《O Bilionário Se Apaixonou Pela Mulher Errada》Capítulo 2

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O trânsito estava congestionado no caminho, então ela precisou dar uma leve corrida e chegou um pouco ofegante à mesa, dirigindo-se em voz baixa ao homem que já se encontrava acomodado:

— Peço desculpas pela espera, acredito que não estou atrasada...

O homem ergueu a cabeça somente após ouvir a voz dela.

Naquele instante, Vitória perdeu as palavras.

Ela encarou os olhos escuros e profundos do homem, cuja postura gélida parecia se derreter sob a iluminação romântica do ambiente, transformando-se em um charme avassalador.

O peito de Vitória pareceu se acender com uma pequena chama, quente e descompassada.

— Vitória? — Felipe apenas arqueou uma sobrancelha para olhá-la, exibindo a indiferença típica de quem está no topo.

A voz parecia estranhamente familiar por algum motivo, mas Vitória não tinha condições de pensar nisso no momento e sentou-se com certa timidez:

— Olá.

Felipe assentiu com a cabeça e falou de maneira fria e direta:

— Senhorita Vitória, para evitar mal-entendidos futuros, quero deixar claro que este jantar serve apenas para satisfazer a vontade do meu avô.

A chama que mal havia se acendido no peito dela recebeu um balde de água fria imediato.

Apesar da educação formal de Felipe, Vitória sentiu um embaraço incômodo:

— Eu... eu compreendo.

Ela tinha consciência de que existia um abismo social entre ela e o homem à sua frente.

Se não fosse pelo Vovô Francisco, provavelmente jamais trocaria uma palavra com ele em toda a sua vida.

Felipe não disse mais nada, apenas voltou a observar Vitória de relance, talvez surpreso por encontrar uma pretendente tão sensata.

Os dois permaneceram em silêncio, mas logo após os dois primeiros pratos serem servidos, o celular de Felipe começou a vibrar sobre a mesa.

Ao notar o nome de Valéria na tela, Felipe atendeu e perguntou calmamente:

— O que houve?

A voz chorosa e desamparada de Valéria ecoou do outro lado da linha:

— Felipe, estou com medo de ficar sozinha nesta casa enorme, os funcionários não me respeitam e me tratam mal, você poderia vir ficar comigo?

A ligação caiu logo em seguida, sem dar pistas do que realmente estava acontecendo.

Felipe franziu o cenho e levantou-se:

— Peço desculpas, tenho uma emergência e preciso ir, a conta já está paga.

Ao ver a silhueta de Felipe se afastar, Vitória não chegou a se sentir arrasada, mas experimentou um peso incômodo no coração.

Ela pegou a taça de vinho sobre a mesa e bebeu o líquido de uma vez, sentindo um gosto adstringente e amargo.

Do outro lado da cidade, Valéria aguardava Felipe com visível ansiedade, vestindo uma camisola semitransparente.

Nas últimas semanas, ela desfrutara de um luxo com o qual jamais ousara sonhar: mansão, carros importados e joias, tudo o que pedia era prontamente atendido por Felipe.

Contudo, aquela pulseira furtada vinha se transformando em uma agonia constante em sua mente; se a farsa fosse descoberta...

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Não, ela não aceitaria perder aquela vida, precisava se consolidar como a senhora daquela família.

Determinada, ela misturou uma substância substanciosa na jarra de água.

Hotel Fasano.

Vitória fixou o seu novo crachá de identificação; aquele era o seu primeiro dia após a promoção, e a partir de então passaria a atender exclusivamente os hóspedes da cobertura.

A iluminação da suíte presidencial estava acesa, e ela se aproximou para bater à porta:

— Olá, boa noite, gostaria de saber se...

Antes que pudesse concluir a frase, a porta se abriu abruptamente.

Ela empacou no lugar, surpresa ao encontrar Felipe naquele aposento.

O rosto dele exibia uma vermelhidão febril incomum e o olhar parecia turvo e distante.

Antes que ela pudesse processar a situação, foi puxada para o interior do quarto no segundo seguinte.

Capítulo 3: Sentença de Morte

— Senhor Felipe, o que está fazendo?

O odor forte de álcool a envolveu por completo. Ela tentou empurrá-lo com todas as forças, mas seus pulsos foram imobilizados com firmeza e, logo em seguida, um beijo agressivo a calou.

As roupas acabaram espalhadas pelo chão do quarto.

Foi uma noite de entrega absoluta.

Vitória despertou com o corpo dolorido e, ao fazer esforço para se sentar na cama, assustou-se com a presença de Felipe de pé ao lado do leito.

Felipe já vestia seu terno impecável, fechado até o último botão da camisa, exalando uma aura de controle e distanciamento.

Não lembrava em nada o homem da noite anterior.

Vitória cobriu-se com o lençol em meio ao constrangimento, sentindo o rosto queimar de vergonha.

Felipe fixou os olhos nela por alguns instantes antes de desviar o olhar, perguntando com total indiferença:

— Quanto você quer em dinheiro?

O calor do rosto dela sumiu instantaneamente, deixando-a pálida e com o coração tomado por um gelo assustador.

Ela segurou o lençol com força e, diante daquele diálogo absurdo, sentiu apenas uma dor profunda no peito:

— Eu... eu não quero nada...

Antes que pudesse concluir, o toque do celular de Felipe a interrompeu.

Ele atendeu o aparelho, trocou breves palavras e franziu a testa; ao desligar, retirou um cartão bancário do bolso e o arremessou sobre o lençol.

— Está sem senha. — E retirou-se do aposento sem olhar para trás.

A porta se fechou com um estrondo.

Diante daquele cartão impessoal, Vitória encolheu o corpo na cama, sentindo-se sem forças.

Alguns dias se passaram na residência tradicional da família.

Vitória compareceu ao local para atender ao convite do Vovô Francisco.

Ela, que nunca faltava ao serviço, precisou pedir uma licença e permanecia reclusa em casa há uma semana.

Se não fosse pela insistência do idoso, ela não queria manter qualquer tipo de relação com aquele sobrenome no momento.

Ao entrar na residência e acompanhar o funcionário até o salão principal, os passos de Vitória travaram.

Acomodados no sofá estavam o Vovô Francisco e também Felipe.

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O idoso sorriu ao avistá-la e fez um gesto acolhedor:

— Vivi, que bom que veio, venha se sentar aqui perto de mim.

Sem chances de recuar, ela teve de se acomodar.

Mesmo evitando olhar diretamente para o lado, conseguia sentir a pressão do olhar penetrante de Felipe sobre ela.

Após algumas frases protocolares, o Vovô Francisco manifestou-se com um sorriso satisfeito:

— Vivi, agora que as coisas entre você e o Felipe já avançaram a esse ponto, vamos escolher uma boa data para o casamento!

Como o idoso ficara sabendo daquilo?

Vitória sentiu um sobressalto interno e olhou imediatamente para Felipe.

Uma fisionomia fria tomou conta dos traços de Felipe; ele contraiu os lábios e qualquer dúvida que nutria em seu interior congelou instantaneamente.

Até aquele momento, ele chegara a cogitar a hipótese de que ela fosse inocente...

Aquele olhar cortante causou um aperto no peito de Vitória, que desviou a atenção com dificuldade, respondendo com uma firmeza incomum:

— Peço desculpas, Vovô Francisco, mas não posso aceitar.

Felipe soltou um riso sarcástico, convicto de que aquilo não passava de uma estratégia dela para parecer desinteressada.

— Vovô, se fosse necessário casar com todas as mulheres com quem passo uma noite, ela estaria no fim de uma longa fila.

Dito isso, ele se levantou e abandonou o recinto, sem dirigir mais nenhum olhar para Vitória.

— Que tipo de comportamento é esse? Volte aqui já!

O Vovô Francisco bateu com firmeza na mesa, esbravejando em voz alta.

Felipe sequer desacelerou os passos, sumindo pela porta principal logo em seguida.

A insolência de Felipe deixou o idoso indignado; ele batia o caneco no chão repetidas vezes e dizia:

— Que sujeito intolerável! Vivi, não fique abatida, eu mesmo cuidarei para que isso se resolva!

Vitória esboçou um sorriso forçado.

Ela desejava pedir ao idoso que não interferisse mais na vida deles, mas vendo a exaltação do senhor, preferiu silenciar.

Ao retornar para sua residência, ela se cobriu por inteiro na cama.

O ambiente confinado e escuro parecia aliviar o aperto em seu peito e aquela tristeza sem explicação.

Em seguida, ela telefonou para o hotel para cancelar sua licença.

A vida precisava continuar, afinal, tinha um irmão mais novo para sustentar.

No dia seguinte, ela compareceu normalmente ao trabalho.

A funcionária da recepção solicitou sua presença no andar de baixo, informando que uma mulher desconhecida desejava falar com ela.

Vitória seguiu intrigada até a sala de visitas e deparou-se com Valéria, que exibia joias vistosas e um visual nitidamente artificial.

O curioso era que, embora tivesse certeza de não conhecer aquela pessoa, experimentava uma sensação incômoda de familiaridade.

Vitória adiantou-se com um sorriso profissional:

— Olá, boa tarde, a senhora gostaria de falar comigo?

Valéria segurava uma xícara de café e ergueu os olhos com soberba:

— Então é você a garota que teve um encontro com o Fel...

Antes de concluir a frase, Valéria fixou os olhos nas feições de Vitória.

A xícara de café escapou de suas mãos, estraçalhando-se no chão do recinto.

Aquela mulher era exatamente a pessoa de quem ela havia furtado a pulseira naquele beco.

Ela era a verdadeira salvadora de Felipe! Como aquilo era possível?

Vitória não compreendeu a reação intempestiva de Valéria e limitou-se a perguntar com cortesia:

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