Capítulo 19: Você Tem Namorado?
Helena finalmente perdeu o controle. Levantou-se bruscamente, fazendo a cadeira tombar para trás com o impacto.
"Thalita, dá para parar de se fazer de coitadinha? Nem todo mundo gosta desse seu jeito 'falsinha', entendeu?"
Thalita, segurando o joelho ferido, ficou paralisada diante da agressividade dela, sem saber como reagir.
Helena riu com escárnio: "Você sabe muito bem que eu gosto do Caio, mas disse na minha frente que ia atrás dele. Já parou para pensar em como eu me sinto?"
Os olhos de Thalita se arregalaram: "Você gosta do..."
Helena a interrompeu novamente, com a voz embargada: "Eu sei que não sou bonita como você, por isso nem tentei competir. Eu te considerava uma amiga, mas e você?"
Ela continuou com mágoa e ressentimento: "Você teve a audácia de usar seus contatos para colocar a Sophia e a Camila na empresa do seu irmão, mas me deixou de fora!"
"Você nunca me viu como amiga. Você me despreza porque minha família não tem dinheiro e porque eu não sou bonita, não é?"
Thalita franziu a testa, sentindo-se injustiçada, mas tentou explicar: "Não é nada disso, Helena, eu não..."
"Cala a boca! Eu não quero ouvir suas desculpas!" Helena terminou sua acusação aos gritos e saiu batendo a porta.
O quarto ficou em silêncio, restando apenas Thalita.
A dor no joelho parecia ter sumido, mas o aperto no coração era evidente.
"A comida já chegou toda. Ela disse que ia só buscar um tablet, por que a Thalita está demorando tanto?" perguntou Sophia no restaurante.
"Vou ligar para ela", disse Camila pegando o celular.
Porém, no mesmo instante, chegou uma mensagem.
Thalita: 【Meninas, podem comer sem mim. Surgiu um imprevisto, volto para o alojamento da empresa mais tarde.】
"O que será que houve de tão urgente?..." Camila comentou, mas não deu muita importância. "A Thalita disse que não vem, vamos comer nós duas."
"Poxa, a Helena também não quis vir. Comer assim nem tem graça."
...
À noite, as luzes da cidade brilhavam intensamente.
O Parque da Avenida das Águas estava estranhamente movimentado. Na grande praça, senhoras dançavam, crianças brincavam de skate e casais caminhavam de mãos dadas.
A multidão fervilhava, mas toda aquela alegria parecia não atingir Thalita, sentada sozinha em um banco público.
Ela segurava o tablet, ora perdida em pensamentos, ora desenhando com melancolia. Ficou ali sentada desde o entardecer até o cair da noite.
"Ei, gatinha, por que essa carinha triste?"
Sob a luz dos postes, alguns jovens com cabelos tingidos de cores estranhas pararam suas motos na frente dela e assobiaram.
Thalita ergueu o olhar, viu as intenções maliciosas naqueles rostos e, franzindo a testa, guardou o tablet para sair dali.
Mas antes que caminhasse alguns metros, os rapazes aceleraram as motos e bloquearam seu caminho.
"Nossa, que frieza, linda!"
Um rapaz de cabelo azul sorriu, desceu da moto e se aproximou. "Não tenha medo, a gente não morde. Só te achamos bonita e queremos ser seus amigos."
"Vi que você está sentada aí sozinha faz tempo. Com certeza não tem namorado, né?"
Ele estendeu a mão para tocar o ombro de Thalita. "O que acha de mim? Que tal a gente tentar..."
ESTALO!
O som do tapa ecoou.
Thalita afastou a mão dele com nojo, recuou um passo e disse friamente: "Se continuarem a me perturbar, eu chamo a polícia!"
Contudo, sua voz doce e delicada não tinha nenhum poder de intimidação; pelo contrário, só atiçou a vontade do rapaz de provocá-la.
"Tá bom, tá bom, eu vou embora. Já estamos indo."
O rapaz de azul levantou as mãos, montou na moto e acelerou.
Thalita soltou um suspiro de alívio, ainda com o coração acelerado, e se preparou para voltar.
Mas, segundos depois...
VRUUUM!
O ronco alto do motor voltou repentinamente. Antes que ela percebesse, a moto passou raspando por ela e o rapaz arrancou a bolsa de seu ombro.
"Olha só, peguei!" Ele balançou a bolsa vitorioso.
Desta vez, Thalita ficou realmente furiosa. "Devolve agora!"
"Se quiser, vem buscar!"
Ele acelerou a moto lentamente, balançando a bolsa com uma das mãos.
Sem pensar, Thalita saiu correndo atrás dele.
"Ih, não alcança, não alcança!"
As risadas debochadas dos rapazes ecoavam pelo parque.
Algumas pessoas ao redor ficaram indignadas, mas, intimidadas pelo número de motoqueiros, não intervieram, apenas ligaram discretamente para a polícia.
Gotas escorriam pelo queixo dela — não se sabia se era suor ou lágrimas.
Thalita, apoiando-se no joelho que latejava de dor, olhou com ódio para o rapaz de azul que finalmente parou a moto.
"De... volve!" ela disse, ofegante.
"Aceita ser minha namorada e eu devolvo, que tal?" Ele sorriu com sarcasmo.
"Nunca." A recusa de Thalita foi imediata.
"Então não temos mais nada a conversar." Ele riu friamente e, com força, arremessou a bolsa no meio do lago do parque.
"Se quiser, vai buscar na água!"
Ele achou que ela hesitaria, mas, no momento seguinte, ouviu um grande
TCHIBUM
.
Thalita pulou a grade e mergulhou na água.
O rosto do rapaz empalideceu na hora.
"Meu Deus, ela pulou mesmo?"
"O lago é fundo, será que ela está bem?"
As pessoas começaram a se aglomerar e a gritar. Percebendo que a situação ficara séria, os motoqueiros fugiram do local imediatamente.
"Ela não subiu ainda! Alguém sabe nadar? Salvem a garota!"
Thalita não ouvia os gritos. O lugar onde o rapaz jogara a bolsa era uma área não tão profunda; se procurasse bem, acharia.
Ela abriu os olhos sob a água, prendendo a respiração.
Para sua sorte, conseguiu avistar a bolsa. Nadou com determinação em direção a ela.
No entanto, naquele exato momento, ouviu um estrondo na superfície da água.
Thalita não olhou, focada na bolsa. Mas quando estava a centímetros de alcançá-la, sentiu braços fortes envolverem sua cintura com firmeza, puxando-a para cima.
Ela viu a bolsa se afastar enquanto era arrastada para a superfície.
Thalita ficou desesperada. Quem era o sem noção que estava atrapalhando?
No susto, ela perdeu o fôlego, engoliu água e começou a tossir, sentindo a vista escurecer por um instante.
"Cof, cof, cof..."
Quando o ar fresco finalmente entrou em seus pulmões, ela abriu os olhos.
Assim que sua visão clareou, deparou-se com um rosto familiar e bonito.