Capítulo 13: Desculpe, Incomodei
"Por que está tão desanimada? Não descansou bem ontem à noite?"
À tarde, toda a cidade estava quente como um forno gigante.
Thalita estava sentada em uma cabine do restaurante Gourmet, tão exausta que mal conseguia segurar os palitinhos.
Ao ouvir as palavras de Samuel, ela fez um esforço para se animar um pouco.
"Irmão, o estúdio de vocês está muito ocupado ultimamente?"
Samuel serviu-lhe um copo de suco de laranja para despertá-la, confuso: "Normal. Por que a pergunta repentina?"
Por que a pergunta repentina?
Thalita massageou as têmporas com desconforto.
Era porque Caio passava quase todas as noites acordado ultimamente, o que a deixava com falta de sono, uma dor de cabeça terrível e fadiga mental.
Ela não sabia no que ele estava trabalhando tanto.
Mas, por mais ocupado que estivesse, não fazia sentido virar noites todos os dias; como o corpo dele (e o dela) aguentaria a longo prazo? E se ele tivesse um colapso?
Se Samuel e Caio tivessem mesmo aquele tipo de relacionamento...
Thalita olhou para Samuel com desaprovação e murmurou baixinho: "Irmão, você não sabe cuidar das pessoas."
Samuel não ouviu direito: "O quê?"
"Nada."
Ficar esperando não era a solução; Thalita decidiu que precisava tomar a iniciativa.
Afinal, se Caio era realmente seu "cunhado", então seriam todos uma família. Não era perfeitamente razoável ela se preocupar com o bem-estar dele?
"Irmão, você não deve estar ocupado hoje, certo? Posso ir conhecer sua empresa?"
Meia hora depois, na Avenida Central.
Thalita ergueu os olhos, boba, observando o prédio comercial que não era nada pequeno.
No topo, o logotipo "Galáxia" brilhava imponente, emanando uma aura de autoridade.
Thalita sentiu que tinha sido feita de boba.
"Irmão, você não disse que tinha aberto uma empresa pequena?"
"E é uma empresa pequena", Samuel disse preguiçosamente. "A Galáxia está apenas começando, não precisamos de uma sede muito luxuosa por enquanto."
"Mas quando a empresa crescer, vamos escolher um lugar melhor para mudar."
Essa estrutura não era boa?
Embora a Avenida Central ficasse um pouco afastada do centro da cidade, o ambiente ao redor era excelente e o transporte fácil.
Sem falar que aquele prédio inteiro, com a reforma e tudo mais, devia valer dezenas de milhões, se não centenas.
Mesmo que alugassem apenas alguns andares, não seria barato.
Thalita tinha uma expressão complexa.
Samuel era um gênio da computação e ganhava dinheiro com seu talento desde pequeno, então ele não passava necessidade, mas não deveria ser
tão
rico.
Contudo, diziam que Caio também era um mestre da computação e que sua família tinha posses.
Como a empresa era uma sociedade entre os dois, então...
Será que seu irmão estava sendo sustentado?
"Pirralha, no que você está pensando de novo?"
Samuel viu a expressão de Thalita mudar como se estivesse em uma peça de teatro e perguntou com um olhar perigoso.
"Nada, nada!" Thalita estava com a consciência pesada.
"Tsc", Samuel, em tom de vingança, colocou a mão no topo da cabeça dela, bagunçando seus fios macios. "Sua pirralha, da próxima vez que mentir, lembre-se de esconder a cara primeiro."
Dito isso, ele segurou o pulso dela e a conduziu para dentro da empresa.
"Bom dia, chefe!"
"Ah, chefe, quem é esta..."
Vários andares do prédio ainda estavam vazios, e foi apenas no décimo terceiro andar que o movimento aumentou.
Claro, não havia tanta gente assim.
Ao verem Thalita seguindo Samuel, muitos funcionários mostraram surpresa e olhares significativos.
"Esta é minha irmã, Thalita. Leve-a para conhecer a empresa", Samuel disse para Letícia, do RH, e depois voltou-se para Thalita.
"Tenho um assunto para resolver com o Caio. Divirta-se por enquanto e, se tiver dúvidas, pode perguntar para a Letícia, ok?"
Não seria normal um grande chefe não estar ocupado.
Thalita assentiu obedientemente: "Está bem."
Samuel sorriu, afagou a cabeça dela e saiu.
Após a saída do chefe, Letícia sorriu para Thalita: "Senhorita Thalita, está com sede? Quer beber alguma..."
Ela olhou para o rosto delicado e fofo de Thalita, hesitou por dois segundos e continuou com um sorriso gentil: "Quer um pouco de leite?"
Thalita: "..."
Por que ela sentia que estava sendo tratada como uma criança? Ela já tinha dezenove anos!
Thalita balançou a cabeça e sorriu educadamente: "Obrigada, Letícia, não estou com sede. E pode me chamar de Thalita."
A aparência era doce, a voz era doce e ela era super educada. Letícia sentiu que seu coração ia derreter!
Quem diria que o chefe Samuel tinha uma irmã assim?
Era o oposto total da personalidade dele, que parecia querer explodir a cabeça de alguém quando perdia a paciência!
"Ah, imagina! Naquela área ali tem muitos lanches. Quer comer alguma coisa? Posso te levar para passear enquanto comemos~"
...
"O quê?
Nova Era Espacial
foi feito pela empresa de vocês?"
Uma hora depois, Thalita já tinha uma noção geral da Galáxia.
Mas o que mais a surpreendeu foi descobrir que aquele jogo famoso era obra deles.
Aquele jogo tinha surgido há dois anos e quebrado recordes de downloads para jogos individuais, sendo aclamado pelos jogadores até hoje.
"Haha, não foi exatamente a empresa, mas conta como se fosse."
Letícia disse com admiração: "Na verdade, esse jogo foi criado inteiramente pelo nosso chefe Caio sozinho. Na época, ele estava apenas começando a faculdade e a Galáxia nem existia."
"Mas foi o sucesso estrondoso desse jogo que gerou o capital necessário para fundar a Galáxia."
Ao dizer isso, além do orgulho, Letícia soltou um suspiro quase imperceptível.
Thalita, sensível, perguntou: "A empresa está passando por dificuldades?"
"Muitas", desabafou Letícia. "O sucesso do jogo foi tão brilhante que muita gente tentou contratar o Caio, mas ele quis seguir sozinho, o que acabou ofendendo muita gente influente."
"Para você ter uma ideia, a dificuldade que temos em contratar talentos ultimamente tem a ver com isso. Os métodos sujos que usam contra nós..."
Letícia se empolgou no desabafo, mas parou subitamente ao ver os olhos limpos e brilhantes de Thalita.
"Enfim, são apenas táticas desonestas."
Ela sorriu gentilmente para a garota: "Você é muito jovem, é melhor não ouvir essas coisas."
Thalita: "..."
Ela resmungou: "Eu já sou adulta."
Claro, mesmo que Letícia não continuasse, Thalita sabia que deviam ser métodos terríveis.
Afinal, a competição comercial às vezes era uma guerra sem fumaça, extremamente cruel.
Não era à toa que Caio estava sofrendo de insônia e esquecendo de comer e dormir.
Sentindo o estômago vazio, ela presumiu que Caio não tinha almoçado de novo hoje.
Thalita pensou um pouco e decidiu que faria algo para que ele — e ela mesma — se sentissem um pouco melhor.
Assim, meia hora depois.
Thalita, carregando o almoço que comprara especialmente, bateu à porta do escritório do Diretor de Planejamento.
"Entra."
A voz de Samuel veio de dentro, soando um pouco irritada.
Thalita hesitou, mas abriu a porta.
Ela ia entrar, mas estacou imediatamente ao ver a cena diante de si.
Caio estava levemente inclinado na cadeira giratória, com as sobrancelhas franzidas, o rosto levemente corado e os lábios úmidos, com a respiração ofegante e irregular.
Por outro lado, Samuel estava com a roupa desalinhada, uma camada de "suor" no rosto e uma mancha úmida suspeita na camisa, com um olhar feroz e irritado, parecendo muito que estava...
Thalita cobriu os olhos na hora, com o rosto queimando: "D-desculpe! Incomodei!"
Dito isso, ela fugiu e bateu a porta do escritório com um estrondo.
Caio: ?
Samuel: ???