38. Ela é uma bênção
"Thali, você veio."
Ele pronunciou o nome dela suavemente, e a indiferença em seus olhos transformou-se, quase imperceptivelmente, em doçura.
Ele ia se levantar, mas ela já estava ao seu lado. Tirou os sapatos e sentou-se no tapete junto a ele.
"Caio."
Thalita conteve o desejo de tossir e olhou para ele com seriedade: "Fumar faz mal à saúde."
Dito isso, ela pegou o celular, procurou algo e colocou uma foto ampliada diante dos olhos dele: "Olha isso!"
Caio focou na imagem: era a foto de um pulmão completamente escurecido.
"Essa pessoa morreu de câncer porque fumava demais!" ela disse com tom severo.
Os lábios de Caio curvaram-se de leve, achando graça: "É mesmo?"
"Uhum, de verdade!"
Thalita guardou o celular e aproximou-se, cobrindo o nariz. Seus olhos grandes e brilhantes encaravam-no com sinceridade: "Então, Caio, tente fumar menos, por favor?"
Em seguida, como se lembrasse de algo, baixou a cabeça e resmungou: "Se você continuar fumando, não vou mais deixar você me beijar."
Caio a observou por alguns segundos e, por fim, acariciou a cabeça dela.
"Está bem."
Ele retirou a mão e se levantou: "Vou escovar os dentes."
O cigarro ainda aceso foi apagado impiedosamente e entregue ao robô X-inho.
Logo se ouviu o som da água no banheiro.
Thalita olhou surpresa para as costas dele e, após um momento, não conseguiu evitar um sorriso.
Ela conseguira! Caio estava realmente disposto a ouvi-la!
Pelo visto, ser namorada dele trazia esse tipo de privilégio.
Quando Caio saiu do banheiro, ouviu o som da garota cantarolando alegremente na cozinha.
Ele olhou naquela direção.
Ela já estava de avental, e os belos cabelos, que costumavam estar soltos, agora estavam presos em um coque, com apenas algumas mechas caindo sobre a testa. Isso a deixava com um ar ainda mais terno.
A água na panela fervia, e o som da faca batendo na tábua era rítmico e nítido.
A casa, antes fria, parecia ter ganhado vida e calor humano com a presença dela.
Ele ficou observando o perfil delicado da jovem, sentindo uma agitação interior. O destino às vezes é injusto, mas outras vezes parece equilibrar as contas. Ao menos, ele havia recebido ela como presente.
Thalita cantarolava enquanto se preparava para cozinhar a carne, quando sentiu um calor súbito nas costas.
Ela paralisou e olhou para trás: "Caio, o que foi?"
"Nada, só quis te abraçar."
Dito isso, Caio inclinou-se um pouco, como um grande cão preguiçoso, encostando o queixo no topo da cabeça dela.
Uma leve sensação de fome veio do estômago.
Ele estava com fome, pensou Thalita.
Achando graça, ela se virou e ficou na ponta dos pés para lhe dar um beijo de consolo na bochecha.
"O jantar ainda vai demorar um pouco."
Ela o olhou com carinho, falando como se falasse com uma criança: "Espera mais um pouquinho, está bem?"
Caio sustentou o olhar.
Ela era uma sedutora nata; seus cílios longos e curvados agiam como pequenos ganchos, cutucando o coração dele.
"Thali," ele chamou, com a voz grave e levemente rouca.
"Hum?"
Ele deu uma risada baixa e aproximou-se, aproveitando sua altura para encostar o nariz no dela. "Eu já escovei os dentes."
Thalita não entendeu de imediato, mas seu coração disparou: "E...?"
Sem aviso, a mão grande dele segurou firmemente a nuca dela e ele a pressionou em um beijo.
A água na panela fervia cada vez mais. O som borbulhante misturava-se a outros sons que fariam qualquer um corar, preenchendo toda a cozinha.
"Respire."
Não se sabe quanto tempo passou antes de ele segurar o queixo dela, ordenando com doçura e autoridade.
Thalita olhou para os lábios finos dele, sem processar bem a instrução: "Hã?"
Aquele ar de confusão era fofo demais. O desejo intenso nos olhos de Caio dissipou-se um pouco; ele a puxou para um abraço e beijou o topo de sua cabeça.
"Tão adorável."
A voz dele já era bonita por natureza, mas carregada de riso daquele jeito, era perigosamente atraente.
As orelhas de Thalita esquentaram, mas ela não conseguia parar de olhar fixamente para ele.
"Caio."
Ele percebeu o olhar e, feliz da vida, preparou-se para aceitar o convite para "mais um". O canto de sua boca se curvou: "Sim?"
Para sua surpresa, ela disse: "A água ferveu."
Ela o encarou com uma ponta de lamento imperceptível: "Vá descansar ali um pouco, está bem?"
Caio: "..."
Após o jantar, já passava das oito da noite.
Caio estava em uma reunião online, e Thalita, entediada, pegou uma almofada e deitou-se no tapete em frente à janela para mexer no Weibo.
Sua conta existia desde o ensino médio; ocasionalmente, ela postava algumas pinturas feitas em momentos de inspiração. Com o tempo, acumulou um grupo de fãs fiéis e clientes frequentes.
Logo após entrar, viu uma mensagem direta de uma fã antiga.
Mais-Fofa-Que-Suculentas
: 【Olá, grande mestre! Gostaria de encomendar uma arte. O preço você decide! Por favor, me note! ????❤️】
Ao ler o estilo familiar da mensagem, Thalita sorriu.
Essa era sua primeira seguidora e a apoiava há anos. Grande parte dos seus três milhões de seguidores veio da divulgação espontânea que essa fã fazia.
Por isso, Thalita respondeu imediatamente.
Chuva-Nas-Flores
: 【Com certeza! Não precisa pagar nada. Pode me dizer o que você tem em mente?】
Menos de dez segundos depois, a resposta veio.
Mais-Fofa-Que-Suculentas
: 【AAA! O mestre aceitou! Estou tão feliz! Mas eu faço questão de pagar...】
Após insistir muito no pagamento e conseguir que Thalita aceitasse, ela explicou o pedido:
【Queria uma fanart dos protagonistas do anime "Crônicas de Sakura". O pedido específico é: o protagonista masculino prendendo a protagonista contra uma janela de vidro, segurando a cintura dela e dando um beijo intenso. Queria algo com um tom um pouco mais ousado, focando na diferença de tamanho corporal e na tensão sexual. Sabe aquele clima de "quase lá" que é melhor que o ato em si? Você me entende, mestre? ????????】
Ao ler os requisitos, a expressão de Thalita ficou complicada.
Droga, aceitou cedo demais! Isso era basicamente um pedido de arte erótica!
Ela respondeu com dificuldade: 【Entendido, mas pode demorar um pouco, ok?】
Thalita nunca desenhara nada desse tipo; precisaria estudar o assunto.
Mais-Fofa-Que-Suculentas
: 【Hehe, sem problemas! Não tenho pressa. Pode fazer no seu tempo e me enviar quando estiver pronto. Bom trabalho! ????????✨】
Ao fechar a conversa, Thalita se viu em um dilema.
Como desenhar aquilo?
Os pedidos pareciam intensos demais.
Talvez devesse procurar alguns animes do gênero para buscar inspiração?
Com isso em mente, ela lançou um olhar furtivo para Caio, que ainda estava na reunião. Certificando-se de que ele não viria, abriu a conversa com Luísa no WhatsApp:
【Lu, preciso de um favor.】
...