46. Eu gosto de você
A isolação acústica da sala de sauna era muito boa, ou pelo menos era o que Thalita pensava.
No momento em que o beijo longo e feroz terminou, as lágrimas já haviam molhado todo o seu rosto.
"Não chore."
Caio ergueu a mão, passando as pontas dos dedos suavemente pela face macia dela, e por fim deu um beijo leve no canto de seus olhos, que estavam avermelhados de tanto choro.
Thalita esquivou-se, irritada, não deixando que ele a beijasse.
Contudo, ele não recuou; pelo contrário, aproveitou a posição para depositar um beijo suave no lóbulo da orelha alva dela.
Thalita estremeceu. Sua pele, que já estava rosada pelo vapor da sauna, ficou ainda mais corada.
E a mágoa em seu coração cresceu na mesma proporção.
O que ele queria com isso agora?
Ela tinha acabado de tomar a decisão de não correr mais atrás dele, e então ele vinha provocá-la novamente.
Ele estava brincando com ela?
Ou achava que, por ser bonito, ela ficaria eternamente enfeitiçada, correndo atrás dele como uma boba?
Ela não queria mais isso.
"Caio, me solta. Eu já disse que não..."
"Mas eu gosto de você."
As palavras que ela ia dizer ficaram presas na garganta.
Thalita ficou completamente paralisada, olhando para ele: "O... o que você disse?"
O pomo de adão dele moveu-se como se ele estivesse engolindo em seco. Ele a olhava seriamente com seus olhos negros; sua voz, antes fria, estava agora mergulhada em ternura. Ele repetiu pausadamente:
"Eu gosto de você."
Dito isso, ele encostou a cabeça no pescoço dela com carinho. "Desculpe, não foi minha intenção não dizer antes."
Seu plano era esperar por um dia especial para preparar um pedido de namoro grandioso e perfeito. Talvez fosse um pedido de namoro, ou talvez fosse diretamente um pedido de casamento. Mas, claramente, ele tinha estragado tudo antes que o dia chegasse.
"Me desculpe."
Ele apertou a cintura dela com força. "Eu fui egoísta por não considerar seus sentimentos."
"Não vai acontecer de novo."
Ele ergueu a cabeça e olhou diretamente nos olhos vermelhos dela. "Me perdoa, pode ser?"
Naquele momento, o jovem que sempre fora frio, distante e orgulhoso parecia um grande cão implorando para não ser abandonado por sua dona. Havia uma doçura profunda em seus olhos negros.
Era um lado dele que Thalita nunca tinha visto antes.
Toda a mágoa se dissipou, e seu coração foi inevitavelmente balançado.
Ela fungou, olhou fixamente para ele e perguntou com voz suave: "É sério? Você gosta mesmo de mim?"
"Sim", ele segurou o rosto macio dela com as mãos. "Gosto muito, muito mesmo."
Após dizer isso, ele se aproximou e beijou ternamente sua testa, seus olhos, a ponta do nariz e, finalmente, pousou nos lábios macios, aprofundando o beijo.
Thalita tremeu as pálpebras, mas acabou fechando os olhos e enlaçando o pescoço dele, aceitando o beijo docilmente.
"Ora, por que você está sozinho? Perdeu a minha Thali querida?"
No restaurante, Camila e Luísa, que comiam alegremente, perguntaram ao verem Heitor aparecer.
A expressão de Heitor era indescritível, e seu tom de voz não escondia o desânimo: "A senhorita Thalita... ela foi embora."
"Embora?"
Camila franziu a testa: "Impossível. Ela não iria embora sem nos avisar."
Dito isso, ela se preparou para ligar para Thalita.
Ao ver isso, Heitor hesitou e tentou impedi-la.
Camila estranhou: "O que você está fazendo?"
Heitor parecia bastante desconfortável: "Bem... eu sugiro que você não ligue para ela agora."
Luísa, observando a expressão dele, começou a perceber que algo estava errado.
"Senhor Heitor, o senhor sabe onde a Thali está?"
Camila também apertou os olhos para ele: "Sabe mesmo?"
Heitor suspirou e decidiu não esconder mais: "A senhorita Thalita foi levada pelo Caio."
"Quanto a onde eles foram..."
Ele baixou o olhar, com um tom de amargura: "Eu também não sei."
"O quê?"
Camila explodiu ao ouvir aquilo: "Como você é frouxo, Heitor! Eu te apresento minha filha e você deixa o Caio levá-la assim?"
Ela ficava mais irritada quanto mais pensava: "Você é homem ou não? Não podia ter lutado por ela?"
Heitor, ao ouvir aquilo, tinha uma mágoa impossível de expressar.
Lutar contra aquele demônio?
Ele não estava louco. Sem mencionar a influência da família dele, o próprio Caio tinha um temperamento implacável e vingativo; ele certamente não teria paz no futuro. Heitor não queria repetir os erros do passado. Claro que ele jamais contaria esses episódios humilhantes para Camila, então apenas aceitou a pecha de covarde.
Enquanto isso, na suíte presidencial do hotel.
As janelas de vidro temperado do chão ao teto refletiam silhuetas entrelaçadas; respirações misturadas abafavam qualquer outro som.
"Caio..."
A voz suave dela tremia levemente ao chamá-lo.
Ele beijava o rosto dela, respondendo com ternura.
Ela tinha pensado antes que ele não entendia dessas coisas. Agora, percebia que ele não só entendia, como entendia até demais.
O quarto estava silencioso.
O som do cetim esticado e ruídos suaves de água se misturavam.
O tempo tornou-se subitamente muito longo. Tão longo que cada centímetro de percepção era infinitamente ampliado.
Como naquela vez em que pintaram juntos e ele colocou a mão sobre a dela. O toque da pele, o formato dos ossos, até o trajeto das veias e as pequenas batidas conectadas ao coração... ela sentia tudo com clareza.
Agora era o mesmo; ela o sentia com mais nitidez do que nunca.
O que ele dissera antes não era exagero: ele realmente estava se segurando com muito esforço.
Quando os primeiros raios de luz surgiram no horizonte, Thalita, já limpa e saciada, foi aninhada nos braços dele e caiu em um sono profundo.
"Vrum..."
No dia seguinte, Thalita foi acordada pelo barulho.
O celular que caíra no tapete tinha sumido, mas o som vindo da mesa de cabeceira era impossível de ignorar.
Thalita instintivamente achou que era o dela e tentou pegá-lo, mas descobriu que seus braços estavam pesados como chumbo, incapazes de se erguer.
Tinha sido tão sério assim? Ou melhor, eles tinham sido tão intensos na noite anterior?
Enquanto ela estava em transe, um braço forte e musculoso passou por cima de sua cabeça, pegando o celular com facilidade. Ele virou-se levemente e atendeu: "O que foi?"
A voz magnética, marcada pela rouquidão de quem acabou de acordar, era incrivelmente sexy.
Devido à posição, a ponta do nariz de Thalita estava encostada diretamente no pomo de adão saliente dele. Agora, ele estava coberto de marcas de mordidas.
Ela piscou e seu rosto ficou instantaneamente vermelho.
A culpa não era dela, pensou em silêncio. Quando a situação ficava intensa demais, havia muitas reações que ela simplesmente não conseguia controlar.
"Pqp, pela sua voz, você foi pra um p***** ontem à noite? Te liguei centenas de vezes e você não atendeu. Você tem noção de que horas são agora, porra?"
A voz resmungona de Vinícius ecoou do telefone.
Thalita paralisou, o coração disparado de nervosismo, como se Vinícius pudesse ver a cena íntima através da tela mesmo sem vídeo.
Ao perceber a tensão dela, ele passou a mão grande suavemente pela nuca dela para acalmá-la e respondeu com voz indiferente: "Diga logo o que quer."
Mal ele terminou de falar, Thalita sentiu um formigamento no nariz e não conseguiu evitar um espirro.
Do outro lado da linha, Vinícius ficou em silêncio absoluto.
Após alguns segundos, ele soltou um grito agudo: "Caralho, você?!"