Dele
Com isso em mente, ela continuou a mostrar serviço e colocou o copo grande de leite de soja, já com o canudo, bem diante dos olhos dele.
Ele: ???
Ela fez uma expressão inocente: "É demais, não consigo terminar. Você me ajuda com a metade primeiro, pode ser?"
Ele: "..."
"Você é um gatinho por acaso?" Ele soltou uma risada leve, mas parecia ser de indignação.
Ela não acompanhou o raciocínio dele: "Hã?"
Ao ver aquele ar bobo e inocente dela, as palavras que ele ia dizer ficaram presas na garganta.
Esquece, provavelmente o apetite de um gato seria maior que o dela.
"Nada."
"O que você não conseguir terminar, me dê depois."
Dito isso, ele começou a mexer na lista de chamada, preparando-se para a verificação.
"Ah." Ela percebeu que ele havia aceitado.
Ficou feliz em silêncio, mas não tocou no leite de soja; afinal, aquilo fora preparado para ele desde o início.
Aquela interação deixou quem estava observando de queixo caído.
Droga, aquele era mesmo o monitor implacável da turma deles, o "grande demônio" e o galã frio da faculdade?
Será que ele tinha sido possuído por outra alma?
"Eu não aguento mais!" Um dos colegas esfregou os braços de forma exagerada.
"Nem eu!" O outro se contorcia como uma minhoca ao lado, lamentando-se: "Droga, esse cheiro azedo de romance... quando é que eu vou poder experimentar isso pessoalmente?!"
Na era da internet, tudo pode ser lento, menos a fofoca.
Em menos de dez minutos, a notícia de que o galã da universidade tinha uma namorada se espalhou pelo fórum da faculdade, pelo mural de confissões e por todos os grupos de conversa.
No entanto, ela não sabia de nada disso.
Depois que ele terminou a chamada, o professor de Cálculo chegou e a aula começou. Os alunos barulhentos logo ficaram em silêncio.
E ela, que havia comido o bolinho de batata-doce, começou a sentir sono.
Como não o ajudara a dormir na noite anterior, ele tivera insônia até tarde.
Agora, ele parecia disposto, mas a enxaqueca dele era algo que ela não suportava sentir. Ela se deitou sobre a mesa, tentando usar o sono para anestesiar a dor latejante em sua cabeça.
"Vou escolher um aluno para responder a esta pergunta!", disse subitamente o velho professor no meio da aula.
Ao ouvir isso, todos os alunos ficaram tensos.
"Cacete, lá vem ele de novo!" O colega ao lado começou a rezar baixinho: "Não me escolhe, não me escolhe, meus pontos de participação já estão no limite!"
Mal ele terminou de falar, o professor abriu a boca: "A aluna à direita do monitor, levante-se e responda."
A sala ficou em um silêncio absoluto.
A expressão dele travou por um instante.
Sentindo aquele silêncio incomum, ela abriu os olhos por puro reflexo. No momento em que ergueu o rosto, encontrou o olhar severo do professor.
"Aluna, responda a esta pergunta", repetiu o professor.
O sono dela sumiu instantaneamente. Ela apontou para si mesma, incrédula: "Eu?"
O professor já mostrava sinais de descontentamento: "Quem mais seria?"
Ela sentiu um aperto no peito e ia se levantar, mas ele subitamente se pós de pé e respondeu à pergunta com total fluidez no lugar dela.
"Bem, muito bom. Pode se sentar."
Ao ouvir isso, ela respirou aliviada e ia agradecer ao rapaz, mas o professor falou novamente: "Agora, a aluna, levante-se para responder à próxima pergunta."
Ela: "..."
Os colegas ao lado lançaram olhares de piedade, enquanto outros alunos tentavam segurar o riso.
Sem saída, ela percebeu que o professor não pretendia deixá-la escapar e teve que se levantar.
Nesse momento, ele se levantou novamente: "Professor, eu respondo por..."
"Você, sente-se!" Antes que ele terminasse, o professor o interrompeu bruscamente, encarando-a com seriedade.
"Quem se atreve a dormir na minha aula é porque já entendeu tudo e não precisa mais ouvir. Então, ajude a tirar as dúvidas de todos, aluna."
O professor lançou um olhar opressor sobre ela.
Ela olhou para o problema de matemática no quadro digital e sentiu o mundo desabar.
Sendo estudante de Artes, ela nem estudava Cálculo e não sabia responder nada, ainda mais sendo péssima em matemática.
"Não fique nervosa," ele sussurrou ao lado dela. Sua voz baixa e estável era reconfortante: "Diga apenas que não sabe, não tem problema."
Ouvindo isso, ela se sentiu um pouco melhor.
"Desculpe, professor, eu não sei", ela respondeu honestamente, baixando a cabeça.
O professor franziu o cenho.
"Professor, não complique para ela. Ela é das Artes, não é da nossa turma, é apenas 'familiar'!"
Alguém soltou esse comentário no fundo da sala.
"Artes?" Ao ouvir isso, a irritação do professor desapareceu: "Com razão."
Exigir que uma estudante de Artes respondesse Cálculo era, de fato, pedir demais. Mas...
"Familiar de quem?", perguntou o professor de repente.
"Do monitor!"
"Isso, isso, professor! Nós somos testemunhas!"
Alguns alunos responderam com entusiasmo, enquanto outros faziam coro para aumentar a diversão.
"Do monitor, entendi", disse o professor em tom de surpresa.
O rosto dela já estava vermelho como uma cereja. Ela baixou a cabeça mordendo os lábios, sentindo as pontas das orelhas quase saindo fumaça de tanto calor.
Que vergonha!
Inesperadamente, no segundo seguinte, o professor comentou: "Sua namorada é muito bonita."
Ela ficou atônita e ergueu os olhos com cuidado.
O professor olhou para ele e depois voltou a olhar para ela. Sua voz estava audivelmente mais suave do que antes:
"Mas já que veio, aproveite para ouvir o que puder. Se não entender, pelo menos não durma sobre a mesa, certo?"
Ela piscou os olhos e reagiu rapidamente, balançando a cabeça como um passarinho: "O professor tem razão, eu errei."
Vendo o jeito doce e obediente dela, o professor assentiu levemente: "Pode se sentar."
Ela se sentou, com os olhos bem abertos e a coluna ereta, as mãos apoiadas sobre as pernas, comportada como uma criança do primário.
Ele a observou em silêncio. Por um momento, não conseguiu se conter; seus olhos se estreitaram e os cantos de sua boca se curvaram, incapazes de resistir à fofura daquela cena.
"Professor, eu protesto! Isso é privilégio de familiar do monitor? O senhor está sendo muito parcial!"
"É verdade! Da última vez que meu familiar veio, o senhor não foi assim! O senhor até me mandou sair junto com ela! Estou magoado..."
A sala inteira explodiu em gargalhadas.
O rosto dela estava mais do que corado. Ela olhou para ele com culpa: "Desculpa, Caio, fiz você passar vergonha."
"Não pense nisso." Ele olhou para o corpo tenso dela e suavizou a voz: "Não precisa ficar tão nervosa. Relaxe. Pode desenhar, só não durma sobre a mesa."
"Ah."
Ao ouvir isso, ela relaxou a postura e pegou suas tintas, decidida a começar a desenhar.
No entanto, quando ia pegar o bloco de desenho, uma ideia surgiu.
Ela olhou para ele, hesitou por um momento e, por fim, puxou a mão dele com cuidado.
Ele estava concentrado na aula e, ao sentir o toque, fingiu não notar, deixando que ela fizesse o que quisesse.
Momentos depois, uma sensação levemente fria e que causava cócegas começou a percorrer o dorso de sua mão.