65. Conquistando a rival com o rosto
Talvez o olhar de Amanda estivesse evidente demais, pois Thalita, sentindo algo, ergueu os olhos na direção em que ela se encontrava. Em seguida, aquelas lindas pupilas que pareciam duas contas de vidro piscaram confusas para ela: — Quem é você?
Vendo-se descoberta, Amanda simplesmente entrou na sala e aproximou-se dela.
— Olá, eu sou a Amanda.
Ela estendeu a mão para Thalita com um sorriso sutil. Suas pupilas verdes fixaram-se nela com tanta firmeza que causaram em Thalita um leve calafrio, como se estivesse sob a mira de uma serpente. O corpo de Thalita ficou rígido, sentindo um certo receio sob aquele olhar; até a carolina doce e macia em sua mão pareceu perder o sabor. Ela estendeu a mão com hesitação para cumprimentá-la: — Olá... prazer.
Os olhos de Thalita eram redondos e expressivos, exibindo um brilho natural e límpido, assemelhando-se aos de um cervo ingênuo na floresta. Seus lábios, bonitos e hidratados como pétalas de rosa, estavam comprimidos pelo nervosismo, e havia um discreto vestígio de creme do doce no lábio superior. Sua beleza era radiante e autêntica; observá-la de tão perto trazia um impacto visual ainda maior. Aquele rosto parecia reunir todos os melhores adjetivos possíveis.
Naquele instante, Amanda sentiu um sentimento de aceitação. Se ela fosse um homem de postura fria como Caio, possivelmente também não conseguiria evitar se encantar por uma garota assim. Seu olhar tornou-se mais brando e seu tom de voz adquiriu mais suavidade: — Não precisa ficar nervosa, eu apenas gostaria de ser sua amiga, não há outra intenção...
...
No horário de encerramento do expediente matutino.
No interior da acolhedora sala de descanso, Thalita cantarolava baixinho enquanto permanecia deitada no sofá confortável de plumas, acompanhando um filme no tablet. O ar exalava uma fragrância adocicada proveniente da embalagem de bolo de morango com coco sobre o balcão. A atmosfera era tranquila e ela estava tão concentrada que nem percebeu quando Caio retornou ao ambiente.
— Que filme você está assistindo?
A voz grave soou no local e ela sentiu a cintura ser envolvida por um braço firme, que a puxou para um abraço próximo.
— Ah!
Concentrada como estava, Thalita soltou um pequeno sobressalto com a aproximação repentina. Ao virar o rosto para verificar:
Seus olhos expressivos logo demonstraram contentamento: — Marido, você já terminou o trabalho?
Caio apreciava ouvi-la chamá-lo daquela forma. A voz suave e dócil dela, pronunciada de forma pausada, transmitia muito afeto. Ele esboçou um sorriso discreto, respondendo com serenidade: — Sim, senti a sua falta, por isso encerrei as atividades mais cedo.
— Mais cedo? — Thalita demonstrou uma certa confusão. — Um diretor também pode encerrar o expediente antes do horário? Os funcionários não fazem comentários sobre isso?
Ele balançou levemente a cabeça: — De forma alguma.
Na posição em que se encontrava atualmente, com exceção de reuniões corporativas internacionais de grande relevância, as demais atribuições podiam ser delegadas integralmente à sua equipe de gestores. Portanto, ele dispunha de tempo suficiente para acompanhar a rotina dela.
— Entendi... — ela comentou baixando levemente os olhos, demonstrando uma postura pensativa, sem revelar o que passava por sua mente.
Ele segurou o queixo delicado dela com os dedos, fazendo-a encará-lo nos olhos: — O que houve?
Ela não respondeu de imediato. Apenas fixou o olhar nele por alguns segundos e aproximou-se para depositar um beijo na face dele antes de perguntar em tom suave: — Marido, você realmente gosta de mim?
Ele não compreendeu a razão daquela pergunta repentina. Contudo, sabendo que a lógica de sua persona atual costumava ser um tanto inconstante, optou por corresponder: — Sim, eu gosto de você. — Ele ergueu a mão para tocar de leve o nariz delicado dela. — Por que essa pergunta agora?
Thalita preferiu não esclarecer a dúvida dele, mantendo uma expressão descontraída: — Gosta quanto?
Caio observou o olhar expressivo dela sem decifrar sua intenção, mas buscou corresponder à sua maneira: inclinou-se para iniciar um beijo prolongado e profundo em seus lábios. Foi um gesto intenso e repleto de afeto; ao se afastarem, ela sentia-se um tanto tonta com a proximidade. Ele manteve a testa apoiada contra a dela, comentando com a voz grave e descontraída: — Compreendeu agora?
Seus batimentos cardíacos estavam visivelmente acelerados naquele momento. Thalita conteve a emoção e permaneceu em silêncio. No fim, a colocação de Amanda fazia sentido: não adiantava se desgastar internamente com suposições, o melhor era verificar a realidade e utilizar a situação a seu favor, mesmo que fosse apenas na aparência. Com esse pensamento, ela comentou em tom sugestivo: — É apenas isso?
Caio observou o olhar de expectativa dela e, naquele instante, finalmente compreendeu a motivação por trás de todo aquele comportamento. A persona da acompanhante fictícia realmente não esquecia suas supostas atribuições. Havia todo um planejamento, mas a intenção final era exposta de forma tão direta que não duraria muito tempo em uma trama de intrigas. Achando graça da situação, ele a manteve em seus braços e tocou de leve em seus cabelos: — Com certeza não é apenas isso.
Às treze horas, em um renomado centro internacional de leilões na cidade de Yun, os procedimentos de recepção e segurança apresentavam um rigor muito superior ao habitual. A sessão daquele dia destinava-se a antiguidades, peças de arte e joias de alto padrão, sendo classificada como o evento de maior relevância do semestre naquele segmento. Por essa razão, o local reunia diversas personalidades influentes da sociedade.
— Fique tranquila, querida. Aquele colar que você gostou será seu, eu garanto — nos assentos da frente, Maurício deu um toque suave na mão de Viviane para acalmá-la.
Viviane sorriu: — Muito obrigada, Maurício.
Viviane era uma figura do meio artístico que, logo no início da carreira, chamou a atenção de Maurício devido à sua beleza singular, dando início ao relacionamento. Maurício não era um homem jovem e sua aparência não se destacava, mas ele era financeiramente próspero e generoso; sempre que ela manifestava interesse por algum item, ele fazia o possível para providenciar. O colar em questão já havia chamado a atenção dela desde a divulgação prévia do evento.
Confiando nos recursos de Maurício, ela inclusive já havia orientado sua equipe a divulgar notas na imprensa sugerindo que utilizaria a peça em uma solenidade de gala dali a três dias. Portanto, a aquisição da joia era de extrema importância para ela naquele dia.
Enquanto se perdia em seus pensamentos, ouviu-se uma movimentação no salão. Em poucos instantes, acompanhado com deferência pelos funcionários do local, um homem de porte alto e presença imponente adentrou o recinto.
Viviane observou a figura e ficou totalmente impressionada. Ele parecia jovem e de ótima aparência, com traços marcantes e bem delineados. O terno escuro sob medida destacava sua silhueta de ombros largos e pernas longas. Parecia alguém que havia recebido uma atenção especial da natureza em seus traços. A presença em um leilão daquela categoria indicava uma posição de grande destaque. Alguém jovem, de ótima aparência e financeiramente próspero.
Viviane fixou o olhar no homem de postura elegante, sentindo os batimentos cardíacos se acelerarem. Ela tentava se recordar de onde já havia visto aquela figura, possivelmente em algum noticiário econômico recente, mas a lembrança era vaga. Contendo o entusiasmo, ela aproximou-se de Maurício em tom descontraído, comentando: — Nossa, quanta formalidade para a chegada dele. Maurício, quem é ele?
Naquele momento, Maurício nem sequer prestou atenção ao comentário dela. Apenas observava fixamente o homem de presença imponente, demonstrando imensa surpresa com a aparição.