35. Abraçando a Esposa
Mas que plano ela poderia usar?
Ela baixou a cabeça e refletiu em silêncio por um momento. Ao notar a mancha roxa em sua coxa que ainda não havia desaparecido completamente, teve um estalo de inspiração.
"Caio."
A voz doce da garota soou. Caio, que estava com uma das mãos no computador escrevendo novos comandos para o X-inho, parou o que estava fazendo e virou o rosto para olhar.
"O que foi?"
Thalita se levantou. "Está ficando tarde, eu preciso ir. Volto para te ver amanhã de manhã."
Ela disse isso e, sem esperar resposta, caminhou em direção à entrada.
Caio fechou o computador imediatamente. Suas sobrancelhas bem desenhadas se franziram levemente e ele se levantou para segui-la. "Thalita, espera."
Contudo, mal ele terminou de falar...
"Ah!"
Na entrada, Thalita soltou um grito repentino, seu corpo pendeu para o lado e ela caiu sentada no chão.
"Ugh..."
Ela deu uma olhadinha de soslaio para trás e imediatamente fingiu uma expressão de dor extrema, segurando o tornozelo com as mãos.
A pálpebra de Caio deu um salto. Ele caminhou apressado até ela e ajoelhou-se à sua frente.
"Você se machucou? Deixe-me ver." Sua mão grande envolveu suavemente o tornozelo delicado dela.
O toque seco e quente, somado às leves calosidades na ponta dos dedos dele, causou uma leve coceira.
Thalita teve um sobressalto sensível, as pontas das orelhas esquentaram inevitavelmente e, sob o olhar preocupado dele, ela aproveitou para soltar a mentira.
"Eu... eu acho que torci o pé."
Após dizer isso, ela baixou um pouco a cabeça. "Caio, eu poderia..."
"Ah!"
Antes que terminasse a frase, uma força firme envolveu sua cintura.
Ela deu um grito de surpresa e, no segundo seguinte, o mundo girou diante de seus olhos.
Quando deu por si, ela fora erguida do chão por Caio com apenas um braço. Com poucos passos, ele a levou até o sofá da sala e a depositou ali.
Thalita ficou estupefata, olhando para ele de baixo para cima.
Ele a pegara no colo com tanta facilidade usando apenas um braço?
"X-inho, pegue gelo e uma toalha." Caio olhava fixamente para o tornozelo dela.
Na verdade, fora proposital; o tornozelo de Thalita apenas roçara levemente no batente da porta, não houve torção nenhuma. Mas como sua pele era muito branca e sensível, o local ficou avermelhado.
O robô logo trouxe o material solicitado.
Caio tirou o sapato dela com cuidado, envolveu o gelo na toalha e aplicou-o gentilmente sobre o tornozelo.
"Mmm..."
Ao sentir o toque gelado, Thalita não conseguiu evitar um estremecimento.
Caio fixou seus olhos negros nela, com um tom de voz suave: "Aguente só um pouquinho."
Dito isso, ele tornou seus movimentos ainda mais leves.
Ele mesmo ainda estava ferido, mas cuidava dela com tanta dedicação. Thalita sentiu um breve arrependimento por ter usado esse "golpe de cena".
Depois de um tempo, ela disse baixinho: "Caio, já me sinto bem melhor, não dói mais."
Para provar, ela girou o tornozelo levemente.
Mas Caio subitamente ergueu a mão, segurando com facilidade o pé pequeno e delicado dela. Seu tom de voz ficou sério: "Não se mexa."
O toque quente e levemente áspero da palma dele era mais inquietante do que o gelo de antes.
Foi como se uma corrente elétrica percorresse desde a ponta dos dedos do pé até a base da coluna, espalhando-se por todo o corpo.
Thalita não conseguiu se conter e seus dedos do pé, tingidos de um rosa pálido, encolheram-se levemente.
Caio, que observava tudo, hesitou por um segundo. Logo em seguida, seu olhar tornou-se imperceptivelmente mais profundo.
"Thalita, fique aqui esta noite."
Ele ergueu os olhos para ela: "Eu durmo no sofá."
Thalita estava esperando exatamente por essa frase.
Ela fingiu hesitar por um momento antes de assentir. "Bem... tudo bem, então."
Isso era perfeito!
"Mas," ela disse, preocupada, "você é o paciente. Você fica com a cama, eu durmo no sofá."
"Você fica com a cama." O tom de Caio era inquestionável.
Thalita abriu a boca para argumentar, mas ao encontrar aquele olhar profundo e firme, não ousou dizer mais nada. Quando Caio ficava sério, ele parecia realmente intimidador.
"Está bem, então."
Ela assentiu e se levantou. "Vou me lavar primeiro. Caio, você tem produtos de higiene novos?"
Caio confirmou: "Tenho. Vou pedir para o X-inho te entregar."
O robô logo trouxe um kit completo. Além de escova de dentes e toalhas, havia um pijama novo — que parecia ter um tamanho bem grande, claramente o número de Caio.
Caio olhou para ela: "Use esses por enquanto. Amanhã eu compro outros que sirvam melhor em você."
"Certo, obrigada." Thalita pegou o kit e preparou-se para ir ao banheiro.
No instante em que seus pés tocaram o chão, ela se lembrou da farsa e começou a mancar de forma culpada.
Contudo, antes que pudesse fingir muito, Caio já estava ao seu lado, segurando seu braço para apoiá-la. "Vá devagar."
Thalita sentiu-se ainda mais culpada. Agora ela parecia mais doente do que o próprio paciente. Mas não havia jeito; já que começara a encenação, teria que ir até o fim.
Apoiada por Caio, ela chegou ao banheiro.
"Pode ir se sentar, Caio. Eu consigo ficar de pé um pouco, vou terminar rápido."
Mas Caio não saiu. Ele colocou a pasta na escova, encheu o copo com água e entregou a ela.
Thalita sentiu-se comovida; ele era atencioso demais.
"Obrigada." Ela pegou as coisas e inclinou-se um pouco para começar a escovação.
Mas no momento em que ela se inclinou, uma força firme envolveu sua cintura.
Thalita paralisou. Antes que pudesse reagir, suas costas foram completamente envolvidas pelo corpo quente e vigoroso dele.
Caio... a estava abraçando por trás!
O corpo de Thalita ficou rígido, e a escova quase caiu no chão.
"Caio, você...?" Ela ergueu um pouco a cabeça para olhá-lo, seus cílios tremendo involuntariamente.
"Seu pé não está bom, fiquei com medo de você cair."
Caio a olhava de cima, seus olhos negros profundos como um abismo. "Cuidar da parceira é algo que se deve fazer durante o namoro, não é?"
Thalita piscou, a tensão desaparecendo e sendo substituída por uma alegria crescente.
Ele se lembrava de tudo. Isso significava que Caio estava ficando cada vez mais "ligado"?
"Uhum." Ela assentiu levemente e sorriu para ele. "Obrigada, Caio."
Ela voltou a escovar os dentes. Caio a abraçava em silêncio, os cantos de seus lábios curvando-se levemente.
Ela era macia e cheirosa. Tão pequena que era fácil de abraçar, e incrivelmente dócil.
Até aquele momento, ele nunca havia sentido de forma tão clara o quão adorável e maravilhosa uma garota poderia ser.
Incapaz de resistir, ele inclinou levemente a cabeça, apoiando o queixo no topo da cabeça dela, onde os cabelos eram fofos e macios.
Thalita, concentrada na escovação, achou que ele estivesse cansado. Afinal, ele ainda era um paciente e precisava de repouso.
Pensando nisso, ela acelerou o passo, terminou de escovar e começou a lavar o rosto.
Com a toalha morna e úmida em mãos, ela a torceu com força, mas não limpou o próprio rosto primeiro. Em vez disso, virou-se nos braços dele e olhou para cima, cara a cara.
"Caio, quer que eu limpe o seu rosto?"
Caio arqueou a sobrancelha. "Hum?"
O tom de sua voz subiu levemente no final. Thalita achou que ele tivesse aceitado, então estendeu a toalha para limpá-lo.
Mas, devido à diferença de altura, o movimento era difícil.
Ela pediu: "Caio, abaixe um pouco a cabeça."
Caio obedeceu.
No entanto, ele calculou mal a distância, de modo que sua testa quase encostou na dela.
Assim, naquele instante, seus olhos se encontraram e suas respirações se entrelaçaram.