviu Yago perguntar atrás dela: — Aquela parte da perna ainda está doendo muito hoje?

Ele se referia ao local onde fora tatuado o nome dele.

Janaína franziu o cenho sem jeito: — Começou a descascar agora, está coçando demais!

Somado ao fato de não ter descansado bem nesses últimos dias, a recuperação não estava sendo tão rápida; por alguma razão, no caminho de volta, ela sentira um grande desconforto.

Yago soltou um riso gélido: — E mesmo assim você insiste em beber?

Janaína hesitou por um instante e, ao erguer os olhos, deparou-se com o olhar frio do homem: — Eu... eu...

Ela mudou o argumento: — Não foi você que me levou ao bar? Quem vai a um bar e bebe suco em vez de bebida alcoólica?

Ela falava cheia de convicção; no fim, ela sempre tinha razão.

O olhar de soslaio que Yago direcionou a ela foi gélido; ele não disse mais nada, virando-se para entrar no quarto.

Enquanto esperava que ele saísse, Janaína abriu o celular para ler as informações enviadas por Tiago.

O histórico desse tal Augusto era impressionante; sendo da capital, era muito provável que tivesse boas relações com a influente família da qual Janaína fazia parte na infância.

Contudo, ela própria não conhecia bem aquela família ou os seus pais biológicos e, naturalmente, não sabia com quem eles tinham boas relações.

Durante todos esses anos, ela fora mantida escondida por sua família, vivendo de forma independente no exterior, sem saber que eles estavam passando por momentos extremamente difíceis no país.

Ao continuar lendo, a campainha tocou.

Deveria ser o Tiago.

Janaína foi abrir a porta sem pensar muito.

Ao ver claramente quem era, ela estancou.

— O que faz aqui?

Lucas sorriu: — Vim ver se você precisa de alguma coisa. Pode me deixar entrar?

— Er... — Não era muito conveniente.

Havia um homem escondido lá dentro... bem, na verdade, aquele homem era o verdadeiro dono daquela cobertura.

O rosto de Janaína expressava total relutância.

Mas as palavras de recusa pareciam difíceis de pronunciar.

Diante da hesitação dela, Lucas mudou de assunto: — Não tem problema. A propósito, o layout detalhado do planejamento urbano do projeto já foi definido? A matriz parece não ter recebido nenhum relatório com os desenhos da sua parte.

Janaína segurou o batente da porta, adotando uma postura séria: — Tudo está correndo conforme o planejado, fique tranquilo. Não farei com que o senhor passe vergonha diante do conselho de administração.

— Que bom. — Lucas assentiu satisfeito. — Se tiver qualquer dificuldade, ou se precisar de qualquer informação sobre este projeto, pode vir falar comigo.

Os olhos de Janaína brilharam: — Você tem qualquer informação?

— Por exemplo, do que você precisa?

Janaína mudou o rumo da conversa casualmente: — Ouvi dizer que o antigo responsável por este projeto era um grande conglomerado de capital aberto, mas antes do início das obras, eles foram desmantelados pela polícia. Mais tarde, o grupo faliu completamente...

Ao falar nisso, ela se lembrou do seu falecido irmão, e seus cílios tremeram involuntariamente.

Fazendo as contas, faltava pouco para que pudessem se reencontrar, mas ele se fora repentinamente.

Lucas arqueou as sobrancelhas: — Quer saber sobre o antigo proprietário?

Janaína deu um sorriso radiante: — Claro, afinal, sendo um acontecimento tão grande, as informações foram abafadas. A história por trás disso deve ser muito interessante; entender melhor o passado evita que fiquemos em desvantagem no desenvolvimento do projeto.

Lucas sorriu de canto: — Parece que você está muito confiante neste projeto, já que começou a se interessar pelas fofocas dos bastidores.

Ela o bajulou: — Isso é porque tenho o senhor para me dar suporte.

Lucas disse em tom brando: — Eu sei tudo isso que você perguntou, mas parece não ter nenhuma utilidade prática para o projeto. Além disso, eu já lhe entreguei os desenhos do planejamento anterior deles.

Janaína piscou os olhos: — Você não poderia satisfazer a minha curiosidade?

Lucas respondeu sem hesitar: — Claro que sim.

— Então eu vou à matriz amanhã falar com você?

— Não. — Lucas balançou a cabeça. — Não gosto de falar de fofocas em horário de expediente. Se quiser ouvir, eu espero por você em casa à noite.

Após dizer isso, ele fez menção de ir embora, e Janaína apressou-se em dizer: — Tudo bem, eu volto amanhã à noite.

Lucas não pareceu totalmente satisfeito com aquela resposta; sua vontade era levá-la embora naquele exato momento, contudo, não queria forçá-la.

Ele entrou no elevador, e Janaína continuou parada à porta, acenando para ele: — Durma bem, boa noite.

A fisionomia de Lucas era fria, mas seu interior já estava em completo turbilhão; com a ponta dos dedos tremendo levemente, ele segurou o botão para manter a porta aberta e inclinou a cabeça: — Boa noite, Janaína.

Assim que Janaína se virou para fechar a porta, ele finalmente apertou o botão para fechar o elevador.

Não se sabia ao certo em que momento Yago saíra do quarto.

Mal Janaína cruzou o hall de entrada, deparou-se com uma silhueta alta e descontraída apoiada no balcão cinza claro; ele estava com uma mão no bolso e a outra segurando um copo de bebida.

A iluminação amarelada tornava a expressão de Yago um pouco difusa: — Toda cheia de segredos... foi praticar algum roubo?

— Claro que não. — Janaína fingiu casualidade, avaliando-o com um olhar vigilante.

Na verdade, ela acreditava estar demonstrando uma postura leve e natural.

Contudo, aos olhos de Yago, aquilo transparecia pura desconfiança.

Yago não tinha paciência para adivinhar os pequenos planos dela, muito menos para analisá-los.

Ele virou o conteúdo do copo de uma vez e fez um gesto com a mão: — Venha aqui, sirva mais.

— Ah.

Janaína jamais desperdiçaria a oportunidade de deixá-lo bêbado; ela serviu a bebida de forma bajuladora e empurrou o copo: — Se não for suficiente, tem mais.

Yago pegou o copo; sob a luz, o sorriso que despontava em seus olhos profundos carregava uma sedução fatal, agindo com total desenvoltura e precisão.

O coração de Janaína balançou junto.

Claramente ele era tão rude com ela, tinha uma personalidade tão instável e ainda vivia rodeado de flertes.

Como seria possível ela se apaixonar por um homem assim? Já deveria ter se livrado desse encanto há muito tempo.

Não querendo mais ser seduzida pela beleza dele, Janaína desviou o olhar para focar em suas próprias tarefas, cortando algumas rodelas de limão e colocando-as num copo de água pura.

Yago mantinha os olhos fixos em cada movimento dela; após um momento de silêncio, ele tocou no assunto principal: — Daqui a alguns dias, farei uma longa viagem. Pode durar cerca de um mês. Enquanto eu estiver fora, seja boazinha.

Janaína ergueu as sobrancelhas: — Tanto tempo assim? Para onde você vai?

— Não vou te contar. — A voz dele trazia um tom rouco, como se a estivesse provocando.

— Ah. — Nada de mais.

— Todas as noites, você deve sem falta atender às minhas ligações... Janaína.

Aquele chamado pelo nome veio com uma ternura inesperada.

Janaína prendeu a respiração.

Yago segurou os dedos dela que se mantinham ocupados: — Seja boazinha, não me faça ficar bravo o tempo todo.

 

 

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