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《O Destino em sua Pele》Capítulo 26

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26. Água Fervendo no Sapo

No caminho de volta da sala de aula, o silêncio foi absoluto.

Thalita o seguia em silêncio, observando o lóbulo da orelha dele tingido de carmesim, e não pôde evitar resmungar internamente.

Ele mesmo quem perguntou, mas quando ela respondeu, ele ficou com vergonha e agora nem sequer deixava que ela segurasse sua mão.

Mesquinho.

Ela estava absorta em suas críticas mentais, de cabeça baixa, e não percebeu que Caio, que caminhava à sua frente, parou subitamente e se virou.

E então...

“PUM!”

Ouviu-se um baque abafado. Thalita foi pega de surpresa e sentiu o mundo escurecer por um instante com o impacto.

Ela soltou uma exclamação e cambaleou para trás, perdendo o equilíbrio.

Contudo, a queda esperada não aconteceu.

Caio estendeu a mão, segurando firmemente o pulso dela e puxando-a de volta.

“No que está pensando?”

A voz baixa e magnética vibrou do peito dele, como a pele de um tambor carregada de eletricidade, fazendo o coração dela estremecer.

Perto demais, pensou Thalita.

Bastaria ela erguer um pouco a cabeça para conseguir beijar o pomo de Adão dele.

Suas bochechas esquentaram levemente e ela recuou meio passo.

“Nada... não estou pensando em nada.”

Quando as pessoas estão com a consciência pesada, tendem a ficar especialmente nervosas.

Será que Caio percebeu que ela o estava chamando de mesquinho em segredo?

Ela não resistiu e levantou os olhos para espiá-lo.

Bem, ele parecia uma estátua de mármore frio; era impossível decifrar qualquer coisa.

“Tem mais alguma aula?” Ele quebrou o breve silêncio.

Thalita balançou a cabeça honestamente: “Não, mas quero ficar no ateliê para desenhar.”

“Entendo.”

Ele soltou essas palavras em tom neutro e sem oscilações: “Então eu vou indo.”

“Espera!”

No instante em que o carro estava prestes a dar a partida, Thalita não se conteve, aproximou-se e segurou levemente a borda da janela, olhando para ele com hesitação.

Caio relaxou a mão que estava no volante e olhou de lado: “O que foi?”

“Eu...” Thalita murmurou com a voz doce e baixa, mordendo o lábio inferior de nervosismo.

Camila havia dito que, quando a conquista atinge um estágio avançado, continuar com a estratégia de "cozinhar o sapo em água morna" não funciona mais.

Do contrário, é fácil o sapo acabar pulando fora da panela.

Por isso, nesse momento, é preciso usar água fervendo para cozinhar o alvo completamente, antes que ele tenha tempo de reagir.

Talvez fosse a hora de tentar.

“Ugh...”

Enquanto divagava, suas bochechas foram subitamente apertadas por uma mão grande de dedos longos.

Seus lábios foram forçados a se projetar como os de um peixinho dourado. Ela olhou insatisfeita para o culpado: “Caio, por que está me apertando?”

Caio fixou o olhar no lábio inferior dela, que estava quase sendo ferido pelos dentes, e finalmente soltou: “Nada. Tinha uma sujeira no seu rosto, só estava limpando para você.”

Thalita não pensou muito a respeito: “Ah.”

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O nervosismo em seu coração acabou se dissipando um pouco com esse episódio.

“Caio, você poderia fechar os olhos por um momento, por favor?” ela disse, reunindo coragem.

“Fechar os olhos para quê?” O olhar negro de Caio a questionou.

Thalita fingiu estar calma e inventou uma desculpa: “Vou fazer um truque de mágica.”

Caio a observou em silêncio por dois segundos e, por fim, não disse nada, fechando os olhos para lhe dar corda.

No segundo seguinte...

“SMACK!”

Um som úmido e estalado ecoou repentinamente.

Uma sensação macia e úmida pressionou a bochecha dele logo em seguida.

A expressão de Caio congelou, e ele abriu os olhos com um olhar de total incredulidade.

O rosto de Thalita já estava vermelho como uma cereja madura. Como uma gatinha que tivesse acabado de roubar um petisco, ela o encarava com timidez e receio.

Caio olhou para ela e subitamente estreitou os olhos. Sua voz, habitualmente clara, ganhou um tom levemente rouco: “Você...”

A entonação levemente ascendente trazia uma pressão inexplicável.

Ele estava bravo?

Thalita sentiu o coração falhar. Sem pensar, ela assumiu uma postura decidida e brava.

“O que foi? Você mesmo concordou em tentar comigo.”

“Beijar é algo que casais fazem com frequência. Você é meu parceiro de simulação agora, o que tem de errado em um beijo?”

Ela resmungou: “Afinal, não é a primeira vez que eu te beijo, não é mesmo...”

Caio: “...”

Ele acabou rindo de indignação.

Era a primeira vez que via alguém beijar outra pessoa à força e ainda ser tão audaciosa na argumentação.

Geralmente tão obediente e doce, mas suas ações eram sempre inesperadamente ferozes e ousadas.

“Thalita, você deveria mudar de nome”, ele disse subitamente.

Thalita piscou os olhos: “Hã?”

Caio desdenhou: “Poderia se chamar 'Thalita, a Brava'.”

Thalita: “...”

Tudo bem, ele estava mesmo bravo, já que estava sugerindo nomes tão feios para ela.

“De jeito nenhum.”

Ela soltou um murmúrio de insatisfação, sem coragem de encará-lo novamente por medo de que ele continuasse a inventar nomes piores, e saiu correndo como um raio.

“Ufa...”

Só depois de um bom tempo Thalita finalmente parou de correr e respirou fundo.

Foi emocionante demais!

Ela cobriu as bochechas ardentes, com os olhos brilhando.

Água fervendo no sapo... ela se perguntava qual seria o efeito.

Ela também não queria ser tão impudente.

Mas se dependesse daquele iceberg frio tomar a iniciativa, sabe-se lá quando ele finalmente acordaria para a vida.

Enquanto recuperava o fôlego curvada, algumas sombras densas se projetaram à sua frente.

Thalita voltou a si subitamente e olhou para cima. Em seguida, viu cerca de dez sujeitos estranhos, cobertos de faixas como se fossem múmias.

“Quem são vocês?”

Os homens não disseram nada. Apenas trocaram olhares, enfiaram um objeto nas mãos dela, ajoelharam-se no chão, fizeram três reverências profundas e saíram disparados.

A velocidade era tanta que parecia haver alguém perseguindo-os com uma faca.

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Thalita ficou estática.

“O que está acontecendo?”

“Não sei, será que estão ensaiando para alguma peça?”

As pessoas que passavam comentavam com curiosidade.

Thalita despertou do transe ao ouvir os comentários e baixou o olhar para o objeto que lhe fora entregue à força.

Seus olhos brilharam levemente.

Era a bolsa dela.

Ao abri-la, viu que o tablet ainda estava lá dentro.

Ela verificou rapidamente e descobriu que o aparelho ainda funcionava e que nenhum dado havia sido perdido.

A essa altura, ela já tinha uma ideia de quem eram aquelas pessoas.

Recordando-se do que acontecera na noite anterior, hesitou um pouco, mas acabou abrindo a conversa com Caio no WeChat.

Thalita: 【Caio, foi você quem mandou eles virem me pedir desculpas?】

Após enviar a mensagem, apareceu "digitando..." no lado dele após alguns instantes.

Caio: 【Recuperou suas coisas?】

Tinha sido ele mesmo.

Thalita mordeu levemente o lábio, e um sorriso sutil surgiu em seus olhos.

【Recuperei. Obrigada, Caio. Você é uma pessoa muito boa.】

Caio não respondeu mais.

Thalita ficou olhando para a tela do celular, perdida em pensamentos.

Contando com essa, já era a terceira vez que Caio a ajudava.

Ela baixou os olhos, pensativa.

“Thalita, você está desenhando há horas, não vai comer?”

Ao entardecer, com o pôr do sol.

As pessoas no ateliê recolhiam suas ferramentas e saíam uma a uma, até sobrarem apenas Thalita e Marina.

Marina também estava de saída, mas ao ver Thalita ainda concentrada no desenho, resolveu se despedir.

“Ainda não estou com fome, pretendo terminar antes de ir”, Thalita respondeu sem desviar os olhos da tela.

“Tudo bem, então eu vou indo. Tchau!”

Thalita continuou focada no cavalete: “Certo, tchau tchau!”

“Tchau.” Marina se virou e puxou a porta do ateliê ao sair, isolando o som vindo de fora.

O lugar mergulhou em silêncio.

Thalita entregou-se totalmente à pintura, perdendo a noção do tempo até que a noite caiu e as luzes da cidade se acenderam.

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