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《O Destino em sua Pele》Capítulo 51

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51. Seu passado oculto

À noite, Caio voltou para casa, mas sua pequena namorada não correu para os seus braços alegremente como de costume.

Ele procurou por todos os cantos e finalmente a encontrou na banheira do banheiro.

Ela confiava tanto nele que não havia fechado a porta, permitindo que ele a visse por completo naquele momento.

Seu olhar parecia um pouco vago e confuso; só ao notar a presença dele é que ela recobrou a lucidez.

Observando de perto, a ponta de seus dedos delicados já estava levemente enrugada de tanto ficar na água, evidenciando o longo tempo que passara ali.

Ele franziu levemente o cenho, pegou uma toalha para tirá-la da água, envolveu-a e a carregou no colo, deitando-a na cama do quarto.

"O que foi?" Ele pousou a mão grande sobre os cabelos úmidos dela, com os olhos profundos demonstrando preocupação: "Não está se sentindo bem?"

Thalita piscou e logo abriu um sorriso doce, idêntico ao de sempre: "Não, eu só estava pensando sobre você ir comigo no final do ano para conhecer minha família."

"Hum?" A preocupação nos olhos dele dissipou-se um pouco: "Por que pensou nisso de repente?"

Enquanto falava, ele pegou uma toalha seca e começou a secar os longos cabelos úmidos dela com cuidado. Olhando para ela, soltou um riso baixo: "Está com medo de que eu não me saia bem?"

Thalita, parecendo uma linda boneca de porcelana, deixou que ele a secasse e ergueu o rosto delicado para encará-lo:

"Não, eu só estava pensando que, já que você vai conhecer a minha família, eu também deveria conhecer a sua."

Seus olhos lindos e brilhantes demonstravam certa curiosidade: "Caio, onde está a sua família?"

Ao fazer essa pergunta, ela realmente pretendia investigar o passado dele de forma mais detalhada, pois não ousava acreditar totalmente em tudo o que o senhor Thomas dissera naquele dia. Ela preferia ouvir da boca de Caio, porque confiava que ele jamais mentiria para ela.

Ao ouvir a pergunta, os movimentos de Caio congelaram.

A atmosfera tornou-se subitamente silenciosa, como uma lagoa de águas paradas e sem vida.

Thalita percebeu a mudança no humor dele e pensou que ele estivesse bravo. Justo quando se preparava para pedir desculpas, a mão grande dele moveu-se, pousando entre os olhos expressivos dela, acariciando de leve com as pontas dos dedos.

Após um momento, ouviu-se a voz baixa dele: "Minha família já faleceu."

Ele não mencionou ninguém da família Thomas; limitou-se a dizer que já haviam falecido.

O coração de Thalita sofreu um aperto doloroso, como se tivesse levado um golpe.

"Desculpe, Caio, eu..."

"Tudo bem, não precisa pedir desculpas por isso."

Ele largou a toalha úmida, deitou-se na cama e a puxou por trás para o seu abraço, apoiando a cabeça com carinho no pescoço dela.

"Thali, quer que eu te conte uma história?" Ele comentou com um tom de autodepreciação, em voz baixa: "Uma história clichê e vulgar."

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Percebendo o desânimo dele, Thalita deixou-se abraçar docemente e respondeu com suavidade: "Quero sim."

Então, a voz grave e pausada dele começou a narrar a história de forma calma e controlada:

"Era uma vez um casal chinês. Eles se casaram aos dezoito anos, viajaram para o exterior e começaram do zero. Aos vinte e cinco anos, tornaram-se empresários renomados na região e tiveram uma linda filha chamada Íris."

Íris.

Thalita repetiu o nome mentalmente, já compreendendo a situação.

Caio continuou: "Mas quando Íris tinha três anos, o casal sofreu um acidente de carro e faleceu. Antes de morrerem, confiaram todos os seus bens e a filha a um grande amigo chamado Thomas."

Ao ouvir o nome familiar, Thalita estremeceu por um instante, mas permaneceu em silêncio para não interrompê-lo.

Ele prosseguiu: "Thomas acolheu Íris como sua filha adotiva e usou o patrimônio deixado pelos pais dela para abrir um negócio, tornando-se mais tarde um magnata de renome mundial. Durante esses anos, além do sucesso profissional, ele se casou com uma jovem de uma família tradicional local e teve um filho chamado Arthur."

"Arthur era cinco anos mais novo que Íris. Ele era rebelde e irresponsável. Aos dezessete anos, cobiçando a beleza de sua irmã adotiva, ele a possuiu à força."

O coração de Thalita apertou-se com a revelação. Ela virou o rosto para olhá-lo: "A possuiu à força?"

Um sorriso frio e cortante como uma lâmina surgiu nos lábios de Caio: "Sim. E não foi apenas uma vez; ele a manteve em cárcere e abusou dela."

Thalita franziu o cenho, sentindo uma náusea incontrolável no estômago.

Caio acariciou a cabeça dela com doçura, mas sua voz continuou fria como o gelo:

"Mais tarde, Thomas descobriu o que estava acontecendo. Naquela época, a noiva de Arthur já estava grávida de três meses e o casamento deles estava prestes a acontecer. Para evitar que o escândalo viesse à tona e prejudicasse a união de interesses do filho, Thomas enviou Íris secretamente para uma pequena cidade no interior da China e declarou publicamente que ela havia falecido devido a uma doença."

Thalita cerrou os punhos involuntariamente.

Então essa era a verdade. Não tinha nada a ver com a história de desentendimentos e separação que o velho Thomas inventara; ele realmente havia mentido para ela!

"Depois disso, a Íris descobriu que estava grávida, não foi?" Thalita perguntou, contendo a indignação e olhando para Caio.

"Sim," Caio segurou o rosto dela, acariciando sua bochecha com o polegar. "Ao descobrir, ela comprou remédios clandestinos para interromper a gravidez. Mas ela comprou o produto mais barato e falsificado; a gestação não foi interrompida. Mais tarde, ela não teve coragem de tentar de novo e deu à luz a criança."

Ainda bem que o remédio era falso.

Embora a situação fosse trágica, Thalita não pôde deixar de pensar nisso. Caso contrário, Caio não estaria neste mundo hoje.

E mais...

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Ela perguntou intrigada: "Por que a Íris não foi a um hospital em vez de comprar um remédio barato? A família Thomas não deu dinheiro a ela quando a mandou embora?"

"Deram," Caio respondeu com indiferença. "Mas ela sentia nojo e não aceitou; não levou nada que pertencesse àquela família. E quando o bebê nasceu, ela não o viu como uma vergonha em sua vida, nem o abandonou. Ela trabalhava duro de sol a sol para dar o melhor a ele. Eles viviam um pelo outro e tiveram momentos felizes juntos. Infelizmente, a felicidade durou pouco. A esposa de Arthur descobriu a existência desse filho ilegítimo."

O coração de Thalita sobressaltou-se. Ela olhou para ele com ansiedade: "O que ela fez?"

"Nada demais," os lábios de Caio curvaram-se em um sorriso totalmente desprovido de calor. "Apenas contratou pessoas para sequestrar o menino e levá-lo para uma ilha deserta, usando alguns métodos para aterrorizá-lo. Mas o garoto era resistente; não morreu de susto e conseguiu escapar sozinho."

Thalita sentiu uma pontada de dor e sufocamento no peito. Como um gesto de consolo, ela depositou um beijo terno no queixo dele, com os olhos repletos de compaixão: "E... quais foram os métodos que usaram para assustá-lo?"

Sentindo o toque suave em seu queixo, Caio baixou o olhar e sorriu docemente para ela: "Não foi nada. Coisas ridículas e insignificantes; ele já esqueceu tudo."

Dito isso, ele segurou os ombros delicados dela, girando seu corpo para que ficassem de frente, e continuou em um sussurro quaseinaudível:

"Ele conseguiu escapar, mas quando voltou para casa, descobriu que a Íris havia tirado a própria vida ao acreditar no boato de que o filho estava morto."

A expressão de Thalita congelou e, logo em seguida, lágrimas cristalinas rolaram de seus olhos: "Caio..."

A mão grande dele acariciou as costas dela com suavidade: "Não chore."

Ele sorriu de leve, inclinou-se e começou a beijar as lágrimas que caíam do rosto dela, dizendo com doçura: "Pelo menos agora, ele tem uma garota maravilhosa ao lado dele."

Portanto, em meio a uma vida tão devastada, ele ainda pôde ser considerado alguém abençoado pelo destino, não era?

 

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