33. Preparando a Confissão
Thalita olhou para o olhar terno dele e ficou paralisada por um instante.
Foi a primeira vez que a viu sorrir daquela forma.
No passado, mesmo quando sorria, era um gesto distante, provocador ou casual.
Jamais fora como agora, como a neve de inverno derretendo sob o sol; era tão bonito que era impossível desviar o olhar.
Sob aquele escrutínio, por um impulso repentino.
"Se você realmente quer me agradecer, então... quando você se recuperar, vamos ficar juntos de verdade, pode ser?" Thalita perguntou, subitamente audaciosa.
Após suas palavras, o silêncio se espalhou.
Ficar juntos de verdade.
Caio saboreou a frase em silêncio e, de repente, soltou uma risada baixa.
Pois é, a coelhinha ingênua ainda achava que ele estava apenas simulando um namoro com ela.
Mas como se pode simular o amor?
Claro, isso serviu de lembrete.
Ele era o homem; em um pedido de namoro, não era certo deixar a iniciativa para a garota.
Era algo que ele devia a ela e pretendia compensar.
Deveria ser em um dia especial, com uma cerimônia digna e grandiosa.
E não como agora, em um estado deplorável e apressado.
Ele se perdeu em pensamentos, com uma expressão mutável, parecendo uma estátua de mármore bela e fria.
Thalita, ao observar a reação dele, interpretou de outra forma.
Não tem problema, pensou ela.
Realmente, ela fora precipitada. Tanta gente já tentou conquistar o Caio sem sucesso; é normal que ele seja difícil. Ela só precisava se esforçar um pouco mais.
Ela deu um sorriso reconfortante para si mesma e levou outra colher de sopa aos lábios dele.
"Esqueça o que eu disse por enquanto, a sopa vai esfriar. Caio, abra a boca."
O tempo, na companhia dela, tornou-se calmo e agradável.
Ela cuidou dele com toda dedicação até que terminasse a sopa e, momentos depois, o convenceu a se deitar.
"Pronto, Caio, agora você precisa descansar bem."
Ela ajeitou o cobertor para ele como se estivesse cuidando de uma criança e deu um sorriso gentil de perto.
"Vou comprar algumas frutas para você e volto logo."
Caio baixou o olhar, notando as olheiras profundas sob os olhos dela, e sentiu o coração apertar.
"Não precisa, é melhor você voltar para..."
Antes que terminasse a frase.
Selo.
Um toque macio e úmido atingiu sua bochecha, como o roçar de uma pena.
Ele paralisou.
"Precisa sim. Eu não disse? Cuidar do parceiro é algo que se deve fazer em um namoro."
Ela olhou para ele com as bochechas coradas e, logo em seguida, baixou a cabeça, sem coragem de encará-lo, saindo apressada do quarto.
O quarto mergulhou em quietude.
"Em um namoro..."
Caio repetiu as palavras para si mesmo, os cantos dos lábios curvando-se inevitavelmente em um sorriso, antes de fechar os olhos, exausto.
"Quem é ela?"
No corredor do hospital, um homem de meia-idade observava a bela jovem que saía do quarto.
O velho mordomo aproximou-se para explicar: "Senhor, ela é a atual namorada do jovem mestre."
"Namorada?"
O homem, cujos olhos velhos não escondiam a autoridade e a perspicácia, estreitou o olhar seguindo a garota até que ela desaparecesse de vista.
"Entendo..." seu tom era impossível de decifrar.
"Vamos, vamos ver o Caio."
Ele tossiu com dificuldade e, apoiado no mordomo e nos seguranças, caminhou com sua bengala em direção ao quarto.
A porta recém-fechada abriu-se novamente. Caio, achando que Thalita esquecera algo, abriu os olhos e virou o rosto: "O que..."
Ao ver o grupo liderado pelo homem mais velho, sua expressão antes gentil travou, tornando-se instantaneamente gélida.
O supermercado próximo ao hospital estava lotado. Thalita comprou as maçãs e ficou um bom tempo na fila do caixa.
Quando finalmente conseguiu sair, foi barrada a apenas cinquenta metros da saída.
Ela encarou a mulher à sua frente.
Ela parecia estar sempre vestida de forma chamativa e provocante.
Exuberante, beirando o vulgar.
Coberta de marcas de luxo, parecia nobre, mas exalava aquela ostentação de novo-rico.
Independente de sua origem, pelo jeito arrogante, era óbvio que sempre tivera uma vida material farta.
Thalita a olhou sem expressão: "Deseja algo?"
A mulher detestava aquele rosto de "pureza inocente" de Thalita.
Apesar do ódio, ela não perdeu a compostura e exibiu um sorriso elegante.
"Querida, gostaria de conversar um pouco com você. Podemos tomar um café?"
Thalita sabia que ela não vinha com boas intenções.
Sua vontade era recusar.
Mas entendia que, se recusasse agora, ela daria um jeito de aparecer novamente.
Thalita era gentil, mas longe de ser covarde.
Se ela queria confusão, Thalita não recuaria.
"Tudo bem," aceitou.
Dez minutos depois, em uma cafeteria sofisticada.
"Aqui está, senhoritas. Aproveitem."
A mulher ergueu a xícara com elegância e deu um gole, notando que Thalita permanecia imóvel.
"Não vai beber?"
Thalita balançou a cabeça: "Não gosto de café."
Para ser exata, ela não gostava de nada amargo.
"Ah, claro. Afinal, garotas com essa aparência doce costumam preferir bebidas baratas e artificiais como chá de bolhas."
Suas palavras eram diretas, assim como o olhar que percorreu Thalita da cabeça aos pés.
Era um olhar de superioridade e desprezo, como se uma rainha estivesse analisando uma plebeia.
Thalita sustentou o olhar com calma e perguntou: "Ouvi você dizer ao Caio que vem de uma família tradicional e prestigiada, correto?"
A mulher, achando que ela estava intimidada, respondeu com orgulho: "Com certeza. Minha família tem séculos de história na cidade, creio que não preciso dar detalhes."
"É mesmo?"
Thalita soltou uma risada curta e disparou: "Então, pelo visto, as 'damas de família' não são grande coisa."
O sorriso elegante da mulher desvaneceu-se.
"O quê? Esse tom amargo... por acaso você está..."
Ela a encarou com um sorriso forçado e disse pausadamente: "Com inveja de mim?"
"Inveja?"
Thalita fez uma expressão confusa: "Inveja da sua falta de educação?"
Ela sorriu com um ar inocente: "Ou inveja do jeito que você perde a postura e revira os olhos para os outros?"
"Sua...!" A mulher gritou, quase perdendo o controle e jogando o café no rosto dela.
"Estou ouvindo." Thalita permanecia tranquila, sentada de forma composta e digna.
As pessoas ao redor começaram a olhar com estranhamento para a mulher.
Ela percebeu que fora provocada a ponto de perder a classe.
Tomada pelo aborrecimento, ela baixou o tom de voz.
"Thalita, sua vantagem não vai durar muito."
"Alguém como o Caio jamais ficaria com você de verdade. Seu status e sua posição não estão à altura dele."
"Se tiver um pingo de bom senso, afaste-se dele antes que saia machucada. Não diga que não avisei."
Dito isso, ela pegou a bolsa com fúria e saiu batendo o pé.
Thalita tentou chamá-la, mas ela foi rápida demais.
Thalita: "..."
Que loucura... ela podia ao menos ter pago o próprio café antes de ir embora!