32. O Som do Coração Batendo
Terceiro dia de internação de Caio.
Sentindo um toque macio e quente na mão, ele abriu os olhos lentamente.
Sua visão percorreu o teto branco e frio antes de pousar na garota ao seu lado.
Ela segurava uma toalha úmida e morna, limpando com cuidado a mão dele que não estava ferida.
"Thalita."
Ele a chamou, mas sua voz estava terrivelmente rouca.
No instante em que ouviu a voz dele, o corpo dela paralisou por um segundo antes de ela olhar para ele com incredulidade.
"Caio, você acordou?"
Seus olhos se arregalaram de alegria.
"Como se sente?"
"Sua cabeça dói muito?"
Embora perguntasse, ela sabia que ele estava sentindo muita dor; a cabeça parecia prestes a explodir e o braço latejava intensamente.
"Vou chamar o médico, espera um pouco."
Ela ia se levantar, mas ele a segurou pela mão.
"Espera."
Por causa da conexão, a cabeça de Thalita já doía; com o puxão dele, sentiu uma náusea súbita.
Seus passos vacilaram e ela acabou caindo sentada no chão.
Caio: "..."
"Desculpe."
Ele franziu a testa e tentou se levantar: "Você se machucou? Eu..."
"Não se mexa!"
Thalita imediatamente segurou a cabeça e o braço, fazendo um escândalo.
Caio ficou atônito com a reação e, em seguida, seu olhar ficou sombrio.
"Ele te bateu naquele dia?"
"Não."
Thalita balançou a cabeça fracamente e inventou: "É que eu fiquei tão preocupada que não descansei direito."
Lágrimas de dor inundaram seus olhos: "Seu ferimento é grave, não se mexa por nada. Espera, vou chamar o médico."
Ela levantou-se trôpega e saiu do quarto.
Caio observou-a partir; seus lábios formaram uma linha fria, mas no fundo de seus olhos, algo se suavizou como as águas da primavera.
Ela parecia realmente preocupada e triste.
Parecia que, ao vê-lo ferido, ela sentia mais dor do que ele próprio.
Aquele peso da palavra "gostar" estava se manifestando aos poucos, puro e ardente.
Se ele a rejeitasse no futuro, não sabia o quão arrasada ela ficaria.
Sendo assim, ele certamente não poderia decepcioná-la.
O médico logo chegou para examiná-lo.
"Ouviu? O médico disse que você teve uma concussão e uma fratura no antebraço. Precisa de repouso absoluto."
Após a saída do médico, Thalita sentou-se novamente ao lado da cama e segurou gentilmente a mão esquerda dele, que estava ilesa.
"Então, comporte-se e descanse bem nestes dias. Não faça movimentos bruscos."
Ela o olhava com sinceridade e carinho, apertando levemente a mão dele com suas mãos macias: "Eu vou cuidar muito bem de você, Caio."
"E... me desculpe," ela baixou a cabeça com culpa, "se não fosse por mim, você não estaria ferido."
"Não foi culpa sua."
Sem que ela percebesse, ele soltou a mão e afagou suavemente a cabeça dela.
Sentindo o toque terno daquela mão grande, Thalita ergueu o rosto e viu a doçura nos olhos de fênix dele.
"O erro é de quem comete o crime, não da vítima. Você não precisa pedir desculpas a ninguém."
"Além disso."
Ele a encarava com um olhar profundo e firme: "É obrigação de um homem proteger uma mulher."
Thalita ficou paralisada, olhando para ele.
"Tum-tum, tum-tum."
O som das batidas do coração, embora quase inaudível, era estranhamente ensurdecedor naquele momento.
Seu olhar percorria o rosto bem definido dele, como se estivesse finalizando uma pintura perfeita.
Quando Caio sentiu as orelhas esquentarem sob o olhar ardente dela, ela assentiu com vigor.
"Entendi."
"Caio, você é o melhor."
Seus olhos brilhavam e seu sorriso era radiante. Ela o olhava com uma ternura genuína.
Era como um pequeno sol capaz de iluminar qualquer canto frio e sombrio, trazendo cura e calor.
Incapaz de resistir, ele levou a mão ao rosto macio dela, acariciando suas covinhas com o polegar.
...
"Bom trabalho."
À beira de um lago, um homem jogava pedrinhas na água distraidamente enquanto sorria para o celular.
"É uma pena que não o deixaram inválido de vez, o cara é duro de matar."
A voz do outro lado soava confusa: "Chefe, é só uma mulher. Se o senhor a quer, por que não a toma de uma vez? Para que tanto trabalho?"
"Tomar?"
"Eu não gosto de nada forçado."
Ele sorriu, mas seu olhar tornou-se cruel.
"Eu vou fazer com que ela volte para mim por vontade própria, obediente."
Não importava se era Caio, Samuel ou a própria família dela.
Quando ela perdesse tudo, entenderia quem é o único em quem ela pode realmente confiar.
Ele deitou-se na grama e jogou mais uma pedra no lago, perguntando casualmente: "E aqueles dois loucos?"
Houve um silêncio do outro lado antes da resposta: "Mortos."
Ele parou o movimento e franziu a testa: "Mortos?"
"Sim. No dia seguinte após serem liberados sob fiança. Acidente de carro."
"Tsc!"
Após um breve silêncio, ele soltou uma risada fria.
"Muito bem, Caio. Muito bem, Samuel."
Um excluído da família e um bando de vadios... ele queria ver quanto tempo eles aguentariam diante daquela pessoa!
"Senhor, descobrimos. O jovem mestre está no Hospital Central na China."
Em uma mansão no exterior.
Um homem de meia-idade ouviu o relato do velho mordomo, pousou a xícara de chá e tossiu levemente antes de dizer: "Prepare tudo. Partiremos para a China amanhã cedo."
"Sim, senhor."
"Caio, sei que acordou. É hora do café da manhã."
Na manhã seguinte, a primeira coisa que Caio viu ao abrir os olhos foi a garota doce deitada ao lado da cama, olhando-o com expectativa.
Ao ver aqueles olhos grandes e gentis, a frase "estou sem apetite" foi engolida à força.
"Tudo bem."
Thalita ajustou a cama hospitalar para que ele ficasse semi-sentado.
Antes de pegar a comida, ela torceu uma toalha quente e limpou o rosto dele com delicadeza.
Caio ficou imóvel, sentindo os movimentos suaves dela percorrendo sua pele.
"Pronto."
Ela recolheu a toalha e, com um dedo macio, cutucou de leve a bochecha dele, comentando baixo: "Sua pele é ótima."
Em seguida, serviu uma sopa de peixe com tofu que ainda estava morna.
Instantaneamente, o aroma rico preencheu o quarto frio.
"Caio, esta sopa ajuda na cicatrização. Prove logo."
Ela levou uma colher à boca dele, esperando ansiosamente.
Ele a observou em silêncio e aceitou a sopa.
O sabor fresco e delicioso espalhou-se por seu paladar.
Ele arqueou a sobrancelha.
"E então, está gostosa?"
Ela o olhava com olhos brilhantes, buscando aprovação: "Eu mesma fiz!"
Caio surpreso: "Você fez?"
"Uhum."
"Eu já não te disse que sou uma ótima cozinheira?"
Ela sorriu para ele: "Se você gostar, posso fazer sempre."
"Sim, está deliciosa."
Caio sorriu, de forma visivelmente satisfeita, e olhou para ela com ternura: "Obrigado, Thalita."