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《O Destino em sua Pele》Capítulo 61

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Às onze e meia da noite, do lado de fora de um quarto VIP do hospital privado do Grupo Qi.

Bum!

Vinícius, que tinha acabado de chegar correndo, acertou um soco em cheio no rosto de Caio, furioso: — A Thali acabou de voltar, foi te procurar cheia de alegria, e é assim que você trata ela?

Os seguranças ao lado imediatamente fizeram menção de intervir, mas foram contidos por um gesto de mão de Caio. Ele fixou seus olhos cortantes e profundos em Vinícius: — Naquela época, você não me disse que ela tinha partido para sempre? Aquilo que estava na urna de cinzas era uma mentira sua?

— Sim! — Diante da situação, Vinícius não escondeu mais nada, mantendo o tom de voz alterado. — Aquela partida foi uma farsa sim, mas foi tudo por sua causa! — Ele ficava cada vez mais irritado à medida que falava. Aproximou-se, segurou o colarinho de Caio e disse de forma ríspida: — Se não fosse por ter sido envolvida pelos seus problemas, ela não teria se tornado alvo da família Thomas e passado por tanto sofrimento! Se você tivesse capacidade de protegê-la na época, ela não precisaria ter recorrido a uma medida tão drástica, sacrificando-se para viver sozinha no exterior durante todos esses anos!

Dito isso, dominado pela indignação, ele desferiu outro soco no rosto de Caio: — Eu também fui um cego na época, nunca deveria ter confiado a Thali a você!

Com o impacto do segundo soco, Caio foi arremessado contra a parede atrás dele. O canto de sua boca se partiu, deixando escorrer um filete de sangue. Ele ergueu a mão, usando a ponta do polegar para limpar o ferimento, e olhou para Vinícius com frieza: — O que mais você me escondeu sobre a farsa dela? Onde ela esteve durante todos esses anos?

— Diretor, a senhorita Thalita acordou. — Meia hora depois, o médico responsável pela observação saiu para avisar, mas hesitou um pouco ao se deparar com a cena no corredor. — Diretor, o que...

O corredor frio estava em absoluto silêncio. Os dois homens pareciam desalinhados e exaustos. Caio, em especial, estava sentado no chão com a cabeça baixa e uma fisionomia abatida. Seu cabelo curto e escuro cobria parcialmente seus olhos, fazendo-o parecer um lobo solitário ferido em combate. No momento em que o médico apareceu, ambos ergueram os olhos e correram apressadamente para dentro do quarto.

O médico ficou sem reação. Ele ainda não tinha terminado de falar; qual era a necessidade de tanta pressa? Sem alternativa, ele os acompanhou para o interior do aposento.

— Thali, você está bem? Está sentindo algum incômodo? Se não quiser ver ele aqui, eu te levo para casa agora mesmo! — Vinícius segurava o rosto pálido da irmã, demonstrando uma mistura de preocupação e irritação em suas feições.

Ao lado, Caio observava a garota com os olhos ligeiramente avermelhados e a fisionomia tensa, permanecendo em silêncio.

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— Irmão, eu estou bem — ela respondeu e, em seguida, dirigiu-se a Caio de forma formal: — Diretor Caio, eu estou bem, deve ter sido apenas uma queda de pressão. Fique tranquilo, eu vou me mudar para a sua residência hoje à noite sem falta, não vou me atrasar.

Ouvindo isso, Caio franziu o cenho. "Diretor Caio?" Sua fisionomia tornou-se ainda mais sombria. Ela estava com tanta raiva dele a ponto de não querer nem pronunciar o seu nome?

Thalita não percebeu a expressão extremamente fechada de Caio. Ela baixou os olhos e aproximou-se do ouvido de Vinícius, cochichando em tom de desaprovação: — Irmão, não fale mais esse tipo de coisa. E se você acabar irritando o diretor?

Vinícius ficou confuso e ainda mais irritado: — O que tem de errado com o que eu disse? — Ele elevou o tom de voz: — Ele ainda tem a audácia de ficar irritado comigo?

Thalita não imaginava que ele falaria tão alto, expondo o comentário dela diretamente. Ela imediatamente cobriu a boca dele com as mãos, dando uma olhada rápida na direção de Caio, que permanecia imóvel com um olhar frio. Em seguida, recolheu o olhar e baixou ainda mais a voz: — Irmão, eu sei que você tem o seu orgulho, mas eu aceitei esse acordo com o diretor por vontade própria, você não precisa se sentir culpado. Ele me prometeu que, se eu cooperar, ele vai dar um jeito no tratamento dos nossos pais e vai ajudar a reerguer a nossa empresa que está falindo. — Ela piscou os olhos na direção dele de forma expressiva. — Então, no momento, ele é quem está financiando tudo; seja mais educado com ele, entendeu?

Vinícius ficou totalmente sem entender. "Que acordo? E que história era essa de tratamento dos pais? Além disso, a empresa dele falindo?" A fisionomia de Vinícius fechou-se por completo, e ele olhou de forma insatisfeita para o médico ao lado: — Me explique o que está acontecendo. Por que a minha irmã parece ter perdido o juízo de repente?

Thalita achou a colocação dele ofensiva. Como assim ela havia perdido o juízo?

O médico soltou um suspiro demorado e, aproveitando a oportunidade, explicou a situação: — O caso da senhorita Thalita pode ser classificado inicialmente como uma síndrome de desorientação de identidade, desencadeada por um forte impacto emocional recente.

Caio e Vinícius franziram o cenho ao mesmo tempo e perguntaram juntos: — O que isso significa?

O médico continuou: — É um quadro que guarda semelhanças com a dupla personalidade, mas não se trata do distúrbio tradicional. Durante as crises, a paciente pode alternar com frequência de identidade e cenário, imaginando-se em diferentes papéis. Essas personas podem ser baseadas em algum filme que ela assistiu ou em algum livro que leu. Enquanto estiver sob a influência dessa ilusão, ela vai agir, falar e interagir de acordo com as características daquele papel específico. — O médico olhou com simpatia para os dois homens antes de concluir: — Diante do comportamento atual dela, presumo que ela esteja se imaginando no papel de uma acompanhante que aceitou um acordo com um diretor de empresa para salvar a família da falência.

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Vinícius permaneceu em silêncio. Caio também não disse nada. Um silêncio desconfortável tomou conta do quarto.

Thalita, por sua vez, não prestou atenção à explicação médica. Ela estava imersa em seus próprios pensamentos, planejando como agradar ao diretor de forma a garantir que ele ajudasse a salvar seu pai — que supostamente teria tentado pular de um prédio após a falência e estaria na UTI —, sua mãe deprimida e seu irmão que também estaria em situação limite.

Após um momento, Caio quebrou o silêncio: — Quanto tempo costuma durar essa condição até a recuperação total?

O médico balançou a cabeça de forma pessimista: — Não há como precisar. Em casos de evolução favorável, pode levar de um a dois meses. Se a recuperação for mais lenta, pode se estender por anos. — Ele fez uma recomendação importante: — Para auxiliar na melhora, os familiares devem, na medida do possível, ser maleáveis e cooperar com as encenações dela, mantendo-a de bom humor. Evitem contestar a ilusão de forma brusca, pois isso pode causar um sofrimento mental desnecessário e agravar o quadro.

Ele acrescentou para acalmá-los: — É possível que ela apresente momentos breves de lucidez, mas o período de normalidade geralmente não passa de uma semana.

— Que droga! — No momento de acompanhar Thalita na saída do hospital, Vinícius não conteve uma expressão de desabafo.

Thalita perguntou confusa: — Irmão, o que houve?

Como o que houve? A irmã dele mal havia retornado para casa e já estava sendo levada novamente; ele estava profundamente contrariado com a situação. Vinícius, com a fisionomia fechada, respondeu de forma ríspida: — Não temos que ir buscar os seus pertences? Vamos logo. — Em seguida, ele virou-se para encarar Caio com um olhar de aviso: — Vou deixar passar por enquanto. Se você não tratar a Thali bem, vai se ver comigo!

Caio, também com uma expressão séria, ignorou a provocação, aproximou-se de Thalita e segurou sua mão: — Eu vou com você.

Thalita ficou surpresa. Ele pretendia acompanhá-la? "Será que o diretor das histórias era tão atencioso assim com suas acompanhantes? Não, com certeza ele está preocupado de eu desistir do acordo e não querer ir para a casa dele!"

 

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