Mas segundos depois, eu me rendi e me joguei contra o seu peito, apoiando a minha cabeça em seu coração. Ele me abraçou forte e eu solucei, deixando o choro sair, tentando me acalmar. Eu não tinha mais como negar o que eu estava sentindo no meu peito. Ele estava bêbado demais, não era o momento de me abrir para ele, pois, talvez amanhã ele nem se lembrasse do que eu falaria. Mas eu sabia que a partir daquele momento, seria difícil esconder o que eu sentia. E na verdade, eu estava feliz por ir embora, mesmo que não fosse realmente o que eu queria.
Ele me afastou lentamente do seu corpo, e eu abaixei o meu olhar. Ele alisou o meu rosto e beijou as minhas lágrimas. Ele me olhou enquanto eu erguia o meu olhar e eu senti arrepios em minha pele. Eu nunca tinha me sentido daquela forma por ninguém. Em minha mente, apenas uma frase se repetia como um mantra:
"Me escolha. Me peça para ficar. Diga-me que se apaixonou por mim."
Por um momento, pela intensidade do seu olhar e todo o carinho do seu corpo junto ao meu, parecia que ele diria exatamente o que eu queria escutar. Mas ele não disse nada disto. Senti ele se desequilibrando, e isto me fez sair do meu sonho.
-Vamos, Dante. Eu vou te ajudar a voltar para o quarto.
Segurei o seu braço e começamos a caminhar. Ele cambaleou mais uma vez e eu tentei segurar o peso do seu corpo. Eu sabia que ele estava fazendo um esforço hercúleo para não se apoiar completamente sobre mim. Mas isto poderia não durar muito, visto que o seu estado etílico era bem alto. Eu tinha que chegar logo no quarto, ou precisaria chamar alguém do hotel para nos ajudar. Dante era bem mais alto do que eu e seu corpo musculoso não seria fácil de ser carregado para o quarto. Visto que tenho somente a metade de seu peso.
-Onde você esteve, Bella mia? - ele sussurrou
Dante eu estava em outro quarto. Eu não saí do hotel.
Senti ele se aproximando, e meu coração acelerou ainda mais quando o seu olhar foi para os meus lábios. Eu precisava resistir. Eu me afastei um pouco e ele simplesmente desistiu. Não nego que isto me entristeceu, mas era necessário.
Caminhamos em silêncio, mas quando chegamos na porta do quarto que eu ocupava com ele, fiquei esperando ele tentar abri-la sem o cartão de acesso à entrada e obviamente falhar em todas elas. Mesmo pegando o cartão do seu bolso, ele não conseguia abrir a porta. Eu alcancei o cartão de suas mãos e abri a porta para entrarmos.
Eu não pensei duas vezes, arrastei ele para o banheiro e eu enfiei debaixo da água fria do chuveiro, com roupa e tudo. Ele me abraçou e nossos corpos, automaticamente entraram em sintonia. Eu tentei resistir, mas era mais forte do que eu. Ele se abaixou e desta vez eu não recuei. Ele segurou o meu rosto e beijou os meus lábios de uma maneira tão doce, delicada, que me fez ficar anestesiada na sensação dos seus lábios macios nos meus. Eu não poderia mais resistir. Eu correspondi ao seu beijo e a nossa respiração acelerou. E quando nos afastamos, ele sussurrou em meus lábios. -Por favor, fique comigo. Apenas durma comigo. Me dê uma chance...
Céus! Eu queria poder dar uma bronca nele. Dizer todos os palavrões possíveis, deixá-lo sozinho no quarto, ou até mesmo permanecer e fazer ele dormir no chão. Mas fodidamente eu sentia que precisava sentir o seu corpo abraçado com o meu. Eu precisava dormir sentindo o seu respiro, o seu perfume. Mesmo que isto significasse que seria a última vez.
Tudo bem, mas eu não quero...
-Eu vou te respeitar, Karen. Não vou tocar em você para isto, mas eu preciso de você aqui comigo. Eu preciso sentir o seu corpo, seu cheiro, as batidas do seu coração para me acalmarem. Eu sei que estou bêbado demais. Mas tenho certeza de que eu me lembrarei de cada promessa que eu te fizer esta noite.
Ele beijou a minha testa e ficamos ali por mais alguns minutos. Apesar de ser uma noite quente, os minutos debaixo da água fria estavam me deixando gelada mesmo envolvida nos braços quentes dele. -Venha, vamos sair. Você está tremendo, Bella mia.
Eu saí e com cuidado, fui até o armário do banheiro para pegar toalhas para nos enxugarmos. Eu me virei e me deparei com ele totalmente nu. Eu engoli em seco, olhando a maldita tentação que era aquele corpo perfeito e molhado. Eu levantei o meu olhar e ele estava sorrindo. Pelo jeito, ele estava bem melhor com o banho frio que acabara de tomar.
Eu peguei uma toalha e me apressei a sair do banheiro. Fui até o closet e peguei uma camisa dele deslizando-a sobre o meu corpo. Ele apareceu do meu lado e abriu a gaveta para pegar uma cueca. Ele parou admirando a sua camiseta em mim e sorriu genuinamente. Ele quase caiu quando tentava vestir a sua cueca. Eu o segurei e ele sorriu.
-Eu nunca bebi deste jeito. Eu nunca perdi o controle deste jeito. - Ele protestava.
Ele se vestiu, ficou em pé e segurou o meu rosto enquanto continuou a falar:
-Eu nunca saí da minha zona de conforto. Eu nunca senti o meu coração bater tão forte. Eu nunca estive tão apaixonado. Eu nunca amei alguém como eu te amo, Bella mia.
Ali estava o que eu queria tanto
escutar de sua boca. Dante estava apaixonado por mim. Meu coração parecia que sairia pela boca, pelos batimentos acelerados. Eu estava Eu estava com lágrimas nos olhos, ele estava falando isto, mas estava bêbado. Talvez nem se lembrasse do que estava me dizendo quando acordasse. Eu tremi quando as suas mãos seguraram as minhas. Ele parecia esperar que eu falasse algo. Pensando bem, eu não poderia mais esperar. No dia seguinte eu iria
embora, e provavelmente isto ficaria preso naquela noite.
-Eu também me apaixonei. Eu não devia. Se te serve de consolo, nunca senti por ninguém o que eu sinto por você, Dante. Mas precisamos ser realistas, isto nunca vai funcionar... -Bella mia, eu vou fazer funcionar....
Ele quase caiu novamente, seus olhos ficaram pesados. Ele realmente estava muito mal ainda por sua bebedeira.
-Dante, precisamos dormir. Vamos deixar esta conversa para amanhã.
Ele se abaixou e apoiou a sua testa contra a minha.
+
-Você tem razão. Venha para a cama comigo, eu preciso te abraçar.
Eu estava segurando o choro. Eu realmente queria muito ouvir ele dizer tudo aquilo. Mas quando ele estivesse fora do estado de embriaguez ao qual se encontrava. Eu sabia que isto poderia ser verdade, eu não era infantil ao ponto de desacreditar em seu sentimento. O fato é que jamais funcionaria.
Estávamos deitados, ele estava
abraçando o meu corpo, seus braços musculosos em volta da minha cintura. Seu respiro quente em meu ouvido, eu o desejava imensamente. Na verdade, eu o amava imensamente. Era uma loucura sentir isto em tão pouco tempo juntos. Mas o coração nunca agia com a razão. Uma vez li em um livro que não se explica o amor. Ele simplesmente acontece quando tem que acontecer.
Naquele momento, eu tinha apenas a certeza de que no dia seguinte eu teria apenas duas escolhas. Aceitar ser sua amante, mesmo sabendo que o meu coração seria quebrado no final. Ou simplesmente quebrá-lo eu mesma embarcando naquele voo que sairia amanhã à noite sem olhar para trás.
Eu sentia sua respiração se acalmar, o seu corpo estava relaxando junto com o meu. Mas a minha alma estava inquieta. Eu fiquei sonhando acordada que o nosso tempo não acabaria amanhã. Mas tudo era muito incerto, apenas uma utopia minha.
-Durma! Permita-me cuidar de você. Deixe que eu te proteja. Me permita te amar...
O seu sussurro quente e baixo em meu ouvido, fez lágrimas silenciosas descerem em meu rosto. Eu queria muito que ele se lembrasse. Eu queria muito que tudo fosse real. Acabei sendo vencida pelo cansaço das lágrimas e adormeci.
Eu abri os meus olhos e percebi que Dante não estava na cama. Eu me sentei e vi que ele estava sentado na poltrona próxima janela. Ele estava me olhando. Ele estava bem-vestido, mas apesar de estar todo arrumado, ele ainda possuía uma aparência cansada, provavelmente pelos acontecimentos da noite passada.
Bom dia, Karen.
O meu coração acelerou, tudo em mim parecia fora do lugar quando me lembrei das palavras que trocamos na noite anterior. Ele não parecia nada com o Dante, emotivo e passional da noite passada. Até o tom da sua voz, era muito frio. Eu senti um frio e uma forte cólica em minha barriga.
Tudo o que eu precisava para começar bem o dia, ficar menstruada. — Ironizo em minha cabeça.
Bom dia.
-Eu queria poder dizer que deixaria essa conversa para mais tarde, mas não é mais possível adiá-la. Você precisa de um minuto? Quer beber ao menos um café antes?
Eu apertei os meus joelhos enquanto envolvia as minhas pernas por baixo do lençol. As cólicas aumentaram em um nível enlouquecedor e senti algo molhado sob mim. -Eu preciso. Me dê um minuto, já volto.
Eu me levantei rapidamente e senti uma tontura. Senti algo quente escorrer por minhas pernas pas quando olhei para baixo, vi muito sangue. Não podia ter momento pior para a minha menstruação aparecer bem na frente dele. Em segundos, eu puxei os lençóis para mim, eu olhei para Dante, que estava pálido e assustado.
-Karen, está tudo bem?
Eu concordei com a cabeça, o meu rosto estava queimando de vergonha. A dor me consumindo com as cólicas em meu ventre. Eu tentei dar um passo para o banheiro, enquanto Dante se aproximava. Mas tudo girou e o breu me consumiu.