56. Você tem que gostar de mim para sempre
— Pai, mãe, padrinho, madrinha, este é o Caio, aquele que mostrei para vocês por chamada de vídeo da última vez. Ah, e estes são os presentes que ele trouxe para vocês, tem muito mais no carro.
— Não estou com frio não, o Caio comprou vários aquecedores corporais para mim, ele é super atencioso.
— Viemos de carro, mas ele quebrou na entrada do bairro, a culpa é toda do meu irmão que correu demais sem prestar atenção no caminho.
Eles conversavam e riam, criando uma atmosfera calorosa. O jovem reservado e elegante manteve a postura impecável o tempo todo, respondendo com educação e polidez a cada interação.
"Fingindo ser quem não é... na verdade é só um estudante comum, agindo como se fosse o herdeiro de uma grande família." Jéssica observava a cena de longe, zombando internamente.
À noite, após um jantar animado em família, o pai de Thalita recolheu a louça enquanto Caio e os outros três mais velhos sentaram-se para jogar mahjong. Thalita observava a cena com uma expressão de surpresa, murmurando: — Que estranho.
Vinícius, jogando no celular e comendo alguns doces, perguntou com a voz meio abafada: — O que é estranho?
Thalita apontou discretamente para Caio e os familiares: — Por que meus pais e padrinhos não estão testando o Caio de alguma forma? Eles simplesmente o aceitaram assim tão fácil?
Ao ouvir isso, Vinícius soltou uma risada sem desviar os olhos da tela: — Como você sabe que eles não testaram?
Thalita não entendeu: — Hã?
— O quê? — Vinícius deixou o celular de lado e virou o rosto. — Aquele sujeito não te contou?
Thalita ficou totalmente confusa: — Me contou o quê?
Vinícius explicou calmamente: — Que ele já tinha vindo aqui escondido para conversar com os nossos pais antes do Ano Novo.
Thalita arregalou os olhos: — O quê?
Ao ver a ingenuidade da irmã, Vinícius decidiu contar todos os detalhes sobre a visita secreta de Caio aos familiares.
— Então foi isso... — Thalita murmurou. — Com razão meus pais parecem tão satisfeitos com ele.
Ao terminar de falar, um sorriso inevitável surgiu em seus lábios. Ele dissera que se comportaria bem, mas ela não imaginava que ele chegaria a esse ponto. Ela passara dias preocupada à toa, enquanto ele já havia resolvido tudo por conta própria.
— Mas o que exatamente o Caio fez aqui? — ela perguntou curiosa.
Vinícius deu de ombros: — Eu não sei, pergunte ele você mesma.
Perguntar a ele? Thalita olhou para Caio, que parecia muito concentrado no jogo com os mais velhos. Ela fez um pequeno bico com os lábios. Nem sabia que ele jogava mahjong. Vendo que ele estava deliberadamente perdendo algumas rodadas para deixar os tios felizes, ela achou melhor não interromper o momento de lazer deles.
— Deixa para lá, pergunto amanhã. Irmão, estou com muito sono, vou me deitar. Lembre-se de avisar ao Caio para não ir dormir tarde.
— Vá lá.
No dia seguinte, Thalita foi acordada por um som de música vindo da rua. Ainda sonolenta, ela correu até a varanda e percebeu que o som estridente vinha do carro de luxo estacionado em frente à casa de Jéssica. Um homem bem-vestido estava apoiado na porta do veículo, em uma postura afetada, esperando por algo.
— O que está olhando? — os braços firmes de Caio envolveram a cintura dela por trás, trazendo um calor reconfortante.
Thalita virou o rosto para olhar para ele e, antes que pudesse falar, ouviu uma voz vinda de baixo: — Thali!
Ela pausou e olhou para o chão, vendo Jéssica encarando-a fixamente: — A rua histórica está muito movimentada hoje, quer dar uma volta com a gente?
Por acaso elas tinham tanta intimidade assim? Os mantimentos que trouxeram haviam praticamente acabado no dia anterior, e eles realmente planejavam dar uma volta na rua histórica hoje. Mas Thalita não tinha o menor interesse em ir acompanhada por ela. Não sabia o que aquela antiga amiga sonsa estava tramando. Ela apenas balançou a cabeça de forma fria, recusando.
— Tudo bem então — Jéssica respondeu com aparente doçura e entusiasmo. — Eu já vou indo então. Passo na sua casa hoje à noite para conversarmos, tchau!
Dito isso, com a ajuda do namorado, ela entrou no carro e os dois partiram com o som alto ligado.
— Ela é a sua amiga de infância? — Caio perguntou de repente.
Thalita assentiu com a cabeça, mas logo em seguida mudou de ideia: — Agora não é mais minha amiga.
Percebendo o desânimo dela, ele inclinou-se e deu um beijo em sua bochecha: — Então, da próxima vez, basta ignorá-la completamente.
Thalita concordou.
— A rua histórica é um lugar legal? — ele apoiou o queixo no topo da cabeça dela com carinho.
— Sim, é muito divertido! — Ao falar sobre o assunto, o mau humor matinal dela dissipou-se. Seus olhos brilharam enquanto explicava: — Tem muitas comidas deliciosas lá, especialmente nesta época perto do Ano Novo.
— É mesmo?
— Sim! E também tem apresentações artísticas muito bonitas, além de um festival de lanternas à noite que fica maravilhoso. — Sua voz ficou mais baixa. — Eu vou todos os anos, porque esse tipo de comemoração só existe aqui na nossa cidade.
Longe dali, ela não veria mais essas coisas. E se não aproveitasse para passear desta vez, após a execução de seu plano, talvez ficasse anos sem oportunidade de voltar. Nem sabia quando retornaria. Por isso ela queria muito ir, mas não naquele momento; não queria trombar com Jéssica de jeito nenhum.
Compreendendo a situação, Caio a tranquilizou: — Tudo bem, eu te acompanho mais tarde.
Thalita ficou muito contente: — Combinado!
Ela queria justamente a companhia dele. Esperava apenas não dar o azar de encontrar Jéssica por lá. No entanto, o destino costuma pregar peças.
— Thali, quer dividir a mesa com a gente?
Em um restaurante tradicional de chá na rua histórica, bem no momento em que Thalita estava dando um pedaço de doce na boca de Caio, Jéssica aproximou-se acompanhada de Arthur, sem dar qualquer margem para recusa.
Thalita franziu o cenho de imediato, fazendo menção de segurar a mão de Caio para irem embora. Mas assim que fez o movimento, Jéssica comentou: — O que foi? Do que você está fugindo afinal?
Thalita estacou e olhou para ela com frieza: — Fugindo?
— Não é o caso? — Jéssica sorriu com deboche, direcionando o olhar para Caio e analisando-o de cima a baixo.
Aquele olhar era extremamente desrespeitoso, fazendo o sangue de Thalita ferver. Caio permaneceu com uma expressão totalmente indiferente, sem sequer direcionar os olhos para ela. Aquela postura arrogante irritou profundamente Jéssica, que passara a noite inteira planejando ostentar sua nova realidade. Deixando de lado a falsa simpatia, ela zombou:
— Para ser sincera, Thali, o seu gosto continua superficial como sempre.
Thalita franziu o cenho: — O que você quer dizer com isso?
— Quero dizer que de nada adianta ter notas excelentes e entrar em uma universidade de prestígio se, no final das contas, o parceiro que você arruma é alguém que só tem um rosto bonito e não se destaca em mais nada... — Ela usou um tom leviano, deixando a frase no ar, mas a intenção ofensiva era clara.
Agindo como uma completa desequilibrada, ela começara a atacar gratuitamente logo na primeira interação.