CAPÍTULO 17: Por eu ter tocado em uma peça íntima, você ficou tão...
Ela baixou os olhos e desconversou em poucas palavras: "Eu não entendo dessas coisas, só estou usando por diversar."
Aproveitou para chamar a amiga e apresentá-la: "Mas eu combinei com quem entende, a diretora da Aetheris, você a conhece."
O rapaz acenou para ela: "É um prazer."
Depois de fazer a ponte entre os dois, a amiga focou nos negócios e ela encontrou uma desculpa para se retirar.
Sentou-se em uma área de descanso um pouco mais isolada, ao lado de uma parede de vidro panorâmica.
Ela observou por um tempo o reflexo do colar de diamante rosa no vidro.
Em seguida, pegou o celular para pesquisar informações sobre o leilão daquela joia.
Rapidamente, encontrou a foto do leilão do diamante Rosa Nebula de cinco meses atrás.
Não era apenas parecido; era idêntico.
Ela sentiu uma leve inquietação.
Simbolizava o amor?
Alice enrolava distraída as franjas do sofá.
Do outro lado, as duas que estavam ironizando antes afastaram-se da multidão: "A culpa é sua, por que tinha que falar da Alice?"
"A diretora estava nos tratando tão bem, agora estragamos tudo."
"Nós não falamos nada de tão grave." Uma das moças a puxou: "Parece que tudo o que envolve a Alice traz má sorte para nós, como daquela vez na cafeteria."
"A outra disse que viria junto, mas o pai dela está atolado em processos por causa da Alice e não a deixa sair de Hong Kong."
As duas silenciaram subitamente no meio da frase.
Pareciam ter percebido as implicações ocultas e calaram a boca.
Quase ao mesmo tempo, alguém ouviu a conversa, parou a poucos passos e as cumprimentou: "Vocês estavam falando da... Alice?"
Ao reconhecerem o homem, os olhos das duas se arregalaram: "Sr. Gustavo."
Qualquer pessoa que acompanhasse o mundo do entretenimento conhecia o nome de Gustavo.
Filho de um magnata do setor, dono de um rosto capaz de dominar as telas, ele era o mais jovem e bem-sucedido produtor dos bastidores.
Elas apressaram-se em cumprimentá-lo.
Gustavo apenas acenou: "Vocês também são amigas da Alice?"
Os lábios delas tremeram de forma rígida, restando apenas um sorriso sem graça: "Não exatamente, mas respeitamos muito a senhorita Alice."
Gustavo compreendeu: "Sou um antigo colega de escola dela, mas faz tempo que não nos vemos. Poderiam fazer a gentileza de me apresentarem a ela? Obrigado."
Elas apresentariam um figurão da TV?
Para a Alice?
As duas levaram um tempo para processar a informação.
Pouco depois.
Alice estava sentada tranquilamente quando, inexplicavelmente, as duas moças vieram lhe pedir desculpas.
Na verdade, ela ficou sem entender nada.
Depois de ouvir um pouco, ela se lembrou.
Aquelas duas eram as "irmãs" que haviam exposto sua origem e falado mal dela no grupo de mensagens.
Já as tinha visto na cafeteria antes.
Não sabia quem as tinha assustado, mas vieram pedir perdão e disseram que alguém queria vê-la.
Alice olhou em volta.
Talvez fosse sua amiga, ou talvez seu segundo irmão que acabara de chegar.
Mas ambos pareciam estar cercados por empresários no coquetel.
Ela não deu muita importância.
Ia desviar o olhar quando, em meio à névoa mental, viu outra silhueta.
O olhar dela fixou-se levemente.
Até que Gustavo chegou diante dela, encostando levemente sua taça na dela: "Quanto tempo."
"Quando vi seu nome na lista dos organizadores, quase achei que estava enganado."
Quando Gustavo se sentou à frente dela, Alice quis reconhecê-lo, mas não teve certeza. Perguntou hesitante: "Perdoe-me, mas você é..."
Gustavo: "..."
Ele soltou um riso leve e se apresentou: "Gustavo. Eu sou o Gustavo."
Os pensamentos dela foram puxados bruscamente.
Um nome nostálgico e ao mesmo tempo estranho surgiu em seus ouvidos.
Era ele mesmo.
Alice sentiu-se, por um instante, de volta ao ensino médio, quando sua amiga ia buscá-la.
Ela vira de longe, na multidão, aquele jovem que era o centro das atenções, mas sempre humilde e educado.
Na época, sua amiga lhe respondera: "Aquele ali? Gustavo."
"O pai dele é um figurão do cinema, foi um grande ator e agora é produtor. Ele é uma celebridade na escola."
Mais tarde, Alice o reencontrou no clube de história e cultura.
Ele era o presidente e cuidava bem dela.
Diziam que ele ocupava vários cargos, e ela o encontrava em todo lugar.
Entre idas e vindas, aquilo se tornou um sentimento ingênuo para ela.
Um começo ingênuo que terminou da mesma forma.
A voz dele soou mais clara, num tom jovial: "Seu número antigo estava desativado, nunca consegui entrar em contato."
"Os organizadores disseram que você já estava em Paris e participaria do coquetel de hoje", ele baixou um pouco o tom, "por isso eu vim."
Alice desculpou-se: "Perdoe-me, faz tanto tempo que não te via. Achei parecido, mas..."
Gustavo questionou: "Eu mudei tanto assim?"
Alice sorriu: "Um pouco."
Mas um rapaz acostumado a usar uniforme escolar e um homem acostumado a usar terno certamente passavam sensações diferentes.
Gustavo baixou os olhos: "Você também."
Ele sentia que ela mudara porque agora era uma mulher feita, não a garotinha de dezesseis anos daquela época.
Por isso, ele ainda não se sentia à vontade para olhá-la diretamente nos olhos; preferia observar a barra do vestido dela, o brilho dos sapatos de salto alto ou a sombra dela.
Alice lembrava-se que o último encontro deles fora na noite em que ela recebera o convite para a turma de prodígios da universidade.
Eles falavam de forma vaga sobre os lugares para onde queriam ir.
Gustavo perguntara: "Tem mesmo que ir para a capital?"
Alice respondera: "Além da capital, não haverá lugar melhor no mundo para eu estudar cultura e museologia."
Ela retribuíra a pergunta: "E você? Tem mesmo que ir para o exterior?"
Gustavo sorrira: "Para estudar cinema, eu definitivamente preciso ir para fora."
A conversa fora leve, exceto pelo fato de ele não ter rompido a barreira entre eles, o que deixou Alice um pouco decepcionada.
Antes de partir, ela perguntou: "Você não tem nada para me dizer?"
Gustavo olhou para ela e silenciou por muito tempo: "Você é jovem demais."
Quando Alice foi aceita na universidade, tinha dezesseis anos; Gustavo tinha dezoito.
No início, ela pensou ingenuamente que, se ele pedisse, ela poderia tentar um namoro à distância.
Mas ele não pediu, então ficou por isso mesmo.
Foi melhor não começar.
O sentimento dela por Gustavo era superficial.
Se fosse amor verdadeiro, o contato não teria se perdido aos poucos.
Acontece que o primeiro amor, aquele com quem não chegamos a ficar, é sempre especial.
Tanto que, mais tarde, Alice comparava todos os pretendentes a ele, achando que precisariam ser melhores que ele para merecê-la.
Infelizmente, nenhum chegava aos pés.
Arthur, que estava retido por empresários não muito longe dali, avistou durante uma brecha Alice conversando alegremente com outro homem.
E aquele homem ele conhecia.
Gustavo.
O que houve entre Gustavo e Alice era de conhecimento dos três irmãos.
Na época da escola, Alice sempre mencionava o "irmão Gustavo" nas conversas com eles.
Dizia até que queria apresentá-los.
Naquele tempo, eles apenas ficavam descontentes por ela ter arranjado um "novo irmão" fora de casa.
Agora era diferente.
Eles sabiam muito bem que Alice, que nunca fora muito interessada em romances, tivera sentimentos por um homem na juventude.
Embora fossem sentimentos puros.
Mas era o suficiente para gerar um senso de crise.
Por isso, quando Gustavo o encontrou por acaso há dois anos e pediu o contato de Alice, Arthur lhe deu um número falso.
Agora, parecia impossível impedir que se conectassem.
Ao final do coquetel, Arthur e Alice voltaram juntos para o hotel.
No carro, Alice folheava as postagens de Gustavo nas redes sociais.
Não havia muito o que ver, apenas trabalho.
Lançamentos de filmes ou divulgação para amigos.
Enquanto olhava, uma mensagem apareceu no topo da tela.
Era de sua amiga: 【Que pena que você estava ocupada hoje à noite.】
Alice clicou na conversa e, antes que pudesse responder, a amiga completou: 【Ou talvez não seja pena. Ouvi dizer que o Gustavo quase nunca vem a esses eventos. Ele veio hoje só porque viu seu nome na lista.】
Alice não sabia o que dizer.
A amiga continuou: 【Andei pesquisando, ele continua solteiro.】
【E ele ganhou um prêmio de ouro de produção de cinema no ano passado. Você viu o filme premiado?】
Alice hesitou: 【Que filme?】
A amiga fez mistério: 【Você saberá quando assistir.】
Dito isso, enviou um link.
Antes que Alice pudesse abri-lo, sentiu uma sombra pairar sobre si.
Inconscientemente, ela virou o celular para baixo e encarou os olhos castanhos levemente escurecidos de Arthur: "O que foi?"
"Nada", Arthur disse com desleixo.
O olhar dele desceu dos olhos dela para os lábios, depois para o pescoço fino e para o colar.
Alice viu que ele segurava um prendedor de gravata e estendia a mão para ela.
Ela tentou desviar, mas Arthur usou o prendedor para levantar o colar que pendia em sua clavícula: "Por que está fugindo?"
Sentiu o metal frio em sua pele. A voz de Arthur soava rouca devido ao álcool: "Deixe-me ver seu colar novo."
Ele estava perto demais.
Mas, de fato, estava apenas olhando para o colar.
Arthur perguntou com voz rouca: "Foi o Gustavo quem deu?"
Alice afastou a mão dele: "Não."
O diamante rosa escorregou do prendedor de volta para a linha da clavícula, balançando levemente.
Tocando a pele alva como porcelana.
"Então quem deu?"
Alice não conseguia dizer que aquele diamante fora o presente de casamento dado por Henrique.
Ela nem ousava pensar no significado profundo da joia; virou a cabeça para olhar a rua: "Soube que você chegou hoje cedo, por que não me avisou?"
Arthur percebeu que ela estava mudando de assunto. Sua voz ficou ainda mais rouca: "Jet lag."
Ele continuou perguntando: "Quando vocês voltaram a se falar?"
"Nós nos vimos apenas hoje à noite, não tínhamos contato antes." Alice contava nos dedos: "Eu já te contei tudo o que houve entre nós antes, não contei?"
Sim.
Sobre as coisas entre ela e Gustavo, era com ele que ela mais falava.
Provavelmente porque Alice sempre achou que ele era a pessoa ideal para ouvir seus dilemas de adolescente.
Por isso, não escondia nada dele.
Quando recebia pretendentes na faculdade, também pedia a opinião dele.
Alice estar solteira até hoje era, em parte, culpa dele.
Mas agora ela estava escondendo coisas: "Tem alguém te cortejando ultimamente?"
Alice negou prontamente: "Não."
Pequena mentirosa.
Arthur olhou para o Rosa Nebula: "E o que você acha do Gustavo?"
Alice comprimiu os lábios: "Ele é legal, mas faz muito tempo que não nos vemos."
"Ele parece mais maduro agora, mas sempre foi atencioso e gentil."
Arthur foi direto ao ponto: "Você gosta mais do antigo Gustavo ou do atual?"
Alice ficou desconcertada com a pergunta direta: "Você bebeu demais?"
Arthur desviou o olhar: "Talvez."
Alice o impediu de continuar perguntando: "A partir de agora, ninguém mais fala nada. Vamos para o hotel dormir cedo."
O carro logo parou no estacionamento subterrâneo do hotel.
A assistente levou Alice para o quarto primeiro. Arthur permaneceu sentado no carro por um longo tempo sem reagir.
O assistente esperou do lado de fora e, vendo que ele não descia, chamou: "Senhor?"
Arthur, imerso na penumbra silenciosa do carro, ordenou com voz rouca: "Descubra quem foi o comprador do Rosa Nebula."
"Sim, senhor."
O assistente ia saindo, mas Arthur o deteve: "E mais uma coisa..."
"Mande-me também todas as informações sobre o Gustavo nos últimos anos."
"Entendido."
Alice estava feliz naquela noite.
Entrou na suíte, tirou o vestido luxuoso e preparou-se para o banho.
No entanto, ela hesitou ao ver o colar em seu pescoço pelo espelho.
Sentia-se culpada apenas ao olhar para ele.
Tirou o colar, colocou-o no porta-joias e tentou não pensar mais nisso.
A banheira estava repleta de pétalas de rosa, com produtos de banho, frutas e água com gás ao lado.
Alice retirou a toalha e entrou na água, criando pequenas ondas.
A água cobriu suas pernas bem torneadas; conforme ela se sentava, as ondas tornavam-se mais fortes, batendo nas bordas e voltando para envolvê-la.
Sua pele alva foi novamente submersa.
Ficou encharcada e relaxada.
Cantarolando, ela se encostou e lembrou do seu gatinho em casa. Como de costume, pegou o celular para ver as câmeras.
Geralmente olhava para o gatinho durante o dia, mas hoje, por causa do coquetel, não teve tempo.
Queria saber como ele estava.
Alice tocou a tela para abrir o monitoramento.
A tela brilhou e, assim que a imagem ficou nítida, apareceu a cara do gatinho.
Ao ver a luz vermelha acesa, ele começou a patinar na câmera.
O som das patinhas raspando ecoou no vídeo.
Alice sentiu o coração derreter e disse com voz doce: "O que foi, bebê?"
Enquanto perguntava, a patinha peluda deu um empurrão e a imagem virou.
Após a reviravolta, a câmera focou diretamente no homem que acabara de sair do banheiro e estava vestindo um roupão!
Alice deparou-se com o impacto visual das costas e ombros largos, com linhas musculares bem definidas.
Ela soltou um grito de susto e o celular caiu fora da banheira.
Henrique ainda não tinha fechado o roupão, que pendia em seus braços, exalando a aura de hormônios de seu porte físico.
Ele ouviu o barulho confuso e virou levemente a cabeça.
Gotas de água escorriam de seu cabelo.
E o gatinho continuava cutucando o robô.
Alice percebeu que ele podia ouvi-la pelo monitoramento. Tapou a boca, paralisada por dois segundos, e depois teve que se apressar para pegar o celular.
Ia desligar a câmera quando viu Henrique caminhando em sua direção.
O homem inclinou-se e estendeu a mão. Seus dedos fortes e definidos foram amplificados na tela, e ele segurou o robô com um objetivo claro.
Henrique o pegou: "O que você quer ver?"
A imagem estava um pouco escura, e o roupão escuro dele trazia uma sensação de inquietude.
O decote em "V" profundo mostrava a linha das clavículas e as gotas de água que escorriam por seu pescoço e pomo de adão, sumindo dentro da vestimenta.
Alice tinha a ilusão de que ele podia vê-la através da tela.
Ela colocou o celular escondido na bancada ao lado, encolhendo-se sob as pétalas de rosa, e sussurrou para o microfone: "Não queria ver nada."
"Só estava vendo o gatinho."
Após ouvi-la, Henrique posicionou o robô de modo que a imagem focasse na caminha do gato.
Ele não aparecia na imagem, mas, se Alice não estivesse enganada...
O lugar onde ele colocou o robô era o criado-mudo deles.
Ela até viu, em um canto da tela, o livro "Teoria dos Jogos" servindo de suporte para o robô.
A voz de Henrique soou fora da tela, mas muito perto: "Está em Paris?"
"Sim."
Henrique comentou sobre o comportamento dela: "Foi uma partida bem repentina."
Alice inventou uma desculpa: "Tenho uma amiga aqui em Paris, ela me chamou de repente naquele dia e eu... não tive tempo de te avisar."
Houve um longo silêncio do lado de lá.
O gatinho aproximou-se da câmera, miando para ganhar carinho.
Sendo um gatinho macho, ele era mais apegado a Alice.
No entanto, a mão do homem logo apareceu na imagem, impedindo o gato de esfregar no robô e segurando o queixo do animal.
As veias do braço apareciam conforme o movimento dos dedos.
Era controle e carinho ao mesmo tempo.
O tom de voz grave de Henrique soou novamente, desmascarando o motivo dela: "Por eu ter tocado em uma peça íntima, você ficou tão sentida?"