31. Um Talento Indescritível
"Gulu."
O tempo e o espaço pareciam ter estagnado completamente; apenas aquele pequeno som de deglutição era audível.
No momento em que caiu em si, Thalita recuou bruscamente, afastando-se dele em pânico.
"Eu... eu de repente fiquei com vontade de ir ao banheiro. Continue desenhando, eu já volto."
Dito isso, ela saiu disparada do ateliê.
O estúdio mergulhou em um silêncio repentino.
Momentos depois.
Caio ergueu a mão e tocou levemente a ponta do nariz. Na profundidade de seus olhos, habitualmente calmos como um poço antigo, surgiu um sorriso quase imperceptível.
"Ufa."
No banheiro, o som da água na pia era constante. Thalita pegou um punhado de água e jogou no rosto, soltando um suspiro profundo.
"Isso é jogo sujo", pensou ela.
Involuntariamente, uma frase que Camila dissera uma vez brotou em sua mente:
Caio tem um rosto que parece ser muito prazeroso.
Pensando nisso agora, eram palavras de pura sabedoria.
Mesmo sendo apenas um gesto descuidado, ele possuía um poder de controle absoluto, capaz de instigar qualquer um ao pecado.
Era assustador imaginar o que aconteceria se ele usasse esse "talento" para agir de forma libertina.
Aquele que fosse seduzido ou marcado por ele jamais conseguiria escapar de seu domínio, certo?
Thalita sentiu um calafrio percorrer seu couro cabeludo.
Não ousava aprofundar esses pensamentos.
Felizmente, Caio era uma pessoa muito disciplinada e ética.
Portanto, mesmo tendo esse "talento", ele certamente não cometeria atos doentios ou loucos.
Além disso, quando ela finalmente se tornasse sua namorada oficial, teria a chance de domesticá-lo aos poucos.
Caio era tão educado que certamente a ouviria.
Bons hábitos de vida, saúde física e mental... tudo seria cultivado gradualmente.
Com esse pensamento, ela relaxou um pouco, sacudiu as gotas de água das mãos e preparou-se para sair.
Contudo, naquele instante.
"Tac, tac, tac."
Um som vago de passos aproximou-se, tornando-se cada vez mais nítido.
Será que Caio já terminara de desenhar e viera procurá-la?
Ela deu um passo para sair e ver.
Mas, naquele exato segundo, uma sombra negra invadiu o local e, com a rapidez de um raio, cobriu sua boca com força.
"Vrum."
O celular vibrou.
Caio largou o pincel e olhou para o morango realista no papel — que parecia outra obra comparada à anterior — e o rasgou casualmente antes de pegar o telefone para ver a mensagem.
Ao ver quem era, seus olhos suavizaram-se quase imperceptivelmente.
Thalita: 【Caio, acho que minha menstruação desceu e não consigo me mexer. Você pode trazer minha bolsa? Tem papel e absorvente dentro. Que vergonha...】
【Estou no banheiro feminino ao lado da sala A617, não erre o caminho! ❤️❤️】
Ao ler isso, Caio olhou ao redor e viu a bolsa dela embaixo do cavalete.
Sem hesitar, ele a pegou e caminhou rapidamente em direção ao banheiro indicado.
"Thalita?"
Momentos depois, ele chegou à porta do banheiro e chamou por ela.
No entanto, ninguém respondeu.
Ele elevou um pouco a voz: "Thalita, você está aí dentro?"
Assim que terminou de falar.
"Mmm..."
Um gemido abafado e familiar soou. Embora tenha sido fugaz, o tom de pavor contido nele foi captado pela sensibilidade de Caio.
Ele franziu as sobrancelhas e seu olhar escureceu instantaneamente. Sem hesitar, ele entrou e seguiu em direção às cabines.
"Thalita?"
Ele repetia o nome dela com uma voz calma, mas seus olhos de águia, frios como bisturis gelados, fixaram-se nas duas últimas cabines. Ele avançou e empurrou uma delas.
E então, a visão da garota em estado deplorável surgiu diante dele.
O cabelo dela estava todo bagunçado, o corpo amarrado ao vaso sanitário sem poder se mexer, e a boca selada por fita adesiva.
Ela o encarava fixamente, com as sobrancelhas franzidas em agonia e pavor, balançando a cabeça freneticamente para ele.
Ele estreitou os olhos, entendendo o recado quase instantaneamente.
Porém, no segundo seguinte.
"BUM!"
A porta da cabine atrás dele foi arrombada. Uma sombra negra surgiu brandindo uma barra de ferro que cortou o ar em sua direção.
"TUM!"
"PÁ!"
Ouviu-se o impacto surdo.
O ataque surpresa não teve o sucesso esperado.
Thalita viu, com os próprios olhos, o homem que tentara o ataque ser chutado violentamente por Caio em um giro veloz. A força foi tamanha que o agressor quebrou o vaso sanitário da cabine ao colidir.
Mas Caio não lhe deu tempo para respirar; ele avançou e desferiu uma sequência de chutes brutais.
Naquele momento, o jovem habitualmente elegante e nobre parecia um demônio enfurecido, sedento de sangue e violento.
Thalita ficou estática diante daquela cena sangrenta.
Mas antes que pudesse ver mais.
"PUM!"
Uma dor dilacerante atingiu a parte de trás de sua cabeça.
Ela soltou um gemido abafado e sentiu a visão escurecer. Antes de perder a consciência por completo, viu apenas outra sombra negra parada atrás de Caio.
Aquela noite abalou a universidade.
O som das sirenes de polícia ecoou por todo o campus.
Todo o Edifício de Artes foi isolado por fitas amarelas.
Samuel e outro amigo passavam por ali e, curiosos, aproximaram-se da faixa de isolamento, cutucando um aluno para perguntar:
"Ei, o que aconteceu? Por que tanta polícia?"
"E aquela ambulância que saiu agora? Alguém se machucou?"
O aluno, com expressão de medo, aproximou-se para explicar: "Ouvi dizer que houve um crime. Dois estudantes ficaram feridos, uma garota e um garoto. Tinha muito sangue."
"Ah, você deve conhecer o rapaz. É o Caio, o bonitão da faculdade, sabe?"
Ao ouvir isso, Samuel e o amigo empalideceram: "Quem? Quem você disse que é o garoto?!"
Três da manhã, Hospital Central da cidade.
O orientador, o diretor da faculdade e o reitor estavam do lado de fora do quarto, com rostos preocupados, discutindo sem parar.
Dentro do quarto, os amigos vigiavam Thalita e Caio, que ainda estavam inconscientes.
"Já descobrimos. O agressor é um andarilho com transtornos mentais que circulava pelo campus há um tempo. Ele agia normalmente e todos achavam que era estudante, até que hoje, por algum motivo, ele surtou."
Um assistente informava Samuel seriamente: "O problema é que o transtorno dele não é intermitente. Senhor, temo que será difícil aplicar uma pena severa."
"Transtorno mental..."
Samuel repetiu as palavras e deu um sorriso frio, desprovido de qualquer calor.
"Que coincidência conveniente, não?"
"E mesmo que seja louco, e daí?"
Ele olhou para Thalita, pálida na cama, e para Caio, com a cabeça e a mão enfaixadas. Sua expressão, antes descontraída, agora transbordava uma frieza implacável.
"Se eu disser que ele vai pagar, ele vai pagar com a vida."
"Vocês dois fiquem aqui vigiando."
Dito isso, ele saiu do quarto.
O assistente olhou para Caio e acenou para os outros dois: "Cuidem bem do chefe, obrigado."
E seguiu logo atrás de Samuel.
A noite avançava.
Os que ficaram no quarto acabaram pegando no sono.
Thalita acordou lentamente da dor intensa. Ao virar o rosto, viu a face pálida e bela de Caio na cama ao lado.
Além da dor na cabeça, seu braço doía absurdamente.
Mas aquelas dores, para ele, eram um desastre injusto.
Thalita não conseguiu se conter e seus olhos ficaram marejados.
Doía tanto... ela nem queria imaginar o quão graves seriam os ferimentos se estivessem apenas no corpo dele.