《O Bilionário Se Apaixonou Pela Mulher Errada》Capítulo 4

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— O que pretende fazer em relação à Vitória?

Felipe permaneceu impassível, respondendo com frieza:

— Não pretendo me casar com mulher alguma.

Mulheres são propensas a encenar; mesmo aquelas que possuem uma índole pacífica tornam-se tolas e cruéis quando seus interesses são afetados.

O Vovô Francisco sentiu uma profunda tristeza interna, restando-lhe apenas lamentar ter gerado um filho sem escrúpulos.

Casou-se com uma e envolveu-se com outra, permitindo que duas mulheres disputassem até a morte, prejudicando inclusive o próprio neto.

Ele chorou amargamente:

— Meus dias estão contados, não tenho mais forças para controlá-lo. Contudo, se deseja obter as minhas ações da empresa, terá de se casar com a Vitória! Após três anos de união, as ações serão transferidas automaticamente para o seu nome!

Do lado de fora do quarto, Júlia ouviu cada palavra com clareza, cerrando os punhos com um brilho cruel no olhar.

O céu derramava uma chuva gélida e indiferente.

Vitória acariciava suavemente a lápide fria de Vitinho, enquanto os colegas de faculdade dele depositavam, um a um, flores diante do jazigo.

A última pessoa a deixar uma flor foi uma jovem pálida que parecia prestes a desabar.

Vitória sabia quem ela era; o papel de parede do celular do irmão continha uma foto espontânea daquela garota dormindo.

Talvez uma juventude interrompida realmente pudesse fazer brotar flores escarlates.

Contudo, tudo havia cessado de forma abrupta, restando apenas o vazio.

Na fotografia da lápide, Vitinho sorria de forma terna e radiante para ela, enquanto as gotas de chuva desenhavam marcas semelhantes a lágrimas em seu rosto.

Será que o irmão sentira muita dor ao partir? Naquele último instante, talvez tivesse lamentado não ter se declarado para ela...

Vitória pensava sem exibir qualquer reação, mas suas lágrimas caíam como a chuva, molhando as flores depositadas diante da sepultura.

A noite na cidade mostrava-se profunda e fria.

Vitória arrastou o corpo exausto de volta para casa e, diante da porta, deparou-se com Felipe.

Após um instante de silêncio, ela abriu a porta:

— Entre, por favor.

Ao entrar, Felipe observou os detalhes daquela residência antiga e acolhedora.

Ímãs de geladeira, flores sobre a mesa, certificados na parede... a identidade de um lar.

Vitória serviu um copo de água e o colocou diante dele:

— O Senhor Felipe deseja tratar de algum assunto comigo?

Embora ela não tivesse questionado nada além disso, Felipe a encarava com um brilho enigmático no olhar.

A mente de Vitória, obscurecida pelo luto, começou a reagir lentamente ao ouvi-lo declarar:

— Estou aqui para pedir que se case comigo!

Capítulo 6: Será Que Ele A Ama?

Por um breve instante, Vitória acreditou estar sofrendo uma alucinação.

Contudo, ouviu Felipe prosseguir:

— O meu avô deseja que eu me case com você...

Vitória franziu o cenho ensaiando uma recusa, mas Felipe acrescentou:

— E eu também desejo essa união. No hospital, você mencionou que já não tinha uma casa, e acredito que posso lhe oferecer um lar.

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As palavras de Vitória travaram em sua garganta.

Naquele mundo desprovido de esperança, uma luz pareceu surgir e iluminar o ambiente.

— Eu... preciso refletir a respeito. — Ela ouviu a própria voz responder.

Três anos depois, no hospital.

Vitória aguardava na sala de espera.

— Senhora, o resultado dos exames ficou pronto.

Ela aceitou o documento estendido pela enfermeira e, no campo dos resultados, constava a indicação de dois meses de gestação.

Ela estava grávida! Três anos após o casamento com Felipe.

Vitória levou a mão ao abdômen, exibindo um sorriso genuíno e radiante.

Mansão da família.

A noite caiu e o relógio de parede já apontava meia-noite.

Clac — a porta finalmente se abriu e Felipe entrou no recinto.

Vitória adiantou-se com visível ansiedade, e Felipe demonstrou surpresa:

— Por que ainda não foi deitar?

Vitória não conteve o sorriso:

— Felipe, eu estou grávida...

Os passos de Felipe hesitaram por um breve instante e seus olhos fixaram-se no documento do exame.

Após um longo silêncio, ele respondeu com a voz grave:

— O estado de saúde do vovô não está bom ultimamente, convém não adiantar essa notícia para ele no momento.

Vitória sobressaltou-se com a informação sobre a saúde do idoso, sendo tomada pela preocupação, o que a impediu de questionar a razão de não poder compartilhar a novidade com o Vovô Francisco.

— Ainda tenho assuntos a resolver, vá descansar na frente — acrescentou Felipe.

— Sim... descanse bem também. — Vitória ensaiou dizer algo mais, porém guardou as palavras para si.

Embora estivessem casados há três anos, ela experimentava a sensação de que Felipe parecia cada vez mais distante.

Em determinados momentos, ela chegava a questionar se Felipe realmente a amava.

Contudo, se não nutrisse sentimentos por ela, qual teria sido a razão de propor o casamento...

Talvez... fosse apenas uma insegurança de sua parte.

Lançando um olhar afetuoso para Felipe, ela se virou e recolheu-se ao quarto.

Atrás dela, Felipe observava a silhueta da esposa com um brilho complexo e profundo no olhar.

Ele recordou os eventos ocorridos no quarto do hospital naquele dia.

O Vovô Francisco segurara sua mão com uma força surpreendente para alguém tão debilitado:

— Felipe, sei que sempre achou estranho o fato de eu insistir tanto para que se casasse com a Vitória.

Felipe manteve as sobrancelhas unidas, permanecendo em silêncio.

A voz do idoso exalava arrependimento:

— O capital que utilizei para iniciar a minha empresa no passado pertencia, na verdade, ao avô da Vitória; movido pela ganância, não repassei o valor à avó dela, fazendo com que toda a família passasse por imensas privações.

— Por isso, Felipe, você tem a obrigação de tratar bem aquela menina, a nossa família tem uma dívida impagável com eles!

Diante do relato, Felipe imergiu em silêncio, limitando-se a responder após um longo tempo:

— Entendido.

No caminho de volta do hospital, sua mente mostrava-se incomumente inquieta.

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Na verdade, ao propor casamento à Vitória no início, seus planos previam o divórcio após o período de três anos.

Ele não desejava enganar Vitória, mas precisava assegurar as ações do avô.

Somente assim conseguiria atingir o topo do Grupo Corporativo, subjugando definitivamente aquele homem e Júlia.

Manter Vitória ao seu lado serviria apenas para evidenciar uma fraqueza.

Contudo, naquele momento... ele hesitava...

Após passar a noite trabalhando no escritório, a manhã seguinte chegou.

Trrim... trrim... — o toque insistente do celular ecoou pelo ambiente.

Felipe massageou as têmporas e atendeu a ligação.

A voz tensa do assistente manifestou-se:

— Diretor Felipe, o estado de saúde do velho senhor agravou-se drasticamente, venha imediatamente para o hospital!

Sem margem para qualquer hesitação, Felipe chamou Vitória e os dois seguiram em silêncio absoluto em direção ao hospital.

No quarto, o Vovô Francisco vivia seus últimos momentos.

Vitória, tomada pela angústia, abriu a porta com pressa e entrou no aposento.

Ao lado do leito, além de sua madrasta Júlia, que sempre buscava motivos para criar conflitos, encontrava-se um homem que ela jamais vira antes.

O homem ergueu o olhar para observá-la e, ao notar as feições extremamente semelhantes às de Felipe, ela compreendeu tratar-se do pai de Felipe.

O olhar dele mostrava-se totalmente gélido e sombrio, fixando-se no homem atrás dela, Felipe!

Naquele instante, o Vovô Francisco despertou.

Ele ordenou que todos se retirassem, permitindo apenas a permanência de Vitória e Felipe.

Ver aquele idoso que sempre lhe demonstrara imenso afeto prestes a partir causou uma dor profunda em Vitória.

— Vivi, você e o Felipe precisam construir uma vida harmoniosa, entenderam? — O Vovô Francisco olhou para ela com ternura.

Vitória sentiu a voz embargar e assentiu com a cabeça repetidas vezes, com os olhos marejados:

— Vovô, fique tranquilo, eu cuidarei muito bem do Felipe!

O Vovô Francisco exibiu uma fisionomia satisfeita e, com um leve sorriso, fechou os olhos lentamente.

A vida se esvaiu como uma chama que se apaga, restando apenas a ausência.

No terceiro dia após o falecimento do Vovô Francisco, Vitória vestia trajes pretos e descia as escadas a caminho do cemitério quando notou alguns funcionários transportando malas para o interior da residência.

Ela franziu o cenho:

— De quem são esses pertences?

Antes que a frase fosse concluída, a silhueta de Valéria surgiu vinda do exterior:

— A partir de hoje, passarei a residir aqui junto com o Felipe!

Capítulo 7: O Absurdo

Vitória achou tudo aquilo um completo absurdo.

Quando ela e Felipe se casaram, Valéria já havia deixado o país há muito tempo; agora, do nada, ela surgia exigindo se mudar para a mansão da família!

Vitória franziu o cenho, respondendo em um tom hostil:

— Se enlouqueceu, sugiro que procure um hospital psiquiátrico imediatamente em vez de vir fazer escândalo nesta casa!

Valéria, contudo, limitou-se a soltar um riso de deboche, encarando-a como se olhasse para uma criatura digna de pena:

— Pelo visto você ainda não sabe de nada, não é? O Felipe só se casou com você para conseguir as ações das mãos do Vovô Francisco. Agora que o velho morreu, você perdeu totalmente a utilidade!

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