《O Bilionário Se Apaixonou Pela Mulher Errada》Capítulo 17

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Gustavo fixou o olhar nas imagens veiculadas pelo dispositivo de transmissão televisiva, contraindo moderadamente as sobrancelhas:

— No período da manhã da presente data, recebi notificações de terceiros indicando que a identidade do indivíduo correspondia a Maurício, tratado no perímetro pela denominação de Diretor Maurício; trata-se de uma figura de conduta marginal que costumava impor constrangimentos a funcionários no antigo perímetro onde exerci atividades profissionais.

O desfecho trágico daquele homem não configurava um fato extraordinário, considerando o expressivo volume de hostilidades acumuladas por suas condutas no tempo, abrindo margem para reações de insatisfação por parte de terceiros.

Contudo, caso a análise passasse a incluir a participação de Valéria...

Ambos voltaram a face na direção um do outro, estabelecendo um consenso imediato que prescindia de formalização verbal.

Ao concluir a refeição, Vitória foi demandada por meio de um contato telefônico estabelecido pelo antigo funcionário de confiança da linhagem de Felipe, instruindo-a a comparecer para a formalização do recebimento dos ativos e direitos societários legados pelo falecido patriarca, além de promover a sua introdução formal perante o conselho de acionistas da organização.

Ela efetuou a transmissão das informações a Gustavo que, ciente dos limites de sua atuação nas pendências daquela linhagem, deliberou por limitar seu suporte à condução dela até a sede corporativa da organização.

— Permanecerei no aguardo de sua retirada; diante de qualquer intercorrência nas tratativas, acione a minha estrutura imediatamente — declarou Gustavo, direcionando-lhe um olhar de legítimo zelo antes do desembarque.

Exigia-se reconhecer que o conselho de acionistas daquela organização constituía um perímetro de extrema complexidade, composto por atores de conduta implacável.

A aparição de uma figura externa assumindo a titularidade de uma quarta parte das ações da companhia por certo despertaria expressiva resistência e inconformismo entre os membros.

Vitória detinha plena clareza sobre aquela conjuntura, contudo, a titularidade daqueles ativos e direitos societários mostrava-se imperiosa para seus planos; a consolidação de sua autonomia financeira constituía o mecanismo necessário para viabilizar a devida reparação em nome de Vitinho.

Na atualidade, a estrutura de Valéria registrava expressiva evolução, distanciando-se da condição de vulnerabilidade do passado; conforme os relatórios de investigação consolidados por Gustavo, o principal respaldo político e financeiro de Valéria permanecia vinculado à estrutura daquela organização familiar.

O acionamento dos dispositivos de abertura da porta foi confirmado e, ao adentrar o salão de atos do conselho, Vitória deparou-se com o ambiente totalmente preenchido pelos integrantes.

As discussões no local transcorriam em tom de expressiva exaltação, contudo, sua entrada determinou a imediata estagnação dos debates.

No assento de maior relevância do salão de atos encontrava-se posicionada a consorte do genitor de Felipe, Júlia.

Ao longo do interstício de três anos de união civil com Felipe, embora Vitória estivesse desprovida de vantagens reais, o conhecimento acerca das correlações de poder daquela linhagem fora devidamente assimilado por ela.

A título de ilustração, Júlia figurava historicamente como o principal elemento de oposição a Felipe no perímetro corporativo; as disputas entre ambos estendiam-se por longo período, evidenciando a expressiva capacidade de articulação e astúcia daquela mulher.

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Adjacente a Júlia, encontrava-se posicionado o descendente direto dela, Maurício Júnior, exibindo trajes de sutil exagero e mantendo uma postura característica de herdeiros devotados estritamente ao desperdício de ativos.

Detectando as manifestações visíveis de inconformismo por parte dos presentes, Vitória optou por adotar uma conduta de total indiferença, dirigindo os passos diretamente ao perímetro ocupado pelo antigo funcionário de confiança.

Ao certificar-se da presença dela, o antigo funcionário iniciou os procedimentos formais, extraindo um documento do invólucro de proteção.

— Senhores integrantes do conselho, o falecido patriarca formalizou disposições de última vontade que já integravam o conhecimento parcial dos senhores; originalmente, as participações societárias do patriarca deveriam ser transmitidas aos descendentes diretos da linhagem.

O funcionário interrompeu o relato brevemente, retomando a palavra em seguida:

— Contudo, o período de consolidação dos ativos iniciais da companhia deu-se por meio do patrimônio legado pelo ancestral da senhorita Vitória, aqui presente; o falecido patriarca preservou expressivo desconforto moral ao longo de sua existência em face desse fato, deliberando por determinar a transferência da totalidade de seus ativos particulares à senhorita Vitória.

Capítulo 28: A Controvérsia

No ambiente externo, a incidência de ventos gélidos mantinha-se rigorosa, enquanto a atmosfera no salão de atos corporativos permaneceu estática por alguns segundos antes de ser sucedida por amplas manifestações de oposição.

— A trajetória dessa mulher é de conhecimento deste conselho; o vínculo matrimonial estabelecido com Felipe detinha um prazo estrito de três anos e, com o encerramento do interstício, a dissolução opera-se de forma automática. O falecido patriarca por certo não previu tal desdobramento por ocasião da lavratura do ato; sob qual premissa validaríamos a transferência de ativos estratégicos da companhia a uma figura externa?

As afirmações foram proferidas por Maurício Júnior em tom de expressiva exaltação, colhendo imediata adesão por parte dos demais integrantes do conselho de acionistas.

O antigo funcionário de confiança providenciou a circulação dos documentos formais entre os presentes antes de se manifestar:

— As disposições de última vontade do falecido patriarca mostram-se plenamente detalhadas no instrumento; na hipótese de a união civil entre o Diretor Felipe e a senhorita Vitória atingir a conclusão regular do prazo estrito de três anos, a titularidade dos ativos seria revertida em benefício do Diretor Felipe.

Ele procedeu a uma inspeção visual pelo salão, constatando as reações heterogêneas dos presentes, complementando na sequência:

— Todavia, caso a união registrasse interrupção antes do prazo estrito em virtude de infortúnios ou quaisquer eventos que comprometessem a manutenção do vínculo pelo triênio, o instrumento determina que a totalidade dos ativos seja transferida à senhorita Vitória a título de reparação compulsória.

O antigo funcionário acumulara mais de quatro décadas de serviços dedicados ao falecido patriarca, preservando um alinhamento de fidelidade incontestável em relação às diretrizes do falecido.

Sua atuação nos bastidores ao longo dos últimos tempos visara estritamente a segurança de Vitória, mecanismo que viabilizara o salvamento dela por ocasião do incêndio intencional provocado na residência secundária; do contrário, a existência de Vitória teria sido interrompida de forma definitiva há um mês.

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A ocorrência daquele atentado, que quase culminara no colapso de Vitória, configurara uma violação dos encargos confiados ao funcionário pelo falecido patriarca, motivando a publicidade imediata das disposições de última vontade na presente data.

— O patriarca por certo encontrava-se com as faculdades mentais comprometidas pelo quadro clínico na oportunidade! — exclamou Maurício Júnior, desferindo um impacto contra a superfície da mesa.

Na realidade, nenhum dos integrantes do conselho nutria o interesse de ver aqueles ativos transferidos ao controle direto de Felipe, contudo, a destinação dos direitos a uma figura externa sem que houvesse partilha de benefícios entre os membros mostrava-se uma conjuntura de difícil aceitação.

Na sequência, um segundo integrante do conselho manifestou-se prontamente:

— Perfeito! O comprometimento das faculdades mentais do patriarca mostra-se evidente, invalidando a eficácia jurídica do instrumento!

Mantendo-se em total silêncio desde o ingresso no recinto, Vitória limitava-se a acompanhar a dinâmica com neutralidade, contudo, a percepção de um olhar incisivo direcionado à sua estrutura despertou-lhe sutil desconforto térmico.

Ela realizou uma inspeção visual, fixando a atenção na figura de Júlia.

O olhar de Júlia realizava uma avaliação detalhada de sua fisionomia e, embora a mulher preservasse uma expressão sorridente na face, a conduta despertava legítima desconfiança interna.

A referida mulher tampouco articulara manifestações verbais até aquele instante, abstendo-se de emitir juízos diretos sobre o fato, contudo, a articulação de seus aliados no conselho supria perfeitamente a necessidade de exteriorização de seus interesses.

Avaliando a exaltação crescente entre os presentes, Vitória reergueu-se mantendo um sutil sorriso na face, embora a expressão não refletisse uma satisfação real.

Ela emitiu um sutil pigarro antes de se pronunciar em tom moderado:

— Compreendo perfeitamente as perspectivas explicitadas pelos senhores; na realidade, o interesse de minha parte em relação aos ativos do patriarca mostra-se nulo. Caso a minha inserção no quadro societário determine o descontentamento deste conselho, o antigo funcionário de confiança detém autorização para proceder à destinação dos ativos a entidades filantrópicas, em estrito cumprimento às cláusulas acessórias estabelecidas pelo patriarca.

A afirmação determinou a imediata estagnação dos debates no salão de atos novamente.

Notando a firmeza e a aparente sinceridade na entonação dela, os presentes exibiram fisionomias de clara hesitação.

A magnitude dos ativos e participações societárias controlados pelo falecido patriarca ostentava expressivo valor e, caso a destinação filantrópica fosse formalmente implementada conforme os termos alternativos do instrumento, a recuperação de tais valores restaria definitivamente inviabilizada para o grupo.

— Absolutamente inadequado! A destinação filantrópica está vetada! — adiantou-se Maurício Júnior em tom de oposição. — Tratando-se de ativos vinculados à linhagem, a distribuição deve dar-se estritamente entre os membros do conselho!

A referida reação fora previamente prevista por Gustavo durante as orientações transmitidas a Vitória antes do comparecimento ao local, inserindo-se plenamente no plano traçado.

Mantendo a fisionomia inalterada, ela manuseou o instrumento das disposições de última vontade com um gesto de aparente hesitação.

— A conjuntura exibe complexidade; caso os senhores deliberem por recusar a validade das disposições do patriarca, cumpre explicitar que os registros indicam a existência de um pacto de destinação automática preexistente. Na ausência de um sucessor validado, a transferência aos fundos filantrópicos opera-se por decurso de prazo de forma compulsória; alternativamente, restaria aos senhores validar a transferência aos sucessores legais de primeira linha previstos na legislação vigente, correto?

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