37. Saudade da esposa, hora de se fazer de vítima
Thalita não tinha o hábito de bisbilhotar a privacidade alheia, então não deu mais atenção ao assunto. Caminhou até o armário, pegou o secador e foi para a pia secar o cabelo.
Nesse momento, Bianca, percebendo que ela já havia saído do banho, desligou o telefone e ficou observando em silêncio as costas esbeltas da amiga.
Algumas pessoas parecem ter nascido como as favoritas do destino.
Além da beleza absoluta, Thalita tinha um corpo excelente: a pele branca e radiante como porcelana, tão delicada que parecia não ter poros.
Sob os longos cabelos negros e brilhantes, a cintura era fina e graciosa, enquanto os quadris eram redondos e fartos. Mais abaixo, as pernas brancas e macias eram longas e retas.
E isso era apenas o que se podia notar com ela envolta em uma toalha.
Um corpo assim não atrairia apenas o olhar dos homens; até Bianca, sendo mulher, não conseguia evitar uma pontada de fascínio e inveja.
Não era de se admirar que ela tivesse conseguido seduzir o "deus" da faculdade, aquele homem inalcançável.
Qualquer homem, mesmo que racionalmente não quisesse, teria dificuldade fisiológica em recusar uma beldade dessas, certo?
Com o olhar sombrio, Bianca não hesitou mais: pegou o celular, fotografou Thalita de costas e, após uma rápida edição, enviou a foto para o contato salvo como 【Vinícius】.
Segundos após o envio.
Vinícius: 【!!!】
Vinícius: 【Bebê, essa também é você?】
Bianca sorriu de canto.
Docinho de Arroz: 【Claro, foi minha colega de quarto que tirou para mim.】
Ao ouvir isso, Vinícius ficou visivelmente empolgado, enviando uma enxurrada de mensagens dizendo o quanto tinha gostado.
E então...
【Vinícius enviou uma transferência de: 2.000,00】
Ao ver a notificação, Bianca estacou.
Dois mil?
Isso era o equivalente à mesada de um mês inteiro dela!
Sentindo uma alegria frenética, ela aceitou a transferência imediatamente.
Docinho de Arroz: 【Uau, obrigada! Você é muito generoso!】
Vinícius: 【Não foi nada, é só um agrado para você comprar uns mimos.】
Em seguida, ele enviou vários emojis de expectativa e maliciosos, continuando: 【Bebê, você é linda demais. Acho que estou viciado em você, o que eu faço?】
Bianca soltou um riso frio.
Como esperado, ele mordera a isca.
Se soubesse que as fotos daquela "puritana" funcionavam tão bem, teria usado antes; talvez já tivesse acumulado uma pequena fortuna.
Com esse dinheiro, ela poderia fazer mais procedimentos estéticos; por que continuar sofrendo com ansiedade e baixa autoestima por causa da aparência?
Pensando bem, ela fora "boazinha" demais no passado. Já que a garota a menosprezava, por que ter consideração por ela?
Com esse pensamento, ela continuou: 【E você quer ver mais?】
Vinícius: 【Quero, quero! Com certeza!】
【Vinícius enviou uma transferência de: 10.000,00】
Vinícius: 【Esposa, posso ver as pernas? Suas pernas são lindas demais ????????】
Bianca ficou em choque ao ver a transferência de dez mil.
...
O barulho do secador cessou.
Thalita penteou os cabelos longos, agora quase secos, e voltou para o quarto para vestir o pijama e dormir um pouco.
Mas, assim que soltou a toalha, Bianca avançou subitamente e segurou seu pulso. "Thali!"
Thalita se assustou e rapidamente segurou a toalha contra o peito, olhando para ela confusa.
"O que foi, Bia?"
Bianca lançou um olhar rápido e imperceptível para o busto farto e alvo da amiga, mantendo o tom de voz neutro.
"Thali, você pode me ajudar a experimentar um vestido?"
Thalita estranhou: "Eu?"
Bianca assentiu: "Sim, eu comprei um vestido pela internet uns dias atrás, mas quando lavei e fui provar, vi que o tamanho era pequeno demais para mim."
Ela fez uma expressão desolada: "A loja não aceita devolução agora e seria um desperdício jogar fora, então vou mandar para minha prima."
"O corpo dela é parecido com o seu," ela olhou para Thalita com expectativa. "Por favor, prova só para eu ver como fica?"
Thalita piscou. "Ah, entendi..."
Diante daquele olhar suplicante, ela não teve coragem de recusar. Mesmo morrendo de sono, disse: "Tudo bem, traga aqui."
Bianca radiante: "Ótimo!"
Momentos depois, Thalita olhava para o espelho com uma expressão indescritível.
Era um vestido vermelho de design extremamente sensual.
O decote era perigosamente baixo, a saia mal cobria o início das coxas e a cintura era tão apertada que parecia sufocar.
Ela manteve as pernas bem juntas, constrangida, e cobriu o peito com as mãos.
"Bia, talvez esse vestido seja melhor não..."
"Ficou maravilhoso!"
Bianca a interrompeu, com um olhar de admiração e excitação. Sem aviso, pegou o celular e tirou uma foto.
Thalita franziu a testa: "Bia, o que você está fazendo?"
Bianca deu uma risadinha: "Vou mandar para minha prima ver como fica no corpo. Fica tranquila, apago logo depois de mostrar para ela."
Dito isso, ela salvou a foto na nuvem e, fingidamente, deletou o arquivo na frente dela.
"Pronto, está satisfeita?"
Ela se aproximou, abraçando o ombro de Thalita com falsa sinceridade: "Obrigada, Thali. Ficou perfeito, minha prima vai amar."
Thalita sentiu um leve desconforto, mas resolveu não dar importância.
"Certo. Estou exausta, vou dormir agora."
Ela tirou o vestido rapidamente e vestiu seu próprio pijama.
"Tudo bem, boa soneca."
Ao ver Thalita subir na cama e fechar a cortina, o sorriso de Bianca desapareceu. Ela olhou com fixidez para a foto salva na nuvem.
Thalita dormiu profundamente. Quando acordou, viu através da varanda que o sol já estava se pondo.
Havia várias mensagens não lidas no WhatsApp, muitas delas de Caio.
12:10
Caio: 【Já almoçou?】
13:00
Caio: 【Está pintando?】
15:00
Caio: 【Hora de descansar.】
16:00
Caio: 【(Imagens)... Quais dessas almofadas você prefere?】
17:00
Caio: 【Minha mão está doendo... ????】
Ao ver aquele "minha mão está doendo" acompanhado de um emoji — algo totalmente fora do comum para ele —, Thalita sentiu que o mundo ia desabar.
A mão realmente doía, assim como a cabeça dela. Isso provava que ele não estava mentindo; a dor era real.
【Caio, amanhã às duas e meia eu volto para te ver.】
A promessa de ontem voltou à sua mente. Ela se sentiu péssima; tinha quebrado o combinado.
Por que o despertador que ela colocou para dali a duas horas não tocou?
Sem perder tempo, ela se levantou para se arrumar.
Quarenta minutos depois, no condomínio de luxo.
"Cof, cof, cof..."
Thalita trazia ingredientes frescos e ia bater na porta quando foi atingida por uma fumaça acre, começando a tossir violentamente.
Lágrimas involuntárias surgiram no canto de seus olhos.
Incapaz de aguentar, ela digitou a senha e entrou.
A luz do crepúsculo atravessava as janelas panorâmicas, banhando a sala com um tom dourado e avermelhado onírico.
Diante da janela central, o jovem estava sentado de forma relaxada sobre o tapete branco e macio. Com as pernas longas levemente dobradas e um cigarro entre os dedos delgados, ele observava a vista.
Era uma cena de uma estética impecável, como uma pintura a óleo.
O jovem, habitualmente tão nobre e elegante, parecia envolto em uma aura de melancolia e solidão em meio à fumaça.
Ele estava tão absorto em pensamentos que nem percebeu a entrada dela.
Thalita cobriu o nariz e chamou baixo: "Caio."
Ao ouvir a voz doce, o olhar estagnado dele mudou, voltando-se para ela.