《O Bilionário Se Apaixonou Pela Mulher Errada》Capítulo 8

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— Analise o conteúdo antes de prosseguir com a farsa!

Valéria permaneceu aturdida com o impacto e, ao recolher os papéis e passar os olhos de forma superficial pelas linhas, sua face alternou entre tonalidades pálidas e avermelhadas.

Ela rasgou os documentos com violência e segurou a barra do paletó dele buscando justificar-se:

— Felipe, tudo isso não passa de calúnias inventadas por essas pessoas para me prejudicar, eles nutrem inveja da minha posição! Não dê crédito a esses relatos, você não pode acreditar neles!

Felipe soltou um riso gélido e segurou o queixo dela com força, exibindo um brilho de extrema crueldade no olhar:

— Muito bem. Explique-me detalhadamente, então: como ocorreu o salvamento naquele dia? Em que horário e em qual localidade específica?

Valéria sentiu a estrutura de sua face fraquejar sob a pressão das mãos do homem e lágrimas de dor acumularam-se em seus olhos, sem que ela conseguisse se desvencilhar do aperto.

Ela balbuciou de forma desconexa:

— Naquele dia... eu havia consumido bebida alcoólica e não preservo memórias claras sobre o perímetro exato do salvamento... mas fui eu quem acionou o serviço de emergência por telefone... e você me entregou essa pulseira como garantia, instruindo-me a preservá-la... já transcorreu muito tempo, as memórias falham.

Diante do relato, Felipe intensificou a pressão de suas mãos, proferindo entre dentes:

— Quanta insolvência! Tem ciência das consequências de sustentar uma fraude diante de mim? Não se esqueça de que recai sobre você a responsabilidade por uma vida interrompida!

Constatando que a farsa havia desmoronado por completo, Valéria abandonou a postura frágil e esboçou um sorriso de deboche:

— E qual a relevância disso agora? Felipe, não se esqueça de que o único elemento de prova que Vitória detinha foi totalmente eliminado por suas próprias mãos; o que pretende fazer contra mim nessas circunstâncias?

Capítulo 13: O Vazio Absoluto

Felipe soltou o aperto de forma abrupta e Valéria, perdendo o equilíbrio, desabou sentada no chão.

Ela rangeu os dentes devido ao impacto, mas não manifestava qualquer vestígio de temor em seu íntimo.

Afinal, sua realidade atual diferia totalmente daquela do passado; se tivera a audácia de retornar do exterior, era evidente que dispunha de garantias e retaguarda!

Felipe a contemplou de cima, ditando em tom gélido:

— Eu farei com que a sua existência converta-se em um completo inferno.

Valéria reergueu-se com dificuldade, exibindo uma postura desalinhada ao encará-lo:

— Veremos quem sairá vitorioso dessa disputa. De qualquer forma, aquela mulher tola da Vitória já deixou de existir; aquilo que eu não consegui obter, ela tampouco preservou.

Dito isso, soltou um riso de desdém e retirou-se do escritório com passos firmes.

Em relação à figura de Felipe, ela jamais nutrira qualquer sentimento real; seu único objetivo fixava-se no status associado à posição de esposa legítima e no patrimônio financeiro dele.

A menção ao nome de Vitória despertou uma agonia e um arrependimento profundos no íntimo de Felipe.

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— A partir deste momento, exijo que a existência dessa mulher seja marcada por um sofrimento contínuo! — ele esbravejou, desferindo um golpe contra o mobiliário do escritório e direcionando a ordem ao assistente.

O funcionário, ciente da raridade de testemunhar o superior em tamanho estado de fúria, assentiu prontamente e retirou-se do aposento.

Inicialmente, Felipe tencionava designar uma equipe para restaurar a estrutura danificada da mansão à sua forma original.

Contudo, diante das suspeitas apresentadas pelo assistente sobre o incêndio, ele convenceu-se de que o evento contara com a intervenção direta de Valéria e ordenou uma apuração rigorosa.

Ele optou por permanecer residindo naquela antiga habitação de Vitória; embora as acomodações fossem desprovidas do conforto e da praticidade de outrora, apenas naquele perímetro ele conseguia conciliar o sono.

Perante a opinião pública, a figura do renomado Diretor Felipe permanecia inalterada em relação ao passado.

Contudo, apenas ele tinha ciência de que sua própria existência convertia-se gradualmente em um imenso vazio com o transcorrer do tempo.

A ausência de Vitória eliminara o único vestígio de calor de sua trajetória; sua personalidade gélida fazia com que jamais manifestasse interesse por figuras femininas.

Ao longo daqueles anos, a complacência direcionada à Valéria fundamentara-se exclusivamente na crença de que ela fora a responsável por salvá-lo.

Contudo, ele jamais experimentara o desejo de tocá-la; a única figura capaz de despertar tais reações em seu corpo fora Vitória. Mesmo nos momentos em que a julgava de forma equivocada, considerando-a uma mulher interesseira e ambiciosa, ele permanecia dependente da intimidade com ela.

Felipe recusava-se a admitir que tais reações estivessem associadas ao amor, pois a constatação de ter sido o artífice da destruição de sua própria companheira seria suficiente para privá-lo da razão.

Ele policiava sua mente para preservar a racionalidade, buscando consolo na ideia de que aquela agonia seria passageira e que tratava-se apenas de uma falta de hábito temporária.

Contudo, para um indivíduo que experimentara o calor de um lar, o retorno a uma existência gélida mostrava-se uma tarefa de extrema complexidade.

Toc... toc... toc... — batidas ecoaram na porta de entrada.

O olhar de Felipe iluminou-se instantaneamente e ele abriu a estrutura com pressa:

— Vitória!

Contudo, ao deparar-se com a figura diante de si, o brilho em seus olhos extinguiu-se.

A idosa residente na vizinhança trazia consigo uma bandeja de alimentos e demonstrou surpresa:

— Ah, jovem, é você. Notei a iluminação acesa por estes dias e imaginei que a Vitória houvesse retornado; qual a razão de estar estabelecido aqui?

O olhar de Felipe mostrava-se estático e profundo como um poço sem vida:

— A Vitória... é a minha esposa legítima.

Aquela foi a primeira oportunidade em que ele declarou publicamente o vínculo matrimonial com Vitória, contudo, a destinatária da afirmação já não tinha capacidade de ouvi-la.

A idosa demonstrou surpresa:

— Eu imaginava algo assim, então vocês de fato uniram-se em matrimônio! E onde encontra-se a Vitória? Qual a razão de ela não estar aqui acompanhando você?

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O semblante dele obscureceu ainda mais e ele não conseguiu articular qualquer explicação.

A senhora estendeu a bandeja com os alimentos:

— Desentendimentos entre casais jovens são perfeitamente normais, um gesto afetuoso costuma resolver a situação. Preparei estes pastéis de massa cozida em minha residência e trouxe para você; os dois irmãos demonstravam imensa preferência por esta receita no passado!

Felipe aceitou o alimento e expressou um agradecimento formal e rígido.

A porta foi fechada com suavidade e o silêncio restabeleceu-se no imóvel.

Ele dirigiu-se à cozinha em silêncio, higienizou os utensílios, acionou o fogo para aquecer a água e adicionou os condimentos ao recipiente.

Ao observar o processo de fervura da água, as memórias de Felipe viajaram no tempo.

Sua mente resgatou as imagens dos últimos três anos, período em que Vitória frequentemente ocupava aquele espaço com dedicação para preparar suas refeições.

Ele recordava que os pratos elaborados por ela guardavam excelente sabor; mesmo nos momentos em que ele mantinha uma postura gélida e silenciosa, acabava consumindo porções adicionais de forma involuntária.

A água atingiu o ponto de ebulição.

Felipe recolheu os alimentos, desligou o sistema de aquecimento e acomodou-se à mesa de refeições portando o prato.

Ele consumiu uma porção em silêncio, experimentando uma agonia contínua em seu peito.

De fato, o sabor do alimento não figurava entre os mais sofisticados que já experimentara, contudo, trazia consigo a identidade de um lar.

Naquele instante, Felipe foi capaz de projetar em sua mente a atmosfera de outrora, quando Vitória e Vitinho ocupavam aquele mesmo espaço compartilhando sorrisos e relatos sobre os eventos do dia.

Seus olhos avermelharam de forma súbita ao constatar o tamanho de sua própria insensatez ao longo dos últimos três anos.

Após permanecer estático à mesa por um longo período, o sinal sonoro do celular rompeu o silêncio.

Ele atendeu a chamada e a voz do assistente manifestou-se do outro lado da linha:

— Diretor Felipe, constatamos que Valéria mantinha uma aliança com Júlia há bastante tempo; diante do amparo oferecido por ela agora, a nossa margem de atuação contra Valéria encontra-se severamente limitada!

Capítulo 14: Um Passo em Falso

Júlia!

Felipe cerrou o olhar, compreendendo subitamente a razão de Valéria demonstrar total audácia ao se retirar naquele dia.

Constatava que ela buscara o amparo de Júlia; será que aquela mulher imaginava que, por ostentar a posição de madrasta dele, ele seria incapaz de agir contra ela?

— Compreendido, eu assumirei o controle da situação. Exijo que a equipe dê continuidade à apuração sobre o incêndio na mansão — instruiu Felipe, encerrando a chamada com o subordinado em seguida.

Em um breve intervalo de tempo, ele foi capaz de decifrar a articulação existente entre Valéria e Júlia.

Quatro anos atrás, Valéria fora enviada ao exterior por intervenção dele; considerando a gravidade do evento que resultara em uma vida interrompida, ela jamais cogitaria retornar por iniciativa própria, contudo, decidira regressar exatamente no perímetro de encerramento do vínculo matrimonial dele com Vitória.

Com total probabilidade, Valéria e Júlia já haviam estabelecido uma aliança desde aquele período. Antes que o prazo de três anos fosse atingido, o incêndio provocado ceifara a vida de Vitória, impedindo que as ações remanescentes designadas pelo Vovô Francisco fossem transferidas para o controle dele.

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