Capítulo 21: Simulação de Romance
Thalita viu o olhar tempestuoso dele e não conseguiu evitar dar um passo para trás.
Ele estava bravo?
Mas por quê?
Será que ele não queria que ninguém soubesse que ele era gay?
Faz sentido, afinal, algumas pessoas são muito preconceituosas com isso.
Thalita teve um estalo de compreensão e seu coração foi inundado por culpa e arrependimento.
"Aquele... na verdade, eu estava brincando."
Ela disse isso tentando encobrir o erro, baixando a cabeça e sem coragem de olhar para Caio novamente.
"Heh~"
Caio soltou uma risada fria. Após pagar a conta com a vendedora, saiu da loja a passos largos.
Ao ver a cena, Thalita imediatamente o seguiu: "Caio, me espera!"
Mas ele era alto, tinha pernas longas e acelerou o passo propositalmente; em poucos instantes, já estava longe.
Thalita ficou ansiosa e começou a correr para alcançá-lo, querendo pedir desculpas.
Inesperadamente, ele parou de repente e se virou.
Como Thalita vinha correndo rápido demais...
Uma cena familiar se repetiu.
Só que, desta vez, ele não foi derrubado por ela.
Um aroma suave e elegante a envolveu, prendendo-a completamente naquele espaço.
Thalita massageou o nariz que doía pela batida, afastou-se um pouco do peito firme dele e ergueu os olhos com timidez.
Daquele ângulo, ela conseguia ver apenas o maxilar rígido e os olhos de fênix que a observavam com um desdém frio.
"Caio, me desculpa", ela disse enquanto dava passos curtos para trás, tentando sair dos braços dele.
"Eu não tive a intenção de expor sua privacidade, foi força do hábito, eu não tive má intenção, por favor não..."
Contudo, antes que terminasse, Caio segurou seus ombros e a pressionou contra o poste de luz atrás dela.
Em seguida, a mão grande e esguia que estava em seu ombro subiu levemente, segurando com delicadeza o queixo pequeno dela, forçando-a a erguer o rosto para encará-lo.
"Eu realmente estou curioso~" Os olhos negros como nanquim se estreitaram levemente, mas o sorriso não chegava aos olhos.
"Quem exatamente te disse que eu sou gay?"
Thalita olhou para ele, mordendo levemente o lábio inferior, intimidada demais pela aura opressora para conseguir falar.
Diante do silêncio, a polpa do dedo longo dele deslizou pela bochecha macia dela, aumentando levemente a pressão: "E quem te disse que eu e o Samuel temos esse tipo de relacionamento?"
Thalita sentiu uma leve dor, soltou o lábio e murmurou baixinho: "Não precisava ninguém dizer, eu vi com meus próprios olhos..."
"Ah, é?" Ele riu baixinho, e o polegar subiu mais um pouco, roçando intencionalmente ou não na borda do lábio inferior macio e úmido dela. "Então me diga, o que foi que você viu?"
Nesse momento, o homem contido e educado de sempre parecia ter desaparecido totalmente, substituído por um estado doentio e frenético.
Thalita encarou o olhar perigoso dele, com os cílios tremendo de medo.
Mas, após um instante, ela reuniu coragem e disse: "Daquela vez que vocês estavam lutando, meu irmão claramente te chamou de 'bebê'."
Caio olhou para ela com um sorriso irônico: "Chamar de 'bebê' significa ser um casal?"
"Aquele traste oleoso também chama o cachorro assim, por que você não acha que ele tem algo com o cachorro?"
Thalita: "..."
Ela fez um bico, recusando-se a aceitar a derrota: "Mas na primeira vez que fui ao seu escritório, eu vi claramente ele te beijando, sua boca estava molhada, e ainda..."
Ela ficou vermelha, sem coragem de olhar para ele, desviando o rosto enquanto murmurava: "Ainda estava ofegante~"
Dava para ver que o beijo tinha sido intenso.
"E mais", ela revirou os olhos, lembrando dos detalhes da época para complementar: "Meu irmão estava até suando de tanto beijar. Ele ficou muito bravo por eu ter atrapalhado."
Caio: "..."
Ele acabou rindo de indignação.
"Eu estava engasgado com a água, OK?" O tom de voz dele era de quem falava entre dentes.
Thalita piscou os olhos: "Hã?"
"E outra coisa, seu irmão é uma glândula sudorípara por acaso? O ar-condicionado do escritório estava no máximo, como ele ia suar tanto?"
Caio ficava mais irritado quanto mais pensava no assunto. Ele apertou as bochechas dela com as mãos: "Eu te disse para usar o cérebro, não para congelar o cérebro. Que burrice!"
Thalita: "..."
Aquelas imagens que ela tinha imaginado antes foram derrubadas por essa explicação, reconstruídas e montadas da forma como os fatos realmente deveriam ser.
Parece que... realmente... foi um mal-entendido enorme?
Ela baixou a cabeça, deprimida: "Ah, então eu te julguei mal, desculpa~"
A voz doce e suave, com o final da frase baixo e arrastado, soava como um dengo inconsciente.
Caio olhou para a cabeça redonda dela, abaixada e cheia de cabelos macios.
Inevitavelmente, ele pensou em um coelho de orelhas caídas; deu uma vontade enorme de estender a mão e acariciar com força.
Ele pensou e fez.
No momento em que as palmas se tocaram, a sede vazia e irritante que sentia por todo o corpo foi milagrosamente aliviada.
Esta era a quinta vez que testava.
Caio observou em silêncio os olhos brilhantes da garota, que se arregalaram de surpresa para ele, e sorriu lentamente.
O teste provou: ela era o seu remédio.
O único.
Sentindo o carinho na cabeça, Thalita entendeu como um gesto de consolo e seus olhos brilharam: "Caio, você me perdoou?"
Controlando a sede que percorria seu corpo como uma maré, Caio retirou a mão relutante e soltou duas palavras casuais: "Pode-se dizer que sim."
Até para perdoar alguém ele era arrogante, digno de um grande iceberg frio.
Thalita pensou consigo mesma, depois esfregou o braço que coçava de ansiedade. De repente, teve uma inspiração, erguendo os olhos para ele: "Então, Caio."
Ela se aproximou um pouco, aproveitando para tocar o braço dele e aliviar o próprio desconforto, dizendo com expectativa: "Já que você gosta de garotas, eu posso continuar a te paquerar?"
Diante dessa declaração ousada e inesperada, Caio ficou levemente atordoado por um momento.
"Dá uma chance, por favor?"
Thalita, com medo de que ele a rejeitasse de forma curta e grossa como no bar da última vez, começou a se "vender".
"Ter uma namorada como eu tem muitas vantagens."
"Eu cozinho super bem, tenho muita paciência e vou cuidar muito bem de você."
"Além disso, eu sei cantar, dançar e contar histórias. Se você estiver triste, eu garanto que te faço sorrir."
"E tem mais, tem mais..."
A boquinha dela não parava de falar.
O jeito sério como ela falava, como se estivesse em uma entrevista de emprego, era inexplicavelmente fofo.
Caio deixou que ela segurasse uma de suas mãos enquanto a outra permanecia no bolso da calça, observando-a falar em silêncio.
Do outro lado, estava a rua movimentada, com buzinas constantes e barulho ensurdecedor.
Mas, naquele momento, ouvindo o falatório de "auto-recomendação" da garota, ele sentia uma paz extraordinária no coração.
A voz dela parecia sempre ter o efeito mágico de acalmar qualquer caos.
"Então, Caio, tenta comigo!"
Thalita terminou de falar, lambeu levemente os lábios secos e disse esperançosa: "Você não precisa aceitar de imediato, mas podemos fazer uma simulação por um tempo, o que acha?"
Era a primeira vez que ele ouvia falar que namoro podia ser simulado primeiro.
Caio olhou para ela divertido: "Ah, e como se simula? Eu não sei."
"Não tem problema," Thalita viu que havia uma chance e imediatamente bateu no próprio peito, dizendo com convicção: "Eu posso te ensinar!"