34. Coabitação em Andamento
Thalita detestava ser ameaçada.
Não queriam que ela seguisse o Caio?
Pois agora ela estava decidida!
Não só ia continuar atrás dele, como ia enchê-lo de carinho só para irritar aquela mulher!
...
"Desculpe, Caio, eu demorei."
Devido ao contratempo, Thalita levou mais de duas horas para voltar ao hospital.
No quarto, ela viu Caio sentado na cama, encarando o nada. Colocou as frutas na mesa e perguntou: "Está com sede? Quer água?"
Mesmo perguntando, ela já lhe entregava um copo.
Mas ele não bebeu. Em vez disso, segurou a mão livre dela e a envolveu em sua palma larga e firme.
"Thalita, peça minha alta, por favor," ele disse baixo.
Era um gesto de dependência.
Thalita hesitou, sentindo o calor da mão dele: "Por que quer sair tão de repente?"
Ela estava preocupada: "Seus ferimentos ainda não sararam."
Caio apertou levemente a mão delicada dela, seu olhar profundo era terno, mas inquestionável: "Vou me recuperar em casa."
Thalita olhou fixamente nos olhos dele.
Não sabia se era impressão sua, mas sentia uma camada vaga de irritação e melancolia na expressão dele.
Ele estava infeliz?
Seria por não gostar do ambiente hospitalar?
"Tudo bem," ela assentiu.
Não importava, pensou ela. Desde que ela estivesse ao lado dele para cuidar de tudo, não haveria problema.
Duas horas depois, no centro da cidade, em um condomínio de luxo.
Bip.
"Senhor Caio, bem-vindo de volta."
Assim que a porta se abriu, um pequeno robô adorável apareceu diante de Thalita.
Ela já estava surpresa por ele morar ali, mas agora estava totalmente confusa.
"Leve as coisas para dentro e traga outro par de chinelos," Caio ordenou calmamente.
"Sim, senhor."
O robô piscou seus grandes olhos eletrônicos para Thalita e estendeu as mãos mecânicas para pegar a bolsa dela.
"Moça bonita, eu levo para você."
"Ah... o-obrigada."
Thalita entregou a bolsa, atônita com tamanha tecnologia.
Ao entrar, observou o apartamento amplo e luxuoso, com uma decoração minimalista e sofisticada.
Não imaginava que ele possuía um imóvel assim.
Ele parecia ser incrivelmente rico.
Ambos eram estudantes, como ele podia ser tão bem-sucedido?
Sentiu-se até um pouco inútil por um momento.
Enquanto divagava, Caio a levou até o sofá: "O que quer beber?"
"Água está ótimo, obrigada."
Ele acenou para o robô.
"É pra já!"
O robô correu para a copa.
Thalita estava maravilhada.
"Caio, onde você comprou ele? É muito inteligente!"
Caio encostou-se no sofá de forma relaxada: "Não comprei, eu mesmo construí."
"Você construiu?!" a voz dela subiu um tom.
"Sim. O nome dele é X-inho, um robô doméstico."
Thalita nunca vira nada igual: "Ele lava roupa, cozinha ou limpa a casa?"
Caio assentiu: "Sim."
Ele a olhou com uma doçura incomum: "No futuro, se quiser que ele aprenda algo novo, podemos programar no sistema dele."
Thalita não percebeu o peso do "no futuro", apenas exclamou: "Sério? Caio, você é incrível!"
Ela aproximou-se com os olhos brilhando: "Cria jogos e robôs... você é demais!"
Agora entendia por que tantos na faculdade o chamavam de gênio.
O robô trouxe o café e a água. Thalita bebeu um pouco, notando que a temperatura estava perfeita.
"Está com fome? Quer que o X-inho prepare o jantar?"
Ela queria cozinhar algo nutritivo para ele, mas a curiosidade sobre a comida do robô venceu.
"Quero sim!"
"Entendido!" O rosto redondo do robô exibiu um emoji de felicidade e ele foi para a cozinha.
Thalita o seguiu para espiar o processo, mas logo foi atraída pela vista deslumbrante do pôr do sol através da imensa janela de vidro.
"Caio, a vista daqui é maravilhosa!"
Ela apoiou as mãos no vidro, encantada. O brilho do fim do dia a envolvia, criando uma silhueta digna de uma pintura.
Caio a observava. Pensou que ali deveria colocar um tapete macio e algumas almofadas fofas.
Anotou isso mentalmente.
O jantar foi servido logo depois.
Thalita deu uma colherada de legumes para Caio antes de provar.
"E então?" ele perguntou ao vê-la mastigando como um esquilo.
"Hum, está uma delícia!"
Ela fez um sinal de positivo para o robô: "X-inho, parabéns!"
O robô piscou e, para surpresa de Thalita, suas bochechas eletrônicas ficaram vermelhas de vergonha.
Thalita: "!!!"
Ele sente vergonha?
Ela sentiu um arrepio e sussurrou no ouvido de Caio: "Ele não tem consciência própria, tem? Como naqueles filmes em que eles fingem ser bonzinhos e depois se revoltam?"
Ela gesticulava de forma dramática.
O hálito quente dela e seu perfume suave de flores envolveram Caio.
Ele a encarou profundamente e não resistiu em apertar de leve o nariz dela.
"Não, não se preocupe."
Seu tom era calmo: "Mesmo que ele desenvolvesse consciência, se tivesse qualquer má intenção, seria destruído imediatamente."
O tom era tranquilo, mas carregava uma autoridade absoluta que chegava a ser inquietante.
Thalita olhou nos olhos profundos dele e sentiu um frio na barriga inexplicável, desviando o olhar: "Ah, entendi."
Ela serviu mais comida para ele: "Prove este, está ótimo."
A tensão sutil dissipou-se tão rápido quanto surgiu.
O robô apenas piscou, incapaz de entender as complexas emoções humanas. Ele apenas sabia que devia limpar a casa e começou a trabalhar.
Ao terminar de comer, a noite já caíra e a vista da cidade era deslumbrante.
Isso significava que Thalita deveria ir embora.
Mas ela não queria.
Como deixá-lo sozinho e ferido?
Precisava de uma desculpa para ficar.